Como já falamos em nosso texto introdutório sobre gnose, quando nos referimos ao estado de gnose nos referimos a estados alterados e não-duais de consciência que visam facilitar o nosso acesso ao plano espiritual, nos predispondo a termos nossas próprias vivências e experiências espirituais. As técnicas para se alcançar esse estado são inúmeras, não tendo uma só maneira correta ou mais certa que todas as outras. Existem as inibitórias, que visam o silenciamento da mente para a obtenção de foco (como as técnicas meditativas) e as excitatórias, onde entramos em transe por estímulos elevados ao nosso físico ou a nossa mente. Nisso, vamos desde métodos que vão exigir mais do corpo e do psicológico do praticante, sendo mais arriscadas, até as mais simples, feitas visando a realidade dos iniciantes.
Aqui, colocarei as que se encaixam aos que estão começando. Dando dois exemplos simples de métodos inibitórios e dois de métodos excitatórios. Afinal, o Guia é feito para ajudar justamente quem quer dar os primeiros passos! Vamos lá?
Método 1 – Contemplando uma fonte de fogo
Este método é perfeito para os piromaníacos de plantão. Sente-se em um local seguro e em uma posição que seja confortável e natural ao seu corpo. Coloque a sua frente, em uma altura adequada, uma vela acesa em suporte estável. Ou, se preferir, coloque fogo em um pequeno caldeirão ou panela que possua a devida resistência. Então, simplesmente admire as chamas. Faça-o até sentir que entrou em um ligeiro estado de transe, perdido em sua própria admiração.
Método 2 – Usando um mantra
Escolha um mantra de sua preferência e, de forma concentrada, o repita até que suas palavras comecem a perder o sentido para você. É nesse momento que a sua mente, suavemente, entrará em transe. Se desejar, use uma japamala ou um colar de contas para te ajudar!
Método 3 – Dançando
O método da dança serve também para demais atividades físicas. Aqui a lógica é colocar o corpo em movimento, em exercício, até você não estar pensando mais. Até você estar totalmente imerso em seu próprio movimento, apenas sentindo e não mais raciocinando. O estilo de dança, o tipo de música, o tipo de exercício, aí vai de você. Podemos ir desde a dança ao redor de uma fogueira ao som de cânticos pagãos até uma roda punk no meio do show da sua banda favorita. Apenas garanta que seja algo pelo qual você possa simplesmente se deixar levar, de uma forma positiva.
Método 4 – Se masturbando
O método mais clássico da classe caoísta. Se masturbe até o ponto do gozo. Sabe aquela sensação de “barato” que você tem nos segundos após gozar? É a “janela da gnose” deste método, o ponto de transe dela. Muito usado para carregar sigilos e dentro da magia sexual como um todo.
Viu como não precisa ser excessivamente complicado? Esses são exemplos simples, mas muito eficientes. Teste com calma e experimente até encontrar o que melhor funciona com você.
Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.
Carta A Sacerdotisa do Goetia – Tarot in Darkness de Fabio Listrani – Fonte: Acervo Pessoal
Se você já colocou suas mãos em algum livro relacionado ao ocultismo é quase certo que você já tenha lido o termo gnose. Sendo um substantivo grego feminino, gnose (γνῶσις, gnōsis) significa literalmente conhecimento. Também podendo ser traduzido como consciência. Apesar de seu início originalmente ligado a religiões e filosofias helenísticas, ele é vasta e amplamente usado no ocultismo ocidental, por este sempre ter bebido muito da cultura e da sabedoria dos cultos de mistérios gregos antigos em geral. Sua utilização tem em voga o conhecimento, ou percepção, pessoal do espiritual e do divino, em comparação com o conhecimento apenas intelectual. Ele denota o conhecimento interno que nos é dado através da experiência prática com o espiritual.
Pense na gnose como a sabedoria que você alcança através da ação. Quando iniciamos as nossas jornadas espirituais nosso conhecimento sempre é muito mais intelectual do que prático. Estando na fase de conhecer algo novo, começamos por ler a literatura básica e estudá-la para entender racionalmente onde estamos nos inserindo. Lemos, relemos, procuramos tirar dúvidas, fazemos anotações. Até estarmos prontos para começar com as práticas básicas. Com o avanço e a consistência dessa parte prática inicial é que começamos a entender não só a teoria daquilo que estamos fazendo mas também os resultados que temos com sua aplicação em nossas vidas. E é quando vivemos nossas primeiras experiências espirituais que o nosso caminho, a partir disso, começa a realmente caminhar e a ganhar contornos próprios. Com o tempo, e com a prática aplicada de forma madura, consistente e bem dirigida, alcançamos a gnose. O conhecimento, além do racional, que só a experiência ativa em nós.
Nisso que é muito comum você ouvir pessoas falando que gnose é algo que apenas pessoas que se iniciam em seus respectivos caminhos espirituais recebem. Todas religiões, práticas e vertentes espirituais possuem, para seus novatos, um período de estudos e treinos básicos antes que essa pessoa possa ser iniciada. Para que ela compreenda a teoria, para que ela veja se concorda racionalmente e intelectualmente com aquele caminho primeiro. Existindo essa concordância e a pessoa tendo recebido os treinamentos adequados ela então pode passar pelos ritos de cada caminho. Que dão entrada a não apenas a teoria, mas a experiência. Cada iniciação transmite o saber de sua corrente através de diversos tipos de experiências que farão com que o iniciado tenha sua primeira vivência. E a vivência do espiritual gera o conhecimento interno que chamamos de gnose.
Mas isso não significa que um praticante solitário não possa a ter. Existindo seriedade no trato e na aplicação da sua jornada espiritual gnose é algo que te alcançará conforme você caminha. Pois ela é fruto das experiências que temos pessoal e internamente com o espiritual, estando ou não entre outras pessoas de igual crença.
Geralmente quem tenta mistificar demais o que a gnose é não a tem. E isso é algo com o qual você deve ficar muito atento. Principalmente se você for iniciante. Existem muitas figuras por aí com anos e anos de profundo conhecimento teórico que adoram se colocar acima dos outros pela quantidade exaustiva de anos que estudaram milhares de livros ultra complexos e que vão querer se crescer principalmente pra cima daqueles que estão começando agora. Nunca caia na dessas pessoas pois se você cair, provavelmente se tornará como elas, estudando por anos sem fim e tendo uma prática completamente morta. Cheia de teorias e sem nenhuma vivência.
Espiritualidade não é o que você só escuta no banco de uma igreja ou templo. Espiritualidade é o que você vive.
E eu te digo isso com a mesma consideração que o meu pai me disse, anos atrás, numa conversa após participarmos de um culto evangélico cheio de testemunhos inflamados. Na época, ele me disse para não me deslumbrar demais com nada daquilo mas sim para colocar sempre tudo que era dito a prova. Pois de nada adianta você estar num lugar, numa religião, pelo que os outros vivem. É você que deve ter as experiências. As coisas precisam acontecer na sua vida, e não apenas na vida dos outros. Por mais que possamos escutar relatos incríveis da vida espiritual de outras pessoas sempre devemos procurar ter as nossas próprias experiências. Nosso foco deve estar em nós, naquilo que se prova dentro das nossas vidas de forma real e positiva, e não apenas na dos outros. Pois é assim que encontramos o caminho do nosso coração, onde andaremos não só através da vontade de crer em algo mas da sua experiência ativa.
Assim como os antigos gnósticos sabiam, a parte mais essencial das nossas jornadas é a vivência presente dela. Estude para amadurecer o seu conhecimento, e desse estudo construa a prática que te levará a sabedoria produzida através de um experiencial direto, do que você viverá na sua própria pele.
E, com o tempo, você verá que todo esse processo na verdade é absurdamente orgânico e que não precisa ser forçado ou apressado de forma alguma, apenas vivido. É o fruto do ousar que vem depois do saber na fórmula saber, ousar, querer e calar. Nossos estudos não são apenas para acumularmos conhecimento, para só sabermos racionalmente, mas para podermos ter a ousadia de o aplicar. Transformando verbo em ação, em nossa própria carne. O saber aplicado, a gnose.
Então, agora você já sabe, quando falamos da obtenção da gnose oriunda de um determinado caminho espiritual, falamos da prática daquele caminho que leva a compreensão mais profunda, vivida, dele. Entrar em estado de gnose é entrar em estados alterados de consciência que te permitam acessar e ter experiências próprias com o espiritual. Termos como gnose luciferiana, por exemplo, se referem a prática aplicada e dinâmica deste caminho espiritual em específico que nos levam a conhecê-lo de forma mais firme e imersiva. E quando você lê ou escuta as pessoas falarem da gnose de figuras espirituais específicas como a gnose de Lilith, de Lúcifer, de Belial ou etc o que está sendo dito é sobre o conhecimento que essas figuras dão para aqueles que ativamente se comprometem a trilhar com seriedade os caminhos delas. A vivê-los.
Sendo bastante comum também, num uso mais corriqueiro e superficial do termo, quando alguém vai falar sobre suas próprias experiências espirituais, se dizer que algo foi verificado ou não dentro da sua gnose pessoal. Significando aquilo que aquela pessoa confirmou ou não em sua própria vida através da sua prática espiritual. Você vai ver bastante esse uso de termos principalmente entre praticantes modernos de bruxaria. É um uso mais genérico, mas serve para demarcar aquilo que as pessoas verificaram ou não através das suas experiências ativas. Afinal, nem tudo vai ser vivido da mesma forma por todos e a bruxaria, assim como o ocultismo, segue a sabedoria experimentalista do meu pai de se colocar as coisas a prova e ficar naquilo que se faz real através da experiência viva de cada praticante.
Então ouse e não procure apenas conhecer o verbo, mas sim, o fazê-lo vivo em sua própria carne.
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