Primeiros passos – Sobre limpezas e proteções

Fonte: Arquivo pessoal

Depois de estabelecermos nossos estudos, nossas rotinas e começarmos a nos cuidar melhor, limpezas e proteções são próximo tópico base para mantermos a saúde e o bem estar das nossas práticas pessoais. Vamos ter bastante da necessidade de organização que vimos nos textos anteriores, mas agora estabelecendo o que para nós é ou não bem vindo e quais são os nossos limites. Vamos lá?

Limpeza

Quando falamos sobre limpeza nos referenciamos a tudo o que podemos fazer para afastar quaisquer energias ou influencias que não desejamos, seja em nós mesmos, em um ambiente ou até mesmo em um objeto, através de atos de purificação. Existem inúmeras formas de limpeza que você pode fazer dependendo da sua linha ou vertente. A limpeza mundana, física, sempre é o primeiro passo. Depois dela, então, você realiza a limpeza energética. Você pode usar a fumaça da queima de determinadas resinas ou ervas e o cantar ou o entoar determinadas palavras de poder ou mantras como formas de limpeza, por exemplo.

Podemos usar a limpeza em instrumentos novos que compramos para as nossas práticas espirituais como velas, adagas, túnicas e etc assim como, periodicamente, em nossos lares, nos ambientes em que ritualizamos e em nós mesmos para garantir regularmente nossa higiene energética. Nos desfazendo daquilo que não mais nos cabe e garantindo que tudo flua de forma alinhada e saudável.

Pense na limpeza energética como você pensa na limpeza física. Depois de um dia cheio onde você sujou bastante seu corpo físico é natural que você queira tomar um bom banho e vestir roupas limpas, certo? Da mesma forma, é aconselhável que você tome um banho de ervas ao voltar de uma visita a um cemitério, por exemplo. E assim como limpamos e organizamos nossas casas após receber muitas visitas, é comum também que limpemos e organizemos ambientes em que fazemos os nossos rituais. Se nos deixamos viver numa casa suja fisicamente, ao longo do tempo, com certeza vamos atrair algumas companhias nada agradáveis para nossa convivência como moscas, baratas, ratos e demais pragas domésticas. No mesmo princípio, se nos deixamos viver em ambientes sujos espiritualmente, também podemos atrair companhias nada agradáveis como larvas astrais e espíritos de baixa vibração que podem nos trazer uma miríade de problemas.

Então, assim como você limpa sua casa e tira o lixo regularmente para evitar que baratas, moscas e similares achem a sua casa muito interessante e propícia, tenha uma rotina básica de limpeza energética! Nas rotinas diárias, que já vimos aqui, temos o RmP que é muito indicado como limpeza e proteção numa base diária, mas é muito bom se, por exemplo, você fizer um banho de ervas em você mesmo, uma lavagem de chão e uma defumação na sua casa pelo menos uma vez por mês. O básico, se bem feito e feito com constância, tem efeitos maravilhosos e nos salva da maior parte dos problemas. Um ambiente que se mantem devidamente limpo e protegido raramente vai atrair espíritos e seres nocivos aos seus habitantes, da mesma forma que um lar bem cuidado raramente vai sofrer com algum tipo de praga. O princípio é o mesmo e pede de nós o mesmo comprometimento e cuidado, afinal, é para o nosso próprio bem estar.

  • Sobre banimentos: Banir, por definição, é o ato de expulsar algo ou alguém de algum lugar. Tendo isso em mente, banir não é a mesma coisa que purificar. Pense que um banimento é expulsar uma visita chata da sua casa. Por mais que ela fique muito melhor só de estar livre daquela figura inconveniente a louça continua na pia, entende? Um banimento pode conter em si alguns efeitos purificativos também. No entanto, tenha em mente que eles são mais fortes e para situações mais focadas do que é a limpeza comum. Você toma banho todos os dias como forma de limpeza, por exemplo, e apenas dentro de circunstâncias específicas expulsa algo ou alguém da sua casa. Com o banimento é a mesma coisa. Enquanto limpeza é asseio e manutenção daquilo que te é saudável, banimento é despejo. É o enxotar, o escorraçar, e o exilar de algo. Nem toda limpeza é um banimento, mas através do banimento cortamos o que não queremos, desalojamos espíritos que podem ter se infiltrado em nossas moradias e expelimos energias mais densas que a limpeza sozinha não abarcaria. Então o use de forma mais pontual quando a necessidade pedir.

Proteção

Depois que efetuamos nossas limpezas, ou ao realizarmos algum banimento, a proteção entra em jogo. E proteções são defesas. É o que você faz para defender a si mesmo, ou ao seu espaço, etc, de algo externo. Elas evitam que o que mandamos embora em nossas limpezas e banimentos tenham como voltar e nos salvaguardam. Uma boa proteção pode ser simples ou ter em si diversas camadas dependendo da sua função. Então, antes de qualquer coisa, determine:

  • O que ela será? Ela vai ser um feitiço com velas, um amuleto, uma garrafa de bruxa?
  • Do que ela será feita? O que você vai precisar para fazê-la?
  • Para que ela será feita? O que motivará a existência dela?
  • Como atuará? Qual será seu exato efeito?
  • Para quem/contra quem? Ela é para você, seu lar ou algum ente querido? Contra o que?
  • Em quais níveis atuará? No material? No espiritual? Terá algo a mais?
  • Por quanto tempo? Qual será sua duração?
  • Ela precisará ser refeita ou reforçada? Se sim, por quais motivos e de quanto em quanto tempo?
  • Existirão gatilhos? Ela se ativará apenas em certas circunstâncias? Algo acontecerá para te avisar se ela for quebrada? Algo acontecerá com quem a quebrar?

Respondendo essas questões você tem desde a forma mais despretensiosa de magia de proteção até as mais complexas e intrincadas. Assim como em relação a limpeza, recomendo que as suas proteções estejam sempre em dia. Você pode proteger as portas e janelas da sua casa com sigilos ou símbolos de proteção. Pode tomar um chá feito de ervas específicas para que, enquanto você dormir, seus sonhos estejam protegidos de qualquer manipulação externa. Você pode fazer uma garrafa de bruxa que absorva, no seu lugar, determinadas energias nocivas. Algum amuleto, como um anel ou um colar, para que você não seja assaltado enquanto o usar. As possibilidades são praticamente infinitas e, se forem bem executadas, seus efeitos serão visíveis.

Você não precisa começar com nada muito difícil. Acenda uma vela branca e queime galhos de arruda nela, pedindo pela sua proteção ou pela proteção daqueles que você ama. Está andando por algum local que não te inspira confiança? Visualize uma bolha de energia protetora ao seu redor que seja espelhada por fora para passar desapercebido. Quer afastar as pessoas ao redor além de não ser notado? Imagine que a bolha possui espinhos enormes por todos os lados. O ato adequado no momento oportuno é tudo do que você precisa. Estabeleça o que você não deseja e imponha os seus limites.

Múltiplas camadas

Conforme sua prática for avançando, naturalmente, suas proteções irão ficar cada vez mais precisas e complexas. Para seguir a Via Sinistra eu indico que você tenha múltiplas camadas de proteção e que elas passem a possuir gatilhos que te avisem quando algo bater nelas, ou mesmo quando algo conseguir as derrubar. Aqui você precisará não só saber como se proteger efetivamente mas também como jogar o jogo.

Cuidar da limpeza e da ordem dos seus ambientes tornará fácil para você identificar quando algo estiver fora de lugar. Assim como conhecer sua própria energia e a manter sempre alinhada tornará imediato para você sentir quando algo tentar te influenciar ou mexer com você. Nisto, proteções e banimentos também são, além de como você estabelece os seus limites, como você se defende e como você aplica consequências e a expulsão do que os ultrapassar. Desenvolva complexidades e nuances que sejam próprias suas em seu trabalho, de forma que nunca seja óbvio para outros desarmar aquilo que você tem.

Combine o mundano com o espiritual. Faça aquela faxina completa na sua casa enquanto também a limpa energeticamente. A proteja com sua magia e estabeleça limites para quem pode ou não entrar nela. Nunca deixe qualquer pessoa estar no seu espaço pessoal. Faça banhos de ervas para limpar e proteger seu corpo e seu espírito. Aprenda a encantar sua alimentação e se fortaleça energeticamente assim como fisicamente. Aprenda a dizer não como uma forma de proteção, tanto mundana quanto espiritual. Assim como você não deve aceitar qualquer tipo de comportamento de um espírito você não o deve aceitar de uma pessoa, seja ela quem for.

Assim que você se estabelecer energeticamente e começar a ter o trabalho de manter o seu próprio alinhamento será natural não querer mais admitir qualquer coisa, de qualquer forma, na sua vida. Assim como deve ser natural determinar consequências para o que tentar contra elas. Afinal, elas foram criadas para a sua segurança, e você deve levar a sua segurança a sério. Seja ela física, emocional ou espiritual. Não tenha medo de se impor e de se defender. Estando na Mão Esquerda, você não deve temer embates. Eles sempre são oportunidades para que você aprenda uma coisa ou duas. Então, estude cada situação ao seu redor e aprenda a se garantir, fazendo bom uso da sua inteligência e da sua própria complexidade.

Até mais!

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Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

O Ritual Menor do Pentagrama – RmP

Fonte: Arquivo pessoal

Sendo um dos rituais mais tradicionais dentro do ocultismo ocidental, o Ritual Menor do Pentagrama (RmP) foi criado pela Hermetic Order of the Golden Dawn (GD) como um dos seus rituais básicos, ensinado a todos os seus neófitos (grau 0=0) ainda não iniciados. Tendo sido uma das mais famosas Ordens do final do século XIX ao começo do século XX, sua inspiração maçônica, bem como sua dedicação ao estudo da Qabalah Hermética, se faz notar no simbolismo desenhado na estrutura do RmP.

Nele, começamos com a Cruz Cabalística, desenhamos pentagramas específicos no ar, invocamos certos anjos e terminamos novamente com a Cruz Cabalística.

Vamos ao passo a passo?

Para a Cruz Cabalística, se coloque no centro do seu espaço, voltando-se ao leste. Visualize um feixe de luz branca e suave vindo de cima até seu corpo. Quando a luz estiver na altura da sua cabeça, descendo e te iluminando, toque sua testa e vibre a palavra ATEH. Na sequência, toque seu peito ou púbis vibrando MALKUT. Visualize a luz descendo até o chão, sendo você agora atravessado por um pilar luminoso. Então, toque seu ombro direito e vibre VE-GEDULLAH, visualizando a luz te acompanhar. Toque seu ombro esquerdo e vibre VE-GEBURAH, com a luz agora formando um pilar de luz horizontal através de você. Por fim, junte suas mãos em cima do seu peito e vibre LE-OLAM, AMEN. Pronto, a Cruz Cabalística está feita!

Para os pentagramas, ainda ao leste, dê um passo a frente e estenda os dedos indicador e médio da sua mão direita (o chamado “gesto da espada”) e com eles desenhe uma estrela de cinco pontas no ar, num azul brilhante, começando do canto inferior esquerdo e indo até a ponta mais alta. Ao terminar, coloque seus dedos no centro do pentagrama vibre o nome YHWH (pronuncia-se yod he vav he). Na sequência, se vire ao Sul e faça o mesmo, vibrando ADONAI, ao Oeste vibrando EHYEH e ao Norte vibrando AGLA (QUE pode se pronunciar “agla” mesmo ou “a-guê-lá”). Enquanto você estiver indo de um ponto ao outro, trace uma linha de um pentagrama ao outro enquanto os faz. Por fim, feche o círculo retornando ao centro do primeiro pentagrama que você fez ao leste pronunciando a seguinte fórmula (e vibrando os nomes destacados):

À minha frente, RAFAEL
Atrás de mim, GABRIEL

À minha direita, MICHAEL (o CH aqui tem som de H aspirado, puxando para o gutural)
À minha esquerda, URIEL
Pois á minha volta flamejam os pentagramas
E na coluna do meio está a Estrela de Seis Raios.

Visualize os arcanjos ao seu redor. Rafael com uma espada, Gabriel com um cálice, Michael com um bastão e Uriel com um pentáculo, todos juntos aos pentagramas nas quatro direções, que estarão brilhando. Enquanto um hexagrama brilha acima da sua cabeça e outro brilha abaixo dos seus pés. Repita a Cruz Cabalística e pronto! Você acabou de performar o RmP.

Simbologia

Dentro da Cruz Cabalística, os dizeres Ateh malkut ve-gedullah ve-geburah le-olam significam “Teu é o reino, a glória e o poder para sempre”, um verso da doxologia presente na versão anglicana do Pai Nosso. E a invocação dos arcanjos deriva diretamente de uma prece judaica feita para ser recitada antes de se ir dormir, existindo apenas uma pequena alteração na sua ordem, que pode ter sido feita para conformar a regência elemental de cada arcanjo (Rafael=ar, Gabriel=água, Miguel=fogo, Uriel=terra) à distribuição dos elementos nas quatro direções.

Os nomes divinos são nomes cabalísticos clássicos. YHWH é o tetragrama, sendo o sagrado nome divino impronunciável (tanto que você nunca o pronuncia e sim o soletra). Adonai quer dizer “Senhor”. Ehyeh pode ser traduzido como “eu sou”, sendo a primeira palavra da frase que Deus diz a Moisés em Êxodo 3:14 (ehyeh asher ehyeh, “eu sou o que sou”). E A.G.L.A., por sua vez, é um notariqon (acrônimo místico) para Atah Gibor Le-olam Adonai, “Tu és poderoso para sempre, Senhor”, um verso de uma prece tradicional judaica, a Amidá. Não existindo, dentro do material deixado pela GD, explicações conclusivas do porquê esses nomes são distribuídos da forma como o são nos quatro cantos. O pentagrama, no entanto, é um forte símbolo de proteção. Simbolizando também, em si, o microcosmo, com cada uma das suas pontas representando um elemento + o éter, que seria o espírito ou a quintessência, em sua ponta mais alta. Sendo o macrocosmo, no sistema da GD, representado pelo hexagrama, que é a estrela de seis pontas citada ao final do ritual.

Utilidade

Ok, mas por qual motivo o RmP se tornou tão importante, afinal? Bom, além de ser o ritual básico de uma Ordem que foi muito importante para o desenvolvimento do ocultismo ocidental como o conhecemos, ele não era o ritual mais básico a toa. A função primordial do RmP é realizar a purificação e o fortalecimento diários da aura, ou do corpo sutil, de seus praticantes. Bem como também garantir a purificação e a proteção do seu espaço. E, quando começamos qualquer prática ou caminho espiritual, esses são pontos fundamentais para garantirmos nosso desenvolvimento e a nossa segurança espiritual.

Secundariamente, como bem colocou Damien Echols aqui, o RmP treina habilidades básicas como visualização, geração e direcionamento de energia e invocação. Enquanto a visualização está presente em todo o processo, na Cruz Cabalística atraímos (puxando de cima, dos planos mais sutis, até nós) e geramos energia (formando a linha horizontal de luz), unindo o espiritual e o manifesto (a coluna vertical e a horizontal) em nossos corações, quando unimos as mãos. Direcionamos essa energia, após sua geração, a utilizando para formar os pentagramas ao nosso redor e terminamos o processo com a invocação dos arcanjos, no rico simbolismo que é apresentado em cada um deles. Fazendo com que trabalhar o RmP não seja só um bom meio de limpeza, fortalecimento e proteção mas também o exercício das habilidades básicas que precisamos ter para performar nossa magia de forma bem sucedida.

Como eu o insiro na minha prática?

O RmP foi formulado para ser feito diariamente pelo praticante, como parte de uma rotina espiritual diária e saudável. Nele, como citado anteriormente, treinamos todos os dias habilidades essenciais para o nosso caminho, nos mantendo limpos, alinhados, energizados e protegidos. A descrição do passo a passo que foi colocada para o traçado dos pentagramas no ar foi feita na forma tradicional de banimento onde começamos pelo canto inferior esquerdo do pentagrama indo até ou terminando em sua ponta mais alta.

O traçado do pentagrama de invocação faz o caminho contrário, começa na ponta mais alta do pentagrama e termina em seu canto inferior esquerdo. Para a prática diária, você verá muitos lugares recomendando que você faça o RmP duas vezes, no início do seu dia o realizando com o traçado de invocação, para te energizar e fortalecer, e ao final do seu dia com o traçado de banimento, para alinhamento e purificação. Caso você for o fazer uma vez só por dia, opte sempre por fazer o de banimento.

De qualquer forma, com sua prática constante, seus benefícios de harmonização e proteção são notáveis. E, se você o fizer todos os dias no mesmo local, este local também passará a, com o tempo, ser um local protegido e consagrado.

Variações e o Rito Menor Luciferiano

Sendo um ritual tão completo e rico para seus praticantes, variações do RmP foram feitas e usadas em muitas outras ordens e em muitas outras vertentes para além da GD ao longo dos anos. Afinal, como sua estrutura original invoca arcanjos e se remete tanto ao Pai Nosso quanto a preces judaicas (tenha em mente que é em um contexto muito cristão que a Qabalah Hermética surge na Renascença e a GD não altera isso), nem todo mundo se sente confortável em usá-lo tal qual ele foi concebido.

Duas variações interessantes que eu coloco aqui são a proposta pela Black Goat Cabal, O Ritual de Banimento do Senhor das Trevas, que você pode ver aqui, e a proposta por Tommie Kelly em seu Ritual Romano do Pentagrama que você pode checar aqui.

A terceira variação notável, dentro da Mão Esquerda, é a de Michael W. Ford: O Rito Menor Luciferiano. Que alinha seu praticante não a Luz acima, mas ás energias da Corrente do Adversário. Para realizá-lo:

1 – Volte-se para qualquer direção preferida. Visualize uma esfera branca brilhante acima da cabeça e vibre Yaltabaoth-Samael

2 – Mova o feixe de luz ígnea até os genitais e vibre Aeshma-Taromati

3 – Na altura do peito, em direção do ombro direito, vibre Do-Mar

4 – Para o ombro esquerdo vibre Dehak

5 – Aperte as mãos no peito, visualizando um brilhante pentagrama reverso vermelho em seu peito e vibre Andar

6 – Vire-se para a direção do Oeste, visualize uma chama azul com seu centro sendo de fogo negro e vibre Leviatã

7 – Vire-se para o Sul, visualize um Anjo-Serpente e vibre Samael

8 – Vire-se para o Leste, visualize um anjo radiante e vibre Lúcifer

9 – Vire-se para o Norte, trace um pentagrama invertido e vibre Lilith

10 – Volte-se ao centro do seu espaço e, com os olhos fechados, visualize as forças demoníacas que você invocou e a energia elemental que estará fluindo de cada quadrante. Então, profira: Ao meu redor está o fogo e o poder de Leviatã e a essência de Lilith e Samael. Anuncio minha intenção como Deus na terra e ascendo ás alturas do Céu e Ilumino através das profundezas do Inferno. O que está acima é como o que está abaixo.

E está feito.

Lembre-se, esses são apenas alguns dos exemplos de variantes possíveis para o RmP. Para ler mais sobre ele e sobre rituais similares eu indico o livro Manual Mágico de Kabbala Prática de Helvécio de Resende Urbano Júnior (que é o livro que ilustra a foto deste post!) e para ver mais sobre o sistema de Michael W. Ford indico A Bíblia do Adversário, onde se encontra a descrição do Rito Menor Luciferiano e muitos outros de sua autoria.

Até mais!

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Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Primeiros passos – Se organize!

Fonte: Arquivo pessoal

Agora que já tocamos nos pontos do estudo, da meditação e dos cuidados pessoais, vendo como evitar certos perigos em nosso meio, iremos, aos poucos, nos colocar em movimento. E isso se dará através da organização do nosso tempo pessoal e do estabelecimento de novos hábitos.

Em primeiro lugar, olhe para a sua rotina atual. Veja tudo que ocupa o seu tempo no dia a dia e quais responsabilidades o preenchem. Alguém que está apenas estudando não terá as mesmas 24h de alguém que, além de estudar, trabalha e tem filhos para cuidar. Todos estamos em fases e etapas diferentes em nossas vidas, onde temos nosso próprio ritmo e, dentro deste ritmo, do que podemos ou não dispor. Então analise a sua rotina da forma como ela se encontra agora e defina, de forma realista, o tempo que você possui ou não para encaixar o comprometimento com seu caminho espiritual dentro dela. Comece, como falamos no post passado, vendo quais tipos de meditação são mais acessíveis para você, por qual livro ou autor você quer começar suas leituras e estudos e se atentando um pouco mais ao seu cuidado pessoal

Tudo se desenvolve através de hábito e de consistência. Se você começar tirando cinco minutos que sejam entre uma tarefa ou outra do seu dia para meditar você irá notar que, com o tempo, você de repente estará conseguindo encaixar dez ou quinze minutos diários para isso com mais facilidade. As coisas fluem e se desenvolvem com o tempo e com a nossa insistência nelas então não se sobrecarregue no começo. Foque em começar com pequenas coisas com as quais você consiga se comprometer e realizar regularmente.

A seguir eu colocarei alguns exemplos de rotinas básicas que você pode tentar seguir como sugestões neste início. Se sinta livre para as usar de base, personalizando cada uma no que se encaixar melhor para você, ou mesmo tê-las como um incentivo para criar a sua própria rotina!

Rotinas Diárias

Estabelecer uma prática diária simples, mas funcional e consistente, é o primeiro passo. É nela que estruturamos nossas bases, criamos conexão, fluxo e desenvolvemos o nosso caminho espiritual de forma firme e coesa.

Eu indico sempre a meditação como pilar. Secundariamente, coloco a leitura e a prática de rituais como o RmP para que você sempre esteja avançando nos seus estudos e tendo uma boa base de limpeza, proteção e fortalecimento espiritual (efeitos básicos da performance rotineira do RmP). Como adicional, apenas para aqueles que tem mais tempo, também coloco a possibilidade de se tirar tanto um conselho oracular para o dia como também firmar intenções diárias, com uma vela ou semelhantes.

Então, nos três exemplos que aqui coloco, podemos ter uma prática diária bem rápida, com apenas dez minutinhos de duração, até uma um pouco mais elaborada de até meia hora por dia.

Rotinas Semanais

Como um adicional, para expandir as práticas diárias, coloco aqui exemplos de rotinas semanais, onde podemos estabelecer metas de leitura ou tópicos de estudo por semana, incluindo melhoras em nossos hábitos pessoais, como aumentar a nossa ingestão de água e incluir alguns novos alimentos no cardápio, nos alongando e caminhando um pouco mais.

Rotina Mensal

Além das rotinas diária e semanal, você pode estabelecer algumas coisas simples para serem feitas por mês. Como, por exemplo, fazer uma limpeza energética no último dia de cada mês, tanto em você quanto na sua casa, para no primeiro dia do mês seguinte você poder pedir pelas bênçãos que deseja naquele mês em específico, sejam elas de amor, prosperidade, saúde ou etc. Outra opção mensal é estabelecer dias certos ao longo do mês para fazer uma purificação, uma proteção e uma benção sobre si mesmo e no seu lar. O mais tradicional é usar o calendário lunar para isso. Você pode se purificar nas luas minguante e nova, se proteger na crescente e pedir bênçãos na cheia, por exemplo. Assim, o asseio e o bom fluxo energético tanto em você quanto onde você e sua família moram estarão sempre garantidos.

Não tem certeza do que pedir de bênçãos? Você pode fazer uma tiragem oracular, ou no final, ou no começo de cada mês, para saber exatamente o que banir e o que pedir para cada mês! Use sua criatividade e intuição para o que seria melhor para as suas necessidades.

Aqui a palavra chave é a adaptação. Fazendo um pouco por dia, por semana e por mês garantimos nossos avanços e trilhamos nosso caminho um dia de cada vez, com segurança e com regularidade, tornando nossa espiritualidade parte ativa e integrante do movimento de nossas vidas.

Até mais!

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Primeiros passos – Como identificar grupos abusivos

Fonte: Acervo pessoal

Você sabe quais cuidados tomar e no que ficar atento se quiser fazer parte de um grupo ou de alguma organização de Mão Esquerda? Se não sabe, esse texto é para você. Apesar do foco na Via Sinistra, os cuidados aqui listados podem ser aplicados em qualquer vertente esotérica, abarcando como identificar técnicas de manipulação e controle que podem ser usados para além do disfarce do discurso espiritual, então: vamos lá!

1 – Love Bombing inicial

Também conhecido como bombardeio amoroso, em tradução livre, o love bombing é quando alguém, ou um grupo de pessoas, demonstram afeto e admiração excessivos por um alvo no início de uma relação. É uma tática comum utilizada por narcisistas e cultos para que aquele que está na mira do bombardeio se sinta bem-vindo, amado, valorizado e seguro. É aquela pessoa que parece perfeita demais quando a conhecemos e aquele grupo em que todo mundo nos adora quando entramos nele.

O objetivo do love bombing é criar confiança e subordinação. Ele te faz acreditar que você finalmente encontrou o seu lugar, onde você é acolhido e nutrido, sem que você possa ver nenhum defeito nas pessoas ou na organização ao seu redor. Assim, ele cria três efeitos principais que são a cegueira (”eu conheço fulano, ele nunca faria tal coisa/falaria tal coisa/agiria de tal jeito…”), a obrigação em retribuir (”poxa, ficaria super chato se eu não fizesse tal coisa pelo fulano, afinal, ele me trata tão bem e já fez x e y por mim…”) e a dependência emocional.

O love bombing termina assim que você não é mais uma novidade ou assim que sentirem que você já está completamente envolvido. A partir de então o afeto começará a ser cada vez mais controlado e circunstancial. Inconscientemente, você começará a atender as demandas do indivíduo ou do grupo para voltar a ter aquele nível inicial de amor e carinho, nunca o conseguindo por completo e ficando vulnerável a outras táticas de manipulação.

2 – Dissimulação

Por definição, dissimular é fingir ou disfarçar reais intenções e propósitos. Sujeitos ou organizações abusivas nunca contarão exatamente o que querem. Se você encontrar qualquer pessoa, coven ou grupo que nunca conta exatamente quais são suas origens, nunca dizem claramente o que praticam e no que realmente acreditam, fique de olho. É claro que muitas coisas, quando se trata de conhecimento oculto, só são passadas aos poucos e para aqueles que estão dentro do treinamento interno de determinadas ordens e tradições. Mas se você olhar para um grupo e não der para saber quem são seus líderes, de onde eles vieram, qual vertente seguem, o que praticam e nem o que acreditam alguma coisa está profundamente errada ali.

Grupos abusivos sabem que se você tivesse boas informações sobre eles você nunca se aproximaria, então tudo é feito com muita cautela e com muito sigilo. Isso vale em especial para grupos, dentro da Mão Esquerda, que escondem que são, na verdade, alinhados ao neofascismo ou ao neonazismo. Eles precisam ir te condicionando aos poucos. Aumentando o seu nível de tolerância a ideias extremistas lentamente. Geralmente enquanto também usam táticas de love bombing. Ninguém é radicalizado da noite para o dia. A dissimulação é um pré-requisito essencial do controle emocional e mental.

3 – Exclusivismo

Se alguém chegar em você e te vender a ideia de que ”só aqui você terá o único caminho”, desconfie. Existem muitos grupos e organizações que dirão que só eles tem a verdade, só eles levam ao verdadeiro caminho e a verdadeira iluminação. Nesta linha de pensamento fica implícito a postura de nós versus eles, que já foi citada aqui, no artigo sobre como identificar discurso fascista em meios de Mão Esquerda. Qualquer pessoa, grupo ou local que quiser te alienar usará o esquema nós versus eles para distorcer sua percepção de mundo. E nisso entramos também no próximo item.

4- Controle de informação

É através das informações que possuímos e que são disponibilizadas para nós que tanto a nossa percepção de mundo quanto a nossa opinião sobre os mais diversos tópicos é construída. Controlar informação, por isso, é uma das formas mais fáceis e eficientes de controlar pessoas. Em dinâmicas de controle em cultos qualquer informação vinda do exterior e que possa ir contra o que é passado internamente é considerada como má. Dentro do controle mental não pode existir nada que quebre a visão central que é passada e reforçada, então podar ou cercear opiniões ou fontes de informação externa e dissonantes são comuns.

5 – Comunicação triangular

Incluso no controle e na manipulação de informação existe a comunicação triangular, ou triangulação narcisista. Enquanto o controle de informação por si só muitas vezes tem o seu maior foco em controlar o que vem de fora, a triangulação manipula geralmente de forma mais interna.

Nela temos a criação de uma falsa percepção entre as pessoas de um mesmo grupo com o objetivo de as dividir ou de fazê-las estar umas contra as outras. Ela é geralmente feita por um único manipulador, mas em determinados grupos figuras de liderança unidas podem usar essa tática para enfraquecer as relações de confiança entre as pessoas, tornando assim todo o grupo dependente apenas deles. Esses líderes irão espalhar boatos e mentiras entre as pessoas de forma que elas desconfiem umas das outras, se reportando apenas a eles e não conversando entre si.

Desta forma, com os participantes do grupo isolados uns dos outros, se torna mais fácil abusar de cada indivíduo separadamente. Afinal, se as pessoas não conversam entre si, é improvável que conectem pontos, entendam o que realmente está acontecendo, desmascarem mentiras e denunciem os abusadores. Um grupo desunido é muito mais fácil de explorar do que um grupo unido. A triangulação também é usada para desviar focos de tensão para outros lugares em momentos de crise, criar novos conflitos que tirem a atenção de um problema original e esconder culpados com a eleição de bodes expiatórios, utilizando aqui novamente a abordagem do nós versus eles.

6 – Controle de relações pessoais

Enquanto a triangulação controla e manipula as relações internas de um grupo, o controle de relações externas também é encontrado em diversos tipos de culto. Se você está com alguém, ou em algum grupo, que aos poucos vai minando seu contato com pessoas externas, tome muito cuidado. Te isolar e fazer com que sua rede de apoio conte apenas com uma única figura ou com o grupo em questão te coloca em uma posição vulnerável. Principalmente se, aos poucos, forem te passando a ideia de esquecer a pessoa que você foi antes para se tornar uma nova pessoa dentro do grupo.

7- Intimidação

Preste atenção se, dentro de um grupo ou perto de alguma pessoa, existe a sensação de temor contra consequências ou conflitos caso algo seja questionado. Caso você seja isolado, ridicularizado, pressionado ou acusado por fazer perguntas ou se opor a algo você está sendo intimidado a se submeter.

8- Estruturas de delação

Dentro de cultos é comum que se as pessoas sejam encorajadas a vigiar umas as outras. Assim, caso algum comportamento de resistência seja identificado, os próprios integrantes do grupo denunciarão uns aos outros para as lideranças, geralmente de forma confidencial. Isto cria um sentimento constante de medo que inibe qualquer pensamento dissonante e triangula as relações, fazendo com que toda informação e poder se concentre nos poucos indivíduos que de fato controlam o grupo.

9 – Controle do tempo

Muitas técnicas de controle mental incluem manter seus alvos ocupados de tal forma que não possam perceber ou questionar o ambiente ao seu redor. Se você ficar perdido demais em reuniões e atividades até se sentir exausto, sem conseguir pensar ou analisar nada, cuidado. Se você sempre tem que pular de atividade em atividade, sempre com algum drama novo para distrair seu foco, nunca conseguindo falar direito com outras pessoas, ou mesmo com os líderes, porque ninguém nunca tem tempo, você está em uma dinâmica de controle de tempo. Você ficará correndo em círculos e mais círculos até conseguir se afastar do grupo, onde perceberá o contraste claro entre a vida normal e a dinâmica do grupo, que parecerá ter se passado em uma completa outra realidade, destacada do tempo e do espaço.

10 – Linguagem com excesso de jargões

Cultos e grupos extremistas geralmente tem suas próprias linguagens, com palavras chave e jargões que só são compreendidos plenamente por seus integrantes. Isso evita que ”ouvidos comuns” entendam o que realmente está sendo dito e produz uma sensação de seletividade e exclusividade entre seus participantes. Através deste controle da linguagem também é possível ameaçar indivíduos de forma sutil, onde o ameaçado saberá o que está acontecendo, mas as pessoas ao redor não.

Aqui entra a política de dog whistle, ou apitos de cachorro, muito usados pela extrema direita, onde determinadas palavras e signos visuais são usados como forma de intimidar grupos específicos sem que as pessoas que não fazem parte daqueles grupos entendam o que realmente está acontecendo. E caso alguém do grupo afetado tente denunciar, ou reaja contra, possa se dizer que aquela pessoa está ”vendo coisas onde não existe” ou ”fazendo caso”. É uma forma velada de intimidação e coação psicológica.

11 – Criação de inimigos em comum

Nunca é demais alertar contra a tática do nós versus eles. Cultos geralmente elegem inimigos para unir as pessoas contra um alvo em comum. Isso pode ser feito para distorcer a percepção de seus integrantes contra pessoas externas, que seriam colocadas como o outro, mas também para criar um novo ponto de foco durante uma crise e para criar bodes expiatórios que sejam acusados no lugar dos verdadeiros abusadores.

Cuidado com aquele grupo, ou coven, cujos líderes dizem, a cada problema interno que surge, que o grupo está sob o ataque espiritual de uma figura externa. O hábito de constantemente jogar o peso da culpa em um alvo externo a cada adversidade indica que o foco está sendo desviado do real problema. Não entre na narrativa de guerras mágicas ou espirituais entre grupos e indivíduos. Sempre investigue quais agendas e interesses individuais estão sendo servidos ou beneficiados através do incentivo ao conflito e a paranoia.

12- Líderes que enfatizam demais que ”nunca fariam isso”

Com extrema frequência as pessoas que mais insistem que nunca teriam uma determinada atitude são aquelas que com mais assiduidade a praticam. Fique atento quando alguém, ou alguma figura de liderança em um grupo, repete um pouco demais que nunca faria uma determinada coisa ou teria um determinado comportamento que é claramente errado. Se a pessoa se defende em excesso de um crime não cometido pode se tratar de uma atitude compensatória para algo em que ela na verdade possui culpa. Ouça cada ”mas eu nunca te trairia/te manipularia” como uma abertura para aquela possibilidade.

13 – Autoengano

Acreditar que só pessoas ignorantes ou fracas psicologicamente poderiam ser vítimas de manipulações, relacionamentos abusivos e cultos beneficia apenas abusadores. Apesar dos estereótipos que temos sobre o assunto, narcisistas e manipuladores estudam muito bem as pessoas com as quais entram em contato e fazem seu trabalho de maneira lenta e cuidadosa, de forma que nunca se levantem suspeitas. Quando você notar, já estará envolvido demais. E a própria vergonha que socialmente se imputa a vítimas de abuso muitas vezes impede que essas vítimas consigam assumir para si mesmas o que está acontecendo, dificultando tanto suas recuperações quanto a denúncia de seus abusadores.

Controle e manipulações psicológicas são crimes silenciosos que florescem pela crença social de que o culpado é quem sofreu o abuso, não o abusador em si. Antes de dizer que ”isso nunca aconteceria comigo” e que ”apenas um idiota cairia nisso” saiba que nenhuma situação começa pelo seu extremo e que todos nós, começando por um discurso inicialmente amoroso e razoável, podemos nos enganar. Afinal, a pessoa mais fácil de se manipular é aquela se julga imune ao tema.

E agora?

Se você é um iniciante, não tenha pressa para encontrar um grupo. Procure estudar por conta própria antes. Com cuidado, com calma. Pesquise a história das principais ordens e organizações dentro da Mão Esquerda com seus líderes e principais figuras antes de pensar em qualquer tipo de afiliação. Visite seus sites e canais de comunicação, fique de olho em seus materiais e leia os livros lançados por seus integrantes antes de se aproximar para ter uma ideia do que você poderá encontrar.

Vá em reuniões abertas como um observador. Escute muito mais do que fale. Se eduque em como reconhecer ideologias extremistas, táticas de manipulação e dog whistles em discursos e textos. Fique atento a transparência e a idoneidade daqueles que se apresentarem a você. Quanto mais conhecimento prévio você tiver, menos vulnerável você será.

Vale também ressaltar que nenhuma ordem responsável admite menores de idade em seu corpo de integrantes por questões obvias de segurança. Se você ainda é muito jovem, seu maior compromisso deve ser com a sua educação e desenvolvimentos pessoais. Isso te dará mais base e consciência sobre o que procurar, se você o quiser, futuramente. Mas saiba que, por motivos legais, nenhuma ordem deve te admitir até que você seja no mínimo civicamente responsável por si próprio.

As mesmas recomendações valem para Sacerdotes que atuam por conta própria. Desconfie, se você for menor de idade, de quaisquer Sacerdotes que se aproximem de você com muitas promessas e muito interesse. Propostas para que você ceda fotos do seu corpo devem ser descartadas, assim como iniciações que contenham quaisquer atos sexuais. Trabalhos espirituais que prometam grande fama, fortuna e amor imediatos por altas quantias de dinheiro são estelionato. E se você receber qualquer tentativa de assédio, assim como intimidações com base em trabalhos destrutivos, denuncie a polícia. A ameaça supersticiosa se enquadra no artigo 147 do nosso Código Penal como crime, podendo incluir ainda outros artigos se esta for meio para realização de constrangimento ilegal, roubo, extorsão ou estupro.

Outro ponto importante de se observar, principalmente em redes sociais, são as figuras que vivem com base em criar drama e conflito constantes com outros. Muitos Sacerdotes, bruxos e magos diversos surgem e se mantém em relevância dependendo dos conflitos que eles criam com outras pessoas. Se você vir algum drama entre grandes perfis nas redes sociais repare sempre se uma das partes, ou ambas, estão no momento vendendo cursos. Ou se são pessoas que andavam meio esquecidas e agora, por causa da briga, estão voltando a ter algum destaque. Não é incomum inimizades se criarem só por ibope ou para a divulgação do curso caro de alguém depois. Seja seletivo com o conteúdo que você consome e com quais figurinhas você segue. Nunca coloque ninguém em um pedestal. Lembre-se que Lúcifer simboliza aquele que quebra estruturas de manipulação e de poder totalitários

e nunca se curve diante de ninguém

Até mais!

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Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Primeiros passos – Como identificar discurso fascista dentro da Mão Esquerda

Fonte: Arquivo pessoal

Começar a estudar sobre espiritualidade, principalmente no que se refere as vertentes pertencentes a Mão Esquerda, não possuindo conjuntamente educação política pode te fazer, sem saber, absorver conteúdos e ideias extremistas. Por isto, aqui no blog, deixarei este pequeno guia de como identificar ideias e discursos fascistas em textos, livros ou falas dos autores do nosso nicho. Guarde as informações aqui contidas de forma vívida em sua mente e amplie sua educação para além daquilo que aqui for apresentado.

O que é o fascismo

Quando falamos de fascismo estamos falando, por definição, de uma ideologia política baseada no ultranacionalismo e no autoritarismo. Ela se caracteriza pelo uso de poder ditatorial, repressão da sua oposição através de força militar e de uma forte arregimentação tanto da sociedade quanto da economia. Atualmente o fascismo se divide e se diversifica entre os diversos ramos dos movimentos da extrema-direita. Porém, seus pontos vitais sempre são facilmente identificáveis.

Neles temos a presença constante de um nacionalismo extremo, desprezo pela liberdade política e pela democracia, a crença de que existe uma elite social natural e a defesa dessa elite acima do bem estar comum. Assim como encontramos uma constante preocupação oriunda da ideia de que existe um declínio moral e cultural ocorrendo na sociedade, com a glorificação de um passado mítico, da violência e do totalitarismo como fatores redentores. O fascismo, economicamente, defende a autarquia. Se opondo tradicionalmente ao liberalismo e ideologicamente ao comunismo, ao socialismo e ao anarquismo.

Indo por partes em seu discurso, temos:

1 – O estabelecimento de um passado mítico

A ideologia fascista constantemente invoca a ideia de que existiu um passado puro e moralmente digno, que foi tragicamente destruído pela corrupção ou decadência trazido por aquilo que é considerado diferente e externo. Aqui temos as ideias de pureza racial, assim como as ideias de pureza religiosa e cultural. O medo da diferença neste item e nos próximos é crucial. O culto a tradição e a rejeição a tudo que é considerado moderno só pode existir através da imposição do temor contra o outro. Assim como contra tudo que é considerado externo, diferente e desconhecido.

2 – O ultranacionalismo

Tendo estabelecido uma noção romântica de passado, os mitos sobre um possível renascimento nacional se tornam possíveis. Aqui a noção de nação é passada como se fosse uma entidade única e orgânica, que une as pessoas em função da sua ancestralidade em comum. Então, após a noção da pureza perdida de um tempo passado, o fascismo cria um senso de identidade tribal exaltando os conceitos de raça e ancestralidade como base para um novo sentido de unidade, força e pureza.

3 – A natureza da hierarquia

No próximo passo do pensamento fascista temos hierarquias sociais que são impostas pela própria natureza, perante a superioridade moral de seus indivíduos. A ideia do passado perdido e da tribo se une a noção de superioridade a ser resgatada como um direito de nascença. Isso torna a noção da igualdade, dentro da lógica fascista, como contrária as próprias leis do mundo natural que coloca certos indivíduos espontaneamente acima dos outros. É comum vermos a noção de que homens estão acima das mulheres por natureza intrínseca, por exemplo. Assim como a ideia de que os membros de determinadas nações ou culturas estão acima do resto do mundo e, por causa disso, deveriam governar por direito.

4 – A vitimização

Seguindo então a lógica fascista, as classes e indivíduos dominantes seriam vitimados ao serem obrigados a compartilharem direitos a cidadania e poder social com grupos externos ou minoritários. Aqui entram as acusações de que determinados grupos não são dignos de assistência, ajuda ou acesso a recursos sociais. Nisto temos o ataque e a retirada da humanidade a qualquer grupo considerado externo ao grupo dominante. O que é perigoso para todos que são tidos, por qualquer razão, como diferentes do que é imposto pela norma. Essas diferenças podem ser étnicas, religiosas, culturais ou ideológicas.

5 – O apelo ao irreal

Nisto, o fascismo substitui o diálogo fundamentado, o livre acesso a informação e a educação por apelos emocionais que, quando bem sucedidos, incutem temor e raiva, deixando seus ouvintes com a vívida sensação de perca e de desestabilização. O objetivo é criar o sentimento do nós versus eles para formar um quadro de ressentimento e desconfiança contra aqueles que são colocados no posto de serem os outros, os diferentes, os inimigos.

É nisto que o discurso fascista procura desvalorizar a educação. Se você não tem acesso a diferentes perspectivas, a pluralidade de ideias e a especialização que a educação permite você não conseguirá notar as falhas no pensamento que te é apresentado e só te sobrará uma visão exclusivista, alheia a qualquer descrição precisa da própria realidade. Teorias da conspiração cada vez mais alarmantes são passadas no lugar de análises racionais sobre mazelas sociais com o alerta de que você não poderia procurar a averiguação daqueles fatos em locais externos por eles não serem confiáveis, o que te radicaliza, poda e distorce a sua visão e percepção de mundo.

6 – O apelo a ansiedade sexual

Como uma ideologia política que coloca a família nuclear e patriarcal como base temos no fascismo também o pânico natural contra tudo que se desvia desse arranjo. E é importante notar que este pânico é gerado principalmente contra tudo que ameace os papéis masculinos tradicionais ou questionem o local do homem enquanto sujeito no mundo. Acusações contra a imoralidade sexual, principalmente contra a liberdade sexual feminina, surgem junto a homofobia e a transfobia com muita frequência. É comum que exista um culto a masculinidade ou, no mínimo, a exaltação a qualidades tidas como viris em oposição as tidas como femininas dentro deste tópico. A juventude é glorificada e tida como precisando ser purificada da promiscuidade da cultura moderna, com foco na formação de núcleos familiares que tenham como principal função a reprodução para o nascimento de indivíduos superiores. É comum, por causa disso, o cerceamento da liberdade reprodutiva feminina.

7 – O totalitarismo

Em um estado democrático, leis são tidas como instrumentos para garantir que todos os cidadãos de uma sociedade sejam tratados de forma igual e justa, garantindo o respeito mútuo entre as pessoas. Por outro lado, perante o fascismo, a igualdade é um conceito irreconciliável. As leis, então, são feitas para separar aqueles que são tidos como a elite superior, e por isso governantes naturais por direito, daqueles que devem apenas servir. Um novo Estado totalitário, composto pela elite e encabeçado por um líder carismático que possua alto apelo popular, é apresentado como solução a todos os problemas. Com o uso de forte repressão militar como um meio para perseguir, segregar e eliminar qualquer oposição ou pensamento dissidente.

8 – E a violência como redentora, junto a formação do Novo Homem

A violência e a retaliação, dentro da visão fascista, é um direito dos fortes sobre os fracos. Aqui temos a glorificação da guerra, e da figura do guerreiro, como uma forma de compensação. Se você sente um profundo medo do outro, acredita que sua cultura e sua superioridade foram retirados de você, e te fazem acreditar que o uso de força bruta contra os seus inimigos irá provar o quanto você é sim superior o uso dessa força se torna um escape compensatório para todas as inseguranças que colocaram dentro de você. E fazer parte de uma grande unidade social violenta pode ser uma retomada para o senso de poder que pretensamente lhe foi tomado.

É comum, dentro do imaginário fascista, que após a instituição do novo Estado totalitário e do domínio social ser garantido, surja o conceito utópico do Novo Homem. Um novo tipo de ser humano, ideal, superior e forte, que substitua e sobrepuje a condição humana atual. Esse conceito não é exclusivo do fascismo, sendo usado também em outras vertentes ideológicas e religiosas. Mas nele temos a ideia deste novo sujeito sendo especificamente imune a suposta mentalidade de rebanho das sociedades atuais, repudiando as normas, sendo mestre de si mesmo e capaz de iniciar uma nova era humana. Este ser, perante o fascismo, é uma figura de ação, viril e máscula. Vindo ao mundo geralmente através de processos de eugenia. Podendo ser intercambiável, em algumas interpretações, com o Novo Homem transumanista, que aprimora a humanidade unindo o biológico ao cibernético.

Agora que já vimos os principais pontos do discurso e da ideologia fascista, como os reconhecer?

Em meios religiosos e esotéricos é raro que discursos políticos sejam apresentados como tal. Eles são diluídos, disfarçados e suavizados como conceitos espirituais. O intuito é que você não encare nada como abertamente político e sim como uma questão de crença. Religiões e formas de culto, assim, são meios sutis mas muito eficientes de doutrinação tanto sobre pequenos grupos quanto também sobre grandes massas.

Apesar de ser fácil achar críticas e questionamentos referentes a isso em meios esotéricos e espiritualistas, muito para criticar especificamente o cristianismo, falta a noção de que toda crença espiritual pode trazer em si pontos ideológicos políticos, e que isso inclui o neopaganismo, o ocultismo e a Mão Esquerda.

A presença da extrema-direita no ocultismo e no esoterismo está longe de ser um fenômeno recente. Teorias da conspiração clássicas oriundas do nazismo, discursos que promovem noções de eugenia e revisionismo histórico para criar conceitos de passado mítico são comuns em diversas vertentes, nunca sendo combatidos ou desmascarados justamente pelo verniz de crença espiritual que carregam.

Dentro do neopaganismo nórdico, por exemplo, a presença da extrema-direita é marcante através da Ariosofia de Guido Von List e de Jörg Lanz von Liebenfels. A Armanen-Orden, que cuida do legado intelectual de Von List, segue ativa e bem estabelecida até hoje. Dentro da Mão Esquerda, o Satanismo possui diversas organizações abertamente alinhadas ao fascismo como a ONA (Order of Nine Angles), que carrega dentro do seu corpo de crença o incentivo ao sacrifício humano, ou assassinato ritual, como um meio de eliminar aqueles que são considerados como inferiores e mais fracos. Mas nem todas as organizações e figuras são tão obvias como as aqui citadas.

Então, antes de pegar qualquer texto, livro ou material organizacional procure o histórico de seus autores e participantes. Quem eles são? Qual é a jornada deles no meio? Com quem eles se aliam? Eles se baseiam e disponibilizam quais fontes e quais referências em seus trabalhos? Procure informações, cheque suas associações, as entrevistas que já deram, qual o rosto que eles tem. Se for difícil saber quem um autor é e de onde veio fique alerta. Nunca coloque figura alguma em um pedestal.

Perceba, nos discursos e textos, se qualquer um dos oito pontos da ideologia fascista aqui mostrados são citados, direta ou indiretamente. A maior parte dos nomes da Mão Esquerda se colocam como sendo contrários a qualquer tipo de política autoritária ou preconceito, no entanto, nas mesmas obras onde isto é dito você pode encontrar:

  • Noções de elite natural: Se você já leu que satanistas ou luciferianos são superiores, moral ou intrinsecamente, você já se deparou com o conceito de elite natural. Principalmente se, em comparação, o resto da sociedade é retratado como inferior. Colocações como chamar pessoas de ”animais de rebanho”, possuidoras de uma ”mentalidade de escravo”, para colocar satanistas e luciferianos como predadores versus presas são pertencentes ao velho discurso de nós os superiores versus o outro inferior. E apresentam nada mais do que uma dicotomia rasa e sem nenhuma profundidade em relação ao mundo, com o propósito de criar uma sensação de superioridade imaginária e distorcida.
  • A defesa do fim do ”mito da igualdade”: Se você já leu alguma variante desta frase, principalmente seguido por alguma referência ao ”machado da força” (que remete ao símbolo do fasces romano), você entrou diretamente no ponto da vitimização. Direitos sociais não nivelam nenhuma sociedade por baixo. Acreditar que os fortes são feitos de vítimas por existirem leis que garantam a igualdade social entre todos é um discurso de velho e preguiçoso contra minorias sociais que se apoia no irreal. Principalmente se este discurso estiver defendendo a criação de barreiras intransponíveis entre os pretensamente fortes e aqueles que eles consideram fracos, com o estabelecimento de uma nova ordem, onde também entramos no ponto do totalitarismo.
  • ”Satanistas/Luciferianos nascem, não se fazem”: Se você já leu isso, você já leu sobre eugenia e sobre a criação do Novo Homem. A noção de procriar uma nova raça foi largamente usada pelo nazismo e ainda é divulgada em muitos meios de Mão Esquerda aliados a extrema-direita, substituindo apenas o termo ”nova raça ariana” por variantes como ”nova raça satânica” e similares. Não compre nenhum discurso de que a humanidade está se tornando débil e frágil por causa de uma suposta degradação moral que amaldiçoa as novas gerações com patologias sociais e doenças hereditárias e que apenas satanistas ou luciferianos seriam livres da entropia que adoece as grandes massas, sendo assim aqueles que irão parir uma nova qualidade superior de seres humanos.
  • Permissividade com grupos assumidamente extremistas: Se você ver grupos como o ONA serem descritos como apenas controversos, porém revolucionários, fortes e grandiosos, você está consumindo informação de pessoas e grupos que são tolerantes as suas ideias. Nunca se sinta confortável se sentando na mesma mesa onde também estão pessoas que podem relativizar sacrifício humano, em prol da sua própria segurança.
  • Discursos moralistas com alto apelo a ansiedade sexual: Apesar da vasta maioria dos autores e grupos de Mão Esquerda se colocarem contra o discurso da mulher como sexo inferior, perceba se as mesmas pessoas que dizem ser contra a misoginia também falam sobre o único amor verdadeiro ser o gerador, entre um homem e uma mulher, com o conceito de que existe um processo evolutivo orgânico que está perdendo a qualidade aos poucos pela imoralidade da cultural atual. Aqui entramos novamente na eugenia. E se ela e o pânico moral são defendidos a posição da mulher naturalmente é reduzida. Termos como ”vulgaridade da escória” levantam alertas vermelhos. Assim como discursos de como a sexualidade deve ou não ser a fim de não conter ”a absurda vulgaridade e grosseria vista nas massas”. Existem muitos textos que começam louvando o poder sagrado feminino, contra o puritanismo religioso, e terminam criticando a liberdade sexual como uma promiscuidade causadora de vícios e decadência moral, não tendo lugar na vida do ”ser humano superior”.
  • E teorias da conspiração junto a distorção de fatos históricos: Se você já leu que Lúcifer é um antigo soberano extraterrestre que realizou experiências genéticas entre criaturas repitilianas intelectuais de Órion e seres humanos você já caiu no beco das teorias conspiratórias com fundo antissemita. Revisionismo histórico, principalmente sobre o período das Inquisições, devem levantar as suas suspeitas. Não absorva nenhum tipo de antissemitismo ou islamofobia sobre o falso pretexto de apenas criticar o monoteísmo.

Reconheci discurso fascista, e agora?

Avalie. Foi em um grupo? Então se retire. Foi em algum texto ou livro? Passe um bom pente fino em seu conteúdo. Existem autores que irão se dizer contra qualquer tipo de preconceito, totalitarismo e extremismo e três páginas depois defenderem todos os pontos da ideologia fascista como se estivessem num bingo. Existem outros que irão apenas gostar muito da ideia de nós os predadores versos as massas que são um pretenso rebanho e vão parar por aí. Esse discurso de predador versus presa é muito difundido inclusive em correntes vampíricas de espiritualidade predatória até como estética de nicho. Se atente ao nível real de desprezo contra o outro que é colocado e se outros pontos ideológicos também são incluídos.

Leia criticamente, questione e procure diversificar suas fontes. Existe muito mais dentro da Mão Esquerda do que as opiniões e as obras dos mesmos caras brancos e calvos de meia idade pra cima. Consuma conteúdo escrito e feito por pessoas negras, por mulheres e integrantes da comunidade lgbt. Aposte na pluralidade de ideias para enriquecer sua visão de mundo e nunca pare de crescer, se desenvolver e se educar.

Até mais!

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Primeiros passos – Estudo, meditação e cuidados pessoais

Fonte: Arquivo pessoal

Agora que já sabemos o que é a Mão Esquerda e já temos uma noção inicial das suas principais vertentes, o Satanismo e o Luciferianismo, podemos começar a organizar nossos primeiros passos dentro da Via Sinistrae. Eles serão compostos de estudo, meditação e cuidados pessoais.

Estudo

A primeira coisa que vamos escutar quando entramos em qualquer vertente do ocultismo é que precisamos fazer nossa própria pesquisa e ter nosso próprio estudo, não é mesmo? No entanto, é raro alguém nos falar sobre como podemos fazer isso. Afinal, como estudar? Como verificar fontes e cruzar informações? Onde e de que forma podemos fazer uma boa pesquisa? E aqui, tudo deve começar no contexto.

Se contextualize primeiro

Se você está seguindo o Guia deste blog, você já escolheu a Mão Esquerda como seu ponto de partida. Saber o que ela é, de onde ela veio e quais são suas maiores vertentes, como estamos fazendo aqui, é o primeiro passo para que você compreenda de forma mais clara o o que, o onde, o quando, o quem e o por qual razão que formam o contexto do meio. Então o que é a Mão Esquerda, de onde ela veio, quando ela se formou, quais nomes a formaram e por qual razão ou motivo ela foi formada devem ser as primeiras perguntas que você deve se fazer e procurar responder para saber exatamente onde você está adentrando e em qual chão você está pisando. Você pode ter um resumo dessas informações aqui no Guia, mas vá mais fundo.

E, daqui em diante, em qualquer coisa que você pegar em mãos para estudo, cultive o hábito de sempre se questionar o o que, o onde, o quando, o quem e o por qual razão.

Por exemplo, se você pegar um livro para o estudar, analise o que exatamente está sendo dito nele, de onde ele veio ou de qual editora e nicho ele saiu, quando ele foi escrito e se a época em que ele foi escrito é relevante para explicar as visões que nele são passadas, quem o escreveu, quem essa pessoa é em seu meio e por qual razão ela passaria o discurso que está passando.

Fazer isso pode parecer chato ou trabalhoso num primeiro momento mas acredite, ter esse cuidado te fará discernir muito melhor tudo com o qual você entrar em contato.

Analise as fontes

Ainda no último exemplo de termos pego um livro específico para estudar, além de procurar o contextualizar respondendo o o que, o onde, o quando, o quem e o por qual razão, como podemos conferir se ele possui boas fontes? Como verificar as fontes de qualquer coisa que estamos lendo, afinal?

Existem três tipos de fontes que encontramos ao estudar basicamente qualquer coisa: As primárias, as secundárias e as terciárias. As fontes primárias são aquelas que são produzidas pelo próprio autor, através de suas pesquisas e experiências em primeira mão. Nas fontes secundárias encontramos análises sobre as fontes primárias, e nas terciárias temos os guias para as duas primeiras, ou seja, são nas fontes terciárias que temos os dicionários, enciclopédias, guias de leitura e outros tipos de centros de informação.

Dentro do ocultismo, por exemplo, uma fonte primária seria um texto religioso ou mesmo um antigo grimório que possua relevância histórica. Uma fonte secundária seria a pesquisa de algum autor analisando e pontuando detalhes a serem observados sobre o texto religioso ou sobre o grimório em questão. E as fontes terciárias seriam os dicionários, os compêndios e as enciclopédias que temos.

Ter essas três definições bem claras nos ajuda muito a verificar se um livro, um artigo ou um site é bem embasado nas informações que passa ou se só estão transmitindo opiniões pessoais sem nenhum tipo de fundamento disfarçadas de conhecimento. Então, para identificar se o conteúdo que você consome possui boas fontes e tem credibilidade, verifique sempre se:

  • As informações passadas estão atualizadas e contextualizadas dentro de sua respectiva época
  • As fontes que os autores citam, se citam, são claras, verificáveis, imparciais e contribuem de forma útil para o seu estudo, possuindo em si mais do que fontes primárias mas também secundárias e terciárias.
  • Os autores são de fato do meio sobre o qual eles estão produzindo conteúdo, ou pelo menos tem um envolvimento relevante nele, sendo fácil identificar quem eles são e suas trajetórias

Se você pegar um livro ou a obra de um determinado autor e perceber que ele não cita quase nenhuma fonte, não possui referências nos assuntos que trata, não possui bibliografia ou, se a possui, ela é muito reduzida e pobre, já é um alerta de que estão te vendendo apenas textos opinativos sem nenhuma base ou confiabilidade que os garantam. Pior ainda se for uma figura que desconversa ou se irrita quando questionam de onde ele ou ela tiram as informações e o conhecimento que passam.

Tenha discernimento

Mesmo nos contextualizando e estando atentos as fontes, muitas vezes vamos sim topar com autores e materiais duvidosos em nossos estudos. E nisto entra o discernimento. Se aproxime de absolutamente qualquer coisa com discernimento. Questione quem está falando, com quais credenciais, o que faz quem está falando ter qualquer autoridade no assunto que se propõe a falar, qual pesquisa ou treinamento essa pessoa teve, se estão falando por si mesmos ou em nome de um grupo e quais perspectivas são colocadas ou excluídas do discurso que está sendo passado. Fique atento também na forma como autores colocam suas ideias em seus textos e livros. É comum que, em livros sobre espiritualidade em geral, você seja levado sutilmente a concordar com o autor sem perceber.

Por exemplo, um autor pode colocar em seu texto um “assim como no velho ditado” ou “como sabemos” nenhuma energia pode ser criada ou destruída, apenas transformada. O que não é nenhuma sabedoria ou ditado ancestral e sim uma lei da física, a lei da conservação da energia. Mas o autor não dirá que é uma lei da física, ou de onde vem essa noção, nem te dará citação alguma. Só usará essa frase de forma solta, distante de seu contexto, porque é algo que você provavelmente já ouviu em outros lugares, para que você concorde de forma implícita pela sensação de familiaridade com qualquer coisa que ele ou ela diga a seguir.

Muito cuidado com esse tipo sutil de manipulação. Seja chato sim e muito em relação a citações e fontes justamente para não cair neste tipo de pegadinha.

É válido lembrar também que você não precisa concordar com tudo que um autor ou figura diz para usar seus livros e materiais em sua prática ou em seus estudos. Não existe, até o presente momento, autor com o qual eu concorde totalmente em tudo. Até mesmo no material que eu indico eu sempre indico com minhas críticas e ressalvas incluídas, o que não quer dizer que não exista valor ali para ser absorvido e compreendido. Só diz que eu estou exercendo ativamente o meu discernimento e tendo minhas próprias opiniões e pensamento independente. Não descarte a obra inteira de um autor só porque você não concorda com ele em um ou outro ponto, isso só vai limitar seu campo de pesquisa. O que você de fato deve descartar são discursos de ódio, pseudociência, supremacia branca, racismo, antissemitismo, transfobia e elitismo que se disfarçam de discurso espiritual. Não sendo nada disso, você pode ter pontos em que você concorda e que você discorda livremente sobre os mais diversos livros e autores do meio.

E pegue um ponto de partida

Se atentando aos cuidados já citados sobre contexto, fontes e discernimento estabeleça qual vertente você irá querer seguir dentro da Mão Esquerda e escolha, dentro dela, pelo menos três livros pelos quais começar, cujo foco esteja em iniciantes.

Busque autores bem referenciados, que sejam reconhecidos em seu meio, cuja trajetória você possa pesquisar com clareza, e veja quais são os livros introdutórios eles já lançaram. A Bíblia Satânica, de LaVey, é um bom livro introdutório de fonte primária se você quiser seguir o satanismo, por exemplo.

Mas nunca fique em um só autor. Varie as opiniões que você consome e anote suas impressões, suas dúvidas e seus pensamentos enquanto estuda. Cruze informações e referências sempre vendo a bibliografia que os autores que você está consumindo trazem em suas obras e quais fontes eles citam. Nunca tome a palavra de ninguém como verdade absoluta. Duvide sim, e de tudo. São as dúvidas que farão você ir mais fundo e mais longe no seu caminho.

Um ponto sobre acessibilidade

Nem todo mundo tem dinheiro para investir na compra de livros no começo de seus estudos. Se você está nessa, não se sinta mal por isso. Existem lugares que disponibilizam materiais em pdf justamente por causa disso. Assim como existem muitos sites e canais confiáveis onde você pode encontrar excelentes informações gratuitamente. Além de sites como o Google Acadêmico onde, além de livros, você pode pesquisar artigos e jornais acadêmicos. Se você possui o inglês como segunda língua o Jstor também pode ajudar bastante. Sebos e livrarias públicas também são locais interessantíssimos para se achar bons materiais. Você pode se surpreender com o que vai encontrar se der uma chance a eles!

Tenha em mente, no entanto, que a Mão Esquerda é um nicho muito pequeno. Não só aqui no Brasil mas no mundo como um todo. Existem poucas editoras que trabalham com títulos de Mão Esquerda e poucas pessoas que pesquisam e escrevem sobre seus temas com profundidade e seriedade. Isso faz com que tenhamos que garimpar um pouco mais no que diz respeito a achar livros e materiais de qualidade. E que sejam poucas as pessoas e os locais que estejam traduzindo material da gringa para cá, para o português. Hoje em dia temos mais material do que tínhamos anos atrás, mas ainda existem centenas de livros e muito material que você até encontra gratuitamente pela internet mas somente em inglês. E outros que até tem alguma tradução, mas feita da pior forma possível. Então tenha paciência nas suas buscas e use todas as ferramentas que puder para ir atrás do conhecimento que você deseja.

Não deixe que a falta de dinheiro te prive de pesquisar e estudar. Apenas quando for possível, dentro das suas possibilidades, vá investindo aos poucos em comprar seus próprios livros. Seja fisicamente ou em formato digital. Isso vai te garantir ter em mãos um bom material, sem cortes, bem traduzido e bem pesquisado. E será muito mais importante e substancial para o seu crescimento e desenvolvimento ter uma boa biblioteca pessoal do que ter um athame importado ou uma varinha cara. Então, faça o melhor que você puder dentro das suas possibilidades e, se você puder investir, invista em conhecimento antes e acima de qualquer outra coisa.

Meditação

Enquanto você estuda, comece a estabelecer uma rotina de meditação. Isso será fundamental para todos os passos que você terá pela frente. É na meditação que aprendemos a focar a nossa mente no momento presente ou em alguma atividade em específico. E foco é essencial para qualquer prática espiritual.

Se você nunca meditou antes, comece devagar. Três ou cinco minutos por dia estão ótimos. Meditação não é tanto sobre o tempo que você consegue praticar, mas sobre regularidade e consistência. Também não se preocupe em esvaziar sua cabeça, ou silenciar completamente os seus pensamentos. Não só não é algo que você vai conseguir facilmente se você é iniciante, como literalmente esse não é o ponto. O ponto é desenvolver sua capacidade de foco. Por isso em práticas iniciais você nunca terá o silencio da mente, mas sim o focar nas suas sensações físicas, no seu corpo, na sua respiração, que te trazem ao momento presente, ou em algum ato como a repetição de um mantra ou a observação da chama de uma vela.

Existem várias maneiras de se meditar. Se você não consegue fazer a tradicional posição de lótus e se concentrar apenas na sua respiração por três minutos você também pode transformar alguma atividade mais ativa como a dança ou até mesmo uma caminhada, por exemplo, em uma atividade meditativa. Você só precisa ter essa atividade como seu único ponto de atenção e concentração pelo tempo que você a realizar. Principalmente se você tem tdah, te encorajo a procurar formas ativas de meditação. Atividades como ioga são excelentes para o desenvolvimento da atenção focada, além de serem muito benéficas para o nosso corpo e para a nossa mente. Existem ótimos professores de ioga que gravam suas aulas e as disponibilizam gratuitamente no YouTube, ou em outras plataformas. Assim como existem ótimos vídeos e aplicativos sobre meditação. Se você for autista você pode até transformar algum stimming seu em uma atividade meditativa. Pesquise e estabeleça uma rotina inicial que seja confortável e possível para você.

Cuidados pessoais

Se existe uma coisa que todos sabemos que é essencial em nossas vidas como um todo mas muitas vezes acabamos deixando de lado, por inúmeras razões, é o cuidado pessoal. Nos alimentarmos dentro da melhor qualidade que nossas condições permitem, bebermos a quantidade de água que nossos corpos precisam, dormirmos bem e com regularidade, nos exercitarmos e estarmos sempre em dia com nossos exames e cuidados médicos nem sempre é tão fácil na prática quanto é no discurso. Mil fatores e circunstancias podem entrar nisto, como bem sabemos. Mas ter uma base desses cuidados em dia, dentro das nossas possibilidades, é sim importante quando queremos estabelecer uma caminho próprio dentro da Mão Esquerda.

Não só pelo motivo óbvio do nosso corpo ser o maior e mais importante instrumento que temos dentro da nossa prática pessoal mas também porque é um caminho que será fisicamente exigente. E eu coloco minha experiência pessoal aqui, em jogo, para dizer isso. Conforme minha prática foi avançando, naturalmente, eu comecei a fazer rituais mais complexos e elaborados. E eles drenam energia. Muitas vezes saí de ritos completamente tonto, surpreso do quanto eles me exigiram fisicamente. Precisando urgentemente de água, de comer alguma coisa. Muitas vezes eu só caí na minha cama e apaguei. Nunca subestime o quanto um feitiço ou uma ritualística pode exigir da sua própria energia. Principalmente se envolver entidades infernais.

Meu primeiro ritual de Goétia me cobrou um preço físico que nada, em prática alguma que eu já tivesse tido antes, pode ter comparação. Eu fiquei acabado. E eu já era acostumado a lidar com energias e entidades densas faziam anos. O ritual foi um sucesso sob todos níveis que se possa analisar, mas eu saí dele como se uma bigorna energética tivesse caído sobre mim. Naquela noite eu senti o que era estar na presença de algo tão denso que poderia me esmagar. Foi quando eu decidi que já era hora de cuidar não só do meu corpo espiritual mas do físico também. E fez toda a diferença. A parte física conta mais do que as pessoas imaginam e com certeza muito mais do que elas dizem.

E nisto eu não estou dizendo que você precisa ter a melhor dieta do mundo ou ser um atleta. Você pode simplesmente caminhar pelo seu quarteirão, se hidratar melhor e incluir mais frutas e legumes no que você já tem no seu cardápio. Nunca complique desnecessariamente o cuidado com a sua própria saúde. Vá aos poucos. Faça aquilo que está dentro dos seus limites. Dê um passo por vez. O importante é que você se comprometa consigo mesmo. Pode ser chato no início, e muito mundano para ser algo considerado importante dentro de uma prática espiritual, mas acredite, importa.

Até aqui, perceba que não tivemos muitos gastos. Eu indico que você compre algum caderno e canetas para anotar seus estudos e também seus avanços no que tange a meditação e cuidado físico. Além disso, seu maior gasto serão de tempo e esforço. Pesquisa e leitura, principalmente se você for cuidadoso com fontes e referências, é algo que vai te exigir tempo, e que vai demandar esforço. Assim como iniciar uma rotina meditativa e melhorar os cuidados que você tem consigo mesmo. Mas são primeiros passos que fundamentam a sua base prática. Então respire fundo e se organize.

Até mais !

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Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Luciferianismo – Um breve resumo histórico

Fonte: Arquivo pessoal

O Luciferianismo é um sistema de crença, ou filosofia de vida, que busca se inspirar nas qualidades da figura de Lúcifer como portador de iluminação e conhecimento. Dentro da visão luciferiana, Lúcifer não é visto como o Diabo, mas sim como a representação de uma força libertadora que ilumina a consciência, trazendo discernimento e lucidez.

Para entendermos como esse conceito se constrói é importante analisarmos, em primeiro lugar, as próprias origens do nome Lúcifer em si. Vindo do latim lux, que significa luz, e ferre, que significa portador, Lúcifer significa literalmente O Portador da Luz. Ou, em outras interpretações, a Estrela da Manhã e o Filho D’alva. Expressões que, ao longo dos séculos, foram usadas inicialmente apenas para representar o planeta Vênus, um dos corpos celestes mais brilhantes que temos em nosso sistema, que mantém sua luz ao lado da lua até o raiar do dia.

Temos em Isaías 14: 12-15 a única menção ao nome Lúcifer dentro da Bíblia. Sendo ela fruto de um equívoco de tradução. Em todo capítulo, o profeta Isaías se concentra em condenar o rei que governava a Babilônia em sua época, dizendo que a sua soberba seria, futuramente, a causa de sua queda. Ele é referenciado como הֵילֵל בֶּן-שָׁחַר (Helel ben Shachar, “o brilhante, filho da manhã”, em hebraico). Quando o texto original em hebraico foi traduzido para o grego na Septuaginta, Helel ben Shacḥar se tornou Phosphorus, ou Hèosphóros, nomes divinizados pelos quais os gregos antigos chamavam Vênus, a Estrela da Manhã. E Phosphorus, por sua vez, quando foi traduzido pela primeira vez para o latim na Vulgata, foi então traduzido como Lúcifer, a partir do qual o nome começou a ser usado não mais como uma referência ao planeta Vênus mas sim como um dos nomes do Diabo cristão.

É dessa sucessão de traduções e da falta do contexto de que o profeta tecia uma crítica política a um governante de sua época que temos o versículo 12 de Isaías 14 criando a concepção, dentro do catolicismo, do Diabo como anjo caído. O conceito do belo anjo rebelde que caiu da graça de seu criador se tornou extremamente cativante, sendo absorvido rapidamente dentro do folclore popular ao redor do mundo, tornando Lúcifer uma figura muito mais complexa e rica culturalmente nos dias de hoje do que em seu original, apenas como um dos nomes de Vênus.

Temos sua presença marcada na Divina Comédia de Dante, no século XIV. Assim como no poema épico Paraíso Perdido, escrito por John Milton e publicado pela primeira vez em 1667, que tornou a figura do anjo caído em um um verdadeiro anti-herói, misturando a mitologia cristã com os próprios sentimentos republicanos de Milton contra o Rei da Inglaterra e a favor de uma melhor representação e poder parlamentar.

O termo luciferiano, no sentido de adorador de Lúcifer, foi usado pela primeira vez na Gesta Treverorum, uma coleção de histórias, lendas e registros dos Arcebispos de Trier, em 1231, relatando sobre um círculo religioso que teria sido liderado por uma mulher conhecida como Lucardis. Sua seita teria sido exposta por Konrad von Marburg e pela Inquisição Papal. Em 1234, o Papa Gregório IX também emitiu uma bula Vox in Roma pedindo uma cruzada contra os camponeses de Stedinger, no noroeste da Alemanha, que se rebelavam contra a Igreja, os acusando de luciferianismo. A bula teria uma descrição detalhada de supostos ritos e crenças desses camponeses, que hoje em dia é considerada como inteiramente fictícia.

Saindo da época medieval, onde luciferianos eram apenas algumas figuras marcadas que incomodavam e se rebelavam contra a Igreja, temos o surgimento da Lucifer the Lightbearer como um jornal anarquista publicado nos Estados Unidos no final do século XIX e começo do século XX por Moses Harman, que assim o nomeou para expressar a missão do jornal em levar luz e consciência política aos seus leitores. Sendo através da consciência política e do esclarecimento que um ”novo dia” poderia surgir. Lucifer também foi o título de uma revista independente publicada pela primeira vez por Helena Blavatsky, existindo de 1889 até sua morte em maio de 1891. Em seus escritos também temos Lúcifer como uma força intelectual positiva que poderia guiar a humanidade por um caminho mais equilibrado.

Madeline Montalban, astróloga e maga cerimonial, seria a próxima voz a tomar o termo luciferianismo para si ao fundar a Order of the Morning Star, ou Ordo Stella Matutina (OMS), em 1956 ao lado de Nicholas Heron, fotógrafo e jornalista. Dentro da OMS Lúcifer era venerado como uma entidade angélica benevolente e, em seu segundo material oficial, O Livro de Lumiel, escrito por Montalban, é relatada a compreensão da Ordem tanto sobre Lúcifer como sobre seu envolvimento com a humanidade.

Depois de Montalban, temos a Greater Church of Lucifer (GCoL), fundada em 2014 sob a liderança de Jacob Mckelvy e tendo como co-presidentes Michael W. Ford, ex-integrante da ONA, e Jeremy Crow, fundador da Luciferian Research Society. Seus ensinamentos, até o encerramento de suas atividades, foram mais seculares e focados no mundo prático do que no espiritual. Tendo sua filosofia definida pelos 11 Pontos Luciferianos de Poder, de autoria de Ford.

A Luciferian Research Society segue suas atividades até hoje, encabeçada por Crow, como uma plataforma independente e um podcast voltado ao Caminho da Mão Esquerda. Mckelvy, até onde se sabe, se converteu ao cristianismo. E Ford, por sua vez, segue como fundador da Order of Phosphorus, sendo autor de vários livros tanto sobre o Luciferianismo quanto sobre o Caminho da Mão Esquerda num geral.

Assim como no Satanismo, o Luciferianismo não possui uma igreja ou Ordem oficial, muito menos uma figura central. Seus adeptos são livres para estudar os diversos autores e obras que compuseram a filosofia ao longo do tempo de forma independente, criando seu caminho de forma autônoma. Existem aqueles que tem Lúcifer unicamente como um símbolo alegórico inspirador de luz e sabedoria, assim como os satanistas ateístas tem em Satã um símbolo de transgressão e liberdade. Mas também existem aqueles que se relacionam com Lúcifer como uma entidade real, complexa e multifacetada, por toda sua história e evolução ao longo do tempo, trabalhando com suas mais diversas faces.

Seja como for, a busca constante pelo conhecimento, pelo aprimoramento pessoal e pela independência marcam o caminho de todos os luciferianos. Afinal, como o Portador da Luz, Lúcifer dissipa quaisquer trevas lançadas pelo medo e pela ignorância.

Para ler mais ler mais sobre o tema eu indico os livros Lucifer: Princeps de Peter Grey, A Bíblia do Adversário de Michael W. Ford, Apoteose, do mesmo autor, e a dupla Rites of Lucifer e Lúcifer – O Despertar de Asenath Mason.

Até mais!

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Satanismo – Um breve resumo histórico

Fonte: Arquivo Pessoal

A primeira coisa que devemos entender sobre o Satanismo, como a vertente de Mão Esquerda que ele apresenta ser nos dias de hoje, é que ele é um fenômeno moderno construído a partir da obra de Anton Szandor LaVey, que fundou a Igreja de Satã (Church of Satan) em 30 de abril de 1966. De lá até o presente momento a semente de LaVey deu origem a dois grandes braços do Satanismo: o ateísta, onde a doutrina LaVeyana se encontra, e o teísta. Ambos possuindo seus adeptos e suas organizações.

O Satanismo LaVeyano, como já citado, se configura como uma religião ateísta, ou seja, que não possui em si a crença em nenhuma figura divina. Segundo as crenças LaVeyanas o adepto é o centro da sua própria vida e a figura de Satã é tida apenas como um símbolo inspirador ao invés de ser visto como uma entidade que existe de forma literal. Então, se você perguntar a um satanista LaVeyano se ele crê ou adora Satanás de alguma forma, ele provavelmente só irá rir de você. Sendo portadora de uma visão que foca mais em ser racional do que em ser mística, a doutrina de LaVey foca no aqui e no agora, encorajando o hedonismo com responsabilidade e a autopreservação de seus adeptos. A Bíblia Satânica, sendo o principal livro da doutrina, é visto sim como um texto fundamental. Porém, cada adepto pode ter suas próprias opiniões e interpretações sobre ele, já que o pensamento independente é muito mais encorajado do que a obediência cega.

Como LaVey em si era ateu, ele desencorajava profundamente que seus seguidores adorassem ou se relacionassem com Satã como uma divindade, vendo a crença em forças sobrenaturais como uma falta de racionalidade. Para ele, Satã devia apenas ser um símbolo de não conformidade, rebeldia e poder autônomo. Para ele não existia nada além do mundo físico, nem vida além da morte. Sendo o agora tudo que existe, ele defendia que deveríamos o aproveitar ao máximo, com responsabilidade e segurança.

Justamente pela posição marcada que LaVey tinha em relação a crença literal em Satã existe uma inesgotável rixa entre Satanistas LaVeyanos e Satanistas teístas que, por sua vez, são aqueles que de fato o adoram como um ser real, vivo e dinâmico. A Church of Satan, inclusive, alimenta abertamente a rixa tendo a postura de que os únicos ”satanistas de verdade” que existem são os seus membros (ou pelo menos aqueles que se alinham a linha LaVeyana). O que a mantém isolada do desenvolvimento que o Satanismo teve, em suas diversas vertentes, da época de LaVey até hoje.

A primeira divisão formada entre os ateístas e os teístas dentro do Satanismo foi a rebelião de Michael Aquino, ex-integrante de alto escalão da Church of Satan, que dela saiu para fundar o Temple of Set, em 1975, após diversas discordâncias entre ele e LaVey. Aquino levou consigo todos que estavam descontentes com a forma como LaVey se colocava e administrava a Church of Satan e, assim, o Temple of Set já iniciou suas atividades com um bom contingente de participantes. Agrupando todos que sentiam em si a necessidade de dar uma ênfase maior ao lado espiritual e ritualístico de suas crenças.

O Temple of Set foi o primeiro grupo a se distanciar e a criticar as ideias de LaVey propondo novos conceitos sobre como o Satanismo poderia ser para continuar a evoluir ao invés de se tornar um culto a personalidade que LaVey foi. A partir dele inúmeras outras visões, interpretações e grupos surgiram, trazendo mais diversidade e multiplicidade de opiniões ao Satanismo do que ele teria se tivesse ficado engessado debaixo da sombra da sua organização fundadora. O que fez com que ele se tornasse um movimento diversificado, plural, formado por indivíduos de prezam pela individualidade e pela independência acima de dogmas e regras.

Não existindo apenas um único Satanismo, cada satanista é singular em si mesmo. Com total liberdade para criar seu próprio caminho e suas próprias visões. A Bíblia Satânica é considerada um livro de importância histórica e fundamental para o movimento como um todo porém, novamente reforço, ele é mais tido como uma sugestão do que um dever. O estudo, inclusive sobre os processos históricos do Satanismo enquanto movimento espiritual moderno, é muito mais crucial se você se interessa nele do que seguir unicamente um livro ou a obra de um único autor. Inclusive, para entender como ele se divide politicamente. O ONA (Order of Nine Angles), por exemplo, é um grupo satanista conhecido pela sua ideologia abertamente neo-nazi. Então, se aprofunde na história do movimento para não cair, desavisado, em locais dominados pela extrema direita.

Mas satanistas não existem desde a Idade Média?

Da forma como existem hoje em dia, não. O que dá para afirmarmos com certeza é que a Igreja Católica, se tornando a instituição poderosa que ela se tornou entre os séculos V e XV, perseguiu, caluniou e fez o possível para exterminar tudo que dessoasse dela própria ou, em sua visão, ameaçasse o seu poder. Com isso, todos aqueles que recusaram se submeter a ela, ou fossem considerados desviantes por qualquer que fosse o motivo, eram demonizados como diabólicos.

Temos apenas um único caso documentado de uma Missa Negra que, na verdade, foi mais uma expressão de anticristianismo do que de satanismo como hoje o compreendemos. Ele foi feito no século XVII por Catherine Deshayes, conhecida popularmente como Madame Voisin, ou La Voisin. Ela foi uma das maiores figuras do Caso dos Venenos, que agitou a corte francesa entre 1670 e 1682, sendo condenada a morte e queimada em praça pública em Fevereiro de 1680.

Se você se interessa pelo período procure estudar como a Igreja não só criou mas moldou a figura do Diabo para perseguir seus opositores religiosos e políticos, bem como procure estudar sobre a própria história da bruxaria em geral. E no que refere a ela eu sempre indico os livros O Calibã e a Bruxa de Silvia Federici e História da Bruxaria de Jeffrey B. Russell e Brooks como excelentes pontos de partida.

Mas e os casos criminais que eu vejo envolvendo satanistas na mídia?

Aqui entramos não no terreno do satanismo em si, mas sim no terreno do pânico satânico. Tendo origem no termo pânico moral, que foi criado pelo sociólogo e criminologista britânico Stanley Cohen no livro Folk Devils and Moral Panic, aqui nos referimos, novamente, a como pessoas, figuras ou objetos podem ser usados, em campanhas de difamação, como a origem de todos os males de uma sociedade. O pânico satânico é um tipo específico de pânico moral criado a partir da crença, muito infundida pelo cristianismo desde a Idade Média, de que existem pessoas diabólicas que praticam todos os tipos de crimes possíveis em rituais grotescos em honra a uma figura que, para eles, seria em si o mal encarnado. Esse medo joga o ódio do público em cima de bodes expiatórios que são perseguidos e sacrificados no lugar de se discutir as desigualdades e carências sociais que realmente estão acontecendo. Ele é, essencialmente, uma ferramenta de manipulação em massa usado para causar medo e gerar inimigos fictícios para controlar as pessoas moralmente.

E não apenas a Igreja Católica mas diversas vertentes cristãs usam largamente o pânico satânico até hoje para assustar as pessoas, gerar ódio e preconceito contra aqueles que se desviam da norma, e garantir assim uma perseguição moral de tempos em tempos a tudo que tente sair do controle que eles querem exercer sobre a sociedade. O pânico satânico foi fortemente atiçado contra os jogos de RPG nos anos 80 nos Estados Unidos. E, aqui no Brasil, o anime Yu-Gi-Oh já foi muito perseguido dentro desta mesma lógica. Todos nós já ouvimos lendas sobre a Xuxa, sobre animações da Disney e sobre estrelas da música cheias de pactos, rituais macabros e medo. Assim como já vimos casos onde pessoas influenciáveis, em momentos vulneráveis psicologicamente, acreditaram demais nestes contos e cometeram sim crimes, sendo presos por eles e recebendo assistência médica que precisavam em seus estados.

O Satanismo em si, e a Mão Esquerda como um todo, são caminhos espirituais de desenvolvimento pessoal que não existem para ser a encarnação do medo moral que líderes cristãos usam para controlar e manipular seus fiéis. Estude constantemente, vá além do que te dizem, e questione sempre.

Até mais!

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Mão Esquerda – Definições iniciais

Fonte: Arquivo Pessoal

Quando falamos sobre Mão Esquerda, falamos exatamente do que?

Em minhas memórias, é sempre muito vago saber onde exatamente eu ouvi o termo ”Mão Esquerda” pela primeira vez. No entanto, eu sempre consigo, se fecho meus olhos, reviver a sensação inebriante dos meus primeiros passos neste caminho, como se tivessem se passado ontem.

Foi durante o ano de 2016. Eu estava tentando morar sozinho pela primeira vez num apartamento simples, tendo acabado de sair de um grupo de magia que desmoronou por conta de abusos internos que eu ajudei a denunciar. Sobreviver ali, durante aquela época, foi uma guerra em diversos níveis. A cada dificuldade eu me tornava mais afiado, mais rápido, mais inteligente, mas também sofria bastante. Tive meus acertos e meus erros, minhas vitórias e minhas derrotas. E foi ali, apanhando muito e aprendendo a bater de volta com o triplo de força que a Mão Esquerda entrou na minha vida. Toda a minha visão sobre ela, então, virá sempre do local pessoal da minha vivência.

Dito isto, num primeiro momento, tenha em mente que os termos Caminho da Mão Esquerda (Via Sinistrae) e Caminho da Mão Direita (Via Dexterae) formam entre si uma dicotomia natural dentro dos movimentos esotéricos ocidentais.

Você terá o início dessa terminologia no trabalho da escritora e ocultista russa Helena Blavatsky que, por sua vez, procurou se inspirar nas linhas do Tantra, Vama Marga e Dakshinachara, para criá-los a partir da sua própria visão. Visão essa que ela trabalhou, no conjunto da sua obra, sincretizando profundamente os conceitos orientais já citados com muitos outros vindos do budismo, do hinduísmo e do zoroatrismo com a adição de conceitos oriundos do hermetismo e da cabala, sofrendo em si também muita influência do Espiritismo.

O que torna importante dizer que, apesar da sua relevância inegável perante a história do ocultismo ocidental, seu trabalho acaba sendo muito mais uma costura dos conceitos dessas diversas fontes e culturas, para os quais muitas vezes ela não deu o devido crédito em seus escritos, do que algo de fato original. Isso não tira o peso da sua herança intelectual para que possamos compreender como todos esses conceitos vieram até nós hoje. Mas é sim um ponto de atenção significativo. Pois, se você for até as fontes que ela usou para criar seus textos, você terá noções mais claras sobre os assuntos que ela procurou desenvolver. Inclusive, portanto, em referência aos próprios conceitos que foram cunhados para a Mão Direita e para a Mão Esquerda como caminhos de Luz e Escuridão.

Dentro do hermetismo e da Astrologia Tradicional Helenística, por exemplo, os conceitos de Luz e Escuridão já são trabalhados nas noções que temos hoje de Direita e Esquerda. Para os helenísticos a luz representa as forças divinas e a própria vida em si. Temos, na luz, o movimento, a lucidez, a transparência, as figuras de poder (incluindo as próprias divindades), a razão, a ordem e tudo que faz a manutenção da vida. Na luz temos a coletividade e a integração.

Na Escuridão, por outro lado, temos tudo que é considerado tabu pelas normas sociais. Temos os marginalizados, os que não são vistos, os que estão fora do controle social. Como conceito oposto a Luz, aqui temos tudo o que está fora dos limites da ordem, o que nos paralisa, o que nos entorpece, as paixões carnais, os bodes expiatórios, os inimigos ocultos e tudo que abate a vida. Forças de entropia, destruição e desintegração são pertencentes a Escuridão. Como externa ao coletivo e ao social, habitando naquilo que é selvagem, nela temos o individualismo.

E é nisto que se encontra a diferença prática entre os dois caminhos. A Via Dexterae, como um caminho que pertence a Luz, é sobre união e a Via Sinistrae, como um caminho que pertence a Escuridão, é sobre individualização. Se você já ouviu em algum momento a noção de que evoluímos para em algum momento voltarmos a nos unir ao Todo, parabéns, você já entrou em contato com a visão básica da Mão Direita. E se você já ouviu em algum momento que somos, em nós mesmos, nossa própria divindade, parabéns, você já entrou em contato com a visão básica da Mão Esquerda também.

Perante a Mão Direita a condição humana é, essencialmente, a condição da queda. Existe, dentro das suas linhas, a noção de que fomos separados de uma fonte criadora divina externa e que a separação dessa fonte é a causa das nossas angústias e sofrimento. Portanto, o caminho espiritual da Mão Direita é o do ascetismo e da procura pela pureza moral, negando o material e o terreno, para que se retome a união a esse princípio divino externo que unificaria em si próprio tudo que existe.

Temos essa visão dentro do cristianismo, onde negamos o material para aperfeiçoar o espiritual e nos unirmos a Deus em estado de graça. Mas também a temos um pouco dentro da própria visão reencarnatória de Blavatsky, extremamente influenciada pelo espiritismo de Kardec, onde ao final de nossas linhas evolutivas nos dissolvemos ao Princípio do Universo e até mesmo na ideia wiccana de que ”da Deusa todos viemos e para ela todos voltaremos”. Se ao final de um caminho espiritual você se entrega, se une ou se dissolve em um grande princípio divino maior de onde tudo originalmente veio este caminho é, por essência, um caminho da Mão Direita. Pois a Via Dexterae é, sempre, sobre comungar se unir ao externo.

A Mão Esquerda, em contrapartida, na maioria das suas linhas, não tem seu principal foco numa pretensa Fonte Universal mas sim no indivíduo. Nela, ao invés de buscarmos ascender para uma entrega a algo externo, nos voltamos para a matéria e para o nosso interior. O terreno, com seus instintos e paixões, não é negado, mas sim abraçado e desenvolvido com responsabilidade.

Na Via Sinistrae saímos daquilo que é considerado seguro e assumimos o risco de andar em meio ao que é selvagem, nos reconciliando com nossas sombras, adentrando naquilo que é considerado sujo, naquilo que é tido como tabu e no que foi marginalizado. Não negamos a matéria, que é onde estamos e o que somos, como na abordagem ascética da Direita, mas sim a usamos para o fortalecimento e para o desabrochamento do divino que já existe em nós. Assim, força não é o que você busca fora mas aquilo que você constrói por dentro.

Sendo uma Via da Escuridão que tem a autonomia como foco principal, é natural a ligação entre os praticantes da Mão Esquerda e as figuras que, ao longo da história, em diversas culturas, foram marginalizadas e tidas como aquelas que se negaram a obedecer alguma força maior e totalitária para carregar sua independência como uma coroa e também como uma arma.

É nisto que a figura de Satã como grande Adversário e a de Lúcifer como o rebelde que colapsa a ordem para trazer a conhecimento são acolhidas e celebradas como fontes inspiração. E o trabalho com demônios como princípios que podem guiar através do caminho de auto deificação é esperado. Qualquer caminho espiritual que, ao invés de conduzir a união com uma fonte criadora externa, se satisfaça na separação e continue a aprofundando ao máximo para que seu adepto alcance a divinação individual é um caminho da Mão Esquerda por excelência.

A Teurgia, por exemplo, pertence a Mão Direita, enquanto grande parte das vertentes da Goécia pertencem a Mão Esquerda.

Ambos os caminhos são úteis em seus propósitos e devem ser trilhados com responsabilidade e comprometimento por aqueles que os seguem. Lembre-se sempre que tanto a Luz quanto a Escuridão são princípios essenciais e complementares dentro do Universo em que habitamos. Um não existe sem o outro, ambos sendo necessários para o fluir da dança e do equilíbrio cósmico.

A Mão Direita, sendo um caminho de submissão, é uma Via excelente para aqueles que precisam desenvolver humildade, piedade, empatia e a capacidade de servir a outros e ao bem comum. A Mão Esquerda, sendo um caminho de independência e auto regência, é uma Via maravilhosa para aqueles que, em contrapartida, precisam desenvolver um sentido mais fortalecido de si próprios e de seu poder pessoal. E foi exatamente nisto que a Via Sinistra me acolheu. Em ser um caminho de soberania e fortalecimento pessoal em primeiro e último lugar.

Seguindo os passos sobre como formar um caminho próprio que coloquei aqui, neste post temos então nossa definição inicial sobre o que a Mão Esquerda é e também, de certa forma, uma ideia sobre o que, dentro dela, pode nos mover para ela. Nos próximos posts teremos um pouco mais sobre as principais vertentes dentro desta Via: o Satanismo e o Luciferianismo.

Até lá!

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Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Destaque

Guia prático da Mão Esquerda

Fonte – Arquivo Pessoal

No último post do blog, que você pode conferir aqui, eu dei algumas dicas sobre como podemos começar a pesquisar e a formar um caminho dentro da vasta área que é a bruxaria. Aqui, irei me inspirar no roteiro do post anterior, estabelecendo um pequeno guia em relação a uma área dentro das Artes Ocultas sobre as quais ainda pouco se fala: a Mão Esquerda.

O objetivo deste post é ser um masterpost, ou seja, aqui eu deixarei organizado todos os links dos posts que eu farei sobre a Mão Esquerda, de forma que fique organizado e que seja de fácil acesso. Como ele estará em constante construção e atualização pode salvá-lo e o reconsultar sempre, ok? Vamos lá!

Para começar, iniciaremos pelo básico. Ou seja, pelas definições iniciais. Onde veremos o que é a Mão Esquerda, do que se trata a Corrente do Adversário e um pouco sobre suas principais vertentes:

Mão Esquerda – Definições iniciais

A Corrente do Adversário

Existiria como “equilibrar” as Vias Esquerda e Direita?

A Mão Esquerda é para mim?

Métodos do Tarot – Adentrando a Via Sinistrae

As Ordálias e a Natureza do Caminho

Satanismo – Um breve resumo histórico

As Nove Declarações e as Onze Regras Satânicas

Os Nove Pecados Satânicos

Missa Negra – Da blasfêmia ao psicodrama

Luciferianismo – Um breve resumo histórico

Os 11 Pontos Luciferianos de Poder

A Demonolatria Moderna

Afinal, é tendo clareza sobre em quais águas nos aventuramos quando falamos da Via Sinistrae que conseguimos dar os nossos primeiros passos nesse caminho!

E eles começam, claramente, em como estruturar um bom estudo. No artigo inicial dos Primeiros Passos temos como elaborar nossa própria pesquisa. Buscando e verificando fontes, cruzando informações, para navegar com segurança e discernimento por livros e artigos. Além disso, também vemos como começar a meditar e a trabalhar o nosso cuidado pessoal:

Primeiros passos – Estudo, meditação e cuidados pessoais

Também é importante, logo no início enquanto começamos nossos estudos, sabermos como identificar tanto discurso de ódio quanto grupos e pessoas predatórias que se esgueiram sorrateiramente por meios ocultistas para não cairmos por inocência em nenhuma armadilha:

Primeiros passos – Como identificar discurso fascista dentro da Mão Esquerda

Primeiros passos – Como identificar grupos abusivos

Primeiros passos – Sobre Mestres e Sacerdotes

Agora, já estando mais espertos, estudando, nos cuidando e meditando rotineiramente, veremos como nos organizar para dar os próximos passos, estabelecendo práticas simples, mas consistentes, que caberão em nossas rotinas e no nosso dia a dia:

Primeiros passos – Se organize!

E nisso incluímos o RMP, assim como termos uma boa base de cuidado energético:

O Ritual Menor do Pentagrama – RMP

Primeiros passos – Cuidados Espirituais

Primeiros passos – Sobre limpezas e proteções

Primeiros passos – Sobre energização e aterramento

E, claro, sobre como incluir os oráculos em nossa prática inicial:

Primeiros passos – A importância dos oráculos

Primeiros passos – Um exercício oracular

Temos a importância da lua e de suas fases:

Primeiros passos – A lua e suas fases

Bem como. agora que já temos uma prática inicial, um pouco mais sobre instrumentos e altares:

Primeiros passos – Instrumentos

O Espelho Negro

Primeiros passos – O Altar

E, tendo uma estrutura inicial, podemos começar a compor nossos primeiros rituais, onde teremos nossas primeiras experiências:

Primeiros passos – Sobre Círculos

Círculo básico de Mão Esquerda

Uma estrutura básica para rituais

Primeiros passos – Gnose

Primeiros passos – O estado de gnose

E, nelas, falamos um pouco mais sobre as figuras espirituais do caminho:

Primeiros passos – Os Guias do Caminho

Primeiros passos – O Chamado dos Guias

Primeiros passos – Sobre apadrinhamentos

Métodos do Tarot – Descobrindo o Guia

Primeiros passos – Interpretando sinais

Quem são os Daemons?

Quem é Lilith

Quem é Lúcifer

E nos aprofundamos ainda mais com as recomendações de leitura!

Resenha – Apoteose de Michael W. Ford

Resenha – A Bíblia do Adversário de Michael W. Ford

Resenha – Bruxaria Diabólica de Naamah Acharayim

Resenha – Dicionário dos Demônios de M. Belanger

Resenha – Demonolatria Moderna de S. Connolly

Resenha – Atanatize – O Caminho dos Mestres Não-Mortos de Alexander L.M

Sobre figuras em específico:

Resenha – O livro de Lilith de Barbara Black Koltuv

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