Estudos do Tarot – A Morte

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A carta A Morte no Tarot de Rider Waite

Também conhecido como O Arcano Sem Nome, ou o Arcano 13, temos agora a vinda da Morte. Apesar de nunca a termos visto, aqui temos uma ideia da personificação da sua força, como um dos grandes mecanismos essenciais do Universo. Muitas vezes retratada como uma caveira, o que somos após sua passagem, ela é um dos Arcanos mais temidos do Tarot.

Todos temos medo da Morte em algum nível. Ela é a única certeza de nossas vidas e, ao mesmo tempo, o que temos de mais desconhecido. Cada religião e corrente espiritualista terá suas próprias teorias sobre ela, o que ela é, o que provoca, sua necessidade, e para onde vamos, ou não, quando somos pegos em seus braços. E mesmo com todas elas, o que realmente se desenrola continua sendo um mistério. Só teremos certeza quando por ela passarmos, e não costuma ser uma viagem com ticked de volta. Sua inevitabilidade, sua incógnita, e como ficamos desarmados diante do seu poder continua sendo uma das coisas mais complexas com as quais devemos lidar.

De todas as formas que temos de retratar o décimo terceiro Arcano, nos mais diversos estilos de baralho, encontramos sempre alguns pontos e ideias em comum:

  • É muito comum que a Morte apareça como um personagem, independentemente do tipo de baralho. No Tarot Mitológico, por exemplo, ela é representada pelo deus Hades, o Senhor do Submundo. E no Tarot Egípcio temos a figura do deus Anúbis, Senhor dos Mortos e Guia das Almas.
  • Aparecem pessoas caídas, as vezes apenas suas cabeças no chão.
  • É sempre o Arcano de número 13.
  • Não raro a Morte poderá portar uma foice, como um símbolo de corte.
  • É comum ter a figura de um rio que divide a carta em dois planos também, um mais vivo e o outro mais árido, geralmente na ideia da travessia do rio para o outro lado, que seria o mundo espiritual.
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Diferentes representações da carta A Morte no Tarot Egípcio (na figura do deus Anúbis), no Tarot de Rider Waite e no Tarot Mitológico (na figura do deus Hades)

Marcando seu potencial transformador, na Morte temos o invariável fim. E aqui não nos resumimos apenas ao fim da vida de alguém, mas a todos os fins. No Enforcado nos submetemos, nos sacrificamos, as leis ocultas do Universo, na esperança de vermos aquilo que antes não víamos, de poder renascer de outra forma. A Morte é o intermediário de nossas almas neste renascimento. Nela encaramos que, para ir adiante, tudo que antes tínhamos deve ter um fim. A cada mudança que temos nas fases e ciclos de nossas vidas passamos por sua força invisível.

A mulher que tem seu primeiro filho vê a morte daquela que ela antes foi para o nascimento de uma mãe poder ter seu lugar. O que pode desencadear processos psicologicamente densos e sofridos se ela não for bem assistida. A criança em nós se silencia para dar o lugar ao adolescente, que deve partir para dar lugar ao adulto e posteriormente ao velho em nós. Ao nos casarmos vemos o fim de nosso estado de solteiro. Ao mudarmos de cidade nos despedimos de pessoas, de lugares, de todo um estilo de vida em prol de outro. E estas são mudanças que, mesmo que voltemos ao local inicial (nos divorciando para voltar a solteirice ou nos mudando de volta para a cidade de onde um dia partimos), nunca voltamos como antes. O processo nos muda, e aquela versão nossa nunca mais poderá existir como existiu um dia. A Morte é nossa grande iniciadora, nos conduzindo e nos modificando ao longo de nossas jornadas até o último e mais derradeiro passo. Onde, para além dela, só ela em si pode nos mostrar o que existe e o que somos, em suas mãos.

O lado negativo

Como em todas as cartas do Tarot, na Morte também nos deparamos com um lado negativo, muito mais relacionado a nossa reação perante seu poder do que a ela em si. Os fins são parte dos ciclos da vida, são naturais e essenciais para seu mantenimento. O difícil, muitas vezes, é a nossa resistência e nossos sentimentos perante eles. É duro quando temos algo que amamos finalizado, tirado, de nós. Temos diversas fases em nosso luto, e nenhuma delas é capaz de fazer o que se foi voltar. Pela nossa própria carga emocional muitas vezes o Arcano da Morte pode falar de finais inesperados e dolorosos. De perdas irrecuperáveis, e de toda tristeza e dor psicológica que elas podem desencadear. Podemos aqui também falar de acidentes mortais, doenças incuráveis, divórcios, depressão e claro, de morte física também, pura e simplesmente.

No amor 

Aqui nossa interpretação irá variar muito tanto de acordo com o caso a nós apresentado quanto também a partir das cartas que virão junto do Arcano 13. Como aquela que traz mudanças drásticas, num aspecto positivo A Morte pode indicar o início de um novo ciclo, mais positivo, após muito sofrimento vivido. Aqui podem renascer o amor, a paixão e a felicidade. Agora, se ela vem num aspecto sombrio, as percas são inevitáveis. Ela trará os fins que precisam acontecer, querendo nós ou não. Afinal, a Morte apenas acontece, ela nunca pergunta nossa opinião sobre seu próprio serviço.

Na sexualidade 

A Morte é um tanto complexa de se analisar sexualmente. Ela pode ser muito positiva em seus aspectos de transformação e renascimento, mas também temos seu lado dolorido em voga. Quando ela sai, sempre é um aviso, inclusive em jogadas sexuais. O perfil que se marca por ela tende a ser inconstante pois, na lida da Morte, nada é eterno, inclusive os afetos e gostos de quem é regido por ela. Muitas vezes sua regência se torna boa, trazendo amantes desejados e novos ares, a possibilidade de uma fase nova e boa. Mas como nem sempre é assim, esse perfil pode carregar alguns traumas muito dolorosos. A Morte em seu lado denso também pode carregar em si as perversões humanas, do qual aquele que se rege por ela pode tanto ter sido o carrasco quanto a vítima. Em qualquer caso, sua vinda indica sempre mudanças necessárias, seja em encararmos as consequências de nossos atos ou de nossos traumas, para que deles possamos nos libertar.

No trabalho

Geralmente vindo até nós em momentos problemáticos e difíceis, A Morte quando colocada na área profissional sempre pede empenho. Pode ser que coisas terminem, e no começo seja caótico, para que depois nossos caminhos voltem a se abrir de forma mais próspera que antes. De qualquer forma, aqui temos que nos esforçar muito para que não percamos mais do que devemos. Nossa flexibilidade, criatividade e capacidade de renascimento são tanto testadas quanto favorecidas pela Morte.

Na saúde

Aqui não tem muito o que se teorizar em cima. A Morte traz o final dos problemas de saúde que enfrentamos, seja com a nossa melhora ou não. O que precisamos é saber analisar muito bem as cartas adjacentes a ela para saber de quais desses dois quadros ela está se referindo. E, sendo qual for o caso, sabermos ser sensíveis e humanos ao passar seu recado.

Na espiritualidade

Quando colocamos a camada espiritual da Morte em voga, temos o que muitas pessoas não gostam de encarar. Existe, na espiritualidade e na maior parte das religiões atuais, muita resistência e muito medo em relação a ela. Na maioria das vezes retratada como uma vilã, e no caso do cristianismo até mesmo como punição divina, temos na Morte toda sorte de reações negativas que a humanidade pode produzir contra algo que lhe coloca como não divina. Com a Morte vemos que não somos infinitos, que nosso poder tem um limite, não importa o quão poderosos nos tornemos. Ninguém a suborna, ninguém a controla, ninguém a extingue. Somos obrigados a lidar com ela e com isso, somos obrigados a lidar com a noção de que não temos o controle. E que, por mais que nos desenvolvamos, nunca poderemos tudo. A Morte é capaz de colocar a humanidade em seu lugar efêmero e frágil como nenhuma outra força, por isso é tão odiada. Em suas camadas psicológicas, também temos no Arcano da Morte nossos medos, fobias, e pânicos. Aquilo que escondemos mais profundamente em nossas sombras, por não conseguirmos lidar. A Morte nos convoca, então, a vermos além. Transpassando nossos temores e limitações. E indo até o outro lado daquilo que tocamos como realidade.

Carta anterior: O Enforcado 

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