A Magia das Sereias – Um exercício de autoconhecimento

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Carta The Mirror do Oracle of the Mermaids

Na rica multiplicidade de linhas e vertentes da magia e da bruxaria encontramos os espelhos sendo utilizados como instrumentos preciosos nas mais diversas práticas. Do glamour até a vidência, eles podem ser usados para proteger, para atrair, destruir, e até mesmo para serem portais para outras dimensões e níveis de consciência. Quando falamos de sua magia falamos da magia dos reflexos, e ela é tão vasta que seria impossível dar conta de toda sua riqueza em um único texto.

Aparecendo como fontes de poder em diversas mitologias, temos na figura das sereias seu uso sendo sempre evidenciado. Em muitas análises sobre as lendas e sobre o folclore que gira em torno desses seres míticos, o uso do espelho se reduz a um mero exercício de vaidade. Quando analisamos mais profundamente, no entanto, percebemos que existe muito mais para se descobrir.

Vamos encontrar a magia dos espelhos, e dos reflexos, dentro da magia do Elemento Água. Isso porque os espelhos primordiais são os espelhos d’água! Seja num lago calmo, numa taça ou na vastidão do mar, a água é o grande elemento refletor do nosso Universo. Muito antes da humanidade aprender a polir metais e a fabricar os espelhos que temos hoje em dia, feitos basicamente de areia, através da água já podíamos nos ver, e ver refletido o mundo ao nosso redor.

Sendo versadas em toda magia aquática, com as sereias podemos entrar em contato com o potencial ilimitado da magia reflexiva em toda sua vastidão. As águas são os melhores espelhos, e quanto mais escuras e profundas as encontramos, mais claramente vemos. Nelas podemos ver a verdade, principalmente sobre nós mesmos, sem todas as máscaras sociais que usamos. Se abrir para essa visão requer coragem, afinal, muitas vezes temos medo de ver o que se esconde nos cantos mais profundos de nosso coração. Tememos o que podemos encontrar, com o que podemos nos deparar, e se seremos ou não capazes de lidar com as revelações que teremos. Ao lidar com as sereias, mestras no que se refere ao aprofundamento emocional, enfrentamos esses medos. O exercício a seguir usa a magia dos espelhos para o autoconhecimento, faça com cuidado, de peito aberto, e se permita imergir em suas próprias águas internas.

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Foto: Acervo pessoal

Ritual de autoconhecimento com as sereias 

De noite, preferencialmente se a lua estiver em sua fase nova, se recolha em um local onde você possa estar a sós, sem ser interrompido, por pelo menos uma hora. Tenha em mãos os seguintes itens:

  • Uma vasilha de cerâmica negra com água potável (onde você consiga ver seu próprio reflexo).
  • Uma vela branca ou azul clarinho.
  • Opcional 1: Acender um incenso de mirra ou lavanda no ambiente.
  • Opcional 2: Tomar chá de camomila ou artemísia meia hora antes do rito.

Se você optar por tomar o chá antes do ritual, dê preferência para o seu consumo puro, sem adicionar qualquer adoçante ou açúcar. A camomila atuará mais como um relaxante, para te deixar calmo e receptivo durante o exercício. A artemísia, apesar de mais amarga, auxilia no fortalecimento da nossa intuição, concedendo mais sensibilidade a nossa capacidade de perceber e ver o espiritual.

Após o tempo do chá, se você optar pelos incensos, pode os acender no ambiente que você usará pedindo que, pela força dos ventos, um local seguro e tranquilo possa ser criado em seu benefício. Se você for diretamente para a prática pode simplesmente se organizar para começar.

Sente-se na área preparada com as luzes apagadas. Respire fundo, inspirando e expirando lenta e calmamente três vezes. Procure limpar sua mente de quaisquer preocupações e assuntos do dia, foque-se apenas no momento presente, no que irá fazer. Acenda a vela da cor escolhida num suporte apropriado diante de si e, estendendo as mãos para perto da chama, diga:

Se a vela for branca – ”Assim como esta chama ilumina a escuridão, que eu possa, pela proteção e benção das sereias, neste momento, ver quem eu realmente sou. Me conhecer, para além do que existe na superfície. E assim mais forte poder ser.” 

Se a vela for azul claro – ”A luz afasta as trevas, dissolve e transmuta meus medos e receios. Que pela guia, força e acolhimento das sereias agora eu possa entrar em contato com as minhas camadas mais profundas. Que eu me conheça, e que nisto exista crescimento para mim esta noite.” 

Coloque agora a vasilha negra entre suas mãos. Com a ponta dos seus dedos, suavemente, trace um pentagrama na superfície da água. Ou a mova, como se abrisse uma cortina. Se aproxime dela, dizendo carinhosamente: ”Sereias, sábias e belas Senhoras dos Mares, através de muitas ondas agora as chamo. Peço, humildemente, pela guia daquelas que, dentre vocês, podem querer me ajudar. Pois preciso ver, vislumbrar, no sagrado espelho das águas do mar profundo, minha verdadeira face. Preciso me conhecer, desbravar as águas em mim mesmo, para me curar, para evoluir, para me fortalecer. Venham, me ajudem, e que do meu coração a verdadeira luz possa brotar.”

Coloque a vasilha diante da vela. Respire fundo mais uma vez, se centre. Feche os olhos lentamente. Se veja de pé, numa grande rocha, no fundo do oceano. Diante de você está um grande espelho negro. O que você vê? O que você sente? Pode ser que uma sereia venha, e converse com você, te ajudando a entender o que você enxergará no espelho. Pode ser que você apenas se veja, e sinta o poder delas suavemente conduzir suas emoções para os questionamentos e compreensões necessárias. De qualquer forma, quando sentir que precisa, agradeça e, com calma, abra os olhos novamente. Aproximando a boca da superfície da água, reconheça a ajuda das sereias, seja grato, e com a ponta dos dedos, novamente, desenhe o pentagrama ou as mova como se fechasse uma cortina, fechando o portal nas águas que antes fora aberto. A água pode ser usada para regar uma planta que você tenha, ou pode ser dispensada. Deixe a vela queimar até o fim. Anote, se desejar, tudo que viu e sentiu. Ajudará tanto na compreensão quanto na análise do ritual. Se você desejar ofertar algo as sereias como agradecimento, elas costumam aceitam que você cante para elas, ou mesmo, se puder, que você ofereça flores, velas perfumadas e bebidas suaves.

Espero que sua jornada interior seja rica e bem sucedida. Até mais!

Métodos do Tarot – O Templo de Afrodite

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Templo de Afrodite feito com o Petit Lenormand

Sendo uma técnica clássica para análises de relacionamentos, levando o próprio nome da deusa grega do amor, o Templo de Afrodite é um jogo de sete cartas que examina os três níveis de uma dinâmica amorosa, o mental, o sentimental e o sexual.

Neste jogo as cartas são dispostas em duas colunas, a direita (com as cartas 1, 2 e 3) sendo relacionada ao consulente e a esquerda (com as cartas 4, 5 e 6) com a pessoa com a qual o consulente se relaciona.

Nas Casas 1 e 4 temos o plano mental, o que ambas as pessoas da relação analisada pensam, tanto um sobre o outro como sobre a relação em si. Aqui vemos as intenções e motivações racionais do casal.

Nas Casas 2 e 5 temos o plano sentimental, aqui vemos os sentimentos de ambas pessoas analisadas. Independentemente do que pensam, o que elas estão de fato sentindo um pelo outro, e o que desejam.

Nas Casas 3 e 6 temos o nível físico, ou sexual. Aqui encontraremos a atração, a química e a libido do casal. Se anda bem, se não, se é preciso se atentar a algo, dicas do que é necessário para melhorar e etc. Também podemos ver a parte prática da dinâmica entre os dois, como agem um para com o outro, como se expressam através de suas atitudes.

E na Casa 7, carta final e central, temos tanto um conselho geral quanto também um prognóstico futuro sobre a relação e o que está para vir para a vida de ambos.

Sendo um jogo profundo e completo, o Templo de Afrodite faz o raio-x necessário para tirar a maioria das nossas dúvidas em relação às questões do coração.

Deseja uma consulta profissional? Me mande uma mensagem pelo e-mail olunariotarot@gmail.com para agendar um horário de atendimento comigo. Até mais!

Estudos do Tarot – A Força

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A carta A Força no Tarot de Rider Waite

Trazendo a tona nossos desejos e paixões mais profundas, temos no Arcano da Força aquilo que nos motiva e move. Representando nossa potência interna, nossa energia, e a capacidade que temos de negociar racionalmente com nossos impulsos instintivos, aqui nos colocamos em contato com a nossa chama mais pura e interna.

Segurando gentilmente o leão, sua figura nos demonstra como apenas através da amabilidade e da cortesia podemos conquistar nosso fogo primevo, se assim o quisermos. Com calma, com paciência, respeitando sempre nossos ciclos, nossos momentos. A fera jamais é temida por quem a segura, pois ambos são os dois lados de uma mesma força. Como e quando controlar a parte instintiva, caótica, visceral, e com as emoções mais cruas em nosso interior é sempre uma opção e uma responsabilidade nossa.

De todas as diversas formas que temos de a representar, nos diversos tipos de baralhos que temos hoje em dia, vemos sempre alguns pontos em comum como:

  • Existe sempre alguém, geralmente uma figura feminina, a segurar gentilmente um leão, ou a domar um animal tão grande e feroz quanto.
  • Temos o símbolo do infinito acima desta pessoa, ou no mínimo algo que nos remeta ao movimento sempiterno dos ciclos naturais.
  • A paisagem desta carta sempre será muito aberta e bela, com uso predominante de cores quentes.
  • É sempre o Arcano de número 11, a não ser no Tarot de Rider Waite onde, por se intercalar com o Arcano da Justiça, A Força se mostra como o número 8.
  • A fera da carta sempre obedece a figura, sem muita resistência.
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Diferentes representações da carta A Força no Tarot Egípcio, no Tarot de Rider Waite e no Tarot das Bruxas

A falta de quaisquer armas no trato entre a figura e a fera nos mostra como, para lidar com nossos pontos mais complicados, não precisamos de nada além de nós mesmos. De benevolência, cuidado, entendimento e boa disposição. O animal ferido, raivoso, que pode surgir de nossos sentimentos mais profundos não precisa ser intimidado, precisa ser compreendido e acolhido com equilíbrio e com bom senso. Se sabemos como lidar com nós mesmos, mesmo com nossos lados menos atrativos, fluímos sempre de forma bem mais leve e natural. Encontramos nossa harmonia, e nos conduzimos com mais força e graça pela vida.

As diferenças entre a posições dos Arcanos no Rider Waite 

Em 1930, o ocultista Arthur Eduard Waite se uniu a artista Pamela Colman Smith para fazerem e lançarem o Tarot de Rider Waite, trazendo com eles muitas inovações na maneira de se ver e se tratar o Tarot. Uma dessas mudanças foi a troca da ordem das cartas A Justiça e A Força. Para saber mais dessa troca, leia o artigo aqui já escrito sobre o Arcando A Justiça.

O lado negativo

Como podemos notar em cada carta do Tarot, cada uma delas tem sua luz e sua escuridão. No lado negativo da Força temos justamente nosso descontrole, tanto emocional e psicológico quanto até mesmo racional. Nossos sentimentos podem ficar instáveis, coléricos, e podemos ficar cegos pelo nosso próprio ego e orgulho. Nos prejudicando pela nossa própria impaciência e agressividade mal trabalhadas. Dependendo da configuração ela nos alerta contra excessos de ciúmes, desejos de controlar os outros de forma insustentável e charlatanice.

No amor 

Como uma carta de muita energia e poder, A Força costuma nos remeter a quanta força existe em nós mesmos, e em nossas relações, não sendo qualquer obstáculo que nos faria recuar ou perder. Para os solteiros ela sempre indica uma boa fase, é quando nosso magnetismo e capacidade de sedução estão em alta! Para os comprometidos também é uma fase de muito calor e felicidade. A Força só nos aconselha a não cedermos ao nosso pior lado, tentando forçar ou manipular o outro segundo nossa própria agenda. Evite descontar o estresse do trabalho, da vida, em casa. Saiba se harmonizar, sem sair comprando briga por pouca coisa.

Na sexualidade 

Aqui temos toda a ardência das paixões arrebatadoras, daquelas que nos fazem perder o controle. O perfil que se marca pelo Arcano da Força é intenso e visceral. Não é raro encontrarmos essas figuras com um talento natural para a dominação. Inteligentes, refinados e profundos, eles sabem o que fazer e como o fazer da melhor forma. Sendo tidos como pares naturais do perfil do Carro, por serem os únicos com a destreza e a inteligência necessária para os prender, essas pessoas conquistam, dominam e conseguem tudo pelo qual se empenham com seu caráter forte, apimentado e sedutor.

No trabalho

Quando sabemos ter uma boa aplicação de nossa própria força, brilho e talento, as coisas fluem melhor, não é mesmo? Aqui, no nível do trabalho e também das finanças, é sobre isso que vamos falar. A Força é um Arcano muito bom para termos nossos esforços recompensados, sermos notados e subirmos na vida. Sua condição é que apliquemos bem nossas potencias, sem metermos os pés pelas mãos por causa da nossa impaciência ou impulsividade. Tenha garra, a aplique com sabedoria, e conquiste o que tanto deseja para si mesmo.

Na saúde

Regendo nossa sexualidade, quando A Força aparece na área da saúde ela geralmente nos remeterá a proteção e ao cuidado que temos que ter com nosso próprio corpo se quisermos evitar doenças e complicações sexuais. Em um mau aspecto ela pode indicar falta de vigor, impotência e frigidez. Assim como excessos em vícios como bebidas e drogas. Se cuide!

Na espiritualidade 

Representando todo nosso potencial e energia em estado bruto, A Força nos revela toda a capacidade ilimitada do nossos centros vitais. Aqui nossas paixões, se conduzidas com sabedoria, podem nos impulsionar muito além do que jamais imaginamos. Espiritualmente não deixaria de ser diferente. Não tenha medo de lidar com suas sombras, com seus próprios abismos. Dentro da sua fera interior se esconde uma chama que, se bem utilizada, te deixaria surpreso com a extensão de seu poder. Não tema sua própria força, a domine, e com temperança a exerça no mundo. Que o que você ama seja alcançado, sob o domínio da vontade.

Carta anterior: A Roda da Fortuna

Próxima carta: O Enforcado 

 

Métodos do Tarot – A Mandala Astrológica

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Mandala Astrológica feita com o baralho Petit Lenormand

Podendo também ser conhecida como Mandala da Vida, a Mandala Astrológica é uma das técnicas mais tradicionais para se jogar tanto Tarot quanto oráculos de cartas num geral. Sendo um jogo onde dispomos 12 lâminas em uma estrutura circular, podendo ou não ter uma última no seu centro como síntese, nela nos guiamos pelas doze casas e doze signos da astrologia para realizarmos nossa leitura.

Assim como cada casa zodiacal em um mapa astral pode revelar um aspecto diferente de nossas personalidades e caminhos de existência, a Mandala esclarece cada um desses departamentos aliando o significado da casa com o Arcano que nela se revela. Desta forma, é possível responder amplamente todas as questões que forem apresentadas durante sua consulta.

No mapa de uma Mandala, através dos significados de cada casa zodiacal, temos as respostas para cada departamento de nossas vidas, desde nossa personalidade e jeito de ser no mundo, até o amor, a família, nossa saúde, vida social, viagens, carreira e amizades, como segue:

  • Casa 1 (Áries): Aqui vemos o momento atual de quem se consulta através do jogo. Como as coisas estão, como a pessoa reage ao seu meio, como é sua personalidade, temperamento e senso do ”eu”.
  • Casa 2 (Touro): Nesta casa temos o dinheiro e os bens, como os conquistamos e como os gerimos. Nossa administração é correta? Temos algum empecilho na área? Como podemos melhorar? Aqui teremos as respostas.
  • Casa 3 (Gêmeos): A nossa comunicação, o nosso lado intelectual, e também nosso tino para o comércio. Aqui vemos como nos comunicamos, como fazemos trocas e acordos, como aprendemos e o quanto estamos ou não sendo astutos e pontuais em nossas dinâmicas.
  • Casa 4 (Câncer): Aqui temos nossas raízes. Falando do lar e daquilo que recebemos e carregamos de nossa família, podemos ver como questões da infância se propagam até o momento, e como andam as relações familiares.
  • Casa 5 (Leão): É a casa onde nos deparamos com nosso brilho pessoal. Como anda nossa criatividade, nossa capacidade de sermos calorosos e magnéticos. Amores, diversão e filhos também são temas dessa casa.
  • Casa 6 (Virgem): Aqui temos o cotidiano, a rotina. Se ela está saudável, se está sufocante, se temos ou não um bom ambiente de trabalho e como anda nossa saúde.
  • Casa 7 (Libra): É a casa do casamento, ou pelo menos das relações mais sérias e estruturadas. Vemos aqui como andam nossos relacionamentos amorosos, nossos contratos, e os possíveis conflitos, ou harmonia, neles.
  • Casa 8 (Escorpião): Muito ligada ao nosso nível sexual, aqui também falamos de transmutação. Na casa de Escorpião achamos o veneno que pode nos corroer, e a cura que pode nos transformar.
  • Casa 9 (Sagitário): Aqui temos nosso nível filosófico, como encaramos e respondemos a vida. Quais são nossas maiores motivações, crenças, predisposições religiosas e interesses. Também podemos ver aqui viagens e estudos superiores.
  • Casa 10 (Capricórnio): É a casa do nosso prestígio profissional e social. Vemos aqui nossos empreendimentos, nossa jornada profissional, o que precisamos fazer para melhorar e como podemos nos elevar.
  • Casa 11 (Aquário): Falando das nossas amizades e associações pessoais, aqui analisamos planos, projetos, e como influenciam as pessoas ao nosso redor.
  • Casa 12 (Peixes): Aqui temos o espiritual, nossa relação e experiência com este plano, nossas limitações, e o quanto somos ou não altruístas. Recados de nossos guias podem facilmente serem passados nesta casa, tanto positivos quanto os alertas contra o perigo.

Assim como os próprios signos que as regem, as casas 1, 5 e 9 (Áries, Leão e Sagitário) são pertencentes ao Elemento Fogo. Nelas estão nosso entusiasmo, temperamento, inciativa e magnetismo. As casas 2, 6 e 10 (Touro, Virgem e Capricórnio) são pertencentes ao Elemento Terra. Elas contém nossa perseverança, nossa firmeza, e também nossa parte material e nossa saúde física. As casas 3, 7 e 11 (Gêmeos, Libra e Aquário) são pertencentes ao Elemento Ar. Elas falam sobre nosso raciocínio, nossa comunicação e imaginação. E as casas 4, 8 e 12 (Câncer, Escorpião e Peixes) são pertencentes ao Elemento Água. Elas representam nossas emoções, família, e espiritualidade.

As casas Angulares são as 1, 4, 7 e 10, nelas estão nossas forças positivas, nossa capacidade de iniciativa e força de ação. As casas Fixas são as 2, 5, 8 e 11 trazendo nossa força receptiva, tanto de sustentação quanto de conservação (pessoal ou familiar). E as casas Mutáveis são as 3, 6, 9 e 12 trazendo em si nossa capacidade de renovação e também os aprendizados que são necessárias.

O melhor momento para fazermos uma Mandala Astrológica é quando necessitamos de orientação, sendo num geral ou em pontos específicos da nossa vida. Precisa de uma consulta profissional? É só entrar em contato comigo pelo e-mail olunariotarot@gmail.com e agendar um horário comigo. Até mais!

 

Estudos do Tarot – A Roda da Fortuna

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A carta A Roda da Fortuna no Tarot de Rider Waite

O Destino. A fortuna. Os ciclos intercalantes e interdependentes da sorte e do azar. Aqui nos deparamos com um princípio que muitas vezes ignoramos: o de que a existência, a nossa vida, não é linear. É cíclica. Muitas vezes planejamos, e encaramos, nossas trajetórias como uma linha reta. Nascemos, nos desenvolvemos, estudamos algum campo de atuação profissional, trabalhamos, em algum ponto casamos, temos nossos próprios filhos, fazemos o nosso melhor para os criarmos, envelhecemos e morremos.

Apesar dessa estrutura básica de planejamento não ser errada, e muitos pontos dela serem quase que universais em nossas trajetórias humanas, sabemos que na prática quase nunca é simples assim. Fácil e natural assim. Nossas vidas são complexas, cheias de mudanças e reviravoltas. E muitas vezes nós nos surpreendemos com isso, porque desde nossa mais tenra idade nos é vendido um planejamento muito organizado e certo de tudo. Apenas quando começamos nossas jornadas, através de nossos próprios passos, percebemos que tudo é mais complexo na aplicação do que foi na teoria. A vida segue rumos imprevisíveis, nos mostrando que a sensação de controle que temos é frágil e ilusória.

Na Roda da Fortuna nos deparamos tanto com essas noções quanto com a própria estrutura dos ciclos cósmicos do Universo, que por mais que a humanidade possa vislumbrar, jamais poderá controlar e nem desnudar de todos os seus mistérios.

Nas diversas formas que temos de a representar hoje em dia veremos sempre alguns pontos em comum:

  • Sempre encontramos um tipo de estrutura circular, de roda.
  • Vemos ou alguém girando, ou fazendo, essa estrutura.
  • É muito comum que existam figuras nela, sejam seres mitológicos ou mesmo pessoas, em grupos de três.
  • A estrutura estará sempre no céu, ou em uma paisagem no qual poderemos ver um clima aberto ao longe.
  • Ela na maioria das vezes é feita de ouro.
  • Terá 8 hastes em si.
  • Sempre será a carta de número 10.
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Diferentes representações da carta A Roda da Fortuna no Tarot Mitológico (na figura das Moiras Cloto, Láquesis e Átropos), no Tarot de Rider Waite e no Tarot das Bruxas

Em seu principal símbolo, Roda da Fortuna não só nos denota a noção da circularidade dos ciclos da vida, como também a de que ela está em constante movimento. Através do uso das rodas nos locomovemos de um local para o outro, temos nelas o princípio da mobilidade.

Nas subidas e descidas da Roda encontramos a valiosa noção de respeito aos ciclos da vida. Nem sempre estaremos na parte de cima, as reviravoltas existem, e são essenciais no jogo da vida. O importante aqui é aprendermos a fluir, a nos mover, e a nos preparar para todas as possibilidades com as quais invariavelmente devemos lidar. Fases se encerram, recomeçam, se renovam e se transformam ao longo das nossas trajetórias, cada uma delas com suas lições, com suas alegrias e tristezas, cada uma delas essencial para que nos formemos quem realmente somos.

O lado negativo

Como todas as cartas do Tarot, a Roda da Fortuna não traz apenas aspectos positivos. Voltada para mudanças como ela é, nem todas essas mudanças podem ser agradáveis para nós. Se estamos no topo da roda e ela gira, nos deixando agora abaixo, costumamos não achar a vida grata, não é mesmo? Mas como nada nela é perpétuo, no próximo giro podemos subir de novo, basta sabermos continuar em constante movimento e lidar com nossas próprias fases! Em seu aspecto negativo, este Arcano fala muito sobre o excesso de instabilidade, que pode ocasionar medo do futuro, insegurança, e controvérsias. Quando temos sua energia desbalanceada ficamos inconsistentes, a cada hora querendo, ou pensando, coisas opostas. Em conjunto a outras cartas de aspecto negativo, ela pode nos indicar que é uma má fase para mudanças, nos dando o conselho para nos segurarmos um pouco mais.

No amor

Aqui o conselho nem sempre será fácil de digerir. Como o Arcano do movimento, a Roda da Fortuna nos lembra que não existe o que é eterno. Tudo muda, tudo está em constante movimento, e a vida costuma não se importar se desejamos nos apegar as coisas, ela se move apesar dos nossos protestos. Esta será a carta que falará que ”a fila anda”. Por isso mesmo, não é raro termos términos aqui. É preciso de muita maturidade de nossas partes, sempre, para percebermos e aceitarmos quando uma relação já deu tudo aquilo que tinha para dar. Quando tanto nós quanto o outro já demos a contribuição que podíamos um ao outro nesta vida, sendo necessário agora que sigamos em frente. Para os solteiros é uma carta que pode trazer muitas surpresas, e o início de uma nova fase, com novas pessoas, para nos colocar em um novo eixo.

Na sexualidade

Instável como este Arcano é, o perfil que temos na Roda da Fortuna é imprevisível. Em um momento pode nos consumir com seu calor e, no outro, nos confundir com sua frieza. Seus gostos e inclinações podem ser mutáveis, bem como seus parceiros. Aqui temos o conselho da prudência, de tomarmos cuidados com nossas escolhas, e sabermos que nada nunca é totalmente garantido.

No trabalho

As reviravoltas da Roda do Destino aqui são complexas de se lidar. É uma carta que vai gerar imprevistos, nos exigindo muita flexibilidade e jogo de cintura. Em boas configurações, se estamos desempregados ou amargando dificuldades já por muito tempo, ela pode indicar o fim do nosso sofrimento e novas oportunidades de crescimento. Em quadros mais negativos, ela nos avisa sobre períodos difíceis prestes a vir, assim nos dando a oportunidade de nos prepararmos e nos planejarmos para que nossas perdas sejam as menores o possível.

Na saúde

Alterações em quadros de saúde são comuns na Roda da Fortuna. Regendo nosso sistema circulatório, ela pode indicar problemas  relacionados a ele, como varizes, ou até mesmo pressões arteriais. Aqui é importante analisar a configuração no qual esta carta aparece, para termos mais informações.

Na espiritualidade

Em seu nível espiritual, a Roda da Fortuna nos faz parar um pouco para analisar os ciclos que estamos vivendo sob uma perspectiva externa. Estamos nós presos em padrões que vem se repetindo sempre? Se estamos, qual o motivo? O que existe ali que, por ainda não termos compreendido, estamos sempre reprisando? É aqui que temos a oportunidade de vermos quais mecanismos estão em ação em nossas vidas, por quais padrões temos girado, e qual seria a chave da mudança. Antes de mais nada, a Roda nos dá a chance da transformação. Tudo que nos é reforçado em seus ciclos é para que, compreendendo suas lições, nos transmutemos. Somos parte dos movimentos de expansão e contração do Universo, devemos saber como seguir, nos renovando e nos reinventando sempre. Evoluindo, seguindo, e vivendo tudo que a vida tem para que provemos. Com todos seus altos e baixos, alegrias e tristezas. Com toda complexidade a que temos direito, no complexo e rico jogo da vida.

E você, em qual fase se encontra neste momento?

Carta anterior: O Eremita

Próxima carta: A Força

Estudos do Tarot – O Eremita

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A carta O Eremita no Tarot de Rider Waite

Também podendo ser conhecido como O Ancião e O Sábio, na carta O Eremita teremos a sabedoria conquistada através da vivência. É aqui que nos encontramos com a temida velhice, com o peso dos anos, mas também com a inteligência que ela traz. Daquele tipo que só podemos ter, e saber como transmitir, quando já vivemos muito, e nossas experiências nos moldaram na forja da vida.

De todas as formas que temos de o representar hoje em dia, em diversos tipos de baralhos, teremos a repetição dos seguintes pontos em comum:

  • Encontramos aqui uma figura mais velha, predominantemente masculina, apesar de em alguns baralhos também podermos encontrar uma figura feminina.
  • A figura carregará algum tipo de fonte de iluminação, como tochas e velas.
  • Sempre será a carta de número 9.
  • A presença de cores escuras e frias é marcante.
  • Ele, ou ela, estarão frequentemente solitários numa paisagem árida ou numa estrada vazia.
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Diferentes representações da carta O Eremita no Tarot Egípcio, no Tarot de Rider Waite e no Tarot Mitológico (na figura do deus Cronos)

Nesta carta temos aquele que já passou pelas diversas iniciações e fases da vida e que, mesmo depois de tudo que já viveu, nunca deixou de ser a figura do grande buscador de sua iluminação pessoal. Tendo maturidade para sempre reavaliar o que sabe, o que sente, suas certezas e o mundo ao seu redor. Seu percurso solitário, em silêncio, rumo a descoberta das grandezas do mundo e de si mesmo é uma jornada de autoconhecimento. Por isso o vemos solitário em sua estrada, o caminho que ele percorre só pode ser seguido por ele mesmo, pois é uma viagem para dentro de si, de sua própria individualidade, rumo ao seu cerne, e ao cerne do Universo em si.

Seu cajado, ao qual ele usa para ter apoio em seus passos, conota sua já considerável idade. Sua tocha, sua luminária, simboliza sua luz interior, sua sabedoria adquirida. E é com essas duas coisas que ele segue. Por mais árida que seja a paisagem, por mais penoso que seja o caminho, ele segue pois segue em prol de si mesmo, de sua individualidade. De aprender e alcançar o que está além. Do que só encontramos quando nos retiramos do externo para desbravar nossos extensos mundos internos. Assim, aqui temos o movimento de abdicar de tudo que nos é supérfluo e recebemos o foco no que é real e verdadeiro, no mais íntimo de nossas próprias caminhadas e narrativas.

O lado negativo

Como em todas as cartas do Tarot, o Eremita também possui seu lado difícil. Quando temos sua energia em excesso, como é uma carta onde nos movemos muito para nós mesmos, corremos o risco de nos fechar excessivamente ao mundo externo, nos tornando antissociais e reclusos. Podemos encontrar dificuldades em nos expressarmos corretamente, em manter e fazer novas amizades e a gerirmos contatos humanos. Em configurações desfavoráveis é uma carta que pode indicar medo do futuro, mau uso da própria experiência e inteligência, baixa auto estima, processos depressivos e falta de leveza, de jovialidade, no espírito. Aqui, negativamente, encontramos nossa teimosia, nossa rabugice, bem como nossa cegueira a aquilo que nos recusamos admitir, ao nosso redor e em nós mesmos, por causa das nossas cismas e birras.

No amor

O perfil prudente e também fechado em si mesmo do Eremita, para aqueles que já estão em um relacionamento, falará muito sobre a pausa necessária que devemos ter de tempos em tempos para reavaliar nossas dinâmicas. O relacionamento no qual você se encontra hoje é o que você gostaria? Está tudo bem, fluindo devidamente, ou alguns pontos precisam de melhora? Se precisam, como executar essas melhorias da melhor forma? Todas essas são questões muito importantes quando O Eremita está em voga. E aqui não adianta buscar outras pessoas, externas a relação, para conselhos. É você que precisa pensar, se reestruturar, chegar a um acordo com o outro. Ruídos de fora neste momento podem mais atrapalhar do que ajudar. A comunicação precisa ser entre você e seu par, apenas, para que ambos consigam se expressar e se auxiliar, sem pressão externa. Para os solteiros O Eremita não propicia novos encontros. É uma carta que indica uma fase de recolhimento, onde temos que nos cuidar, nos curar de velhas feridas, nos descobrir novamente, antes que possamos nos abrir ao outro.

Na sexualidade

Aqui, na parte sexual do Eremita, é fácil nos remetermos ao prazer solitário.  No entanto, como figura de grande bagagem e experiência na vida, aqui também temos o perfil daquele que sabe o que faz. Não sendo mais um jovem na fase da experimentação, mas sim alguém já vivido que sabe do que gosta, que sabe o que pode oferecer, e como fazer isso da melhor forma, nas mãos do perfil do Eremita teremos alguém que, apesar de poder ser inicialmente tímido, saberá nos conduzir com habilidade. Também sendo um perfil bastante discreto e honesto, tende a ser confiável. No seu jeito comedido, é o típico come quieto. O que acontece entre quatro paredes fica entre quatro paredes.

No trabalho 

Sendo uma carta de movimento lento, no Eremita devemos assumir uma postura um pouco mais prudente. Ouça mais do que fale, reflita antes de agir, pense muito antes de cada passo que der. Não sendo uma carta propícia para se arriscar a coisas novas, para quem procura emprego pode indicar um pouco mais de espera. Essa espera, no entanto, não deve ser parada. Aqui usamos nosso tempo para repensar nossas estratégias e nosso foco. Se existe algo em nossa postura que possa estar equivocada, e por isso não estamos tendo bons resultados. Se reavalie para melhorar! Para quem já está num emprego as coisas tendem a seguir lentamente, porém seguras. Precisamos apenas sermos responsáveis, e saber resolver nossos problemas com calma, sensatez e racionalidade. Financeiramente, se for um período em que uma certa austeridade será necessária. não a tema, seja responsável e siga apenas com o necessário. Se dispa de todo supérfluo e saiba ser uma pessoa organizada e prática.

Na saúde 

No Eremita, por nos encontrarmos com uma figura longeva, temos indícios de uma vida longa, graças a uma boa saúde. Regente dos nossos ossos, o que ele pode indicar são problemas como artrite, artrose, reumatismo, problemas nas pernas e joelhos, nos dentes, e aquelas dores nas costas, no ciático principalmente, comumente associadas a velhice. Aqui pode valer o “pessoa jovem com uma coluna de alguém com oitenta anos”. Em qualquer caso, se cuide apropriadamente, sempre.

Na espiritualidade 

Como figura do grande buscador do seu próprio caminho, no Eremita nos separamos das noções espirituais alheias e nos concentramos em nossa própria jornada em direção ao que cremos e sentimos, com base em nossas próprias experiências. Sua tocha, sua iluminação, proporciona luz apenas a ele mesmo, nos remetendo ao fato de que o que aprendemos e desenvolvemos através do que vivemos serve a nós, e unicamente a nós, de forma intransferível. Claramente podemos compartilhar parte do que experienciamos, e nossa vivência pode contribuir e muito no caminho daqueles que nos olham, assim como muitas das histórias daqueles que seguimos nos enriquece. Aqui não é sobre não poder existir partilha, mas sobre a parte do caminhar de cada um de nós que devemos fazer sozinhos. Onde devemos nos provar, nos desenvolver, de forma única e individual. Nesta camada, a experiência alheia não poderá nos prover tudo, temos que ter nossa própria prática, com suas alegrias e seus dissabores. É aqui que nos tornamos professores de nós mesmos, com o apoio de tudo que construímos ao longo de nossas jornadas, para irmos cada vez mais longe, e com cada vez mais profundidade.

E você? Como anda cultivando sua própria individualidade?

Carta anterior: A Justiça

Próxima carta: A Roda da Fortuna

 

Estudos do Tarot – A Justiça

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A carta A Justiça no Tarot de Rider Waite

O ajustamento, a balança, a perfeita medida de todas as coisas. Na Justiça temos um alerta e um conselho muito claros sobre as consequências das nossas ações. Passamos nós no fio da justeza? Saímos equilibrados na balança da equidade? Se na carta dos Enamorados fazemos nossas escolhas e no Carro seguimos a frente com elas, ao nos depararmos com a espada da Justiça aqui a própria substância das nossas intenções é colocada a prova perante a medição neutra da igualdade.

Nas diferentes maneiras de a representar hoje em dia, vemos que no Arcano da Justiça temos sempre algumas constantes:

  • A figura feminina que a representa sempre porta algum tipo de espada e uma balança.
  • Ela sempre estará assentada em um trono.
  • Usará uma coroa, ou adorno, e vestes que simbolizem sua importância.
  • Muitas vezes poderá ser representada entre pilares.
  • Seu número sempre será o 8, a não ser no Tarot de Rider Waite e nos baralhos inspirados nele onde intercalaremos A Justiça com A Força, então ela se mostrará como Arcano de número 11.
  • Seu olhar sempre será sério, austero.
  • É uma carta com presença de tons frios, azulados, onde podem aparecer animais relacionados a sabedoria e o pensamento racional, como a coruja nos ombros da deusa Atena, no Tarot Mitológico.
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Diferentes representações da carta A Justiça no Tarot Mitológico (na figura da deusa Atena), no Tarot de Rider Waite (onde ela é a carta de número 11) e no Tarot Egípcio

Tudo aquilo que fazemos gera reverberações, consequências, tanto no mundo quanto ao nosso redor. Ter consciência daquilo que emitimos, pois estaremos sempre no epicentro daquilo que emanamos, é essencial para que tenhamos um caminho equilibrado. Na balança segurada pela Justiça não existem meios termos, se causarmos desequilíbrio sua espada nos acertará. De igual forma, se soubermos nos manter na sabedoria do que é justo, sua espada também se estenderá para nos defender. O trono que vemos, a figura nele sentada, representa o próprio mecanismo de ação e reação do Universo. Perante o trono divino não existem preferidos, nem dois pesos ou duas medidas, plantamos o que colhemos, sentindo o gosto do nosso próprio veneno ou cura.

A escolha de Atena no Tarot Mitológico é pontual, não só por ela ser a deusa da justiça e da sabedoria, mas também por ser uma grande guerreira e uma prodigiosa estrategista. Nesta carta temos a Justiça armada, pronta para aplicar seu veredito, preparada para a ação, e não somente para o exercício mental da lógica. Esta força não se perde em sua filosofia, estando sempre pronta para lutar pelo que é correto, da forma que for necessária. E da maneira que for mais justa. Seu semblante sempre olha diretamente para nós, não se perdendo nem para a direita nem para a esquerda, como fazem personagens em outras cartas, nos desafiando a falar e agir com a verdade, e somente com ela. Ela nos encara, séria, para nos lembrar que acima de nós existe um mecanismo intrincado em todo Universo, e que estando dentro dele, como uma de suas peças, como estamos, não escaparemos do resultado de nossas escolhas.

As diferenças entre a posições dos Arcanos no Rider Waite 

O Tarot de Rider-Waite, lançado em 1930 pelo maçom e ocultista Arthur Eduard Waite, junto a artista Pamela Colman Smith, é marcado pelo seu pioneirismo e inovações na história do Tarot. Entre elas, temos a mudança da posição dos Arcanos A Justiça e A Força dentro da ordem do Tarot. Ambos seus autores sendo membros da Ordem Hermética da Aurora Dourada, eles colocaram nos símbolos e na ordenação do seu baralho referencias aos estudos que desenvolviam na AD.

A ideia principal em colocar A Justiça como Arcano 11 é colocar sua posição exatamente no centro dos 22 Arcanos Maiores, dando ao seu princípio a ideia de ser a central na jornada das cartas, o ponto de equilíbrio. Nela estando como Arcano 8 temos mais a ideia de fluxo contínuo, de que tudo aquilo que vai certamente retornará. E também sua ideia de poder. Existem muitas outras análises tanto numerológicas quanto herméticas sobre essa troca, pesquise! Algumas linhas e autores falarão que a troca de Waite foi capenga, outros verão uma ideia de leveza e equilíbrio em sua escolha, vale a pena ver as diferentes opiniões para formar a sua própria.

O lado negativo

Como em todas as cartas do Tarot, A Justiça também pode ter sua face perversa. Como uma carta extremamente racional, quando desbalanceada ela pode nos remeter a crueldade da frieza dentro de nossas relações e julgamentos pessoais, bem como pode nos alertar contra a nossa própria parcialidade em muitas situações. Negativada ela nos alerta contra as injustiças, contra a ignorância em suas piores manifestações, contra a falta de ética e com as fraudes que podem existir na justiça humana, afinal, infelizmente somos seres passíveis de nos corrompermos em diversos momentos de nossas vidas. Nestes casos seu alerta é maior que nunca. Existirão consequências, e certamente pagaremos pelos nossos atos, sendo pelo individual ou através do coletivo.

No amor

Aqui vamos encontrar, antes de mais nada, um momento de reflexão. Temos sido realmente honestos e justos com nossos próprios sentimentos e com os outros? Analise racionalmente sua postura, seus atos. Reflita sobre o que você de fato deseja no momento. Qual verdadeiramente é o impulso, o anseio, que se esconde atrás das suas atitudes. Não julgue nada precipitadamente, sem antes pesar bem todos os lados que precisam ser conferidos.

Na sexualidade 

Aqui temos um perfil cuja sexualidade é bastante equilibrada. Se existir a necessidade de escolha entre um ou mais pretendentes, aquele que se simboliza pelo Arcano da Justiça sempre tomará a decisão que for mais correta. A serenidade do espirito importa muito para essas pessoas, não podendo nem ser forçadas e nem manipuladas a se envolverem naquilo que seria ilícito ou injusto. Não é um perfil frio sexualmente, mas sim um que se atém muito a questão do merecimento, de recompensar quem fez por onde, por assim dizer. Acima de tudo, são aqueles que se atém a honestidade.

No trabalho 

Analise bem a situação no qual se encontra neste momento. Se você precisa fazer alguma escolha, a faça pesando mais a razão do que a emoção. Para os empregados, cuidado ao fazer julgamentos no ambiente profissional. Escute sempre ambos os lados de quaisquer questões e aja imparcialmente sempre. Para os desempregados, não aceite qualquer proposta apenas por aceitar. Pondere bem o que é oferecido, escolha sabiamente, e não se comprometa com nada que você sabe que você não seria capaz de cumprir ou manter. Obviamente: não aceite nada que seja envolvido em ilegalidade.

Na saúde 

Aqui tudo geralmente se encontra em equilíbrio, embora seja um Arcano que pode indicar lentidões (como, por exemplo, um metabolismo lento). É comum se pontuar que, em casos de perguntas relacionadas a cirurgias, a Justiça costuma responder positivamente. Escolha bem tanto os profissionais quanto os locais onde você colocará sua confiança.

Na espiritualidade

Lidando muito com a questão da causa e da consequência, na Justiça somos aconselhados a encontrarmos nosso ponto de equilíbrio. Não irmos nem demais para um lado e nem sequer demais para o outro. Aqui checamos os fatos antes de darmos uma opinião precipitada ou infundada. Estudamos antes de falar ou agir. Medimos nossas reações para vermos se elas estão realmente proporcionais ou não. E, principalmente, somos convidados a admitir que o que está em nossas mãos, em ação nas nossas vidas, é simplesmente as consequências dos nossos atos. Sem podermos culpabilizar nada além de nós mesmos. Nem outras pessoas e nem sequer poderes maiores ou místicos. Esta carta se encaixa muito no conceito da sétima Lei Hermética, a Lei de Causa e Efeito, que diz que “Toda causa tem seu efeito, todo o efeito tem sua causa, existem muitos planos de causalidade mas nenhum escapa à Lei”. Somos responsáveis pelo que causamos não só a nós mesmos, mas ao mundo como um todo. Alguém que fumou por anos não pode culpar ninguém além de si próprio se vier a desenvolver alguma doença relacionada ao seu consumo, bem como não podemos culpar uma natureza malvada pelos desastres climáticos que é a ação humana que causa no planeta. O que fazemos hoje é o que determina a medida daquilo que receberemos amanhã.

E você? Como tem procurado se equilibrar na vida?

Carta anterior: O Carro 

Próxima carta: O Eremita

Estudos do Tarot – O Carro

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A carta O Carro no Tarot de Rider Waite

Também podendo ser conhecida como O Auriga (ou O Triunfo), na carta do Carro temos a nossa frente um caminho aberto, bastando apenas nossa iniciativa e boa vontade para nos aventurarmos nele. Se na carta dos Enamorados fizemos nossa escolha, na carta do Carro arregaçamos as mangas e seguimos em frente naquilo que optamos. E na viagem desta Carruagem, se tivermos a força e a sabedoria corretas, encontraremos a vitória, a conquista e o progresso.

Dentre todas as formas de representar O Carro que temos hoje em dia, nos mais diversos estilos de baralho, podemos ver sempre alguns pontos em comum:

  • Existe sempre uma carruagem, ou no mínimo um cavalo, sendo conduzido.
  • Aparecem entre as vestes do condutor símbolos como espadas e escudos.
  • Sempre existe uma boa paisagem, como uma estrada, sem empecilhos ou obstáculos a frente.
  • Sempre será a carta de número 7.
  • O condutor de alguma forma parece importante, estando muito bem vestido.
  • As cores da carta serão intensas e chamativas.
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Diferentes representações da carta O Carro no Tarot das Bruxas, no Tarot de Rider Waite e no Tarot Mitológico (na figura do deus Ares)

Nos conduzindo ao movimento, a velocidade e ao ímpeto de ir a frente, no veículo do Carro somos impulsionados a diante. Com paixão e com determinação. Sabe aquele grito de guerra que nos acorda, nos deixa alertas, nos avisa que é hora de irmos a luta com tudo? É aqui que nos deparamos com esta energia. Inclusive, no Tarot Mitológico, temos o próprio deus Ares, patrono grego do calor e da glória das batalhas, conduzindo sua biga para a guerra! Nesta carta a vida é curta, não temos tempo a perder, então não podemos ficar parados, de bobeira, ou ficaremos para trás. Tudo é muito rápido, tudo é agora, pra já! Vamos com medo mesmo, com frio na barriga mesmo, porque a hora urge e não podemos mais adiar nada.

Você vê a armadura, as espadas e lanças, o escudo que carregam seus condutores? Indicam a força tanto para avançar e atacar quanto para se defender e se proteger que temos que ter durante nossos caminhos. Para encararmos, para lutarmos, no que der e vier ao longo das estradas da nossa vida. Percebe como, por exemplo, no Tarot de Rider Waite e no Tarot Mitológico os cavalos não são da mesma cor? O princípio da dualidade que primeiro encontramos nas colunas atrás da figura da Sacerdotisa aqui voltam com muito mais dinamismo. Eles representam nossos instintos e impulsos, cada hora querendo nos puxar para um lado diferente, cabendo a nossa parte racional, simbolizada pelo condutor da carruagem, assumir o controle com braço forte para guiá-lo pelo caminho certo. Sim, precisamos de pulso firme para guiarmos a nós próprios nessa vida, ou podemos nos atrapalhar em nossos próprios rompantes e anseios. Este sempre será o maior desafio do Carro, o desafio de sabermos conduzir a nós mesmos.

O lado negativo

Como em todas as lâminas do Tarot, o Carro também possui seu lado prejudicial. Quando temos esta carta em um mal aspecto dentro de um jogo ela pode estar nos avisando contra tomarmos algumas decisões precipitadas, que podem nos causar péssimas consequências, nos orientando a refletirmos um pouco mais antes de tomarmos alguma atitude. Aqui tudo é sobre ritmo. Não podemos ser lerdos demais, mas também não podemos avançar sem condições para isso. Se equilibre! Cuidado com as propostas de caminhos tortos que podem surgir. Cuide do seu próprio humor, que pode ficar instável, e também se atente as companhias que você tem ao seu redor. Por ambição, muitas vezes podemos nos deixar levar por orgulho, e é aí que oportunistas podem aparecer em nossa estrada. Se valorize, se preserve, e não se deixe manipular pelo seu próprio mau gênio. Conduza sua vida, ao invés de ser conduzido por sua própria vaidade.

No amor 

Em termos amorosos a carta do Carro fala muito sobre conquista, e sobre exito. Quando sabemos ter a iniciativa certa no momento adequado com o próximo os resultados podem ser surpreendentes. Sabendo avançar da forma correta podemos ganhar o afeto que desejamos, resolver conflitos, e entrar no período feliz que tanto almejamos. Então estude o terreno, saiba o que você realmente deseja, tenha sua estratégia e o seu planejamento e siga em frente!

Na sexualidade 

O perfil que se marca pela energia do Carro é, sem dúvidas, um muito confiante. Existe algo de indomável nessas pessoas, que nos conquistam só com um olhar e passam por nossas vidas tão rápido que quando elas partem nos perguntamos que tipo de furacão nos bagunçou tanto. Sabendo seduzir, conduzir e aliciar, nada impede seus avanços. Principalmente se for do tipo mais estratégico do que impulsivo. Podem não ser as pessoas mais estáveis do mundo, é verdade, mas uma volta em suas carruagens com certeza vale a pena. Nem que seja um passeio de uma noite só.

No trabalho

Na carta do Carro temos avanço, temos movimento. Se você estava desempregado, não estará mais. Se precisava de alguma resposta, ela virá. Se precisava de crescimento, se mova e ele se apresentará! No Carro todos nossos esforços, quando sinceros, são bem recompensados. Nossa determinação aqui conta muito. Quando temos iniciativa, pró atividade, e boa vontade, tudo pode fluir em nossas vidas então: mãos na massa!

Na saúde

Aqui temos uma boa saúde e um bom vigor num geral. Regendo nossos músculos e tendões, os problemas que podemos encontrar aqui são as câimbras, as torções, as dores musculares agudas, e os desconfortos na região dos braços ou ombros. Se precisar, vá numa massagista. Se cuide. Não fique carregando dor a toa.

Na espiritualidade

Como já dito anteriormente, na carta do Carro nosso maior desafio é sabermos nos conduzir com sabedoria. Encontrarmos o perfeito equilíbrio entre aquilo que aspiramos e a maneira como agimos e nos esforçamos. Sem querer pular etapas, colocando a carroça na frente dos bois, por assim dizer. Aqui, espiritualmente, também encontramos a necessidade de nos entregar um pouco mais aos nossos processos, confiando no direcionamento daqueles que nos guiam. Sendo usada para simbolizar processos de transe, no Carro aprendemos a deixar que as coisas fluam através de nós e a sermos usados como ponte de condução para a manifestação do poder dentro e acima de nós. Um grande exemplo deste processo é o desenvolvimento da mediunidade em uma roda umbandista, onde aprendemos a sermos conduzidos, a cedermos um pouco o controle e nos entregarmos aos nossos guias, dando passagem a sabedoria que eles tem a passar, acima da nossa. Outro bom exemplo são os transes provocados por preparos sagrados como a ayahuasca, onde também somos conduzidos até uma experiência muito mais sensível, potente e maior, além das barreiras do nosso racional. No Carro fluímos, nos separando daquilo que é apenas nosso orgulho, e nos deixamos levar pelo que é verdadeiro e único.

E você? Atualmente conduz ou é conduzido na sua vida?

Carta anterior: Os Enamorados

Próxima carta: A Justiça

 

Elementais da Natureza – As Sereias

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Pequeno canto devocional pessoal de contato com as sereias e com as forças das Águas

Como seres encantados, presentes nas mitologias de diversos países representando e personificando aspectos do mar, as sereias (ou sirenas) tem fascinado a humanidade por séculos. A vida em nosso planeta jamais poderia existir sem a presença da água, sendo natural que muitos povos, ao longo da história humana, tenha creditado a ela poderes divinos, e seres igualmente poderosos.

Seu nome, em diversas culturas, as colocam como personificantes dos mistérios marinhos, como por exemplo em inglês, onde mermaid provém do termo mer, significando oceano. O mesmo oceano que até os dias atuais não chegamos a explorar nem sequer 10% (conhecemos mais a superfície lunar do que o conteúdo dos mares, por exemplo). Em francês temos mer também como significante de mar, assim como mère significa mãe, a semelhança entre os termos nos remetendo a como o mar, em sua abundância, é de onde todos viemos. Na cultura celta as teremos como merrow, vindo da palavra muir, igualmente significando oceano. E no português, sereia viria do arcaico serẽa, derivando do grego antigo Σειρῆν (Seirến), divindades dos mares.

O relato mais antigo que temos delas seria proveniente do Império Assírio, na figura da deusa Atargatis. Regente do céu, da lua, do mar, da chuva e da vegetação. Tendo descido do céu como um ovo que, ao se abrir, a revelou como uma bela sereia. Seu culto e fama perdurou até o reino romano, onde ela era adorada sob o nome de Dea Syria, ”a deusa síria”. Meio-peixe, meio-mulher, e inteiramente divina.

Mas antes mesmo dela, a humanidade sempre reverenciou deidades e forças ligadas as águas e aos mares. Teremos com os antigos babilônicos a figura do deus meio-peixe Ea, ou Oannes, como o primeiro rei mitológico pré-diluviano, que ensinou a agricultura e a arquitetura a humanidade. Com os fenícios e cananeus teremos Dagom, igualmente meio-peixe e meio- homem, ligado tanto a agricultura quanto com o pós-morte. E ao longo do Atlântico Africano teremos as Mami Wata, um grupo de divindades aquáticas, versáteis em suas habilidades, e naturalmente encantadoras e belas.

Sendo boa parte do nosso referencial imagético, temos na cultura grega a figura das ninfas. Como divindades menores, vivendo muitas vezes nas águas, seriam descritas como donzelas incrivelmente atraentes. Seu próprio nome, nymphê, significa ”jovem garota”, geralmente com atributos sedutores. Elas eram categorizadas segundo o tipo de meio em que viviam, sendo as Oceânides (filhas do deus Oceano) naturais das profundezas dos mares e águas salgadas, as Nereides (filhas do deus Nereu) naturais especificamente do Mar Mediterrâneo e das águas espumosas dos litorais rochosos e as Náiades, naturais dos rios e das águas doces.

Famosas por encantar marinheiros, e naufragar muitos navios, teremos relatos de seus poderes descritos no poema épico Odisseia, onde o herói Odisseu pediu aos seus companheiros que o amarrassem ao mastro de seu navio, eles próprios cobrindo seus ouvidos com cera, para se proteger contra o encanto das sereias, nesta passagem retratadas como mulheres metade humanas e metade harpias, que o fariam se jogar ao mar e, consecutivamente, morrer afogado.

O canto e os poderes das sereias

Sendo uma constante nas lendas de praticamente todas as culturas, as sereias são famosas por seu talento natural com a música. Ouvir seu canto seria uma experiência tão assombrante quanto sedutora, podendo tanto transformar a vida daqueles que a escutam quanto levar a morte. Sendo capaz de abençoar ou levar até os mais terríveis delírios, suas vozes amedrontam tanto quanto fascinam, nos convidando até o desconhecido. Contendo em si mesmas todo o poder espiritual dos mares, através de suas canções elas tem a capacidade de manipular os sentimentos humanos como bem entendem, entoando melodias capazes de conceder a felicidade e a prosperidade bem como pânico e ruína.

Não são poucos os relatos, principalmente nas lendas inglesas, de que elas poderiam tanto agitar os mares, desencadeando tempestades mortais, quanto também ajudar navios que se perdem no meio das tormentas marinhas a sobreviverem. No Speculum Regale, ou The King’s Mirror, um antigo texto norueguês datado de cerca de 1.250, encontramos sereias podendo, através de seus atos, dizer se uma navegação sobreviveria ou morreria durante uma tempestade.

Assim como o próprio mar, elas são representadas tendo tanto faces benevolentes quanto destrutivas. Mudando e fluindo, sensíveis assim como as águas. Temos na figura de La Sirena, poderosa Lwa do Voodoo, uma figura amistosa especialmente com mulheres, que ela ajudaria abaixo da água, e concederia fortuna e poderes especiais. Grande parte das divindades ligadas ao oceano, as águas, são tanto instrutoras quanto protetoras da humanidade.

No livro The Woman’s Dictionary of Symbols and Sacred Objects, de Barbara G. Walker, temos a teoria de que o famoso gesto das sereias de se pentearem diante de um espelho poderia significar muito mais que simples vaidade (como defendia a Igreja Católica sobre elas na Idade Média), mas sim um tipo de magia. Como os cabelos, em muitas culturas, são símbolos de força, cuidar deles, e tê-los longos, seria também cuidar e aumentar seu próprio poder pessoal. Em Lusty Ladies: Mermaids in the Medieval Irish Church, de Patricia Radford, temos também a possibilidade do pentear dos cabelos como um rito de purificação, libertando o corpo e a alma do excesso de energia nociva que podemos contrair do nosso meio ou de outras pessoas e seres.

Em diversas linhas da magia, e do ocultismo, também temos os espelhos, um de seus grandes ícones, como artefatos de poderes especiais. Podendo serem usados tanto para magias de glamour e amor, como também como portais para outras dimensões, sendo muito perigosos de serem manipulados por quem não tem o devido conhecimento e preparo.

Claramente existe muito mais sobre as sereias e seus poderes para serem analisados e vistos, em todas as particularidades que elas assumem em cada cultura e país diferente em que aparecem, sendo necessário um mergulho muito mais profundo do que apenas um texto daria conta. Abaixo darei uma indicação de leitura introdutória sobre o tema então, ouse ir mais fundo!

 

Indicação de livro 

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Mermaids – The Myths, Legends, & Lore de Skye Alexander

Para todos aqueles que querem se aprofundar tanto nas lendas quanto nos mitos das sereias eu recomendo muito o livro Mermaids – The Myths, Legends & Lore de Skye Alexander. Sendo um livro relativamente curto, e lindamente ilustrado, ao longo das suas 226 páginas podemos conhecer desde as mitologias europeias até as africanas e sul-americanas sobre as sereias ao redor de todo o globo. Com uma leitura fácil e fluida, somos transportados para diversas épocas e sociedades, com toda sua riqueza de costumes e também de superstições. Nele você poderá encontrar todas as informações que coloquei nesse texto e muito mais então, fica a dica.

Quer saber como entrar em contato com elas? Veja este texto aqui.

Até mais!

Estudos do Tarot – Os Enamorados

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A carta Os Enamorados no Tarot de Rider Waite

Chegamos agora em uma bifurcação, e precisamos fazer uma escolha. A carta dos Enamorados, no Tarot, traz a inevitabilidade da seleção, bem como a necessidade de harmonizarmos nossos impulsos e quereres. Nem sempre é uma carta que falará dos nossos relacionamentos a nível amoroso, mas sim é a que falará das associações, e de suas possibilidades. Do momento em nossas vidas que temos que decidir entre a e b. Podemos nos sentir indecisos, perdidos entre as possibilidades que temos, e devemos usar o nosso livre-arbítrio com sabedoria. Evitando delegar essa responsabilidade a outras figuras. Afinal, nossas escolhas, e suas consequências, são de responsabilidade exclusivamente nossa nessa vida. E se manter neutro, não indo nem para um lado nem para o outro, também em si escolha é.

Mesmo com todas as variantes que possuímos atualmente para representar esta carta, sempre vemos alguns signos em comum:

  • Sempre terá em si a retratação de um casal, geralmente com uma terceira figura entre eles, ou alguém decidindo entre as propostas de uma ou mais pessoas.
  • Sempre será a carta de número 6.
  • Mostra um momento de decisão entre aceitar ou não, um ao outro ou a proposta feita.
  • Algo aparece como que abençoando as figuras retratadas, sendo um anjo, uma figura importante, ou mesmo os raios solares.
  • É uma carta geralmente muito colorida, com presença de terras férteis ou montanhas.
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Diferentes representações da carta Os Enamorados no Tarot de Rider Waite, no Tarot das Bruxas e no Tarot Egípcio

A presença constante da iconografia do casal, geralmente namorados, como indica o nome da carta, marca em nós as dinâmicas das relações humanas. A figura entre ambos, o mediador, pode apresentar ou simbolizar tanto os problemas quanto as soluções dentro do relacionamento que eles possuem. Dependemos então da configuração no qual esta carta aparece num jogo para descobrimos se ela vem revelando problemas ou elucidações.

É nas dinâmicas do amor que encontramos as maiores sinucas de bico da vida. Apostamos naquele relacionamento, naquela pessoa? Será que vale a pena? E se você se declarar e não for respondido? Mas e se for? Será que vale a pena se separar depois de tantos anos? E aquela nova pessoa, dá pra confiar? Os sentimentos do outro são sinceros mesmo ou é só carência? E os nossos, são o que? Complicado, né? Quando falamos de sentimentos tudo se nubla, tudo se confunde, nada é certo. Afinal, o coração não é uma ciência exata. Mas e aquela proposta de trabalho? Você deve aceitar ou não? Será que você seria feliz se trocasse de área? Daria retorno investir em algo novo? E filhos, ter ou não ter? Será que com o orçamento atual daria para investir num curso novo? E se mudar de cidade, de país, imagine só! Escolhas, a vida é feita delas.

O lado negativo

Como já vimos, Os Enamorados é uma carta que trata muito sobre nossos conflitos internos nesta vida. Ela pode nos trazer o medo da responsabilidade de se fazer certas escolhas, nos paralisando na indecisão. Quando em um aspecto complicado dentro de um jogo, ela pode mostrar nossa apreensão em agir, com medo do que pode acontecer ou do que os outros podem pensar de nós. Assumir algumas escolhas também exige coragem! Mas se não a temos, na maioria das vezes, acabamos vivendo não por nós, mas pelos outros. E se medir pela régua alheia nunca trouxe felicidade para ninguém, não é mesmo? Ao lado de cartas de movimento muito rápido, Os Enamorados podem também falar quando escolhemos errado, por precipitação. Aqueles situações chatas nos quais nos metemos por não termos refletido antes em algumas coisas, sabe? Nunca tomar a dianteira, nunca decidir, pode ser tão ruim quanto fazê-lo depressa demais. Mas como saber qual seria o equilíbrio, a hora certa, então? É complexo.

No amor

A energia dos Enamorados geralmente prenuncia emaranhados amorosos. As vezes podemos estar sendo tentados por outras pessoas, fora do nosso relacionamento. Um ex pode ter surgido do nada. Podemos não saber se seríamos mais felizes com fulano ou com ciclano. E nossos próprios sentimentos podem estar oscilantes, onde temos certeza de algo em um dia para no próximo não sabermos de mais nada. Por isso, raramente podemos a analisar como carta única para responder questões amorosas. Quando estamos solteiros, esta carta marca a possível chegada de novas pessoas que podem movimentar, e muito, nossas emoções.

Na sexualidade

Também podendo ser chamada de Os Amantes, a carta dos Enamorados nos mostra as diversas possibilidades do exercício da sexualidade humana em seu estado livre de culpa e apreensões. Uma figura que se marque pelo perfil dos Enamorados não vê sujidade em seus impulsos, e na forma como ama. Aqui falamos em liberdade sexual, mas não com a conotação da libertinagem, mas sim com o espírito da independência. Sem se prender a tabus, quando este perfil ama, é com toda a sinceridade e pureza de sua alma. O amor perfeito, no final das coisas, é a única coisa que pode vencer qualquer medo.

No trabalho 

Aqui iremos tratar de novas possibilidades. Se você se encontra desempregado, chances podem finalmente surgir! Se você já está fixo em algum lugar, Os Enamorados podem trazer chances de promoção ou até mesmo mudanças de posto. Novas parcerias devem ser analisadas com cuidado. Se soubermos lidar com aquilo que nos é apresentado com astúcia podemos subir, e muito, em nossa caminhada.

Na saúde 

Os Enamorados, como uma carta extremamente emocional, vai nos mostrar que nossos estados de espírito podem influenciar, e muito, no estado do nosso corpo físico. Se estamos com os nervos a flor da pele não é difícil que insônia, ou mesmo gastrites, surjam para acompanhar. Se não sabemos expressar o que queremos e ficamos com as coisas como que entaladas em nossa garganta, algum problema nela, ou em nossas vozes, pode aparecer. Preste atenção ao seu coração, emocional e fisicamente. Afinal, tudo em nós se interliga, e nossos problemas físicos podem ser nosso corpo reclamando da carga psicológica mal resolvida ao qual o submetemos.

Na espiritualidade

Quando nos deparamos com os Enamorados, com a necessidade das escolhas, em relação ao plano espiritual, geralmente já sabemos qual é a questão. Estamos no caminho em que estamos realmente por nós mesmo, ou será que estamos ali apenas porque nossos pais, ou até mesmo nossos parceiros, estão também? Será que não é chegada a hora de pararmos de temer nos responsabilizar pelo que realmente sentimos, pensamos, e desejamos? Ou viveremos sempre nesse estado morno, quase que artificial, só para não desagradar ninguém? A decisão está sempre em nossas mãos. Seja para continuarmos onde estamos, para darmos um passo além, ou para mudarmos de direção. Em cada um desses quadros, que possamos apenas sempre sermos honestos e sinceros com nossos próprios corações.

E você? Quais encruzilhadas a vida já te apresentou? Ou será que, neste exato momento, você está em uma?

Carta anterior: O Hierofante

Próxima carta: O Carro