Primeiros passos – Sobre limpezas e proteções

Fonte: Arquivo pessoal

Depois de estabelecermos nossos estudos, nossas rotinas e começarmos a nos cuidar melhor, limpezas e proteções são próximo tópico base para mantermos a saúde e o bem estar das nossas práticas pessoais. Vamos ter bastante da necessidade de organização que vimos nos textos anteriores, mas agora estabelecendo o que para nós é ou não bem vindo e quais são os nossos limites. Vamos lá?

Limpeza

Quando falamos sobre limpeza nos referenciamos a tudo o que podemos fazer para afastar quaisquer energias ou influencias que não desejamos, seja em nós mesmos, em um ambiente ou até mesmo em um objeto, através de atos de purificação. Existem inúmeras formas de limpeza que você pode fazer dependendo da sua linha ou vertente. A limpeza mundana, física, sempre é o primeiro passo. Depois dela, então, você realiza a limpeza energética. Você pode usar a fumaça da queima de determinadas resinas ou ervas e o cantar ou o entoar determinadas palavras de poder ou mantras como formas de limpeza, por exemplo.

Podemos usar a limpeza em instrumentos novos que compramos para as nossas práticas espirituais como velas, adagas, túnicas e etc assim como, periodicamente, em nossos lares, nos ambientes em que ritualizamos e em nós mesmos para garantir regularmente nossa higiene energética. Nos desfazendo daquilo que não mais nos cabe e garantindo que tudo flua de forma alinhada e saudável.

Pense na limpeza energética como você pensa na limpeza física. Depois de um dia cheio onde você sujou bastante seu corpo físico é natural que você queira tomar um bom banho e vestir roupas limpas, certo? Da mesma forma, é aconselhável que você tome um banho de ervas ao voltar de uma visita a um cemitério, por exemplo. E assim como limpamos e organizamos nossas casas após receber muitas visitas, é comum também que limpemos e organizemos ambientes em que fazemos os nossos rituais. Se nos deixamos viver numa casa suja fisicamente, ao longo do tempo, com certeza vamos atrair algumas companhias nada agradáveis para nossa convivência como moscas, baratas, ratos e demais pragas domésticas. No mesmo princípio, se nos deixamos viver em ambientes sujos espiritualmente, também podemos atrair companhias nada agradáveis como larvas astrais e espíritos de baixa vibração que podem nos trazer uma miríade de problemas.

Então, assim como você limpa sua casa e tira o lixo regularmente para evitar que baratas, moscas e similares achem a sua casa muito interessante e propícia, tenha uma rotina básica de limpeza energética! Nas rotinas diárias, que já vimos aqui, temos o RmP que é muito indicado como limpeza e proteção numa base diária, mas é muito bom se, por exemplo, você fizer um banho de ervas em você mesmo, uma lavagem de chão e uma defumação na sua casa pelo menos uma vez por mês. O básico, se bem feito e feito com constância, tem efeitos maravilhosos e nos salva da maior parte dos problemas. Um ambiente que se mantem devidamente limpo e protegido raramente vai atrair espíritos e seres nocivos aos seus habitantes, da mesma forma que um lar bem cuidado raramente vai sofrer com algum tipo de praga. O princípio é o mesmo e pede de nós o mesmo comprometimento e cuidado, afinal, é para o nosso próprio bem estar.

  • Sobre banimentos: Banir, por definição, é o ato de expulsar algo ou alguém de algum lugar. Tendo isso em mente, banir não é a mesma coisa que purificar. Pense que um banimento é expulsar uma visita chata da sua casa. Por mais que ela fique muito melhor só de estar livre daquela figura inconveniente a louça continua na pia, entende? Um banimento pode conter em si alguns efeitos purificativos também. No entanto, tenha em mente que eles são mais fortes e para situações mais focadas do que é a limpeza comum. Você toma banho todos os dias como forma de limpeza, por exemplo, e apenas dentro de circunstâncias específicas expulsa algo ou alguém da sua casa. Com o banimento é a mesma coisa. Enquanto limpeza é asseio e manutenção daquilo que te é saudável, banimento é despejo. É o enxotar, o escorraçar, e o exilar de algo. Nem toda limpeza é um banimento, mas através do banimento cortamos o que não queremos, desalojamos espíritos que podem ter se infiltrado em nossas moradias e expelimos energias mais densas que a limpeza sozinha não abarcaria. Então o use de forma mais pontual quando a necessidade pedir.

Proteção

Depois que efetuamos nossas limpezas, ou ao realizarmos algum banimento, a proteção entra em jogo. E proteções são defesas. É o que você faz para defender a si mesmo, ou ao seu espaço, etc, de algo externo. Elas evitam que o que mandamos embora em nossas limpezas e banimentos tenham como voltar e nos salvaguardam. Uma boa proteção pode ser simples ou ter em si diversas camadas dependendo da sua função. Então, antes de qualquer coisa, determine:

  • O que ela será? Ela vai ser um feitiço com velas, um amuleto, uma garrafa de bruxa?
  • Do que ela será feita? O que você vai precisar para fazê-la?
  • Para que ela será feita? O que motivará a existência dela?
  • Como atuará? Qual será seu exato efeito?
  • Para quem/contra quem? Ela é para você, seu lar ou algum ente querido? Contra o que?
  • Em quais níveis atuará? No material? No espiritual? Terá algo a mais?
  • Por quanto tempo? Qual será sua duração?
  • Ela precisará ser refeita ou reforçada? Se sim, por quais motivos e de quanto em quanto tempo?
  • Existirão gatilhos? Ela se ativará apenas em certas circunstâncias? Algo acontecerá para te avisar se ela for quebrada? Algo acontecerá com quem a quebrar?

Respondendo essas questões você tem desde a forma mais despretensiosa de magia de proteção até as mais complexas e intrincadas. Assim como em relação a limpeza, recomendo que as suas proteções estejam sempre em dia. Você pode proteger as portas e janelas da sua casa com sigilos ou símbolos de proteção. Pode tomar um chá feito de ervas específicas para que, enquanto você dormir, seus sonhos estejam protegidos de qualquer manipulação externa. Você pode fazer uma garrafa de bruxa que absorva, no seu lugar, determinadas energias nocivas. Algum amuleto, como um anel ou um colar, para que você não seja assaltado enquanto o usar. As possibilidades são praticamente infinitas e, se forem bem executadas, seus efeitos serão visíveis.

Você não precisa começar com nada muito difícil. Acenda uma vela branca e queime galhos de arruda nela, pedindo pela sua proteção ou pela proteção daqueles que você ama. Está andando por algum local que não te inspira confiança? Visualize uma bolha de energia protetora ao seu redor que seja espelhada por fora para passar desapercebido. Quer afastar as pessoas ao redor além de não ser notado? Imagine que a bolha possui espinhos enormes por todos os lados. O ato adequado no momento oportuno é tudo do que você precisa. Estabeleça o que você não deseja e imponha os seus limites.

Múltiplas camadas

Conforme sua prática for avançando, naturalmente, suas proteções irão ficar cada vez mais precisas e complexas. Para seguir a Via Sinistra eu indico que você tenha múltiplas camadas de proteção e que elas passem a possuir gatilhos que te avisem quando algo bater nelas, ou mesmo quando algo conseguir as derrubar. Aqui você precisará não só saber como se proteger efetivamente mas também como jogar o jogo.

Cuidar da limpeza e da ordem dos seus ambientes tornará fácil para você identificar quando algo estiver fora de lugar. Assim como conhecer sua própria energia e a manter sempre alinhada tornará imediato para você sentir quando algo tentar te influenciar ou mexer com você. Nisto, proteções e banimentos também são, além de como você estabelece os seus limites, como você se defende e como você aplica consequências e a expulsão do que os ultrapassar. Desenvolva complexidades e nuances que sejam próprias suas em seu trabalho, de forma que nunca seja óbvio para outros desarmar aquilo que você tem.

Combine o mundano com o espiritual. Faça aquela faxina completa na sua casa enquanto também a limpa energeticamente. A proteja com sua magia e estabeleça limites para quem pode ou não entrar nela. Nunca deixe qualquer pessoa estar no seu espaço pessoal. Faça banhos de ervas para limpar e proteger seu corpo e seu espírito. Aprenda a encantar sua alimentação e se fortaleça energeticamente assim como fisicamente. Aprenda a dizer não como uma forma de proteção, tanto mundana quanto espiritual. Assim como você não deve aceitar qualquer tipo de comportamento de um espírito você não o deve aceitar de uma pessoa, seja ela quem for.

Assim que você se estabelecer energeticamente e começar a ter o trabalho de manter o seu próprio alinhamento será natural não querer mais admitir qualquer coisa, de qualquer forma, na sua vida. Assim como deve ser natural determinar consequências para o que tentar contra elas. Afinal, elas foram criadas para a sua segurança, e você deve levar a sua segurança a sério. Seja ela física, emocional ou espiritual. Não tenha medo de se impor e de se defender. Estando na Mão Esquerda, você não deve temer embates. Eles sempre são oportunidades para que você aprenda uma coisa ou duas. Então, estude cada situação ao seu redor e aprenda a se garantir, fazendo bom uso da sua inteligência e da sua própria complexidade.

Até mais!

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Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Primeiros passos – Como identificar discurso fascista dentro da Mão Esquerda

Fonte: Arquivo pessoal

Começar a estudar sobre espiritualidade, principalmente no que se refere as vertentes pertencentes a Mão Esquerda, não possuindo conjuntamente educação política pode te fazer, sem saber, absorver conteúdos e ideias extremistas. Por isto, aqui no blog, deixarei este pequeno guia de como identificar ideias e discursos fascistas em textos, livros ou falas dos autores do nosso nicho. Guarde as informações aqui contidas de forma vívida em sua mente e amplie sua educação para além daquilo que aqui for apresentado.

O que é o fascismo

Quando falamos de fascismo estamos falando, por definição, de uma ideologia política baseada no ultranacionalismo e no autoritarismo. Ela se caracteriza pelo uso de poder ditatorial, repressão da sua oposição através de força militar e de uma forte arregimentação tanto da sociedade quanto da economia. Atualmente o fascismo se divide e se diversifica entre os diversos ramos dos movimentos da extrema-direita. Porém, seus pontos vitais sempre são facilmente identificáveis.

Neles temos a presença constante de um nacionalismo extremo, desprezo pela liberdade política e pela democracia, a crença de que existe uma elite social natural e a defesa dessa elite acima do bem estar comum. Assim como encontramos uma constante preocupação oriunda da ideia de que existe um declínio moral e cultural ocorrendo na sociedade, com a glorificação de um passado mítico, da violência e do totalitarismo como fatores redentores. O fascismo, economicamente, defende a autarquia. Se opondo tradicionalmente ao liberalismo e ideologicamente ao comunismo, ao socialismo e ao anarquismo.

Indo por partes em seu discurso, temos:

1 – O estabelecimento de um passado mítico

A ideologia fascista constantemente invoca a ideia de que existiu um passado puro e moralmente digno, que foi tragicamente destruído pela corrupção ou decadência trazido por aquilo que é considerado diferente e externo. Aqui temos as ideias de pureza racial, assim como as ideias de pureza religiosa e cultural. O medo da diferença neste item e nos próximos é crucial. O culto a tradição e a rejeição a tudo que é considerado moderno só pode existir através da imposição do temor contra o outro. Assim como contra tudo que é considerado externo, diferente e desconhecido.

2 – O ultranacionalismo

Tendo estabelecido uma noção romântica de passado, os mitos sobre um possível renascimento nacional se tornam possíveis. Aqui a noção de nação é passada como se fosse uma entidade única e orgânica, que une as pessoas em função da sua ancestralidade em comum. Então, após a noção da pureza perdida de um tempo passado, o fascismo cria um senso de identidade tribal exaltando os conceitos de raça e ancestralidade como base para um novo sentido de unidade, força e pureza.

3 – A natureza da hierarquia

No próximo passo do pensamento fascista temos hierarquias sociais que são impostas pela própria natureza, perante a superioridade moral de seus indivíduos. A ideia do passado perdido e da tribo se une a noção de superioridade a ser resgatada como um direito de nascença. Isso torna a noção da igualdade, dentro da lógica fascista, como contrária as próprias leis do mundo natural que coloca certos indivíduos espontaneamente acima dos outros. É comum vermos a noção de que homens estão acima das mulheres por natureza intrínseca, por exemplo. Assim como a ideia de que os membros de determinadas nações ou culturas estão acima do resto do mundo e, por causa disso, deveriam governar por direito.

4 – A vitimização

Seguindo então a lógica fascista, as classes e indivíduos dominantes seriam vitimados ao serem obrigados a compartilharem direitos a cidadania e poder social com grupos externos ou minoritários. Aqui entram as acusações de que determinados grupos não são dignos de assistência, ajuda ou acesso a recursos sociais. Nisto temos o ataque e a retirada da humanidade a qualquer grupo considerado externo ao grupo dominante. O que é perigoso para todos que são tidos, por qualquer razão, como diferentes do que é imposto pela norma. Essas diferenças podem ser étnicas, religiosas, culturais ou ideológicas.

5 – O apelo ao irreal

Nisto, o fascismo substitui o diálogo fundamentado, o livre acesso a informação e a educação por apelos emocionais que, quando bem sucedidos, incutem temor e raiva, deixando seus ouvintes com a vívida sensação de perca e de desestabilização. O objetivo é criar o sentimento do nós versus eles para formar um quadro de ressentimento e desconfiança contra aqueles que são colocados no posto de serem os outros, os diferentes, os inimigos.

É nisto que o discurso fascista procura desvalorizar a educação. Se você não tem acesso a diferentes perspectivas, a pluralidade de ideias e a especialização que a educação permite você não conseguirá notar as falhas no pensamento que te é apresentado e só te sobrará uma visão exclusivista, alheia a qualquer descrição precisa da própria realidade. Teorias da conspiração cada vez mais alarmantes são passadas no lugar de análises racionais sobre mazelas sociais com o alerta de que você não poderia procurar a averiguação daqueles fatos em locais externos por eles não serem confiáveis, o que te radicaliza, poda e distorce a sua visão e percepção de mundo.

6 – O apelo a ansiedade sexual

Como uma ideologia política que coloca a família nuclear e patriarcal como base temos no fascismo também o pânico natural contra tudo que se desvia desse arranjo. E é importante notar que este pânico é gerado principalmente contra tudo que ameace os papéis masculinos tradicionais ou questionem o local do homem enquanto sujeito no mundo. Acusações contra a imoralidade sexual, principalmente contra a liberdade sexual feminina, surgem junto a homofobia e a transfobia com muita frequência. É comum que exista um culto a masculinidade ou, no mínimo, a exaltação a qualidades tidas como viris em oposição as tidas como femininas dentro deste tópico. A juventude é glorificada e tida como precisando ser purificada da promiscuidade da cultura moderna, com foco na formação de núcleos familiares que tenham como principal função a reprodução para o nascimento de indivíduos superiores. É comum, por causa disso, o cerceamento da liberdade reprodutiva feminina.

7 – O totalitarismo

Em um estado democrático, leis são tidas como instrumentos para garantir que todos os cidadãos de uma sociedade sejam tratados de forma igual e justa, garantindo o respeito mútuo entre as pessoas. Por outro lado, perante o fascismo, a igualdade é um conceito irreconciliável. As leis, então, são feitas para separar aqueles que são tidos como a elite superior, e por isso governantes naturais por direito, daqueles que devem apenas servir. Um novo Estado totalitário, composto pela elite e encabeçado por um líder carismático que possua alto apelo popular, é apresentado como solução a todos os problemas. Com o uso de forte repressão militar como um meio para perseguir, segregar e eliminar qualquer oposição ou pensamento dissidente.

8 – E a violência como redentora, junto a formação do Novo Homem

A violência e a retaliação, dentro da visão fascista, é um direito dos fortes sobre os fracos. Aqui temos a glorificação da guerra, e da figura do guerreiro, como uma forma de compensação. Se você sente um profundo medo do outro, acredita que sua cultura e sua superioridade foram retirados de você, e te fazem acreditar que o uso de força bruta contra os seus inimigos irá provar o quanto você é sim superior o uso dessa força se torna um escape compensatório para todas as inseguranças que colocaram dentro de você. E fazer parte de uma grande unidade social violenta pode ser uma retomada para o senso de poder que pretensamente lhe foi tomado.

É comum, dentro do imaginário fascista, que após a instituição do novo Estado totalitário e do domínio social ser garantido, surja o conceito utópico do Novo Homem. Um novo tipo de ser humano, ideal, superior e forte, que substitua e sobrepuje a condição humana atual. Esse conceito não é exclusivo do fascismo, sendo usado também em outras vertentes ideológicas e religiosas. Mas nele temos a ideia deste novo sujeito sendo especificamente imune a suposta mentalidade de rebanho das sociedades atuais, repudiando as normas, sendo mestre de si mesmo e capaz de iniciar uma nova era humana. Este ser, perante o fascismo, é uma figura de ação, viril e máscula. Vindo ao mundo geralmente através de processos de eugenia. Podendo ser intercambiável, em algumas interpretações, com o Novo Homem transumanista, que aprimora a humanidade unindo o biológico ao cibernético.

Agora que já vimos os principais pontos do discurso e da ideologia fascista, como os reconhecer?

Em meios religiosos e esotéricos é raro que discursos políticos sejam apresentados como tal. Eles são diluídos, disfarçados e suavizados como conceitos espirituais. O intuito é que você não encare nada como abertamente político e sim como uma questão de crença. Religiões e formas de culto, assim, são meios sutis mas muito eficientes de doutrinação tanto sobre pequenos grupos quanto também sobre grandes massas.

Apesar de ser fácil achar críticas e questionamentos referentes a isso em meios esotéricos e espiritualistas, muito para criticar especificamente o cristianismo, falta a noção de que toda crença espiritual pode trazer em si pontos ideológicos políticos, e que isso inclui o neopaganismo, o ocultismo e a Mão Esquerda.

A presença da extrema-direita no ocultismo e no esoterismo está longe de ser um fenômeno recente. Teorias da conspiração clássicas oriundas do nazismo, discursos que promovem noções de eugenia e revisionismo histórico para criar conceitos de passado mítico são comuns em diversas vertentes, nunca sendo combatidos ou desmascarados justamente pelo verniz de crença espiritual que carregam.

Dentro do neopaganismo nórdico, por exemplo, a presença da extrema-direita é marcante através da Ariosofia de Guido Von List e de Jörg Lanz von Liebenfels. A Armanen-Orden, que cuida do legado intelectual de Von List, segue ativa e bem estabelecida até hoje. Dentro da Mão Esquerda, o Satanismo possui diversas organizações abertamente alinhadas ao fascismo como a ONA (Order of Nine Angles), que carrega dentro do seu corpo de crença o incentivo ao sacrifício humano, ou assassinato ritual, como um meio de eliminar aqueles que são considerados como inferiores e mais fracos. Mas nem todas as organizações e figuras são tão obvias como as aqui citadas.

Então, antes de pegar qualquer texto, livro ou material organizacional procure o histórico de seus autores e participantes. Quem eles são? Qual é a jornada deles no meio? Com quem eles se aliam? Eles se baseiam e disponibilizam quais fontes e quais referências em seus trabalhos? Procure informações, cheque suas associações, as entrevistas que já deram, qual o rosto que eles tem. Se for difícil saber quem um autor é e de onde veio fique alerta. Nunca coloque figura alguma em um pedestal.

Perceba, nos discursos e textos, se qualquer um dos oito pontos da ideologia fascista aqui mostrados são citados, direta ou indiretamente. A maior parte dos nomes da Mão Esquerda se colocam como sendo contrários a qualquer tipo de política autoritária ou preconceito, no entanto, nas mesmas obras onde isto é dito você pode encontrar:

  • Noções de elite natural: Se você já leu que satanistas ou luciferianos são superiores, moral ou intrinsecamente, você já se deparou com o conceito de elite natural. Principalmente se, em comparação, o resto da sociedade é retratado como inferior. Colocações como chamar pessoas de ”animais de rebanho”, possuidoras de uma ”mentalidade de escravo”, para colocar satanistas e luciferianos como predadores versus presas são pertencentes ao velho discurso de nós os superiores versus o outro inferior. E apresentam nada mais do que uma dicotomia rasa e sem nenhuma profundidade em relação ao mundo, com o propósito de criar uma sensação de superioridade imaginária e distorcida.
  • A defesa do fim do ”mito da igualdade”: Se você já leu alguma variante desta frase, principalmente seguido por alguma referência ao ”machado da força” (que remete ao símbolo do fasces romano), você entrou diretamente no ponto da vitimização. Direitos sociais não nivelam nenhuma sociedade por baixo. Acreditar que os fortes são feitos de vítimas por existirem leis que garantam a igualdade social entre todos é um discurso de velho e preguiçoso contra minorias sociais que se apoia no irreal. Principalmente se este discurso estiver defendendo a criação de barreiras intransponíveis entre os pretensamente fortes e aqueles que eles consideram fracos, com o estabelecimento de uma nova ordem, onde também entramos no ponto do totalitarismo.
  • ”Satanistas/Luciferianos nascem, não se fazem”: Se você já leu isso, você já leu sobre eugenia e sobre a criação do Novo Homem. A noção de procriar uma nova raça foi largamente usada pelo nazismo e ainda é divulgada em muitos meios de Mão Esquerda aliados a extrema-direita, substituindo apenas o termo ”nova raça ariana” por variantes como ”nova raça satânica” e similares. Não compre nenhum discurso de que a humanidade está se tornando débil e frágil por causa de uma suposta degradação moral que amaldiçoa as novas gerações com patologias sociais e doenças hereditárias e que apenas satanistas ou luciferianos seriam livres da entropia que adoece as grandes massas, sendo assim aqueles que irão parir uma nova qualidade superior de seres humanos.
  • Permissividade com grupos assumidamente extremistas: Se você ver grupos como o ONA serem descritos como apenas controversos, porém revolucionários, fortes e grandiosos, você está consumindo informação de pessoas e grupos que são tolerantes as suas ideias. Nunca se sinta confortável se sentando na mesma mesa onde também estão pessoas que podem relativizar sacrifício humano, em prol da sua própria segurança.
  • Discursos moralistas com alto apelo a ansiedade sexual: Apesar da vasta maioria dos autores e grupos de Mão Esquerda se colocarem contra o discurso da mulher como sexo inferior, perceba se as mesmas pessoas que dizem ser contra a misoginia também falam sobre o único amor verdadeiro ser o gerador, entre um homem e uma mulher, com o conceito de que existe um processo evolutivo orgânico que está perdendo a qualidade aos poucos pela imoralidade da cultural atual. Aqui entramos novamente na eugenia. E se ela e o pânico moral são defendidos a posição da mulher naturalmente é reduzida. Termos como ”vulgaridade da escória” levantam alertas vermelhos. Assim como discursos de como a sexualidade deve ou não ser a fim de não conter ”a absurda vulgaridade e grosseria vista nas massas”. Existem muitos textos que começam louvando o poder sagrado feminino, contra o puritanismo religioso, e terminam criticando a liberdade sexual como uma promiscuidade causadora de vícios e decadência moral, não tendo lugar na vida do ”ser humano superior”.
  • E teorias da conspiração junto a distorção de fatos históricos: Se você já leu que Lúcifer é um antigo soberano extraterrestre que realizou experiências genéticas entre criaturas repitilianas intelectuais de Órion e seres humanos você já caiu no beco das teorias conspiratórias com fundo antissemita. Revisionismo histórico, principalmente sobre o período das Inquisições, devem levantar as suas suspeitas. Não absorva nenhum tipo de antissemitismo ou islamofobia sobre o falso pretexto de apenas criticar o monoteísmo.

Reconheci discurso fascista, e agora?

Avalie. Foi em um grupo? Então se retire. Foi em algum texto ou livro? Passe um bom pente fino em seu conteúdo. Existem autores que irão se dizer contra qualquer tipo de preconceito, totalitarismo e extremismo e três páginas depois defenderem todos os pontos da ideologia fascista como se estivessem num bingo. Existem outros que irão apenas gostar muito da ideia de nós os predadores versos as massas que são um pretenso rebanho e vão parar por aí. Esse discurso de predador versus presa é muito difundido inclusive em correntes vampíricas de espiritualidade predatória até como estética de nicho. Se atente ao nível real de desprezo contra o outro que é colocado e se outros pontos ideológicos também são incluídos.

Leia criticamente, questione e procure diversificar suas fontes. Existe muito mais dentro da Mão Esquerda do que as opiniões e as obras dos mesmos caras brancos e calvos de meia idade pra cima. Consuma conteúdo escrito e feito por pessoas negras, por mulheres e integrantes da comunidade lgbt. Aposte na pluralidade de ideias para enriquecer sua visão de mundo e nunca pare de crescer, se desenvolver e se educar.

Até mais!

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Primeiros passos – Estudo, meditação e cuidados pessoais

Fonte: Arquivo pessoal

Agora que já sabemos o que é a Mão Esquerda e já temos uma noção inicial das suas principais vertentes, o Satanismo e o Luciferianismo, podemos começar a organizar nossos primeiros passos dentro da Via Sinistrae. Eles serão compostos de estudo, meditação e cuidados pessoais.

Estudo

A primeira coisa que vamos escutar quando entramos em qualquer vertente do ocultismo é que precisamos fazer nossa própria pesquisa e ter nosso próprio estudo, não é mesmo? No entanto, é raro alguém nos falar sobre como podemos fazer isso. Afinal, como estudar? Como verificar fontes e cruzar informações? Onde e de que forma podemos fazer uma boa pesquisa? E aqui, tudo deve começar no contexto.

Se contextualize primeiro

Se você está seguindo o Guia deste blog, você já escolheu a Mão Esquerda como seu ponto de partida. Saber o que ela é, de onde ela veio e quais são suas maiores vertentes, como estamos fazendo aqui, é o primeiro passo para que você compreenda de forma mais clara o o que, o onde, o quando, o quem e o por qual razão que formam o contexto do meio. Então o que é a Mão Esquerda, de onde ela veio, quando ela se formou, quais nomes a formaram e por qual razão ou motivo ela foi formada devem ser as primeiras perguntas que você deve se fazer e procurar responder para saber exatamente onde você está adentrando e em qual chão você está pisando. Você pode ter um resumo dessas informações aqui no Guia, mas vá mais fundo.

E, daqui em diante, em qualquer coisa que você pegar em mãos para estudo, cultive o hábito de sempre se questionar o o que, o onde, o quando, o quem e o por qual razão.

Por exemplo, se você pegar um livro para o estudar, analise o que exatamente está sendo dito nele, de onde ele veio ou de qual editora e nicho ele saiu, quando ele foi escrito e se a época em que ele foi escrito é relevante para explicar as visões que nele são passadas, quem o escreveu, quem essa pessoa é em seu meio e por qual razão ela passaria o discurso que está passando.

Fazer isso pode parecer chato ou trabalhoso num primeiro momento mas acredite, ter esse cuidado te fará discernir muito melhor tudo com o qual você entrar em contato.

Analise as fontes

Ainda no último exemplo de termos pego um livro específico para estudar, além de procurar o contextualizar respondendo o o que, o onde, o quando, o quem e o por qual razão, como podemos conferir se ele possui boas fontes? Como verificar as fontes de qualquer coisa que estamos lendo, afinal?

Existem três tipos de fontes que encontramos ao estudar basicamente qualquer coisa: As primárias, as secundárias e as terciárias. As fontes primárias são aquelas que são produzidas pelo próprio autor, através de suas pesquisas e experiências em primeira mão. Nas fontes secundárias encontramos análises sobre as fontes primárias, e nas terciárias temos os guias para as duas primeiras, ou seja, são nas fontes terciárias que temos os dicionários, enciclopédias, guias de leitura e outros tipos de centros de informação.

Dentro do ocultismo, por exemplo, uma fonte primária seria um texto religioso ou mesmo um antigo grimório que possua relevância histórica. Uma fonte secundária seria a pesquisa de algum autor analisando e pontuando detalhes a serem observados sobre o texto religioso ou sobre o grimório em questão. E as fontes terciárias seriam os dicionários, os compêndios e as enciclopédias que temos.

Ter essas três definições bem claras nos ajuda muito a verificar se um livro, um artigo ou um site é bem embasado nas informações que passa ou se só estão transmitindo opiniões pessoais sem nenhum tipo de fundamento disfarçadas de conhecimento. Então, para identificar se o conteúdo que você consome possui boas fontes e tem credibilidade, verifique sempre se:

  • As informações passadas estão atualizadas e contextualizadas dentro de sua respectiva época
  • As fontes que os autores citam, se citam, são claras, verificáveis, imparciais e contribuem de forma útil para o seu estudo, possuindo em si mais do que fontes primárias mas também secundárias e terciárias.
  • Os autores são de fato do meio sobre o qual eles estão produzindo conteúdo, ou pelo menos tem um envolvimento relevante nele, sendo fácil identificar quem eles são e suas trajetórias

Se você pegar um livro ou a obra de um determinado autor e perceber que ele não cita quase nenhuma fonte, não possui referências nos assuntos que trata, não possui bibliografia ou, se a possui, ela é muito reduzida e pobre, já é um alerta de que estão te vendendo apenas textos opinativos sem nenhuma base ou confiabilidade que os garantam. Pior ainda se for uma figura que desconversa ou se irrita quando questionam de onde ele ou ela tiram as informações e o conhecimento que passam.

Tenha discernimento

Mesmo nos contextualizando e estando atentos as fontes, muitas vezes vamos sim topar com autores e materiais duvidosos em nossos estudos. E nisto entra o discernimento. Se aproxime de absolutamente qualquer coisa com discernimento. Questione quem está falando, com quais credenciais, o que faz quem está falando ter qualquer autoridade no assunto que se propõe a falar, qual pesquisa ou treinamento essa pessoa teve, se estão falando por si mesmos ou em nome de um grupo e quais perspectivas são colocadas ou excluídas do discurso que está sendo passado. Fique atento também na forma como autores colocam suas ideias em seus textos e livros. É comum que, em livros sobre espiritualidade em geral, você seja levado sutilmente a concordar com o autor sem perceber.

Por exemplo, um autor pode colocar em seu texto um “assim como no velho ditado” ou “como sabemos” nenhuma energia pode ser criada ou destruída, apenas transformada. O que não é nenhuma sabedoria ou ditado ancestral e sim uma lei da física, a lei da conservação da energia. Mas o autor não dirá que é uma lei da física, ou de onde vem essa noção, nem te dará citação alguma. Só usará essa frase de forma solta, distante de seu contexto, porque é algo que você provavelmente já ouviu em outros lugares, para que você concorde de forma implícita pela sensação de familiaridade com qualquer coisa que ele ou ela diga a seguir.

Muito cuidado com esse tipo sutil de manipulação. Seja chato sim e muito em relação a citações e fontes justamente para não cair neste tipo de pegadinha.

É válido lembrar também que você não precisa concordar com tudo que um autor ou figura diz para usar seus livros e materiais em sua prática ou em seus estudos. Não existe, até o presente momento, autor com o qual eu concorde totalmente em tudo. Até mesmo no material que eu indico eu sempre indico com minhas críticas e ressalvas incluídas, o que não quer dizer que não exista valor ali para ser absorvido e compreendido. Só diz que eu estou exercendo ativamente o meu discernimento e tendo minhas próprias opiniões e pensamento independente. Não descarte a obra inteira de um autor só porque você não concorda com ele em um ou outro ponto, isso só vai limitar seu campo de pesquisa. O que você de fato deve descartar são discursos de ódio, pseudociência, supremacia branca, racismo, antissemitismo, transfobia e elitismo que se disfarçam de discurso espiritual. Não sendo nada disso, você pode ter pontos em que você concorda e que você discorda livremente sobre os mais diversos livros e autores do meio.

E pegue um ponto de partida

Se atentando aos cuidados já citados sobre contexto, fontes e discernimento estabeleça qual vertente você irá querer seguir dentro da Mão Esquerda e escolha, dentro dela, pelo menos três livros pelos quais começar, cujo foco esteja em iniciantes.

Busque autores bem referenciados, que sejam reconhecidos em seu meio, cuja trajetória você possa pesquisar com clareza, e veja quais são os livros introdutórios eles já lançaram. A Bíblia Satânica, de LaVey, é um bom livro introdutório de fonte primária se você quiser seguir o satanismo, por exemplo.

Mas nunca fique em um só autor. Varie as opiniões que você consome e anote suas impressões, suas dúvidas e seus pensamentos enquanto estuda. Cruze informações e referências sempre vendo a bibliografia que os autores que você está consumindo trazem em suas obras e quais fontes eles citam. Nunca tome a palavra de ninguém como verdade absoluta. Duvide sim, e de tudo. São as dúvidas que farão você ir mais fundo e mais longe no seu caminho.

Um ponto sobre acessibilidade

Nem todo mundo tem dinheiro para investir na compra de livros no começo de seus estudos. Se você está nessa, não se sinta mal por isso. Existem lugares que disponibilizam materiais em pdf justamente por causa disso. Assim como existem muitos sites e canais confiáveis onde você pode encontrar excelentes informações gratuitamente. Além de sites como o Google Acadêmico onde, além de livros, você pode pesquisar artigos e jornais acadêmicos. Se você possui o inglês como segunda língua o Jstor também pode ajudar bastante. Sebos e livrarias públicas também são locais interessantíssimos para se achar bons materiais. Você pode se surpreender com o que vai encontrar se der uma chance a eles!

Tenha em mente, no entanto, que a Mão Esquerda é um nicho muito pequeno. Não só aqui no Brasil mas no mundo como um todo. Existem poucas editoras que trabalham com títulos de Mão Esquerda e poucas pessoas que pesquisam e escrevem sobre seus temas com profundidade e seriedade. Isso faz com que tenhamos que garimpar um pouco mais no que diz respeito a achar livros e materiais de qualidade. E que sejam poucas as pessoas e os locais que estejam traduzindo material da gringa para cá, para o português. Hoje em dia temos mais material do que tínhamos anos atrás, mas ainda existem centenas de livros e muito material que você até encontra gratuitamente pela internet mas somente em inglês. E outros que até tem alguma tradução, mas feita da pior forma possível. Então tenha paciência nas suas buscas e use todas as ferramentas que puder para ir atrás do conhecimento que você deseja.

Não deixe que a falta de dinheiro te prive de pesquisar e estudar. Apenas quando for possível, dentro das suas possibilidades, vá investindo aos poucos em comprar seus próprios livros. Seja fisicamente ou em formato digital. Isso vai te garantir ter em mãos um bom material, sem cortes, bem traduzido e bem pesquisado. E será muito mais importante e substancial para o seu crescimento e desenvolvimento ter uma boa biblioteca pessoal do que ter um athame importado ou uma varinha cara. Então, faça o melhor que você puder dentro das suas possibilidades e, se você puder investir, invista em conhecimento antes e acima de qualquer outra coisa.

Meditação

Enquanto você estuda, comece a estabelecer uma rotina de meditação. Isso será fundamental para todos os passos que você terá pela frente. É na meditação que aprendemos a focar a nossa mente no momento presente ou em alguma atividade em específico. E foco é essencial para qualquer prática espiritual.

Se você nunca meditou antes, comece devagar. Três ou cinco minutos por dia estão ótimos. Meditação não é tanto sobre o tempo que você consegue praticar, mas sobre regularidade e consistência. Também não se preocupe em esvaziar sua cabeça, ou silenciar completamente os seus pensamentos. Não só não é algo que você vai conseguir facilmente se você é iniciante, como literalmente esse não é o ponto. O ponto é desenvolver sua capacidade de foco. Por isso em práticas iniciais você nunca terá o silencio da mente, mas sim o focar nas suas sensações físicas, no seu corpo, na sua respiração, que te trazem ao momento presente, ou em algum ato como a repetição de um mantra ou a observação da chama de uma vela.

Existem várias maneiras de se meditar. Se você não consegue fazer a tradicional posição de lótus e se concentrar apenas na sua respiração por três minutos você também pode transformar alguma atividade mais ativa como a dança ou até mesmo uma caminhada, por exemplo, em uma atividade meditativa. Você só precisa ter essa atividade como seu único ponto de atenção e concentração pelo tempo que você a realizar. Principalmente se você tem tdah, te encorajo a procurar formas ativas de meditação. Atividades como ioga são excelentes para o desenvolvimento da atenção focada, além de serem muito benéficas para o nosso corpo e para a nossa mente. Existem ótimos professores de ioga que gravam suas aulas e as disponibilizam gratuitamente no YouTube, ou em outras plataformas. Assim como existem ótimos vídeos e aplicativos sobre meditação. Se você for autista você pode até transformar algum stimming seu em uma atividade meditativa. Pesquise e estabeleça uma rotina inicial que seja confortável e possível para você.

Cuidados pessoais

Se existe uma coisa que todos sabemos que é essencial em nossas vidas como um todo mas muitas vezes acabamos deixando de lado, por inúmeras razões, é o cuidado pessoal. Nos alimentarmos dentro da melhor qualidade que nossas condições permitem, bebermos a quantidade de água que nossos corpos precisam, dormirmos bem e com regularidade, nos exercitarmos e estarmos sempre em dia com nossos exames e cuidados médicos nem sempre é tão fácil na prática quanto é no discurso. Mil fatores e circunstancias podem entrar nisto, como bem sabemos. Mas ter uma base desses cuidados em dia, dentro das nossas possibilidades, é sim importante quando queremos estabelecer uma caminho próprio dentro da Mão Esquerda.

Não só pelo motivo óbvio do nosso corpo ser o maior e mais importante instrumento que temos dentro da nossa prática pessoal mas também porque é um caminho que será fisicamente exigente. E eu coloco minha experiência pessoal aqui, em jogo, para dizer isso. Conforme minha prática foi avançando, naturalmente, eu comecei a fazer rituais mais complexos e elaborados. E eles drenam energia. Muitas vezes saí de ritos completamente tonto, surpreso do quanto eles me exigiram fisicamente. Precisando urgentemente de água, de comer alguma coisa. Muitas vezes eu só caí na minha cama e apaguei. Nunca subestime o quanto um feitiço ou uma ritualística pode exigir da sua própria energia. Principalmente se envolver entidades infernais.

Meu primeiro ritual de Goétia me cobrou um preço físico que nada, em prática alguma que eu já tivesse tido antes, pode ter comparação. Eu fiquei acabado. E eu já era acostumado a lidar com energias e entidades densas faziam anos. O ritual foi um sucesso sob todos níveis que se possa analisar, mas eu saí dele como se uma bigorna energética tivesse caído sobre mim. Naquela noite eu senti o que era estar na presença de algo tão denso que poderia me esmagar. Foi quando eu decidi que já era hora de cuidar não só do meu corpo espiritual mas do físico também. E fez toda a diferença. A parte física conta mais do que as pessoas imaginam e com certeza muito mais do que elas dizem.

E nisto eu não estou dizendo que você precisa ter a melhor dieta do mundo ou ser um atleta. Você pode simplesmente caminhar pelo seu quarteirão, se hidratar melhor e incluir mais frutas e legumes no que você já tem no seu cardápio. Nunca complique desnecessariamente o cuidado com a sua própria saúde. Vá aos poucos. Faça aquilo que está dentro dos seus limites. Dê um passo por vez. O importante é que você se comprometa consigo mesmo. Pode ser chato no início, e muito mundano para ser algo considerado importante dentro de uma prática espiritual, mas acredite, importa.

Até aqui, perceba que não tivemos muitos gastos. Eu indico que você compre algum caderno e canetas para anotar seus estudos e também seus avanços no que tange a meditação e cuidado físico. Além disso, seu maior gasto serão de tempo e esforço. Pesquisa e leitura, principalmente se você for cuidadoso com fontes e referências, é algo que vai te exigir tempo, e que vai demandar esforço. Assim como iniciar uma rotina meditativa e melhorar os cuidados que você tem consigo mesmo. Mas são primeiros passos que fundamentam a sua base prática. Então respire fundo e se organize.

Até mais !

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Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Altares Itinerantes – Como criar o seu

Fonte: Acervo pessoal

Que altares são pontos de conexão e de harmonização entre nós e nossa espiritualidade já vimos aqui. Porém, nem sempre conseguimos espaço ou temos as condições ideais para ter um altar fixo como gostaríamos, não é mesmo? Podemos estar morando no momento em locais onde não temos a liberdade ou a segurança para termos o nosso espaço, e isso nos leva a usar nossa criatividade e saber trabalhar dentro não só das nossas possibilidades mas das nossas limitações também.

A ideia de construir um altar itinerante me veio por fruto da necessidade. Nos últimos meses, por questões pessoais e familiares, eu precisei viajar muito entre o interior de dois estados diferentes, me dividindo entre passar metade de um mês em um local e a outra metade em outro. E a vida em constante viagem fez com que eu precisasse adaptar a minha estrutura a algo mais prático e mais fluido. Como é um recurso que pode auxiliar não só os viajantes como eu mas também pessoas em outras situações resolvi trazer a sugestão aqui para o blog!

A proposta é a de poder levar consigo, ou manter de forma discreta, uma composição básica com a qual você possa estruturar sua prática pessoal onde desejar. Um altar portátil. Vemos um conceito semelhante quando nos deparamos com a sugestão de, se por algum motivo ou período de tempo nos vemos tendo que esconder nossas práticas, podermos montar altares básicos em gavetas ou caixas. Como aqui a intenção é que você possa se mover livremente e viajar com ele irei indicar que você adquira uma maleta. Não precisa ser uma muito grande. Na verdade seu tamanho dependerá das suas preferências e condições pessoais. Eu comprei uma de um tamanho que considerei médio, de madeira, simples. Você pode procurar outros tipos. O importante é a praticidade.

O que você colocará na sua maleta dependerá do seu caminho espiritual e de como você pratica a sua própria magia. Eu pratico primariamente magia com o Elemento Água então coloquei meu pequeno cálice de cobre e algumas conchas, mas também adicionei alguns cristais para o Elemento Terra, meu castiçal de pentagrama e algumas velas para o Elemento Fogo e uma pena para o Elemento Ar. Também coloquei uma caixinha onde posso levar alguns amuletos mágicos meus como colares e pulseiras e alguns dos meus óleos. Sempre levo comigo um óleo de banimento, um de proteção, um para saúde/cura, e um para prosperidade/atração/sucesso. Como sou oraculista sempre tenho um Tarot e minhas runas comigo. Outras coisas que posso carregar são cadernos e canetas para minhas anotações, minha adaga ritualística, meu isqueiro, pequenas vasilhas para realizar ofertas, pequenos frascos com ervas e o que mais eu sentir que vou precisar.

Então, primeiramente, pense no que é essencial na sua prática. Se você tivesse que viajar hoje, o que você colocaria na sua maleta? Pense não só apenas no que é o básico para você mas também no que você precisaria para não ficar desprevenido perante as necessidades que você possui. Neste quesito, independente da sua vertente, carregue sempre consigo o que você precisará para realizar banimentos e realizar as suas proteções. Após tomar essas decisões e se organizar veja qual será o tamanho e o material mais indicado para sua maleta, pesquise locais e preços, e a adquira. Veja inclusive os tipos de fechadura. Se você pode ter uma com um fecho simples ou vai precisar de uma que você possa trancar com um cadeado ou similares. A limpe fisicamente primeiro quando a tiver em mãos, depois faça sua limpeza e consagração espiritual.

Pode ser simples como colocar suas mãos sobre ela e, fechando seus olhos, imaginar uma luz branca saindo de suas palmas e se espalhando sobre ela enquanto diz: “Que neste momento esta maleta possa ser purificada e limpa de todas as energias que ela possa ter retido ou entrado em contato em seu caminho até mim, até este momento, para que agora, em nome daqueles que me guiam e me protegem, pela força evolutiva que existe dentro de mim, ela possa servir como meu altar itinerante. Que através dela eu possa ter sempre comigo o que preciso para desenvolver meu poder e meu caminho espiritual. E que ela, nunca se perdendo de mim e estando sempre sob a proteção dos meus guias, me ajude a nunca me perder de mim mesmo, independente de para onde a vida possa me levar.” E pronto!

Se você preferir, pode usar algum outro método próprio também. O importante é que você tenha este momento para dar a ela sua nova utilidade. A imbuir da nova energia e propósito que ela terá daqui para frente. Nunca se esqueça que a intenção é essencial na magia. Então, você pode montar e organizar dentro dela o que você guardará e levará nela. A foto no começo deste texto foi tirada bem no começo da minha prática com a minha própria maleta. Eu a adaptei um pouco mais com o tempo, colocando pintados alguns símbolos de proteção e sigilos pessoais dentro dela também. Use sua criatividade, se adapte, e viva sua própria Arte!

Até mais.

Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.