A arte da Bruxaria – Como começar

Fonte – Acervo pessoal

Quando começamos a nos interessar pela bruxaria sempre vem aquela dúvida: Como começar? O que precisamos ver ou entender primeiro? Como, num ramo tão diverso, podemos escolher por onde iniciar nossas buscas e onde encontrar as respostas para nossas maiores questões sobre o tema?

Primeiramente, é importante entender que o ponto inicial mais fundamental de todos é o estudo. Se você não gosta de imergir por horas e horas na leitura de livros, conhecendo autores e suas obras, bem como estudando diversos movimentos e suas implicações é bom que você saiba de antemão que, caso você queira ter uma prática substancial e profunda, isso será necessário. Você passará muito mais tempo lendo, pesquisando e fazendo anotações do que em qualquer outra atividade. Em segundo, você precisará saber se organizar. Principalmente no âmbito mental. Ter clareza do que você pensa e saber estruturar o que você deseja de forma prática é essencial para que você não se afogue num mar de informações desconexas que você não saberá utilizar e nem sequer te darão qualquer firmeza.

Para isso, comece no mais básico:

O que você acha que a bruxaria é? Onde e como você ouviu a palavra ”bruxaria” pela primeira vez? Quais caminhos você tomou entre essa primeira vez e ideia que você tem dela hoje em dia? Você pensa algo de diferente? Ainda pensa a mesma coisa? Muitas pessoas entram em contato com diversas ideias sobre o que seriam tanto a bruxaria quanto a magia em literatura, filmes, séries, jogos e desenhos bem cedo na vida, por exemplo. Seja qual tiver sido o seu caminho tente o traçar claramente dentro da sua cabeça. Entenda o que e quais histórias e acontecimentos compõe sua visão do que a bruxaria é.

Sabendo o que você pensa que a bruxaria é, defina o segundo princípio mais básico:

O que te move para perto dela agora? Dependendo da sua concepção algo está te movendo até ela. O que te faz querer se aprofundar nela? Entenda qual é a raiz do seu impulso. É apenas simples curiosidade? Você conheceu alguém que pratica e achou essa pessoa legal o suficiente para entender mais do que ela faz? Alguém te inspira? Você está se movendo por alguma necessidade particular? Basicamente, aqui você precisa entender qual é a sua história. Raras pessoas vão ter um contexto familiar prévio para começarem na bruxaria. Mesmo aqueles que tem uma família profundamente espiritual, na maioria das vezes, não terão seus familiares chamando o que fazem de bruxaria, visto que é um termo que ainda carrega sobre si um peso social discriminatório muito forte. Então, primeiramente, entenda o que te move para cá.

Com isto feito é que você poderá definir melhor o que, baseado na sua visão, você quer com a bruxaria. Afinal, algo dentro das suas visões e do que te move desperta seu desejo. Você quer alguma coisa com a bruxaria. É autoconhecimento? É desenvolver sua espiritualidade? Ganhar poder? Ter mais dinheiro? Ser desejável? Você quer se proteger de alguma coisa? Quer se vingar de alguma coisa? As vezes as pessoa começam atrás de amor, as vezes apenas por estética, porque é bonito, porque de alguma forma está na moda, ou porque querem atender alguma demanda pessoal que se falassem em alto poderia soar egoísta ou até mesmo bobo. Identifique o que você pensa e o que você quer sendo sincero com você mesmo. Você tem que saber de onde está partindo antes de começar. Sendo esse ponto qual for.

Agora, em terceiro, é onde sua busca de fato vai começar.

Inicie justamente pesquisando o que a bruxaria é. Isto é a primeira coisa que você de fato deve saber. E a resposta será bem mais complexa do que você poderia imaginar num primeiro momento. Cada cultura ao redor do mundo e cada época da história humana definiu tanto a magia quanto a bruxaria e a feitiçaria de forma diversa e multifacetada. Muitas vezes todos esses termos se encontram como sinônimos e muitas vezes eles se distinguem de formas muito particulares. Esses são os primeiros pontos que você deve desenvolver. Nunca fique com uma definição só. Sempre procure no mínimo três visões diferentes para não começar sua jornada já com uma visão parcial e reducionista.

Você logo verá que, para realmente formular algum conhecimento nesta primeira tarefa, você terá que ter o mínimo de pesquisa cultural e histórica. Procure sim livros de História. Leia-os antes de ler livros de autores do meio esotérico e ocultista. Eu sei que muitas vezes nosso primeiro impulso é procurar autores do meio, mas confie em mim neste ponto, não comece por eles, comece por obras escritas por historiadores. A maioria dos livros do meio ocultista deixa muito a desejar no que se refere a pesquisa histórica porque a maior preocupação de muitos autores do meio é mais defender suas próprias vertentes e visões do que se aterem a veracidade dos fatos. Eles estão apenas vendendo o próprio peixe, e não necessariamente vão te ensinar a pescar. Se você tiver uma boa pesquisa histórica prévia, quando você começar a pegar de fato livros sobre ocultismo, será fácil identificar quais autores são bons e quais não o são. Então inicie tendo uma boa base histórica.

Uma excelente indicação que eu tenho para essa fase inicial é o livro História da Bruxaria de Jeffrey B. Russel e Brooks Alexander. Além de belissimamente ilustrado, sua leitura é fluida e agradável, dando um excelente contexto sobre a diversidade do que é a bruxaria e sobre quem historicamente é a figura da bruxa em diversas culturas e períodos até os dias de hoje, onde temos os movimentos do neo paganismo e o surgimento da Bruxaria Moderna após o fundamento da Wicca na década de 50 pelas mãos de Gerald Gardner.

Depois de terminada esta primeira busca, compare o que você sabe após o seu estudo com o que você pensava antes. Algo te surpreendeu? Foi muito diferente do que você pensava no começo? Alguma coisa mudou em você agora que você sabe melhor do que se trata a bruxaria? Você ainda acha que conseguirá com ela as mesmas coisas que você achava que conseguiria antes? Se algo mudou, tente identificar o que. Você pode querer parar neste momento, vendo que não era nada do que você esperava, e está tudo bem. Você pode querer continuar agora muito mais do que antes, e está tudo bem também. Se você quer continuar, procure escrever sua própria definição do que é tanto a magia quanto a bruxaria para você, agora que você tem bases mais firmes para isso. Eu, por exemplo, coloquei um pouco da minha definição aqui.

Agora, com as coisas um pouco mais claras diante de você, se pergunte se você ainda quer as mesmas coisas que você queria no começo. Talvez você precise ajustar seus desejos agora que você tem mais conhecimento. Descartando alguns e quem sabe até mesmo acrescentando outros. A definição do que para você é a bruxaria e o que você deseja com ela é essencial para estabelecer seu próximo passo que é a escolha da vertente ou da área mais adequada para os seus interesses. Nem todas vertentes terão a mesma visão do que é a bruxaria, então você precisa encontrar aquelas cujo ponto de vista se alinhe ao seu. Assim como nem todas as áreas de desenvolvimento da bruxaria servem para te ajudar com seus objetivos iniciais. Procure aqueles que te ajudarão de forma mais prática no momento. Se você não quer uma abordagem religiosa ou filosófica agora no seu início não faria sentido você entrar de cara na Wicca ou na Thelema, por exemplo. Apesar de serem fascinantes são correntes que te colocarão sua própria visão sobre o divino, com seus próprios dogmas, liturgias e iniciações necessárias.

Se alinhe a você mesmo através das visões e metas que você estabeleceu na sua primeira pesquisa.

Quase que sem notar, a partir de agora, você já começou seu caminho de forma consciente e prática. Você já sabe, ou pelo menos já faz ideia, de para onde ir e o que você quer fazer com mais propriedade. A construção dos seus próximos passos dependerá apenas das suas próprias metas e interesses. Encontre vertente, ou a área, que mais se alinha as suas necessidades e comece pelos seus autores de referência. Construa seu conhecimento aos poucos, sem pressa. Quando sentir que já dominou suficientemente a teoria vá fazendo pequenos experimentos práticos. Anote sempre seus resultados, ou a falta deles. Isso vai te orientar sobre o que dá ou não certo para você. Nem todo mundo é bom com tudo, e você só vai saber quais são seus pontos fortes colocando a mão na massa. Muitos bruxos são incríveis trabalhando com o Fogo, outros são muito melhores com o Ar. Temos entre nós necromantes maravilhosos, outros dominam diversos tipos de divinação com uma precisão quase que assustadora. Você pode descobrir que é muito bom com sigilos, ou com mantras. Assim como pode conhecer bruxos que são dotados de uma verdadeira mão de ouro, que sabem mover prosperidade como ninguém, bem como aqueles que naturalmente tem uma habilidade notável para curar e para amaldiçoar. Se colocando em movimento você naturalmente achará o seu lugar. E, a partir dele, tudo se tornará possível.

Até a próxima!

Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Um pouco sobre eclipses

Carta A Lua do Tarot de Marselha – Fonte: Arquivo pessoal

Eclipses, no cenário ocultista que temos contemporaneamente, são eventos que dividem opiniões. Sempre nos dias que antecedem um deles temos de um lado aqueles que não trabalham com eles e do outro os que trabalham. Os argumentos variam muito dependendo de vertente para vertente. Como praticante de bruxaria, tenho minhas opiniões sobre o assunto, e minhas experiências pessoais também. São elas que colocarei aqui, de forma não a configurarem uma verdade absoluta, mas a apresentarem um ponto de vista. E, ao contrário do que pode parecer natural, meu discurso não começará comigo falando como a bruxa que sou hoje, mas sim como a jovem que eu fui antes que a bruxaria entrasse na minha vida.

É comum entendermos os fins pelos começos, e eu entendo como minha espiritualidade se desenvolveu da forma como se desenvolveu através dos anos quando olho para a criança que fui, conversando com as árvores da minha vizinhança, com o sol e a lua, correndo em redemoinhos de vento junto com os pequenos seres que os adultos julgavam na época que eram meus amigos imaginários e tratando o mar como se ele fosse um ser por si só. Depois, conforme fui crescendo, com minha habilidade de “conversar com o céu” para ele segurar a chuva enquanto eu estivesse na rua, voltando da escola, porque tinha esquecido o guarda-chuva naquele dia e em como eu agradecia quando realmente só começava a chover depois que eu abria o portão de casa. Em como minhas explosões de raiva na adolescência sempre traziam tempestades, assim como acontecia com a minha avó. E em como eu fui tendo sonhos premonitórios com cada vez mais frequência assim como minha mãe e meu avô podiam ter.

A espiritualidade na minha família sempre foi muito forte, mas muito sutil ao mesmo tempo. E eu aprendia com eles a vivenciar as coisas de forma discreta para evitar comentários ou mesmo preconceito. Nada era tido como magia ou como bruxaria, afinal, eles eram em sua maioria cristãos, mas sim como dons do Espírito. De certa forma meu primeiro grimório foi a Biblia, e assim continuou sendo por muito tempo. Eu só comecei a pesquisar e a ler sobre bruxaria em 2014, com 22 anos. Não fui então uma adolescente que procurou sobre magia ou ocultismo, sempre consegui me comunicar com o mundo e manipular suas energias sem sair da base de crença da minha família. Foi apenas por forte necessidade que saí da minha zona de conforto para campos desconhecidos. No começo, tudo foi incrivelmente confuso. Não só pelo fato de que eu estava conhecendo novas crenças e paradigmas mas também porque muita coisa não se encaixava com a maneira como eu experienciava a natureza desde criança. E os eclipses eram o maior destes pontos.

Sempre tive uma relação muito forte com a lua. Forte a ponto de ter minha noção própria de correspondência de suas fases apenas observando seus efeitos no mundo ao meu redor e em mim. Eu sabia que quando ela estava crescendo eram os dias em que eu mais tinha sorte, que quando ela estava cheia tudo se tornava mais intenso e violento e que quando ela minguava ou sumia do céu eram os períodos onde eu tinha mais azar. Os eclipses eram absolutamente horríveis. Se eu pudesse desaparecia da face da terra nos dias em que algum acontecia. Não só tudo dava errado como psicologicamente eu passava por grandes abalos. De forma que quando comecei a ler sobre vertentes modernas de bruxaria, dentre elas a Wicca, eu até consegui pegar o conceito da utilização das fases da lua (geralmente lua nova para abrir caminhos e começar coisas novas, crescente para prosperidade e fazer coisas crescerem, cheia para intensificação e minguante para banimentos) mas nunca a forma como tratavam os eclipses como portais energéticos para causar mudanças ou até mesmo realizar desejos.

Eu lia autor após autor, livro após livro, via a animação das pessoas nos grupos em que eu participava e as discussões sempre para se fazer algum ritual especial e me animava para participar também. Não dava para negar que era um evento que trazia um fluxo de energia muito intenso. Se bem trabalhado podia render de fato grandes resultados. A visão wiccana de se ter o Sol como o Deus e a Lua como a Deusa eram a base do discurso, portanto eclipses eram a união das duas polaridades, do feminino e do masculino. Muito se fazia para celebrar ambas polaridades, para fazer feitiços de amor, de prosperidade, proteção e algumas vezes limpezas também. A escuridão momentânea do céu era tida como um ponto onde tudo se desligava no mundo por alguns instantes para que logo após a luz voltasse, assim sendo interpretado como um momento que podia ser usado para causar um antes e depois, uma mudança em alguma coisa, como se fosse um botão de reiniciar. Resolvi dar algumas chances para essa abordagem então. Podia ser só cisma boba minha no final das contas e talvez eu tivesse boas surpresas se me permitisse tentar.

Comecei a fazer pequenos rituais com cuidado, e observar se teriam resultados ou não. Em todas as vezes nada acontecia. Repare bem que eu não digo que me aconteciam coisas ruins, ou que acontecia o oposto do que eu tinha intencionado, mas que nada acontecia. Para alguém que, independente de crença, sempre conseguiu falar claramente com o mundo e ter respostas fluidas e positivas aquilo era estranho. O silêncio era estranho. A falta de resultados era estranha. Comecei então a procurar outras abordagens, outras vertentes, e vi quanta diversidade existe dentro do ocultismo em relação a como ver e se relacionar com eclipses. Geralmente quanto mais recente e moderna é a vertente, mais a sua postura é a de se trabalhar sim com o evento e mais positivamente eles são tratados. Existe uma cisma muito grande entre a abordagem moderna e as mais antigas e tradicionais.

Conforme fui estudando outros pontos de vista fui aos poucos tentando diversificar o que eu fazia. E os únicos e raros rituais com a energia dos eclipses que eu fiz e que deram certo dentro da minha prática foram os poucos que eu fiz enquanto aprofundava meu trabalho dentro da Mão Esquerda. Estes trabalhos foram completamente distintos dos meus primeiros quando minha visão ainda era muito guiada pelo paradigma da Wicca. Ali eu já estava trabalhando não apenas com as polaridades masculina e feminina mas com forças de destruição. Eu estava desenvolvendo meu conhecimento sobre demonologia e sobre as Artes Negras e usava o que estudava sobre astrologia para identificar quais eram os períodos mais oportunos para diversos tipos de evocações. Foi quando aprendi a não olhar só para em quais signos estariam a lua e o sol durante esses eventos como também prestar atenção em conjunções com estrelas como Algol, a “Cabeça do Demônio” (e uma das estrelas com as quais eu desenvolvi os trabalhos mais fascinantes).

Ali eu senti que as coisas fluíram corretamente. Ali eu falei com o mundo e ele me respondeu como sempre respondeu, de forma natural e positiva. Ali eu senti que era de novo a criança que eu fui, sentada no colo do meu avô, um dos homens mais fortes espiritualmente que eu já conheci, observando o céu e as estrelas com um binóculo, falando de mitos, fazendo anotações, dançando conforme os astros também dançam e nos sussurram o que acontece num nível muito acima do humano. E este ponto, no que se refere a magia astrológica, que fazemos com a força de determinados astros, estrelas e eventos celestes, é importante de se colocar. A maioria das coisas nos céus não são nem sobre e nem para nós. Muitas vezes eventos grandes como um eclipse podem ter efeitos sobre a humanidade, mas nunca de forma individual, sempre de forma coletiva. Como indivíduos, se sabemos como fazer, podemos aproveitar uma pequena parte destas energias para os nossos próprios propósitos. Mas eles em si não atuam numa esfera individual, atuam na esfera coletiva.

Na Astrologia Tradicional, com a qual me alinho, eclipses são sim eventos que apontam para riscos a nível coletivo pois são fenômenos maléficos. É raro que a ocultação da luz, que é um símbolo da vida a da consciência, dos nossos maiores lumiares (a lua e o sol) possa trazer algo de positivo. Podemos arriscar uma interpretação positiva se o evento estiver sendo governado por um planeta benéfico, em condições muito específicas. Mas mesmo assim, sempre através de turbulências. O mapa de um eclipse pode ser válido de poucas semanas a até mesmo anos dependendo da sua duração. E a sua importância depende de como ele irá interagir com outros astros no céu, tendo seus maiores efeitos sempre onde ele de fato é visível. Trabalhar com eles energeticamente traz riscos, porque tudo que fazemos em sua duração não é observado pela luz. Quando temos o enfraquecimento dos doadores de Vida (sol e lua) temos que saber muito bem o que fazemos ou simplesmente não fazer nada.

É muito comum ter dentro da Astrologia Moderna análises de como a energia de um determinado eclipse irá afetar os nascidos de cada signo solar, mas sempre serão análises rasas e superficiais porque toda análise que só leva em consideração signo solar ao invés de se analisar o mapa inteiro de cada pessoa individualmente se marcará por ser raso e superficial. Não somos nem de longe só nossos signos solares. E eventos celestes complexos como eclipses não são tão simples assim de se ler. Se desejamos saber se algum eclipse pode nos afetar individualmente temos que ir até um astrólogo que irá analisar todo nosso mapa e não apenas partes dele. Mas, na maioria das vezes, eclipses trarão eventos sobre governos, sobre a política dos países sobre os quais incide, e não sobre nossas vidas cotidianas. É maior que nós.

A postura de se ser um pouco mais observador do mundo antes de se procurar ser um ator ativo aqui é muito aconselhada. É comum e natural, quando somos novatos, queremos participar de tudo, fazermos tudo, consumirmos todo tipo de conteúdo, irmos na onda e aprendermos por imitação das figuras que mais observamos. Eu fui assim no meu começo. Ignorei minhas experiências anteriores a entrar nos meios que discutiam sobre bruxaria e magia porque queria me misturar ao meio. Seguir o fluxo. E fazer o que as pessoas que eu tinha como referência na época indicavam. Foram experiências válidas? Sim, claro. É testando que vemos o que combina ou não com a gente. Precisamos colocar as informações que recebemos a prova. Mas meu caminho até as práticas que realmente se alinham comigo teria sido mais curto se eu não tivesse ignorado meus próprios instintos e conhecimento anterior em prol do zumbido do meio. Hoje em dia eu não costumo trabalhar com eclipses. Voltando as minhas raízes, apenas me protejo. Se necessário for, por motivos que realmente precisam ser muito específicos, eu posso fazer muito mais. Mas apenas nestes casos. Do contrário você me verá apenas relaxando em casa, pedindo uma pizza e vendo algo na Netflix. É o único ritual que eu de fato indico, para todos, em eclipses. (A não ser que você prefira outro tipo de fast food, claro.)

Quer fazer algo a mais? Não faça só porque você vê outras pessoas fazendo. Pare um pouco, analise, veja como você se sente em relação ao assunto, e só coloque a mão na massa quando você tem certeza do que fará, de como o fará, e por qual abordagem você o fará.

Até a próxima!

Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Altares Itinerantes – Como criar o seu

Fonte: Acervo pessoal

Que altares são pontos de conexão e de harmonização entre nós e nossa espiritualidade já vimos aqui. Porém, nem sempre conseguimos espaço ou temos as condições ideais para ter um altar fixo como gostaríamos, não é mesmo? Podemos estar morando no momento em locais onde não temos a liberdade ou a segurança para termos o nosso espaço, e isso nos leva a usar nossa criatividade e saber trabalhar dentro não só das nossas possibilidades mas das nossas limitações também.

A ideia de construir um altar itinerante me veio por fruto da necessidade. Nos últimos meses, por questões pessoais e familiares, eu precisei viajar muito entre o interior de dois estados diferentes, me dividindo entre passar metade de um mês em um local e a outra metade em outro. E a vida em constante viagem fez com que eu precisasse adaptar a minha estrutura a algo mais prático e mais fluido. Como é um recurso que pode auxiliar não só os viajantes como eu mas também pessoas em outras situações resolvi trazer a sugestão aqui para o blog!

A proposta é a de poder levar consigo, ou manter de forma discreta, uma composição básica com a qual você possa estruturar sua prática pessoal onde desejar. Um altar portátil. Vemos um conceito semelhante quando nos deparamos com a sugestão de, se por algum motivo ou período de tempo nos vemos tendo que esconder nossas práticas, podermos montar altares básicos em gavetas ou caixas. Como aqui a intenção é que você possa se mover livremente e viajar com ele irei indicar que você adquira uma maleta. Não precisa ser uma muito grande. Na verdade seu tamanho dependerá das suas preferências e condições pessoais. Eu comprei uma de um tamanho que considerei médio, de madeira, simples. Você pode procurar outros tipos. O importante é a praticidade.

O que você colocará na sua maleta dependerá do seu caminho espiritual e de como você pratica a sua própria magia. Eu pratico primariamente magia com o Elemento Água então coloquei meu pequeno cálice de cobre e algumas conchas, mas também adicionei alguns cristais para o Elemento Terra, meu castiçal de pentagrama e algumas velas para o Elemento Fogo e uma pena para o Elemento Ar. Também coloquei uma caixinha onde posso levar alguns amuletos mágicos meus como colares e pulseiras e alguns dos meus óleos. Sempre levo comigo um óleo de banimento, um de proteção, um para saúde/cura, e um para prosperidade/atração/sucesso. Como sou oraculista sempre tenho um Tarot e minhas runas comigo. Outras coisas que posso carregar são cadernos e canetas para minhas anotações, minha adaga ritualística, meu isqueiro, pequenas vasilhas para realizar ofertas, pequenos frascos com ervas e o que mais eu sentir que vou precisar.

Então, primeiramente, pense no que é essencial na sua prática. Se você tivesse que viajar hoje, o que você colocaria na sua maleta? Pense não só apenas no que é o básico para você mas também no que você precisaria para não ficar desprevenido perante as necessidades que você possui. Neste quesito, independente da sua vertente, carregue sempre consigo o que você precisará para realizar banimentos e realizar as suas proteções. Após tomar essas decisões e se organizar veja qual será o tamanho e o material mais indicado para sua maleta, pesquise locais e preços, e a adquira. Veja inclusive os tipos de fechadura. Se você pode ter uma com um fecho simples ou vai precisar de uma que você possa trancar com um cadeado ou similares. A limpe fisicamente primeiro quando a tiver em mãos, depois faça sua limpeza e consagração espiritual.

Pode ser simples como colocar suas mãos sobre ela e, fechando seus olhos, imaginar uma luz branca saindo de suas palmas e se espalhando sobre ela enquanto diz: “Que neste momento esta maleta possa ser purificada e limpa de todas as energias que ela possa ter retido ou entrado em contato em seu caminho até mim, até este momento, para que agora, em nome daqueles que me guiam e me protegem, pela força evolutiva que existe dentro de mim, ela possa servir como meu altar itinerante. Que através dela eu possa ter sempre comigo o que preciso para desenvolver meu poder e meu caminho espiritual. E que ela, nunca se perdendo de mim e estando sempre sob a proteção dos meus guias, me ajude a nunca me perder de mim mesmo, independente de para onde a vida possa me levar.” E pronto!

Se você preferir, pode usar algum outro método próprio também. O importante é que você tenha este momento para dar a ela sua nova utilidade. A imbuir da nova energia e propósito que ela terá daqui para frente. Nunca se esqueça que a intenção é essencial na magia. Então, você pode montar e organizar dentro dela o que você guardará e levará nela. A foto no começo deste texto foi tirada bem no começo da minha prática com a minha própria maleta. Eu a adaptei um pouco mais com o tempo, colocando pintados alguns símbolos de proteção e sigilos pessoais dentro dela também. Use sua criatividade, se adapte, e viva sua própria Arte!

Até mais.

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O que são as Runas

Meu primeiro conjunto de runas, feito manualmente e especialmente para mim como um presente – Arquivo pessoal

As runas, como as conhecemos hoje em dia, constituem um alfabeto que era usado para se escrever nas línguas germânicas da Europa do Norte (com destaques para a Escandinávia, as Ilhas Britânicas e a Alemanha) do séc II ao XI. Sua descoberta se deve aos achados arqueológicos das runsten, grandes pedras com inscrições rúnicas, datadas desde a Época Viquingue até o séc XII. Foram encontradas até agora aproximadamente 6.000 delas com destaque para a Suécia (onde foram encontradas aproximadamente 2.500) e para a Noruega (onde temos o achado de 500 pedras rúnicas diferentes). Em menor quantidade também existem achados de ossos, pergaminhos, placas metálicas e peças de madeira com inscrições rúnicas. As inscrições mais antigas que temos delas datam do ano 150. E mediante o avanço do cristianismo na Europa Central, por volta do séc VI, elas foram aos poucos sendo substituídas pelo alfabeto latino.

O alfabeto germânico primitivo possuía 24 runas, sendo usado principalmente no que hoje é a Alemanha, a Dinamarca e a Suécia. É ele ao qual nos referimos atualmente como Futhark Antigo. O nome deriva do fato de suas primeiras seis letras formarem literalmente ‘F’, ‘U’ ‘Th’, ‘A’, ‘R’, e ‘K’ (ᚠᚢᚦᚨᚱᚴ). Também temos o Futhark Recente, que sucedeu o Antigo na Escandinávia a partir do séc XI, possuindo apenas 16 runas e sendo conhecido também como Runas Escandinavas.

Seu uso para fins oraculares vem de algumas linhas de interpretação de trechos da Edda Poética, uma coleção de poemas em nórdico antigo preservados no manuscrito medieval islandês Codex Regius, datado como pertencente ao séc XIII. Em sua composição temos 11 poemas mitológicos e 19 poemas sobre figuras heroicas tanto nórdicas quanto germânicas. Mesmo com sua autoria permanecendo desconhecida até o presente momento ela é uma das mais importantes fontes históricas que possuímos sobre a mitologia nórdica em si, junto com a Edda em Prosa de Snorri Sturluson, historiador e poeta da Idade Média. E é em suas linhas que temos o mito da origem mágica das runas, provindo do auto sacrifício do deus Odin, que agonizou dependurado e mortalmente ferido na Árvore do Mundo, Yggdrasil, por nove dias e nove noites:

“Sei que fiquei pendurado naquela árvore fustigada pelo vento,

Lá balancei por nove longas noites,

Ferido por minha própria lâmina, sacrificado a Odim,

Eu em oferenda a mim mesmo:

Amarrado à árvore

De raízes desconhecidas.

Ninguém me deu pão,

Ninguém me deu de beber.

Meus olhos se voltaram para as mais entranháveis profundezas,

Até que vi as Runas.

Com um grito ensurdecedor peguei-as,

E, então, tão fraco estava que caí.

Ganhei bem-estar

E sabedoria também.

Uma palavra, e depois a seguinte,

conduziram-me à terceira,

De um feito para outro feito.”

Com este mito, tendo sido os frutos do sacrifício de uma divindade, as runas teriam também uma conotação espiritual e sagrada. Ressuscitado e restabelecido, Odin as teria dado como um presente a humanidade. Elas são a benção da própria escrita. Mas também, para quem se relaciona com elas de forma anímica, elas podem ser portais de energia com as quais podemos ouvir o sussurro dos deuses e acessar sua sabedoria e magia.

Só é importante, no entanto, termos sempre em mente que tanto a Edda Poética quanto a Edda em Prosa surgiram muito tempo depois da Era Viquingue, sendo um erro histórico comum dizer que os Vikings usavam de fato as runas como os instrumentos divinatórios que as consideramos modernamente. Seus registros se ligavam muito mais a assuntos da vida comum como questões comemorativas, literárias, funerárias e laudatórias.

Existem aqueles que gostam de usar o seguinte trecho da obra Germânia de Tácito (98 d.C.) para apoiar um uso mais antigo das runas como oráculo: “(…) cortam uma vergôntea retirada de uma árvore frutífera em pequenos ramos e estes, diferenciados por certos caracteres, eles espalham a esmo e fortuitamente sobre um tecido branco (..) apanha um a um dos pequenos ramos por três vezes. Feito isso, ele os interpreta segundo o sinal gravado neles anteriormente” (Andrade, 2011, p. 19). Porém, aplicar esta descrição de Tácito a uma suposta leitura de runas é por si só bastante problemático pois a descrição dele seria de um período anterior ao que conhecemos como o período da criação e uso do alfabeto rúnico por no mínimo dois séculos.

Até onde temos comprovado, as runas enquanto oráculo são muito mais recentes, sendo difundidas principalmente nos meios neo pagãos. O surgimento da controversa “runa branca”, por exemplo, é oriunda do livro The Book of Runes de Ralph Blum, de 1987, um sucesso nos meios esotéricos de sua época e tido como referência até hoje, apesar do autor nunca ter afirmado que seus métodos eram comprovados historicamente. Sendo estudadas como oráculo ou como as preciosidades históricas de comunicação gráfica que são, as runas são fascinantes do seu próprio jeito. Principalmente para quem se interessa pela cultura nórdica e germânica! E você, já teve algum contato ou experiência com elas?

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A Magia das Sereias – Como montar seu altar

Um pouquinho de um dos primeiros altares que eu já tive para o Elemento Água e para as sereias! – Fonte: Arquivo pessoal

Depois de já termos visto aqui no blog quem são as sereias, de termos colocados alguns pontos sobre o contato com elas e de também de termos visto algumas sugestões de como iniciar nossa conexão com elas, se realmente começamos a nos relacionar com estes seres fantásticos e poderosos muitas vezes podemos querer ter um cantinho só para elas e para desenvolver nosso trabalho com elas, não é verdade?

Altares, do latim altare ou ara, na sua concepção clássica eram plataforma elevadas, ou mesas construídas sobre rochas, que eram usadas por sacerdotes ou líderes religiosos, nas mais diversas culturas como a grega e a judaica, para que sobre elas fossem feitas ofertas sacrificiais aos deuses ou a seres espirituais sagrados. E cada religião, até hoje, tem sua própria relação com eles. Na bruxaria natural, caminho que eu trilho, altares são pontos de harmonização entre nós e as forças com as quais trabalhamos e cultuamos. Como pontos de foco, e também de força espiritual, são espaços sagrados. Quando estamos diante deles nos lembramos de quem somos, de quem nos guia, e do que fazemos. Reforçamos nossa fé, nos renovamos e aumentamos nossas forças estando sob influência direta do que nos sustenta.

Quando fui aprofundando cada vez mais meu relacionamento com as sereias e também com Iemanjá, durante a época em que eu estive no axé, logo foi ficando claro para mim que minha conexão com aquelas forças era profunda demais, grande demais, em minha vida para que eu não tivesse um local próprio para o seu desenvolvimento. Eu comecei aos poucos, despretensiosamente, e fui evoluindo um passo por vez. Deixo aqui algumas dicas que foram úteis para mim, e alguns pontos que eu vivenciei. De forma alguma pretendo que você use minhas informações como exclusivas ou me tenha como a única dona da razão. Pesquise outras fontes, estude e, claro, tenha suas próprias experiências.

Primeiramente, escolha um bom local. Não precisa ser muito grande, pode ser uma pequena mesa de canto, uma prateleira, desde que seja um local prático e seguro. Se você pretende ter seu altar como mesa de trabalho espiritual e não apenas como devocional é bom que ele não seja muito alto, de forma que você possa se sentar diante dele para trabalhar. Seja sempre funcional em suas escolhas. Pense que aquele ponto que você escolher, além de precisar ser utilitário para você, também será um ponto onde o véu entre o mundo espiritual e o físico se tornará mais fino, pela energia que será construída dia após dia ali, então escolha com calma e com sabedoria.

Em segundo, limpe muito bem o local escolhido. Fisicamente mesmo. Depois, dependendo se você está montando seu altar numa superfície de vidro, madeira, mármore, granito ou outros, escolha como limpar espiritualmente aquele espaço. Nem todos materiais podem ser limpos com água com sal grosso, por exemplo, sem provocar danos. Então adeque seu método ao que você tem em mãos. Incensos e defumações com ervas costumam ser coringas. Você pode, se optar por defumação, usar ervas que sejam ligadas ao Elemento Água e que também possuam propriedades de limpeza e harmonização como a lavanda, a alfazema, o manjericão e a hortelã. Se você pode aspergir líquidos sobre a superfície que você escolheu, ou mesmo passar um pano molhado sobre ela, você pode usar uma infusão forte destas mesmas ervas. Outras opções são Água da Flórida, perfumes de alfazema, misturas de água potável com rum branco e claro, água do mar. Faça a limpeza, seja pelo método que for, sempre com foco e concentração. Visualize o local se tornando limpo, puro, livre de todas as energias que nele antes estavam.

Em seguida, molhe levemente seus dedos em água fresca (se você está usando água do mar em sua limpeza, pode ser nela). Trace no ar, acima do seu espaço, o símbolo alquímico do Elemento Água (que consiste em um triângulo invertido, com a sua mais alta ponta para baixo). Agora, no mesmo espaço em que você fez o símbolo no ar, coloque suas mãos. Una seus polegares e indicadores para formar o triângulo, com os indicadores apontando para baixo para deixá-lo invertido. Visualize o símbolo brilhando no espaço formado pelos seus dedos com clareza, em uma luz azul forte. Dentro do símbolo, como se ele fosse uma janela, visualize o mar. Não como na praia, da areia. Mas sim como na proa de um navio no meio do oceano. Veja o mar aberto. Sem terra alguma a vista ou por perto, só a imensidão das águas.

Feche os olhos e continue com a visualização. Procure ouvir o barulho das águas, imaginar o perfume salgado delas, sentir o balanço característico do oceano. Tenha esse momento para se conectar com a visão, com as sensações, com a energia do mar. Então, com voz clara e limpa, diga: “Eu convido aqui e agora a força das Águas, o poder de todos os sete mares. Que este espaço que eu abençoo agora seja um portal seguro entre mim e ti. Que aqui eu possa trabalhar com seus mistérios e com suas criaturas. Que haja cura, que haja harmonia, que haja aprendizado, descobertas e sabedoria. Pela benção das Águas e pela força evolutiva que existe em mim, que assim possa ser.” Respire fundo, abra os olhos, e sopre através do espaço entre seus dedos para a superfície do seu novo altar. Imagine por um momento que você sopra não só o seu próprio folego mas também os ventos que agitam os mares, e que a água que você visualizou na janela entre seus dedos agora cai sobre seu altar, o banhando e o consagrando.

Pronto. Agora caberá a você o que será ou não colocado no seu novo altar. Como um espaço consagrado as Águas e aos mares, você poderá colocar conchas, cálices com água, pedras que você recolheu em suas viagens a praia, e o que mais desejar. Este será um bom espaço para que você trabalhe com as ondinas e claro, com as sereias também. Chame-as para este espaço, faça o convite. Coloque estátuas ou pinturas de sereias em sua decoração. Faça tudo com beleza e carinho.

Uma das primeiras organizações que eu fiz no meu altar, no seu comecinho, foi como está na foto deste texto. Eu cobri minha mesa com uma toalha branca, coloquei um castiçal, minha estátua de sereia, meu cálice, algumas pedras, e o potinho com conchas e lascas de água marinha com a japamala que eu já tinha para as ondinas. Você pode ver que eu também coloquei o Diário Mágico que eu uso apenas para a Magia da Água, o livro sobre o tema que eu lia na época, e meus dois oráculos das sereias lá. O potinho com o líquido vermelho escuro é desta receita querida aqui do blog. Eu usava meu espaço também como um local de estudo, além de ser ali onde eu fazia meus rituais e meditações. Se eu oferecia algo as sereias, como flores, deixava-as em um vaso ao lado da minha estátua. E lá as coisas fluíam num tempo e num ritmo completamente únicos. Era como se eu de fato submergisse, e tudo que eu fazia e vivenciava naquele espaço fosse na verdade em outro plano. Com o tempo, como é natural, minha organização mudou várias vezes. Altares dedicados a Água costumam ser muito mutáveis. Fluem, crescem e se transformam. Junto conosco e para além de nós também.

Cuide do seu altar. Procure colocar nele apenas coisas que tenham sentido para você, que se conectem com a sua jornada e com o que você desenvolve espiritualmente. Deixe-o sempre limpo e organizado. Afinal, nossos altares costumam refletir, e serem um reflexo, de nossas próprias vidas. E viva plenamente a sua própria espiritualidade.

Até mais!

A Magia das Sereias – Quem pode entrar em contato com elas?

Carta Guide do Oracle of the Mermaids de Lucy Cavendish – Arquivo pessoal

Este texto veio do questionamento de alguns leitores e amigos, tanto aqui do blog como também do meu Instagram, que já quiseram saber: “Mas enfim Ellen, eu poderia ter contato com as sereias?”

Sempre sorrio ao receber essa pergunta. Não por quem está me perguntando, mas pelo fato de que a questão correta seria, na verdade, a oposta. Você sabe se as sereias teriam o desejo de ter contato com você?

É muito comum, de certa forma, quando olhamos para a espiritualidade e para seres espirituais pensarmos que as coisas dependem apenas da nossa iniciativa. Da nossa atitude. De fazermos o ritual adequado, com os ingredientes corretos, e de termos o poder necessário. Focamos muito em nós mesmos, e pouco naqueles que desejamos alcançar.

Criaturas como as sereias, e outros seres mitológicos, pertencem não ao nosso plano físico mas sim ao plano espiritual. Elas tem suas vidas, suas rotinas, e seus assuntos. Elas são seres independentes e possuem muita vontade própria. Por mais que existam rituais que podem facilitar o contato entre nós aqui deste plano material e elas no plano astral todo ritual é e sempre será uma via de mão dupla.

Imagine que em uma tarde você escuta alguém te chamando, batendo na sua porta, e você espie pelo olho mágico quem é. Observando quem te chama é uma decisão sua atender ou não o chamado, não é mesmo? Quantas vezes você já fingiu não estar em casa para uma visita que você não queria atender? E quantas vezes já não abriu a porta feliz, com um sorriso no rosto?

Saiba que no plano espiritual muitas vezes acontece o mesmo. Nós estudamos, nos dedicamos, organizamos materiais e um dia na nossa agenda para tentar estabelecer contato com quem desejamos. Seja com elementais, com divindades, com espíritos ou outros seres. Mas depende deles, e só deles, atender ou não nosso chamado. Querer ou não também ter contato conosco.

Os relacionamentos entre nós e seres espirituais é sempre baseado no livre arbítrio. As vezes, se estamos trilhando algum caminho ou trabalhando nossa espiritualidade, são eles que vem até nós. Nos mandam sinais, sonhos, sincronicidades. E é uma escolha nossa dizer sim ou não para a presença deles em nossa vida. As vezes somos nós que os procuramos, pelos mais variados motivos, e igualmente então é uma escolha deles dizer sim ou não para nós. Como em qualquer amizade, nós estendemos nossa mão, ou eles estendem a deles, e a reciprocidade é a receita para fazer as coisas acontecerem.

Se você deseja entrar em contato com elas procure, primeiramente, estudar muito! Mergulhe em livros, consuma conteúdo sobre diversas mitologias ao redor do mundo, procure fontes! Pesquise, além delas, também sobre o Elemento Água, sobre a magia deste elemento, sobre a magia dos mares, sobre as Ondinas, sobre os Tritões. Aqui mesmo no blog existem indicações de livros sobre elas e, quando você já se sentir seguro o bastante no seu conhecimento, também existem indicações de rituais para um primeiro contato!

E sim, todos podem fazer isso. Todos podem estudar, todos podem buscar, sem ser necessário nenhum grande poder ou habilidades extraordinárias. Todos podem tentar! Agora, tendo feito nossa primeira tentativa, cabe a nós esperarmos a resposta delas. Se elas vão nos corresponder ou não depende única e exclusivamente delas. E devemos respeitar isso. Elas sempre escolheram livremente, ao longo de toda história, nos mais diversos continentes, para quem se revelar e quem evitar. Dê uma chance e veja o que acontece! Você só descobrirá se tentar, não é mesmo?

Quer saber como foi que eu entrei em contato com elas pela primeira vez? É só espiar aqui:

Até a próxima!

Espiritualidade & Política

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Fonte: Arquivo pessoal

Existe um grande mito nos dias atuais de que aqueles que trabalham de alguma forma com a espiritualidade não podem colocar em seus discursos suas posturas políticas. Dentro deste mito a espiritualidade e a política não devem se misturar. E colocar em pauta lutas sociais conjuntamente ao exercício da espiritualidade seria, ou desvirtua-la, ou até mesmo cooperar para “trazer baixas energias” a sua prática. Algumas pessoas preferem de fato se manterem neutras, e conduzirem seu trabalho em suas plataformas sociais como se nunca nada acontecesse, para não prejudicar seu próprio engajamento ou perder público. Outras, usando suas vozes, optam por se posicionarem diante do mundo, independente daqueles que irão lhe seguir ou não.

Eu estou aqui como parte do segundo grupo.

Acredito firmemente que se me disponho a desenvolver minha espiritualidade ela não deva ser algo que me capture e me distancie do mundo ao meu redor. Somos seres políticos, vivemos em uma sociedade política, e dar as costas a isso não nos ajuda a sermos mais espiritualizados, apenas contribui a nossa alienação ao nosso meio. Se me coloco no mundo como cartomante e oraculista, disposta a exercer uma escuta ativa do outro e o ajudar em seus dilemas, quem seria eu se ignorasse que as pessoas que me procuram tem contexto e classe social? Quem seria eu se me recusasse a ouvir, de fato, as narrativas dessas pessoas inseridas nas condições sociais em que elas se enquadram? Que curadora seria eu se focasse só nas ditas boas energias quando eu sei que tem muito mais acontecendo?

Quem pode ter, no momento atual, a postura de não consumir más notícias sobre o cenário mundial para não “abaixar a própria energia” já se encontra numa posição de privilégio social muito grande, pois para muitas pessoas isso não é uma possibilidade. Para muitas pessoas as más notícias recheiam suas vidas, elas sendo consumidoras ativas de portais de notícias ou não. A realidade bate na porta de muita gente, não tendo retiro de paz e luz que as regate. Como uma espiritualidade que não quer sujar as mãos com as causas sociais pode ser vivida pelas minorias? Pelas pessoas na periferia? Elas não teriam direito a espiritualidade então?

Como já coloquei neste texto, onde explico um pouco mais da minha visão sobre o que é a magia e sobre o que é a bruxaria, não consigo ter nem sequer bases históricas para dizer que ambas não sejam aliadas a política e também as classes marginalizadas historicamente. A figura histórica da bruxa sempre foi temida por ser aquela que se vivia as margens, e que era perigosa por ser transgressiva, jamais por ser uma aliada conveniente do status quo. E o que temos hoje, no neopaganismo, é um resgate direto desta figura, dessas pessoas. Resgatamos esta posição de resistência, de questionamento, de luta, de forma que busque ser coerente com o mundo atual no qual vivemos. Com seus novos desafios, com suas novas dinâmicas, importâncias e potenciais. Quando deixamos este meio sem a representatividade e o peso político que ele devia ter o matamos em sua essência.

A bruxaria se coloca no mundo atual como um ponto de resistência tanto político como espiritual, onde podemos ter acesso ao conhecimento para criarmos nossa própria autonomia, para dar poder as nossas vozes, para construirmos um mundo melhor. É impossível a conciliarmos com uma postura passiva mediante a opressão, seja ela da forma e no nível que seja. Até porque, como diz a belíssima citação de Desmond Tutu, bispo sul-africano: “Se você é neutro em situações de injustiça, você escolhe o lado do opressor.”

Sejamos contra estruturas espirituais alienantes, nos levantemos contra todo tipo de preconceito. Sejamos antirracistas muito mais do que em nossos discursos, mas também em nossas ações perante nossa sociedade. Apoiemos os movimentos que lutam por igualdade de gênero, sejamos participativos em prol da causa LGBTQIA+ e a favor da liberdade de crença religiosa. Sejamos quem luta contra governos fascistas. Pois como bem se diz nos meios de matriz africana: O melhor ebó pra Orí é ter caráter.

Herbário – Alecrim

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Ramos de alecrim – Acervo pessoal

Sendo uma das ervas aromáticas mais versáteis e úteis tanto da culinária quanto na medicina, o alecrim tem seu nome herdado dos romanos, que o chamavam de rosmarinus, significando, em latim, orvalho que vem do mar, já que ele costumava crescer nos arredores das praias do mediterrâneo espontaneamente. Seu perfume forte e agradável também o faz ser muito apreciado na perfumaria e na cosmetologia pois contém tanino, pineno e cânfora, entre outros princípios ativos, que lhe conferem propriedades excitantes, tônicas e estimulantes da nossa memória. Quer saber mais sobre ele? Vamos lá!

Nome científico: Conhecido desde 1753 como Rosmarinus officinalis, seu nome científico passou por uma recente mudança por causa dos estudos da Royal Horticultural Society (RHS). Não considerando mais a diferença nos estames das flores do alecrim e da sálvia o suficiente para considerá-las plantas de espécies distintas, perante a ciência mais recente, agora temos nosso querido alecrim como Salvia rosmarinus, sendo considerado então uma variedade da sálvia.

Uso medicinal: Além das suas propriedades digestivas, diuréticas (reduzindo a produção de gases e aliviando problemas como azia, diarreia e constipação), e antidepressivas (ajudando também em casos de ansiosidade), o alecrim é largamente utilizado na aromaterapia pela sua habilidade de melhorar nosso sistema nervoso, fortalecendo nossa memória, nossa capacidade de concentração e clareza de raciocínio. Rico em ácidos antioxidantes como ácido rosmarínico, ele também pode ajudar a melhorar nosso sistema imunológico, prevenir infecções e melhorar a saúde da nossa pele.

Uso na magia: Com sua energia protetora e tônica, o alecrim nos equilibra, nos purifica, nos concedendo clareza e foco, tudo isso com uma alegria e um ânimo só dele! A força do alecrim nos traz ao momento presente, nos ajudando a agir, a nos colocarmos em movimento positivamente. Podemos contar com sua força para nos defender contra energias deletérias, para nos despoluir daquilo que nos prejudica, para equilibrar e fortalecer nossos ânimos quando estamos desanimados e apáticos, e para afiarmos nossas capacidades mentais.

Ideias de usos simples

  • Na Idade Média era parte da crença popular que colocar alguns ramos de alecrim dentro do travesseiro afastava maus espíritos. Se você tem problemas na hora de dormir, que tal tentar?
  • Na Antiguidade, alunos colocavam alguns de seus ramos atrás das orelhas para auxiliar durante exames. Já pensou em usar seu óleo essencial enquanto estuda e depois, durante suas provas? Afie sua memória e estimule seu raciocínio!
  • Sendo útil também na área amor, o alecrim pode conceder a energia da fidelidade nos encantamentos que fazemos em prol dos nossos relacionamentos. Dê uma chance a ele em seus próximos feitiços!
  • Anda sem vontade de fazer nada, se sentindo sem energia? Experimente segurar alguns ramos de alecrim entre suas mãos, inspirando seu perfume profundamente. Se concentre apenas no ritmo da sua respiração, nas batidas do seu coração e no aroma do alecrim. Tome o tempo que for necessário. Peça que o alecrim possa te equilibrar, te fortalecer, e sinta a energia calorosa e alegre do alecrim te confortando. Agradeça e, com carinho, o devolva a terra.

Banho de alecrim

Aqui trabalharemos ao mesmo tempo com limpeza, proteção e energização. Com uma erva só? Sim! Ferva em média um litro de água e, assim que o líquido estiver em ebulição, coloque três ramos de alecrim fresco ou 5 colheres de alecrim seco na água. Diga:

”Que de mim todo o mal seja eliminado, através do poder destas águas. Um escudo se ergue ao meu redor, pelo poder do alecrim. Eu me ergo, me rejuvenesço e me refaço. A luz, o poder e a felicidade fluem em meus caminhos, e o crescimento de tudo que me beneficia segue meus passos. Sou forte, sou feliz, pela virtude do alecrim, sou abençoado.”

Apague o fogo, tampe a panela, e deixe esfriar por pelo menos meia hora, ou até que o líquido esteja numa temperatura agradável para a sua pele. Coe, devolvendo as ervas a terra, e leve a água para o seu banheiro. Tome sua ducha higiênica como de costume e, depois, jogue o banho de alecrim da sua cabeça para baixo, se imaginando ficar maior, mais vigoroso e resplandecente enquanto a água desce pelo seu corpo.

Um pequeno feitiço de proteção

Aqui usaremos apenas uma vela palito de cor branca e um punhado de alecrim, seja fresco ou seco. Coloque a vela em um suporte seguro e, ao redor dela, faça um pequeno círculo com o alecrim. Acenda a vela e, com ambas as mãos espalmadas em direção a chama, de forma que você sinta seu calor, diga:

“Aqui se ergue uma barreira de fogo cujo poder nada pode desafiar. Alecrim, forte e corajoso, através desta chama te desperto e convoco. Que seu escudo seja uma labareda a consumir tudo que procurar me prejudicar. E que a sua força seja meu archote na escuridão. Neste calor afio meus sentidos e desperto meu poder. Pelas flamas abençoado estou, e por elas protegido sempre estarei.”

Visualize a si mesmo dentro de uma bolha de fogo vivo e dinâmico, cada vez mais forte, cada vez mais intenso. Quando suas mãos estiverem suficientemente aquecidas, as coloque sobre seu coração, absorvendo o calor e selando a absorção da magia em seu próprio corpo. Agradeça, deixe a vela se consumir até o fim e o que sobrar das ervas, deposite na terra agradecendo.

E aí? Conhece outros usos do alecrim? Conta pra mim!

Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Herbário – Louro

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Ramo de louro – Acervo pessoal

Sim, aquele mesmo que usamos tanto em nossas cozinhas! Seja no feijão, em alguns molhos, na carne ou em sopas, o louro é uma das ervas mais versáteis e poderosas que temos em nossas casas. Vamos ver um pouco mais sobre ele?

Nome científico: Laurus nobilis lauraceae

Uso medicinal: Rico em potássio, magnésio, e nas vitaminas A, C, B6 e B9, ele é muito conhecido pela sua ação digestiva, diurética, antifúngica e anti-inflamatória.  Medicinalmente ele é largamente usado no tratamento de diversos problemas digestivos. Contendo um composto chamado eugenol, muito usado em medicamentos anti-inflamatórios, ele também pode ter efeitos analgésicos, usado não só em inflamações como também contra cólicas. Seus usos vão até mesmo para auxiliar no tratamento de casos de estresse e ansiedade.

Uso na magia: Sendo uma das ervas mais usadas para prosperidade, o louro carrega, na verdade, a energia da boa sorte. Sabe aquele empurrãozinho que a gente precisa para conseguir realizar alguma meta, algum desejo? Aquele toque de sorte que garante que nossos pedidos se concretizem? É disso que falamos aqui. Tanto para chamarmos a fartura para nossas vidas quanto para termos sucesso, é o louro que pode nos abençoar. Quem nunca ouviu a expressão ”os louros da vitória”, não é mesmo? Sua energia pode fazer toda diferença entre a conquista, a vitória, e a falta dela. Mas seu poder vai muito além disso. Sendo também uma erva de purificação, o louro pode remover de nós energias que nos atrapalham, bem como desfazer magias lançadas contra nós. Seu perfume, quando queimado no fogo ou em carvões, além de purificar ambientes e conceder proteção pode também fortalecer nossa vidência e clarividência, trazendo tanto sabedoria quanto clareza mental. Tornando assim o que captamos e vemos menos nebuloso e incerto. Aliás, seu uso como auxiliar das videntes vem desde a Grécia Antiga.

Mitologia: Na mitologia grega temos sua origem dentro do mito da ninfa Dafne, filha do rei Peneu. Conta a história que Apolo, deus do Sol, da Luz, da Cura, da Poesia, da Música, da Profecia e da Beleza, desdenhou de Eros, filho de Afrodite, dizendo que sua habilidade com o arco e a flecha eram muito melhores do que as do jovem deus da paixão e do amor erótico. Como retaliação, Eros atingiu Apolo com uma das suas flechas cheias de desejo, o induzindo a se apaixonar perdidamente pela ninfa. Enquanto a paixão atingia Apolo, Eros voltou suas flechas de chumbo contra Dafne, a fazendo o rejeitar determinantemente. Fugindo das investidas do deus, Dafne pede auxílio ao seu pai, que a transforma no loureiro. Apolo, ao descobrir o que acontecera, decide então, já que nunca poderia a ter como mulher, a transformar em sua árvore sagrada, a abençoando com diversos dons, e passando a sempre carregar suas folhas e ramos consigo. Era mascando folhas de louro e bebendo a água de uma fonte sagrada que as pitonisas, sacerdotisas de Apolo, proferiam suas profecias no famoso Oráculo de Delfos.

Feitiço Simples

Uma das formas de magia mais simples e eficazes que podemos fazer com o louro é escrever o que desejamos com palavras chave em suas folhas (por ex. amor, saúde, prosperidade, proteção, etc) e queimá-las na chama de uma vela branca enquanto visualizamos nosso sucesso. Podemos tanto pedir a benção e a ajuda das nossas divindades e guias neste momento quanto apenas usar a pura energia do louro, apenas por ela mesma. Se você não tiver velas, pode queimar algumas folhas dentro do seu caldeirão ou de uma panela antiga. Só nunca se esqueça de firmar bem suas intenções e ser claro na sua visualização da conquista daquilo que você está pedindo.

Defumação

Como já citado, quando jogamos as folhas secas do louro sobre carvão em brasa, sua fumaça pode trazer purificação, proteção, benção espiritual e clareza mental, nos ajudando a fluir melhor em nosso contato com o plano espiritual e com nossa própria vidência. É comum que a limpeza feita pelo louro deixe uma sensação boa no ambiente, trazendo aquela sensação de calma, segurança e conforto.

Amuleto para Sonhos

Aqui a dica também é muito simples. Pegue pelo menos três folhas grandes de louro em suas mãos e, com calma, sentindo o aroma delas, peça, com suas próprias palavras, que o poder do louro possa proteger sua consciência e seu espírito enquanto você dorme. Pode as colocar num saquinho, ou mesmo dentro da fronha do seu travesseiro, antes de se deitar. Se, além de proteção, você desejar ter alguma visão em seus sonhos, também é só pedir ao espírito do louro, antes de o colocar sob o travesseiro. Relaxe, e durma bem.

Chá de Louro

Aqui podemos nos beneficiar tanto de suas propriedades medicinais quanto espirituais. Para auxiliar na digestão, agir contra gases e reduzir inflamações no fígado podemos tomar duas xícaras por dia, sendo de 3 a 4 folhas por 200ml de água fervida. A mesma proporção de água e de folhas pode ser utilizado para criarmos chás pré rituais, aumentando nossa sensibilidade para sentir e compreender com mais clareza o que recebemos do espiritual.

Se o uso for mágico, evite adoçar. Espere a água ferver, jogue as folhas, desligue o fogo e abafe até estar numa temperatura no qual você possa o consumir. Pode tomá-lo meia hora antes dos seus rituais, e também das suas práticas divinatórias para aguçar sua percepção extra sensorial, segurando a xícara entre suas mãos e consagrando o chá ao dizer: ”Que a força e a benção do Louro possam agora brilhar em mim, me trazendo clareza, fortalecendo minha intuição e meus dons espirituais. Que eu veja, que eu sinta, que eu compreenda.”

Contra indicativos: Temos que ter cautela com o louro, principalmente em forma de chá, quando nos referimos a gestantes ou lactantes. Apesar de seus efeitos medicinais anti-sépticos e digestivos, não abuse. Em excesso o louro pode provocar sonolência e, dependendo da dosagem, intoxicação. Como sempre, a diferença entre o veneno e o remédio está sutilmente escondida na forma como o utilizamos, seja prudente.

E aí? Conhece outros usos do louro? Conta pra mim!

Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

A Magia das Sereias – Uma receita para incitar desejo

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Carta Divine Sensuality do Oracle of the Mermaids de Lucy Cavendish

Quando falamos das sereias, belas e encantadoras criaturas mitológicas metade peixe e metade humanas, a sedução costuma ser uma das primeiras coisas ao qual nossa mente nos remete. Afinal, associadas fortemente a beleza e ao fascínio, não faltam mitos onde o poder de atração delas, tão poderoso e hipnótico que chega a ser inebriador, é razão tanto de felicidade como também de ruína.

Foi vasta a utilização de sua imagética, ao longo das épocas, como símbolo da tentadora. E como alerta contra os perigos de se ceder aos próprios desejos e impulsos sexuais. Nossa relação com elas refletiu, durante muitos anos, como própria sexualidade humana foi, durante muito tempo, suprimida e tida como perigosa pelas normas e cultura de diversas sociedades. Os resultados dos tabus criados respingam em nós até hoje na forma de culpa, medo e preconceitos.

Felizmente sendo invulneráveis as morais e limitações humanas, livres e selvagens dentro de seus potenciais magnéticos e encantadores, as sereias ainda hoje podem nos ajudar muito tanto em nossa auto estima, nos auxiliando em nossa relação com nossos próprios corpos, com nossa noção de eu, e com nossas dificuldades em dar e receber prazer, como também podem ser grandes professoras, nos ensinando as artes do prazer e da sensualidade. As diversas possibilidades sensoriais que possuímos em nossos corpos para sermos estimulados jamais deveriam ser tolhidas. Bem como a liberdade que temos em amar quem desejamos, da forma como desejamos e quando desejamos. Tanto o amor quanto a sexualidade são sagrados, fontes de vida e de felicidade. E devem assim ser vistos e explorados por todos nós.

A receita a seguir foi formulada para estimular e aquecer a dinâmica entre duas pessoas, independentemente da orientação sexual de ambas. Se você deseja trabalhar mais sua sexualidade junto com seu par, indo até novos patamares, siga sem medo e aproveite.

Atenção: Esta receita de forma alguma atuará como uma amarração. Ela é destinada a intensificar a química e o prazer de um casal já existente e estabelecido. Para conquistar novos interesses e pretendentes haverão outras receitas aqui no blog.

Vamos lá?

O Mel da Luxúria

Ingredientes: 

  • Uma vela cor de rosa
  • Um cálice com água potável
  • Um pilão
  • Mel puro
  • Seis rosas vermelhas (Rosa spp)
  • Hibisco (Hibiscus sabdariffa)
  • Damiana (Turnera ulmifolia L.)
  • Canela (Cinnamomum)
  • Gengibre (Zingiber officinale)
  • Algum recipiente de vidro que você tenha para guardar o mel já preparado
  • Opcional: Um bom vinho tinto

Modo de preparo:

Em uma noite de lua crescente se recolha em um espaço onde você tenha paz e privacidade e organize todos os ingredientes ao seu redor de forma prática e esteticamente agradável. Se você possuir alguma representação das sereias pode a incluir perto das flores. Se não tiver, tudo bem. Respire fundo, procure se centrar e então, com calma, acenda a vela em um suporte seguro. Perto dela, segure o cálice e, com os dedos indicador e médio da mão com o qual você escreve, trace suavemente círculos na superfície da água enquanto diz:

“Sereias, navegantes e regentes da força e dos mistérios de todos os oceanos. Chamo, nesta noite, aquelas dentre vocês que, vindas de paradisíacas paisagens, possam me ajudar. Intento, com amor e sinceridade, trabalhar com mais intensidade a paixão e a libido dentro do meu relacionamento, pois nosso amor é sincero e verdadeiro. Que aqui eu possa despertar os anseios, a sede e a lascívia. E que eu possa fazer fluir, de forma livre e arrebatadora, o desejo e a volúpia. Que as Senhoras da Sedução possam me abençoar e guiar neste momento.”

A partir de agora, deixe o cálice perto da vela e diga a elas, com mais clareza, qual é o calor você deseja despertar. O que você de fato quer que aconteça entre você e seu par. E como você quer que aconteça. Não precisa sentir vergonha, a sinceridade aqui é essencial. A receita estimulará exatamente o que você pedir então seja uma pessoa esperta. Se você é alguém muito inibido, pode pedir a ajuda das sereias para pensar e se expressar.  Seja honesto sobre como você gostaria que as coisas passassem a fluir entre você e a pessoa com o qual você se relaciona.

Pegue o pirão e dentro dele coloque de seis a doze colheres de mel. Diga em voz alta e clara, onde você deseja a doçura melíflua dele atue. Acrescente três pitadas de damiana, falando como você quer que a paixão se aprofunde e se manifeste. Coloque uma colher de hibisco descrevendo o prazer sensorial que você quer que aconteça. Acrescente apenas três pétalas de rosas, para que o afeto seja ardente. Coloque, se você tem canela em pó, três pitadas, se a tem em paus, três pedaços pequenos, falando do calor, do movimento, da ação dinâmica que você deseja. Com o gengibre, o mesmo. Três pitadas se for em pó, um pequeno pedaço se for em raiz, falando de como você deseja agir e de como você deseja a iniciativa do outro. Afinal, não adianta apenas ambos sentirem desejo, é necessário que aja o impulso inegável para concretizar o que se quer e o que se sente, e a canela, trazendo calor, e o gengibre, inspirando o ânimo, agem impulsionando essa ação e essa iniciativa. Enquanto a damiana, o hibisco e as pétalas de rosa vermelha trazem o furor da excitação, dentro da doçura e do prazer proporcionado pelo mel.

Comece a trabalhar os elementos no pilão, sempre pensando e firmando sua intenção de forma clara e direta. O hibisco naturalmente desprende uma coloração avermelhada quando manipulado, pile até que o mel esteja bem vermelho. Se você optar por incluir o vinho na receita, o coloque no final. Apenas três colheres. Intencione nele que sua energia deixe você e seu par inebriados, bêbados, no prazer e no êxtase que podem proporcionar um ao outro.

Coloque o conteúdo do pilão no frasco de vidro que você reservou. A partir de agora, por mais sete dias, todos os dias você irá ir até o frasco e irá mexer a mistura pensando nos momentos maravilhosos que você quer acontecendo. No sétimo dia, após a mexer pela última vez, pode coar a mistura e reservar no frasco apenas o mel temperado. Você pode usá-lo para adoçar bebidas, dentro da receita de doces, que você e seu par consumirão, pode passá-lo nos lábios, ou pelo corpo, para ser consumido pelo seu amor. Use a imaginação e desfrute cada bom momento possível e imaginável.

Oferte as rosas restantes como um presente de agradecimento as sereias. Se despeça delas com carinho e educação. Guarde o que restou do que você usou, despejando com gratidão a água da taça na terra de alguma planta que você possua. Você pode deixar as rosas no seu quarto, ou no quarto do casal e, quando estiverem para murchar, pode deixá-las, sempre agradecendo, aos pés de uma bela árvore, ou perto de rios limpos e nascentes de água. Se isso não for possível a você peça a elas que sussurrem em sua intuição o que fazer. Boa sorte!

Obs: Sendo uma receita para consumo, se certifique de conseguir cada item de fontes idôneas e que garantam uma boa qualidade em seus produtos. Muita vezes o que é vendido nos mercados comuns não se trata de mel puro mas sim de um melaço vendido como mel. Fique atento. Canela e gengibre são mais fáceis de se encontrar, hibisco e damiana não são raros em casas de produtos naturais como ervas usadas em chás medicinais (ambas muito conhecidas na medicina alternativa por seus efeitos estimulantes e afrodisíacos). Apenas nas rosas, tenha o cuidado de procurar por fornecedores que não utilizem agrotóxicos em seu cultivo, para não arriscar sua saúde consumindo as toxinas que podem se impregnar nas pétalas. Apesar de todas rosas serem comestíveis, quando nos atentamos a sua segurança alimentar, as mais indicadas para o consumo são as que exalam mais odor, como as selvagens Rosa rugosa, Rosa damascena, Rosa canina e Rosa centifolia.