Primeiros passos – Gnose

Carta A Sacerdotisa do Goetia – Tarot in Darkness de Fabio Listrani – Fonte: Acervo Pessoal

Se você já colocou suas mãos em algum livro relacionado ao ocultismo é quase certo que você já tenha lido o termo gnose. Sendo um substantivo grego feminino, gnose (γνῶσις, gnōsis)  significa literalmente conhecimento. Também podendo ser traduzido como consciência. Apesar de seu início originalmente ligado a religiões e filosofias helenísticas, ele é vasta e amplamente usado no ocultismo ocidental, por este sempre ter bebido muito da cultura e da sabedoria dos cultos de mistérios gregos antigos em geral. Sua utilização tem em voga o conhecimento, ou percepção, pessoal do espiritual e do divino, em comparação com o conhecimento apenas intelectual. Ele denota o conhecimento interno que nos é dado através da experiência prática com o espiritual.

Pense na gnose como a sabedoria que você alcança através da ação. Quando iniciamos as nossas jornadas espirituais nosso conhecimento sempre é muito mais intelectual do que prático. Estando na fase de conhecer algo novo, começamos por ler a literatura básica e estudá-la para entender racionalmente onde estamos nos inserindo. Lemos, relemos, procuramos tirar dúvidas, fazemos anotações. Até estarmos prontos para começar com as práticas básicas. Com o avanço e a consistência dessa parte prática inicial é que começamos a entender não só a teoria daquilo que estamos fazendo mas também os resultados que temos com sua aplicação em nossas vidas. E é quando vivemos nossas primeiras experiências espirituais que o nosso caminho, a partir disso, começa a realmente caminhar e a ganhar contornos próprios. Com o tempo, e com a prática aplicada de forma madura, consistente e bem dirigida, alcançamos a gnose. O conhecimento, além do racional, que só a experiência ativa em nós.

Nisso que é muito comum você ouvir pessoas falando que gnose é algo que apenas pessoas que se iniciam em seus respectivos caminhos espirituais recebem. Todas religiões, práticas e vertentes espirituais possuem, para seus novatos, um período de estudos e treinos básicos antes que essa pessoa possa ser iniciada. Para que ela compreenda a teoria, para que ela veja se concorda racionalmente e intelectualmente com aquele caminho primeiro. Existindo essa concordância e a pessoa tendo recebido os treinamentos adequados ela então pode passar pelos ritos de cada caminho. Que dão entrada a não apenas a teoria, mas a experiência. Cada iniciação transmite o saber de sua corrente através de diversos tipos de experiências que farão com que o iniciado tenha sua primeira vivência. E a vivência do espiritual gera o conhecimento interno que chamamos de gnose.

Mas isso não significa que um praticante solitário não possa a ter. Existindo seriedade no trato e na aplicação da sua jornada espiritual gnose é algo que te alcançará conforme você caminha. Pois ela é fruto das experiências que temos pessoal e internamente com o espiritual, estando ou não entre outras pessoas de igual crença.

Geralmente quem tenta mistificar demais o que a gnose é não a tem. E isso é algo com o qual você deve ficar muito atento. Principalmente se você for iniciante. Existem muitas figuras por aí com anos e anos de profundo conhecimento teórico que adoram se colocar acima dos outros pela quantidade exaustiva de anos que estudaram milhares de livros ultra complexos e que vão querer se crescer principalmente pra cima daqueles que estão começando agora. Nunca caia na dessas pessoas pois se você cair, provavelmente se tornará como elas, estudando por anos sem fim e tendo uma prática completamente morta. Cheia de teorias e sem nenhuma vivência.

Espiritualidade não é o que você só escuta no banco de uma igreja ou templo. Espiritualidade é o que você vive.

E eu te digo isso com a mesma consideração que o meu pai me disse, anos atrás, numa conversa após participarmos de um culto evangélico cheio de testemunhos inflamados. Na época, ele me disse para não me deslumbrar demais com nada daquilo mas sim para colocar sempre tudo que era dito a prova. Pois de nada adianta você estar num lugar, numa religião, pelo que os outros vivem. É você que deve ter as experiências. As coisas precisam acontecer na sua vida, e não apenas na vida dos outros. Por mais que possamos escutar relatos incríveis da vida espiritual de outras pessoas sempre devemos procurar ter as nossas próprias experiências. Nosso foco deve estar em nós, naquilo que se prova dentro das nossas vidas de forma real e positiva, e não apenas na dos outros. Pois é assim que encontramos o caminho do nosso coração, onde andaremos não só através da vontade de crer em algo mas da sua experiência ativa.

Assim como os antigos gnósticos sabiam, a parte mais essencial das nossas jornadas é a vivência presente dela. Estude para amadurecer o seu conhecimento, e desse estudo construa a prática que te levará a sabedoria produzida através de um experiencial direto, do que você viverá na sua própria pele.

E, com o tempo, você verá que todo esse processo na verdade é absurdamente orgânico e que não precisa ser forçado ou apressado de forma alguma, apenas vivido. É o fruto do ousar que vem depois do saber na fórmula saber, ousar, querer e calar. Nossos estudos não são apenas para acumularmos conhecimento, para só sabermos racionalmente, mas para podermos ter a ousadia de o aplicar. Transformando verbo em ação, em nossa própria carne. O saber aplicado, a gnose.

Então, agora você já sabe, quando falamos da obtenção da gnose oriunda de um determinado caminho espiritual, falamos da prática daquele caminho que leva a compreensão mais profunda, vivida, dele. Entrar em estado de gnose é entrar em estados alterados de consciência que te permitam acessar e ter experiências próprias com o espiritual. Termos como gnose luciferiana, por exemplo, se referem a prática aplicada e dinâmica deste caminho espiritual em específico que nos levam a conhecê-lo de forma mais firme e imersiva. E quando você lê ou escuta as pessoas falarem da gnose de figuras espirituais específicas como a gnose de Lilith, de Lúcifer, de Belial ou etc o que está sendo dito é sobre o conhecimento que essas figuras dão para aqueles que ativamente se comprometem a trilhar com seriedade os caminhos delas. A vivê-los.

Sendo bastante comum também, num uso mais corriqueiro e superficial do termo, quando alguém vai falar sobre suas próprias experiências espirituais, se dizer que algo foi verificado ou não dentro da sua gnose pessoal. Significando aquilo que aquela pessoa confirmou ou não em sua própria vida através da sua prática espiritual. Você vai ver bastante esse uso de termos principalmente entre praticantes modernos de bruxaria. É um uso mais genérico, mas serve para demarcar aquilo que as pessoas verificaram ou não através das suas experiências ativas. Afinal, nem tudo vai ser vivido da mesma forma por todos e a bruxaria, assim como o ocultismo, segue a sabedoria experimentalista do meu pai de se colocar as coisas a prova e ficar naquilo que se faz real através da experiência viva de cada praticante.

Então ouse e não procure apenas conhecer o verbo, mas sim, o fazê-lo vivo em sua própria carne.

Até mais!

Volte ao Guia

Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Círculo básico de Mão Esquerda

Fonte: Arquivo pessoal

Continuando o post anterior sobre Círculos, aqui coloco uma estrutura básica que pode ser facilmente usada por aqueles que estão no começo de suas práticas na Mão Esquerda. Sua composição é inspirada tanto na Cruz Cabalística do RmP quanto no Rito Menor Luciferiano, então, não deixe de ver também o post sobre eles aqui para se orientar melhor! Inicie a realização deste Círculo, assim como nos outros dois do post anterior, começando com a purificação ambiente.

Purificação

Inicie limpando e organizando o seu espaço fisicamente. Você pode varrer o chão, mudar um pouco os móveis de lugar para criar espaço, e arrumar quaisquer coisas que você precise para a sua ritualística. Feito isso, a purificação espiritual pode ser feita tanto através de defumação quanto através de sons ou da aspersão de líquidos. Se você escolher a defumação, escolha ervas apropriadas para a limpeza do seu ambiente e passe a fumaça delas com cuidado por todo a área falando que quaisquer energias e seres não convidados ou não alinhados ao propósito do ritual que você fará estão, naquele momento, sendo retirados do local.

O mesmo vale se você escolher fazer o purificação por som, onde você pode usar mantras, o som de um sino ou etc decretando o mesmo propósito. A aspersão, geralmente, é feita com um pouco de água com sal. Da mesma forma da defumação, você aspergirá gotas da água salgada por todo ambiente falando e visualizando que qualquer coisa não convidada ou alinhada sairá do ambiente, ficando ele limpo e puro. Após a organização e limpeza do seu espaço, se concentre, trazendo sua consciência para o momento presente, e comece pela Cruz Luciferiana:

Se coloque no centro de onde o Círculo será feito e, voltado para o Oeste, visualize uma esfera branca e brilhante acima da sua cabeça. Sua energia é fria, mas poderosa. Toque o centro da sua testa com seus dedos indicador e médio e, assim que sua visualização sobre ela estiver firme, vibre: Yaltabaoth-Samael!

Agora, a esfera de luz seguirá os seus dedos. Toque a região a frente dos seus genitais e vibre: Aeshma-Taromati!

Toque seu ombro direito e vibre: Do-Mar!

Toque seu ombro esquerdo e vibre: Dehak!

Então, visualize a esfera de energia indo até o centro do seu peitoral, se tornando um brilhante pentagrama reverso vermelho, te energizando, enquanto você cruza seus braços sobre a região e vibra: Andar!

Agora, com sua adaga ritual ou com seus dedos indicador e médio, comece a traçar o Círculo. Em cada quadrante você visualizará uma chama colorida diferente, representando as direções e forças que serão convidadas. Enquanto faz a visualização e chama pelos nomes, faça com a ponta da sua adaga, ou dos seus dedos, o traçado de um pentagrama de invocação no ar, da mesma cor de cada chama que você visualizar.

Traçado do Círculo

Se volte para o Oeste e visualize uma chama azul, de centro escuro, a sua frente. Trace o pentagrama de invocação com calma diante da chama, e o visualize no mesmo azul que ela. Inspire profundamente e diga: Que das profundezas abissais venha Leviatã! Que pelo seu corpo este Círculo seja circundado e que pela intensidade feroz dos seus negros mares ele seja inundado, para que daqui a minha Vontade flua penetrante pelas correntes do Universo sem o que lhe resista!

Se volte para o Sul e visualize uma chama vermelho escuro a sua frente. Trace o pentagrama de invocação diante da chama, e o visualize no mesmo vermelho que ela. Inspire novamente e diga: Que de escaldantes desertos venha Azazel! Que o fogo da sua divina inspiração resplandeça no meu espírito e em meus atos para que deste Círculo o meu Poder incendeie mundos!

Se volte para o Leste e visualize uma chama amarelo clara, quase branca, a sua frente. Trace o pentagrama de invocação diante da chama, e o visualize no mesmo amarelo que ela. Inspire profundamente e diga: Que da mais cálida luz celeste venha Lúcifer! Que seu brilho ilumine minha mente e os meus pensamentos para que deste Círculo Sabedoria se professe e livre se cumpra!

Se volte para o Norte e visualize um chama de fogo negro a sua frente. Trace o pentagrama de invocação diante da chama e o visualize no mesmo negror que ela. Inspire e diga: Que do selvagem e desolado venha Lilith! Que sua pulsão conduza meus sentidos e instintos para a manifestação perfeita dos anseios do meu Desejo!

De volta ao Oeste, com os olhos fechados, visualize cada uma das energias que você invocou. Veja as entidades personificadas, cada uma delas, ao seu redor, em cada quadrante. Abra os braços, sentindo a energia ao seu redor, e diga: Me circulam o poder de Leviatã e Azazel e me cercam as essências de Lúcifer e Lilith. Anuncio o meu intento sagrado como essência divina encarnada enquanto ascendo sobre os céus e me firmo sob a terra. Assim acima como abaixo!

O Círculo está formado. Faça sua ritualística sem pressa e, quando terminar, novamente se coloque no centro do espaço, dizendo: Encerro aqui o meu trabalho e agradeço aos poderes de Leviatã e Azazel, assim como as essências de Lúcifer e Lilith, por terem me auxiliado. Anunciei meu intento sagrado e, a partir de agora, ele se cumpre. Pois acima dos céus alcancei e abaixo da terra me firmei. Assim como é acima, é abaixo!

Com sua adaga, ou com a ponta dos seus dedos indicador e médio, agora volte aos quadrantes. Faça o pentagrama de banimento em cada um deles, imaginando suas chamas se dissolvendo lentamente enquanto diz

ao Oeste: A Leviatã agradeço pela presença e pelo poder. Vá em paz!

ao Norte: A Lilith agradeço pela presença e pelo poder. Vá em paz!

ao Leste: A Lúcifer agradeço pela presença e pelo poder. Vá em paz!

e ao Sul: A Azazel agradeço pela presença e pelo poder. Vá em paz!

Se colocando de novo ao Oeste, repita a Cruz Luciferiana para te centrar mais uma vez, realinhando e harmonizando as energias que ainda estão em você e ao seu redor. Caso sinta necessidade, repita também a purificação espiritual do ambiente, organizando o local de volta, e está feito!

Aterramento

Durante esse passo a passo você limpou o ambiente, retirando tudo o que não era adequado, se alinhou, chamou pelos nomes de poder e fez sua ritualística erguendo uma boa quantidade de energia. Depois de repetir o banimento é importante que você se desconecte do ritual que você acabou de performar de forma saudável, voltando sua consciência ao mundano novamente. Para isso, temos o aterramento. Sem ele, você pode ficar sobrecarregado psicologicamente pelo excesso de emoções que você trabalhou ou pelas experiências que você teve durante a sua ritualística. Meu método favorito de aterramento é simplesmente tomar um banho relaxante e ir comer alguma coisa.

No banho, foque nas sensações físicas. Respire devagar. Solte qualquer tensão que possa ainda estar em você. Imagine qualquer excesso, ou impureza que seja, indo pelo ralo junto com a água enquanto você relaxa e volta a si mesmo. Coma algo que você goste, que reponha suas energias caso você precise, e não esqueça de beber algo para se hidratar. Depois disso, descanse! Você fez um bom trabalho.

Observação: Dependendo da linha e do autor, não será incomum você ver os nomes associados as direções mudarem. Tanto Samael quanto Satã algumas vezes são colocado ao Sul como Senhores do Fogo, assim como Belial ou Naamah podem ser colocados ao Norte como Senhores da Terra. Sendo um ponto em comum entre diversas tradições sempre colocar Lúcifer ao Leste, pela sua simbologia como Estrela da Manhã e Senhor do Ar, e Leviatã a Oeste, por ser ele o Senhor dos Mares Abissais. Então estude sempre, estando atento as diferenças e ao significado que é dado a cada detalhe.

Até mais!

Volte ao Guia

Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Primeiros passos – Sobre Círculos

Fonte: Arquivo pessoal

Dentro da estrutura ritualística de diversas tradições, práticas e vertentes esotéricas temos a presença dos Círculos Mágicos. Sendo extremamente diversos em seus usos e formas, eles criam e delimitam um espaço específico para a realização de inúmeros tipos de trabalhos espirituais, fundamentando e estruturando o propósito e a natureza daquilo que dentro deles é feito. Existe uma imensa variedade de Círculos através de diferentes tradições. Cada um alinhado a um tipo de propósito, filosofia e trabalho.

Representando o fundamento e a circunferência daqueles que os operam, eles formam, por essência, um espaço mágico que estará, como uma encruzilhada viva, entre mundos. Cada elemento usado e cada nome entoado neles são chaves, abrindo portais e chamando energias específicas para fins igualmente específicos.

O Círculo de trabalho que existe dentro da Goetia Salomônica, por exemplo, não é o mesmo e nem possui os mesmos efeitos e propósitos que o Círculo que temos dentro da Goetia Luciferiana. Apesar de ambos serem Círculos usados para se entrar em contato com um mesmo tipo de entidade (os demônios da Goetia), a postura, filosofia e entendimento de ambas as linhas são distintas, tornando seus Círculos estruturas para tipos de ofício muito diferentes.

Apesar do grande foco sobre eles ser o efeito protetivo que muitos deles podem ter, Círculos primariamente concentram o poder que você chama dentro deles apenas ali, no interior dos limites do seu espaço, para que você não perca energia para o ambiente e possa o direcionar de forma mais focada. Assim, toda energia que você angariar irá apenas para onde você quer, devidamente focalizada e concentrada. O Círculo adequado pode, desta forma, ser o elemento chave para o sucesso de um bom ritual. No entanto, você deve saber, antes de lançá-los, exatamente qual a linha que você irá querer seguir e qual abordagem você irá querer usar.

Os Círculos de cada linha ou tradição carregam em si os símbolos, as chaves de poder e a representação dos mistérios de cada uma delas. Usando o Círculo da tradição em que você está inserido você se alinha ao poder dela e a corrente energética da qual ela faz parte. Na Mão Esquerda, os Círculos te alinharão a corrente do Adversário e as energias da Via Sinistra. E a experiência de abrir um Círculo para trabalhar apenas um propósito pessoal, como saúde ou prosperidade, é totalmente diferente da experiência de abrir um Círculo para trabalhar com a energia das Qliphas e com seus poderes.

Existirão Círculos que começarão ao Leste, remetendo ao movimento natural da passagem do Sol, com propósitos construtivos. Igualmente, existirão Círculos cujo movimento será o oposto, para criar energias de desconstrução ou até mesmo de destruição. Alguns deles manterão determinados espíritos longe de você, mas a maioria se encarregará apenas de que ao seu redor estejam unicamente as correntes de energia no qual você se alinhar. Dando assim a vazão para que, perfeitamente, o micro e o macrocosmo se nivelem, para que você execute o seu propósito.

Lembre-se, então, que chaves diferentes abrem portas diferentes e use cada tipo de Círculo para o propósito apropriado que eles possuem em si, sendo mestre do universo que neles você construir.

Estruturas básicas

Agora que já sabemos o que os Círculos são, darei aqui no blog três opções de estrutura básica para eles. Na primeira estrutura você usará apenas a sua visualização. Na segunda, evoluindo um pouco, contaremos com a força dos Quatro Elementos e enfim, na terceira, que colocarei no próximo post, desenvolveremos um Círculo básico mas efetivo para trabalhos introdutórios na Mão Esquerda. Como os três são focados em iniciantes, se você desejar algo mais específico e profundo, busque evoluir o que aqui está em seus estudos, sempre sob a luz da vertente com a qual você se alinha, ok?

Círculo Simples

Escolha um local onde você não será perturbado e o purifique. Você pode varrê-lo e em seguida usar a fumaça de um incenso com as propriedades adequadas, por exemplo. Com isto feito, sente-se onde for fazer o Círculo e respire profundamente pelo menos três vezes, se concentrando no momento presente e no que você está prestes a fazer.

Quando se sentir confortável e centrado, feche os olhos e visualize uma esfera de energia branca acima da sua cabeça. A energia dela é suave, agradável e pura. Aos poucos, respirando com calma, visualize ela se expandindo cada vez mais até que ela abarque, em sua circunferência, todo espaço ao seu redor. Se veja dentro da bolha de energia delicada que ela é.

Neste momento você estará a projetando, então, não precisa ter pressa. Leve o tempo que precisar, sempre respirando profunda e calmamente, se atentando as sensações ao seu redor. Quando sua visualização estiver clara e bem formada diga, em voz alta ou mentalmente: Em harmonia se forma Círculo Mágico ao meu redor. Neste espaço sagrado apenas as energias que eu convidar comigo estarão, em verdade e equilíbrio, para o bom funcionamento da obra que aqui realizarei. Que assim seja!

Pronto. agora você pode convidar as energias que você precisar, como as dos seus guardiões e guias, para estarem com você. Quando terminar, agradeça. E visualize a esfera lentamente se desfazendo, com sua luz se fundindo ao ambiente em que você está. Como este Círculo foca apenas na visualização, comece por ele. Treine e treine bastante! Até se sentir seguro para ir para os próximos. Aqui você pode realizar meditações mais específicas, pequenos rituais e até mesmo alguns feitiços.

Círculo Elemental

Neste Círculo, assim como fizemos no Básico, comece pela purificação ambiente. Depois dela, se coloque no centro do local onde o Círculo será feito. Respire fundo pelo menos três vezes, se concentrando no momento presente e naquilo que você irá fazer. Com a ajuda da sua adaga cerimonial, se você a tiver, ou com os dedos indicador e médio da mão com o qual você escreve, trace um círculo ao seu redor, a partir do Leste. Imagine uma luz branca e suave saindo da ponta da sua adaga, ou da ponta dos seus dedos, formando um círculo de luz a sua volta, enquanto você o traça. Firme essa visualização de forma clara e bem definida em sua mente e então diga: Um espaço sagrado ao meu redor se forma…

Para o Leste … perante o Leste eu convido para estarem comigo as forças do Ar, elemento de sabedoria, para que o meu raciocínio neste rito seja lúcido e que minhas palavras sejam claras, precisas e apropriadas

Se virando para o Sul … perante o Sul eu convido para estarem comigo as forças do Fogo, elemento de poder e transmutação, para que a minha vontade seja clara e poderosa, sem nunca esmorecer

Se virando para o Oeste ... perante o Oeste eu convido para estarem comigo as forças da Água, elemento de fluidez e sensibilidade, para que aqui meu propósito possa fluir claro e irresistível sem nunca se corromper

Se virando para o Norte … e perante o Norte eu convido para estarem comigo as forças da Terra, elemento de estabilidade e criação, para que as obras que aqui forem feitas tenham potência e firmeza para florescerem da melhor forma, se manifestando no mundo

E de volta ao Leste, erguendo sua adaga ou dedos para cima e seu outro braço para baixo … pois aqui me coloco em verdade e força. Que acima de mim o Universo em evolução me abençoe e que abaixo de mim a força daqueles que me precederam possa firmar e proteger os meus passos. Que assim seja!

A partir deste momento, o Círculo Elemental estará ativo e aberto. Faça o seu trabalho com calma e, ao terminá-lo, se coloque no centro do espaço novamente, dizendo: Aqui encerro meu intento, agradecendo a todas as forças que abaixo me firmaram e que acima me abençoaram, assim como agradeço a todos que comigo estiveram…

Para o Norte… as forças da Terra, obrigado por sua presença e ajuda, partam em paz

Para o Oeste… as forças da Água, obrigado por sua presença e ajuda, partam em paz

Para o Sul… as forças do Fogo, obrigado por sua presença e ajuda, partam em paz

E para o Leste… as forças do Ar, obrigado por sua presença e ajuda, partam em paz

Novamente com a ajuda da sua adaga, ou com os dedos indicador e médio da mão com a qual você escreve, gire ao seu redor, desta vez em sentido anti-horário, imaginando que o círculo de luz se desfaz, dizendo: … pois feito está!

As direções aqui empregadas são as mais comumente usadas para cada um dos Quatro Elementos, indo inicialmente em sentido horário. Portanto, em sentido de criação e crescimento. Apenas para desfazer o Círculo usamos o movimento contrário, o dispensando e dando liberdade para que as energias possam ir para onde determinamos durante o nosso trabalho. Neste Círculo você pode fazer ritualísticas um pouco mais complexas com tranquilidade, convidando suas divindades de culto ou seus guias se assim desejar.

Boas práticas e até mais!

Volte ao Guia

Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Primeiros passos – O Altar

Fonte: Arquivo pessoal

Nossos altares sempre são os maiores pontos de foco dentro das nossas práticas espirituais. Como já coloquei aqui, neles nos lembramos de quem realmente somos, do que nos guia, professamos nossas crenças, e projetamos nossa Vontade sobre o Universo.

Como elementos vivos, eles se moldam e se desenvolvem junto conosco, refletindo nosso caminho e nossa jornada espiritual. Se estamos dentro de religiões, ordens ou templos específicos, geralmente seguimos as diretrizes que nos são passadas sobre como montá-los e sobre como cuidar deles como Adeptos das vertentes específicas onde estamos inseridos. Sendo praticantes solitários, no entanto, desfrutamos de mais liberdade em nossas escolhas e atos. E aqui irei colocar algumas ideias para guiar aqueles que, como eu, são lobos solitários da Mão Esquerda. Me baseando nos meus estudos e nas minhas experiências particulares como luciferiana. Então, não trate nada aqui como o único jeito de se fazer nada nem como uma verdade absoluta, mas como uma sugestão!

Em primeiro lugar, escolha um local prático e seguro para montá-lo. Pode ser uma mesa num quarto que você separou apenas para suas práticas espirituais, pode ser uma boa prateleira em alguma parte segura da sua casa. Pode até mesmo ser uma maleta, como o altar itinerante que eu sugeri aqui. O importante é que seja um local funcional e adaptado a você, afinal, você vai tê-lo como seu local de desenvolvimento pessoal e, conforme você progredir, ele progredirá com você, se tornando um ponto onde o véu entre o mundano e o espiritual se tornará mais fino.

Em segundo, realize a limpeza do local escolhido. Inicie com a limpeza física mesmo e, logo após, faça uma limpeza energética. Para isso, como se fosse fazer um chá, coloque 150ml de água para ferver. Assim que começar a ebulição, desligue o fogo e coloque de duas a três colheres de sopa de folhas de eucalipto na água, dizendo: “Que o espírito das águas e do eucalipto aqui possam despertar e se unir, criando uma infusão única, capaz de purificar tudo aquilo que, com ela, limpo for.” Tampe a panela, ou chaleira, que você estiver usando e espere esfriar. Quando já estiver frio, coe, e passe essa infusão com a ajuda de um pano limpo no seu altar em formação. Você não precisa molhar demais o pano, apenas o umedeça e o passe. Faça isso com concentração, imaginando que o local está sendo limpo de todas as energias que nele estavam até o momento. Logo após, faça a energização.

Para isso, coloque um pequeno disco de carvão em brasa dentro de um suporte seguro e apropriado. Em cima dele, queime um pouco de resina de sangue de dragão. Quando a fumaça começar a subir, a passe por todos cantos do seu futuro altar, visualizando força e proteção sendo nele imbuídos. Quando terminar a defumação, coloque o suporte em cima do altar e, queimando um pouco mais de resina, com os dedos indicador e médio da mão com o qual você escreve acima da fumaça, desenhe um pentagrama invertido no ar. Feche os olhos. Inspire e expire profundamente três vezes enquanto visualiza o pentagrama no ar, em meio a fumaça, brilhando em fogo negro. Se concentre. Então diga:

“Pelo poder evolutivo que em mim se ergue e pela força da rebelião que meus atos perpetuam eu consagro este espaço como meu altar sagrado. Ponte física entre mim e os mistérios que se escondem além das minhas crenças, além dos meus desejos, além daquilo que atualmente sou. Ao Adversário que se ergue acima, portanto a Luz, reinando abaixo do Abismo. Que haja curiosidade, que haja questionamento, que venha a subversão, a bravura, o crescimento, a sabedoria e o poder. Que minha Arte aqui flua em indomável corrente. Me consumindo, me transformando, me erguendo e me forjando em negra chama. Pois em sabedoria, consciente e constantemente, me batizo.”

Erga sua mão direita para cima, enquanto estende a esquerda para baixo, com os dedos indicativo e médio estendidos e os dedos anular e mindinho dobrados enquanto finaliza:

“Pois assim é acima como abaixo. Está feito!”

Pronto. Agora caberá a você o que colocar ou não no seu novo altar. Por regra, ele deve ser adornado e construído como um reflexo da sua prática, do seu trabalho e de quem você realmente é. Refletindo a sua personalidade e a sua jornada. Pense nele como um símbolo, no microcosmo, do que você desenvolve no macrocosmo. Uma representação simbólica, no físico, dos poderes que estão além.

Eu sempre indico ter, em primeiro lugar, uma toalha de bom tecido para cobri-lo. Pode ser uma toalha preta com um pentagrama simples, como a da foto que ilustra esse texto. Castiçais ou suportes seguros onde acender velas também são importantes. As cores das velas que você vai usar dependerão bastante da sua prática e da intenção dos rituais que você for performar. Rotineiramente, você pode ter duas velas negras, uma de cada lado do altar, representando a sabedoria oculta e a Chama Negra. Ou duas brancas, representando a Luz do Espírito e os aspectos elevados da mente.

Incensários ou suportes para defumação também são importantes. Afinal, assim como as velas trazem o calor e a iluminação do Fogo, os incensos trazem a qualidade sutil e ativa do Ar. Dependendo das suas propriedades, eles trazem energia e movimento para o que fazemos, definindo o ânimo e a energia de nossos trabalhos. A Água pode estar presente em um cálice, trocada todos os dias para estar sempre limpa e fresca, trazendo fluidez para o seu espaço. A Terra pode ser representada pelo próprio pentagrama invertido, trazendo a materialização e a valorização saudável da nossa existência física.

Fora os Elementos, você pode colocar todos os instrumentos da sua prática em seu altar. As adagas, punhais e espadas, carregando a simbologia do Fogo ou do Ar, podem ser símbolos ativos e consagrados de Azazel, aquele que ensinou a humanidade a como forjá-los. Varas e bastões, trazendo a força do Fogo e da energia projetiva, podem trazer a força ígnea do próprio participante ou serem representações de Satã, caso estejam ali como o Forcado do Diabo. Espelhos, principalmente os negros, podem ser consagrados como portais para o contato com o plano espiritual, mitologicamente associados a Lilith por serem tidos como passagens para suas cavernas. Além dos incensos, para o Ar, elemento tradicional de Lúcifer, sinos também podem ser usados, Iniciando e fechando rituais, chamando ou despedindo forças e espíritos. Ainda no domínio do Ar e do intelecto, você pode reservar um espaço para o seu Diário Mágico e para os livros que você está estudando no momento. Para as forças das Águas, domínio de Leviatã, além do cálice você pode ter conchas e simbologias ligadas as serpentes e aos oceanos.

Os símbolos e sigilos relacionados ao que você desenvolve podem sempre estarem decorando tanto o altar quanto a parede atrás dele também. Você pode comprar bandeiras ou toalhas com eles para pendurar ou até mesmo os desenhar ou imprimir. Ativados, eles sempre estarão emanando sua energia tanto para você quanto para o espaço. Essas energias podem ser protetoras, defensivas, podem conferir bênçãos ou etc. Os mistérios daquilo que você faz estarão sempre com você.

Sugestões: Apesar da resina de Sangue de Dragão ser a mais indicada para esse pequeno ritual eu sei que ela não é uma resina fácil de se achar em muitos lugares aqui no nosso país então, se você não tiver acesso a ela, é possível queimar alecrim seco como substituição. Mas atenção, só faça essa substituição se realmente não tiver como usar a resina de Sangue de Dragão, ok? Além disso, outra sugestão é que você pode, ao invés de apenas desenhar o pentagrama invertido no ar com os dedos, criá-lo com as suas mãos. Para isso, posicione os dedos indicativo e mindinho de cada uma das suas mãos para cima enquanto abaixa os dedos médio e anelar, deixando os polegares retos. Aponte os dedos indicativo e mindinho para baixo e, para unir as mãos, junte ambos os dedos mindinhos. Você verá que os seus polegares formarão as duas pontas de cima do pentagrama, os indicadores serão as pontas direita e esquerda e os mindinhos, unidos, a ponta de baixo. Faça isso acima da fumaça, se concentrando e proferindo os dizeres da consagração da mesma forma.

Até mais!

Volte ao Guia

Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Primeiros passos – Instrumentos

Fonte: Arquivo pessoal

Dentro das práticas do ocultismo, da magia e da feitiçaria temos a utilização de inúmeros aparatos e materiais. Eles, em seus vastos usos, servem para ancorar, trabalhar, levantar e direcionar energia das mais diversas maneiras. Aqui, irei falar brevemente sobre alguns deles, junto com seus significados e utilizações mais comuns. Lembrando sempre que podem existir pequenas variações dentro de vertentes específicas e o que eu trago aqui é uma visão geral, ok? Vamos lá!

As velas: Amplamente usadas, as velas fazem parte fundamental da maioria das práticas espirituais. Usadas para manifestar o Elemento Fogo, elas podem ser o ancoramento dos mais diversos tipos de trabalhos. Acendemos velas para nos comunicar com nossos deuses e guias, para ofertar aos nossos ancestrais, para pagar promessas e acordos com espíritos auxiliares, para ativar sigilos, para alimentar amuletos e para trazer a energia e as qualidades ígneas do fogo ao que fazemos. Elas representam a luz do Espírito.

O que difere uma vela comum, usada apenas como ponto de iluminação, de uma vela usada para fins espirituais é, como sempre, a intenção que depositamos em nossos atos de forma consciente. Apenas acender uma vela normalmente e a colocar em um ponto onde vamos nos beneficiar da sua luz não tem em si poder para além disso. Agora, se a acendemos em um altar pedindo pela proteção de nossos guardiões, a situação muda. Aquela vela passa a ser um ponto de energia, nos conectando a força que ali chamamos e emanando o que pedimos. Velas podem ser usadas untadas com óleos específicos, ter símbolos nelas desenhados, serem polvilhadas com pós e ervas. O limite de suas utilizações dependem da vertente e da criatividade do praticante.

A taça: Representando o Elemento Água, as taças e cálices são comumente usadas para a realização de ofertas líquidas, dentro e fora de rituais. Elas podem representar também, dentro de algumas ritualísticas, o útero e a polaridade receptiva, enquanto bastões e punhais geralmente representam o falo e a polaridade projetiva. Cálices e taças contendo água, vinho ou outras bebidas consagradas muitas vezes são compartilhadas entre membros e participantes de liturgias e cerimônias para formar e demonstrar unidade assim como para o compartilhamento das energias que ali estão sendo estabelecidas e partilhadas igualmente por todos. A presença de um cálice com água em um altar sempre traz as qualidades e a fluidez da Água para o espaço, mantendo as energias que ali circulam limpas e correntes.

Os incensos: Representando o Elemento Ar, a fumaça dos incensos limpam, purificam e consagram. A queima de determinadas ervas, resinas e madeiras pode auxiliar na criação de um espaço leve e íntegro para a realização dos mais diversos tipos de rituais e cerimônias. Eles podem ser utilizados como ofertas, como meios de comunicação entre nós e o espiritual, podendo trazer e afastar energias e criando assim espaços mais elevados e energizados onde são manipulados.

O sino: Também sendo um representante do Elemento Ar, temos no som produzido pelos sinos desde o preparar e purificar de ambientes como o chamar de forças, energias e espíritos. Seu tinido, claro e limpo, pode iniciar e encerrar rituais. Sendo um sinal claro, dependendo de como são consagrados e usados, convidam e chamam a atenção do que queremos e dispensam aquilo que não desejamos.

O espelho: Espelhos tem, junto com as velas, os usos mais variados e versáteis possíveis. Eles podem ser usados, dependendo de como são consagrados e trabalhados, para ampliar e multiplicar forças, para enviar energias de volta as suas origens, para proteção, para divinação e, em seu uso mais comum, para a criação de portais espirituais. Os espelhos negros são especialmente usados como objetos de divinação e como portais para o outro lado. Esses portais podem ser usados para que projetemos o nosso espírito até o astral através deles, assim nos dando acesso a diversas camadas e locais, mas também para que puxemos e chamemos espíritos e seres do astral até o nosso plano. O espelho negro central de um triângulo de manifestação da Goetia, por exemplo, tem essa exata função. O da foto que ilustra esse texto sendo um exemplo de triângulo da Goetia Luciferiana. Como portais de entrada e saída para o abismo, devem ser sempre bem cuidados, manuseados com respeito e cautela.

O caldeirão: Como um item clássico da bruxaria, caldeirões podem ser usados para o preparo de poções e feitiços líquidos, assim como para a queima de velas, ervas e outros materiais. Sendo um elemento receptivo, ele germina ou consome tudo que nele é feito e trabalhado. Idealmente ele é feito de ferro, mas caldeirões de barro curado também cumprem perfeitamente seu trabalho. O importante é que ele seja de um material forte e resistente ao fogo para que sua utilidade não seja comprometida. Você pode encher um caldeirão de água e ter assim um espelho negro natural, assim como, em ambientes urbanos, eles podem ser usados como substitutos as fogueiras, para a realização de queimas. E elas podem ser positivas ou não, como nos fervedouros tradicionais da feitiçaria ibérica, que são comumente para destruição.

A vassoura: Outro item clássico dentro da bruxaria, as vassouras são ótimas para limpezas e banimentos. Assim como as usamos de forma mundana e comum, podemos as consagrar para, além de varrer poeira e sujeira, também “varrer” e afastar energias que não desejamos em nossos espaços e perto de nós. Tendo sua presença muito marcada no folclore de diversas culturas como o instrumento usado para o voo das bruxas até o Sabá, sua utilização como veículo, segundo as lendas, se devia a unguentos de ervas específicas, possuidoras de efeitos alucinógenos, que eram passadas em seus cabos. Quando as bruxas montavam nesses cabos, em geral nuas, as substâncias eram absorvidas pela mucosa vaginal, proporcionando assim as tão famosas viagens.

Adagas, punhais e espadas: Ligados ao Elemento Ar em boa parte das vertentes, as adagas, punhais e espadas são as armas do praticante. Sendo de polaridade projetiva e agressiva, elas auxiliam em evocações, no traçado de Círculos, no rompimento de barreiras astrais e na projeção da Vontade de quem as empunha. Podem ser usadas para defesa e para ataque. Lâminas são elementos de corte e é ideal que sejam bem afiadas, capazes de tirar sangue se necessário for, cumprindo suas funções literais e simbólicas. Podendo, para isso, serem feitas das mais diversas formas e nos mais diversos formatos.

Tesouras: Sendo também elementos de corte, tesouras são muito usadas em trabalhos de feitiçaria. Principalmente as feitas de ferro. Quando consagradas para tal, elas podem cortar energias nocivas ao praticante, bem como romper os efeitos de trabalhos contrários, laços entre pessoas e muito mais. Elas podem proteger, como objetos afiados podem, e desunir as mais variadas coisas com sua capacidade de corte e rompimento.

Varas e bastões: Sendo, assim como as adagas, punhais e espadas, também de polaridade projetiva, varas e bastões geralmente carregam em si a simbologia do falo e do Elemento Fogo. Eles representam a Vontade, a força, e a autoridade de quem as empunha. Sendo usadas como uma extensão do braço do praticante, elas projetam sua energia e poder, o fogo do seu espírito, sendo usadas para direcionar energias e realizar comandos. Suas propriedades variam bastante conforme a madeira usada em sua confecção, que geralmente é aconselhada a ser feita pelo próprio praticante, já que ela deve ser uma extensão da sua energia e do seu comprometimento com sua própria prática. Em muitas vertentes as varas bifurcadas também são usadas para simbolizar o Homem de Preto, sendo chamadas de Forcado do Diabo, por suas pontas representarem os chifres dessa figura segundo crenças folclóricas mais tradicionais.

Chaves: Assim como usamos chaves de forma mundana, abrindo e fechando portas e cadeados, também podemos as usar de forma simbólica para causar os mesmos efeitos. Bem consagradas e utilizadas, elas podem destrancar e nos abrir acessos, assim como fechá-los. Com elas podemos abrir e fechar caminhos, rotas e portais. Sendo excelentes amuletos para ambas finalidades.

Estátuas: Sendo representações e expressões físicas das mais diversas ideias e forças imateriais com as quais podemos nos identificar e nos relacionar, a presença das estátuas em nossos altares e locais de trabalho espiritual nos lembram das nossas crenças, das nossas devoções e das energias que escolhemos ter em nossas vidas. Podemos comprar ou encomendar estátuas das nossas divindades e dos nossos guardiões, por exemplo, as consagrando devidamente, assim como podemos ter estátuas para ancorar espíritos familiares e auxiliares. Tudo depende da sua prática e da relação que você tem com a sua própria espiritualidade.

Oráculos: O campo das artes divinatórias é vasto e está intimamente ligado a magia e a espiritualidade, como já vimos aqui. Eles são nossos grandes aliados quando queremos nos comunicar mais diretamente com nossos guias, quando precisamos ver situações com mais clareza, saber qual é o melhor rumo e postura a se tomar e por onde ir. Independente de qual você escolha, tenha um oráculo próprio em sua prática. Sempre o estude e desenvolva. E nunca deixe de anotar jogos e experiências importantes! O que nos leva ao nosso último instrumento:

Diários mágicos: Como já vimos aqui, Diários Mágicos são essenciais em nossas jornadas. É neles que escrevemos nossas experiências, estudos e reflexões, sendo essenciais para o nosso desenvolvimento ao longo do tempo. Em seus registros, compreendemos melhor nossos passos. Sabemos o que deu certo ou não dentro das nossas práticas, e nos entendemos melhor. Tenha o seu e nunca deixe de o atualizar!

Esses são apenas alguns dos muitos instrumentos que usamos amplamente dentro da magia e do ocultismo. Crânios e ossos, laços de fita e barbantes, ervas e cristais, pós e garrafas, talismãs, pantáculos e amuletos, tinturas e óleos, correntes e cadeados também são muito comuns e variam de praticante para praticante, conforme vertente e linha de trabalho aplicadas. Estudo, criatividade e versatilidade são sempre a chave para montarmos nossos arsenais conforme avançamos em nossos caminhos. Lembre-se sempre que você, o conhecimento que você constrói e a sua força de vontade são o seu principal instrumento e as únicas coisas que realmente não podem faltar dentro daquilo que você faz.

Até mais!

Volte ao Guia

Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Resenha – Apoteose de Michael W. Ford

Capa comum da edição brasileira de Apoteose de Michael W. Ford lançada pela Editora Via Sestra

Na resenha de hoje temos um livro escrito especialmente para aqueles que estão iniciando no Caminho da Mão Esquerda e no Luciferianismo: Apoteose de Michael W. Ford!

Ficha Técnica

Autores: Michael W. Ford, com contribuições de sua esposa Hopemarie Ford

Editora: Succubus Productions Publishing e Apotheca Luciferian, estando também disponível pela BALG (Become A Living God) e sendo lançada nacionalmente pela Editora Via Sestra

Idioma: Inglês e Português

Páginas: 209 na versão em inglês e 208 pela Via Sestra

Ano: 2019

Sinopse do livro

O que é a filosofia luciferiana? Como você a aplica? Como você se auto inicia no luciferianismo? Ao longo dos anos, concentrei-me além da pesquisa e me dediquei à prática consistente de múltiplas tradições dentro do luciferianismo, e minha obsessão mágica foi cristalizar, refinar e aprimorar a base dessa filosofia. O que torna o luciferianismo harmonioso e paralelo a outras escolas de pensamento e tradições do Caminho da Mão Esquerda? O que separa o Luciferianismo de outras escolas de pensamento e obras do Caminho da Mão Esquerda? Em Apoteose você aprenderá: Os 11 Pontos de Poder e os 4 Pilares do luciferianismo, as Palavras Mágicas de Poder do Adversário, 3 Chaves Mágicas para a Ascensão no Caminho da Mão Esquerda, como invocar e encarnar o seu próprio Daemon, como passar pelo Teste da Máscara do Diabo, Símbolos Chave e Máscaras Deíficas do luciferianismo, 12 ferramentas essenciais e iniciações da magia luciferiana, 9 dos mais poderosos Círculos Ritualísticos e Triângulos e verdades reais sobre Lúcifer, Yahweh e muito mais. Apoteose é uma cartilha definitiva sobre a Filosofia Luciferiana e sua prática mágica especialmente para iniciantes ou para aqueles que estão curiosos sobre o que é o Luciferianismo e como esse caminho é semelhante e diferente de outras tradições. Michael W. Ford escreveu este livro para oferecer um fundamento filosófico conciso para o neófito que busca os detalhes da iniciação luciferiana. Editado por Timothy Donahue e prefácio por E.A. Koetting.

Resenha

Que Michael W. Ford é um dos principais autores contemporâneos sobre luciferianismo é indiscutível. Sendo autor de mais de trinta livros dedicados a Via Sinistra ao longo de mais de duas décadas de dedicação ele coloca Apoteose como sua cartilha para iniciantes. Se você quer conhecer o estilo de trabalho dele, seu sistema, e como ele coloca a filosofia luciferiana esse é o livro correto para se começar. Como um trabalho que foca em introduzir conceitos e dar as bases das práticas básicas do luciferianismo o leitor tem nele um guia prático e direto ao ponto. Sendo dividido em três partes, no Livro Um temos A Tríade da Estrela da Manhã, focando na parte filosófica e na preparação da mente, do corpo e do espírito do adepto, no Livro Dois temos a Ignis Daemonicus, focando na parte dos ritos cerimoniais e da prática mágica básica do luciferianismo e no Livro Três temos Lúcifer e o Espírito Satânico focando em origens mitológicas, histórias religiosas e mitos relevantes ao caminho luciferiano.

Pontos Positivos

O fato do livro começar justamente focando bastante na parte filosófica antes de falar da parte da prática cerimonial, para mim, é um grande acerto de Apoteose. Entender racionalmente a filosofia do luciferianismo deve sempre ser o primeiro passo. Até para que o leitor veja se ele se alinha com suas ideias e com sua forma de encarar e experienciar a vida, onde o começo sempre é aprimorar a si mesmo para, só depois, pensar em mudanças externas. Outro ponto muito positivo de Ford é que ele não coloca as suas palavras e ideias como absolutas. Como um bom luciferiano, ele te encoraja a formar suas próprias interpretações e ideias, adaptadas as suas necessidades e a quem você é. Afinal, cada luciferiano é único, sendo autônomo e responsável por suas convicções e sua conduta, ao invés de simplesmente ser o seguidor das ideias de algum figurão. Neste caminho, desenvolver um pensamento crítico e independente é essencial e sempre é muito positivo quando os autores enfatizam isso. A segunda parte do livro, Ignis Daemonicus, passa uma boa base sobre instrumentos, construção ritual e abordagem cerimonial luciferiana, contendo um rito de auto iniciação simples, poderoso e muito bonito. Então, se você quer se iniciar na Corrente, é maravilhoso.

Pontos Negativos

Apesar de Ford ser um autor de referência no meio luciferiano, inclusive dentro da minha prática pessoal (acredito ser difícil encontrar um luciferiano que não tenha suas obras como fundamentais), o estilo da sua escrita não é o meu favorito. Existem capítulos em que o texto se torna enfadonho e você precisa reler algumas vezes certos parágrafos para realmente absorver o que ele quis dizer. Por mais que Apoteose seja um dos seus livros mais diretos e práticos, afinal é todo o ponto da obra, ainda assim eu sinto um pouco da morosidade natural dele pelas páginas. Também tenho um incômodo muito particular com como ele aplica termos como “animais de rebanho” para falar da maioria social num geral. Por mais que dê perfeitamente para entender o ponto dele acredito que o tom coloca muito a culpa nas pessoas em si por estarem em meio a uma determinada cultura de massa e não a estrutura que as prende a ela. Existem muito mais complexidades nesta questão em específico, inclusive históricas e políticas, que podem ser incluídas e discutidas com mais profundidade do que só dizer que as massas são imbecis porque simplesmente a são. E eu gostaria que o tema, na Mão Esquerda num geral, saísse do lugar comum e amadurecesse mais. Mas esta é uma posição minha, pessoal, que você não precisa aderir. Entre seus comentários sobre o satanismo em si Ford também tem o momento de citar a ONA como anarquista, o que sempre me faz dar aquela risada nervosa de puro desgosto. É aquilo, ele saiu da ONA, então: enfim. E ele dá essa passada de pano desde Book of the Witch Moon, um dos seus primeiros livros, de 2006. Não é uma passada de pano que eu recomende a ninguém, ele o faz até hoje só para justificar o seu próprio histórico. Fora esses pontos, o livro é perfeito.

Acessibilidade: Tem pdf dele sim tanto em inglês quanto em português. Porém, como se trata de um livro já lançado oficialmente por uma editora nacional eu sempre indico que, caso você tenha condições para, você o compre fisicamente. Vale muito a pena!

Volte ao Guia

Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Primeiros passos – A lua e suas fases

Fonte: Arquivo pessoal

A lua, em toda sua mutabilidade, é o corpo celeste mais próximo da Terra. Sendo a primeira esfera sideral acima de nós, na astrologia clássica, todo o nosso mundo é tido como sublunar. Sendo ela, em suas transformações, que atua como o portal para a descida ou subida de todas as outras energias até o nosso plano, sendo crucial para as suas manifestações ou desmaterializações.

Sendo ela a intermediadora entre os mundos inferiores e superiores, é ela que distribui as forças de cima e de baixo em nosso plano, recebendo e partilhando as influências dos fluxos do nosso Universo conosco, aqui onde estamos. Sendo sutil, mas mais próxima do material, temos em seu ciclo o respirar do mundo, ditando o ritmo das marés e de tudo que é limítrofe, sendo espiritual mas também podendo afetar o físico, como poltergeists e outros fenômenos semelhantes.

Desta forma, o sobrenatural a ela se associa, assim como a clarividência e o plano dos sonhos. Tudo que não é apenas matéria mas tem a capacidade de a tocar tem em si a benção e a regência lunar. E é nisto que entendemos por qual motivo o estudo sobre a sua complexidade sempre foi tão importante dentro da magia. Afinal, nela estudamos e aprendemos com os fluxos do mundo para poder manifestar mudanças materiais através daquilo que não é só matéria.

Na magia astrológica clássica, por exemplo, a magia com constelações e estrelas fixas deve sempre ser feita observando as condições lunares. Além, é claro, da análise das demais conjunções, como algum trígono ou sextil, que pode existir no momento entre a lua e os demais corpos celestes. Tendo-se em consideração também o signo onde, no momento, ela se apresentar. Nisto, temos que os períodos onde a lua se encontra fora de curso, ou seja, quando ela está nos últimos graus de um signo, isolada, não fazendo nenhum aspecto com outros corpos celestes, sejam ruins para se começar qualquer coisa que você deseje que vingue. Assim como temos, dentro da grande maioria dos grimórios clássicos, recomendações de quando fazer ou evitar certos tipos de operações.

Não é necessário que você domine todos os saberes da Astrologia, principalmente da Tradicional, para que a sua magia tenha resultados satisfatórios. No entanto, é muito interessante que você tenha uma base básica de conhecimento sobre para fundamentar e aprimorar ainda mais suas técnicas. Principalmente para entender que a lua, como um lumiar, é interpretada pelo movimento da sua luz. Sendo a luz significadora da vida, do movimento e da força divina, temos sua ausência como paralisação, seu crescimento como progresso, seu ápice como poder e seu minguar como perecimento.

Assim, conforme a lua se esvazia e se enche da luz solar, temos o ritmo pelo qual vitalidade é doada ou retirada do mundo.

Sendo assim, quando ela se encontra em sua fase nova, ela está ausente de luz. E como ausência de luz é ausência de força e vida, paralização, não temos então sua influência de forma pronunciada. Estando o mundo no escuro, não somos vistos. Portanto, trabalhos que você não deseja que sejam notados ou detectados aqui podem surtir um ótimo efeito. Limpezas e descarregos podem ser beneficiados no sentido de se livrar de tudo aquilo que você não quer que siga com você por mais um ciclo lunar. Então coloque o lixo pra fora e trabalhe ausências. Se você desejar agir no escuro ou mesmo trabalhar com as sombras, o faça com cuidado.

Na fase crescente, coma a sua luz está em aumentando, podemos trabalhar naquilo que igualmente desejamos que progrida ou aumente em força e potência. Tudo que desejamos que avance ou que queremos que experimente ampliação e crescimento é favorecido. Sua palavra chave é o desenvolvimento.

Na fase cheia encontramos o ápice da luz e, assim como ela está em sua maior potencia, tudo que desejamos potencializar se beneficia. Repare que aqui não falamos de crescimento e nem de diminuição, mas de potência. O fortalecimento é sua palavra chave. E você pode fortalecer tanto trabalhos positivos quanto trabalhos negativos. Tudo depende de como você direciona o que você faz.

E na fase minguante, assim como a lua se esvazia de luz, podemos tirar a força antes outorgada as coisas, as fazendo minguar até sua morte. Aqui finalizamos trabalhos, e damos término aos mais diversos tipos de situações. Feitiços de reversão ganham uma força especial nessa fase. Assim como maldições que tenham por intuito minar, diminuir e decrescer as forças rivais. O enfraquecimento é a chave dessa fase.

Sabendo trabalhar na lógica da movimentação da luz, na sua ausência, no seu crescimento, na sua potência e no seu enfraquecimento podemos realizar nossos movimentos de acordo com o movimento dos fluxos do mundo. Não é obrigatório, claro, mas acrescenta e enriquece. Então, saiba como deseja agir.

Sobre a questão dos eclipses, em particular, veja aqui.

Até mais!

Volte ao Guia

Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Primeiros passos – Um exercício oracular

Fonte: Arquivo pessoal

Como vimos no post sobre organização pessoal, pequenas coisas feitas com regularidade e o estabelecimento de rituais diários trazem mais estrutura e resultados no início do nosso caminho do que nos sobrecarregarmos com coisas demais. E uma dessas pequenas coisas, que eu gostaria de indicar para aqueles que puderem se comprometer a fazê-lo com assiduidade, é este exercício oracular.

Ele é ideal tanto para quem está começando como para quem está focando em um caminho específico dentro da Mão Esquerda e/ou já possui um guia ou patrono em sua jornada. Você pode fazê-lo diariamente, o que eu aconselho mais, mas também pode fazê-lo uma vez por semana. De preferência no início dela. Escolha um momento em que você terá pelo menos 15 minutos para o fazer com calma e sem ser interrompido, num local calmo e privado. Se você tiver um altar pessoal, faça nele. Se não tiver, garanta apenas que seja um local seguro e particular.

O exercício

Sente-se no local escolhido confortavelmente e se concentre inspirando e expirando profundamente. Acenda uma vela simples pedindo proteção e orientação, e peça para que os guias do seu caminho estejam com você, para que eles te mostrem o que for necessário no momento. Então pegue algum oráculo que você tenha e tire um conselho. Se for um oráculo de cartas, você pode fazer uma tiragem simples de três cartas. E este será o seu conselho do dia, ou para a sua semana.

Reflita sobre o que sair. Você pode anotar e manter registro dessas tiragens a cada semana no mesmo caderno que você usa para fazer as anotações e estudos da sua jornada espiritual, se assim você o quiser. Ao final, agradeça. Guarde seu oráculo. E apague a vela. Você pode a guardar junto ao oráculo e a acender só para a realização deste pequeno exercício. E está feito.

Simples, não é mesmo? É algo que não gastará muito do seu tempo e trará, se feito com regularidade e consistência, uma excelente conexão entre você e o seu próprio caminho. Bem como também com seus guias.

Se você for um satanista teísta, você pode ter esse momento como seu momento diário ou semanal de conexão e contato com Satã. Assim como, se você for um luciferiano teísta, você pode ter esse mesmo exercício como seu momento diário, ou semanal, para conversar com Lúcifer. O mesmo pode ser dito a respeito de outros caminhos, com outros guias ou figuras patronais que você tiver. Se você quiser acrescentar algo, você pode recitar alguma oração ou algum pequeno texto devocional relacionado ao seu caminho antes de tirar o seu conselho. É o seu momento de conexão, você pode personalizá-lo conforme a sua crença e prática.

Eu aconselho que, se estiver dentro das suas possibilidades, você tenha esse exercício, seu momento de meditação e um tempo para seus estudos todos os dias. O trio momento de conexão, meditação e estudo, se feitos todos os dias, irão te garantir uma boa estrutura e avanços naturais em sua jornada. Se você não dispor de tempo para este trio diariamente eu indico que, no mínimo, você tenha um dia marcado em sua agenda para fazê-lo uma vez por semana, todas as semanas. Lembre-se sempre que é a regularidade que nos fundamenta.

Observação específica para aqueles que trabalham com Infernais: Se você possui entidades infernais no seu caminho você sabe que a energia deles é extremamente particular, densa e única. Quando eu comecei a fazer esse exercício oracular todos os dias eu percebi que seria melhor, no meu caso, reservar um baralho só para ele e para a minha comunicação com os infernais ao invés de usar com eles baralhos que eu usava também para outras coisas. Foi por isso que eu comprei o Goetia -Tarot in Darkness da Lo Scarabeo, que ilustra a maioria dos meus post aqui no blog sobre a Mão Esquerda. Por causa da necessidade de ter um oráculo reservado apenas para eles. E você pode sentir que será conveniente fazer a mesma coisa. Afinal, aquilo que usamos com Infernais, é bom que seja usado apenas com eles. Você não precisa comprar o mesmo deck que eu comprei, você pode reservar um que você já tenha só para isso. Mas se você sentir a necessidade de reservar algo só para eles, se ouça e reserve.

Até mais!

Volte ao Guia

Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Primeiros Passos – A importância dos oráculos

Cartas do Tarô das Sombras de Linda Falorio e do Goetia – Tarot in Darkness de Fabio Listrani

Como colocado no post Oráculos – O que são?, as artes divinatórias sempre estiveram em destaque quando falamos de espiritualidade. E aqui, no Guia prático da Mão Esquerda, seria impossível não falarmos delas.

Se você não possui nenhum oráculo e está começando no seu caminho espiritual agora conforme estuda esse Guia, essa é uma excelente hora para pesquisar e adquirir o seu primeiro. Mesmo que você não pense em se especializar profundamente e nem queira futuramente ser capaz de atender outras pessoas, é importante que você tenha um método divinatório que você consiga usar consigo mesmo. É através de nossos oráculos que verificamos nosso desenvolvimento espiritual, ampliamos a nossa consciência sobre nós mesmos e sobre as situações que nos cercam e conseguimos nos comunicar com nossos guias, guardiões e divindades.

Principalmente se você estiver sozinho no momento, sem uma Ordem ou grupo específico que te guie, é importante que você cultive a autonomia de poder consultar o que precisar por si mesmo. Quando eu comecei minha jornada espiritual, anos atrás, não tive logo de cara a ajuda de um sacerdote ou comunidade confiável, muito menos possuía dinheiro para me consultar com algum oraculista de fato. Foi em meio a necessidade de me virar por mim mesmo que eu me deparei e me apaixonei pelo meu primeiro oráculo, um Petit Lenormand. Eu não tinha com quem contar, então precisava ser capaz de buscar minhas respostas e verificar as coisas por mim mesmo. Com o tempo, eu fui fazendo contatos e desenvolvendo minha própria rede de apoio. No entanto, esse início independente me ajudou sobremaneira a não depender demais dos outros e a saber me virar sozinho. E isso é essencial nas nossas jornadas.

Irão existir muitos momentos em que será bom que você consulte alguém de confiança, mas terão muitos outros em que isso simplesmente não será possível e você deverá saber como suprir suas próprias necessidades sozinho. Isso vai desde verificar se aquele sonho ou aquela experiência destacados do comum que você acabou de ter foram ou não um sinal ou alerta até coisas mais complexas que, pela seriedade, é bom que você não compartilhe com ninguém. Vão existir detalhes e pontos no seu trabalho com seus guias que devem ficar apenas entre eles e você. Assim como feitiços e trabalhos que, para a sua segurança, só você deve saber que os realizou. Então não dependa exclusivamente de outras figuras para fazer a ponte entre o espiritual e o material e verificar as coisas para você, escolha um oráculo para si, o estude, pratique e tenha sua própria autonomia.

Isso se faz valioso principalmente dentro da Mão Esquerda, onde trilhamos vias de independência e de autossuficiência. Justamente por ser um caminho individual ao invés de coletivo, a Via Sinistrae exigirá que você ande com suas próprias pernas. Mesmo que você tenha um guia, um templo ou faça as coisas acompanhado de outras pessoas o seu processo será único e a forma como você irá vivenciar a Mão Esquerda será exclusivamente sua. O seu trajeto terá simbolismos, cores, informações e momentos só seus então você deve saber os interpretar e dialogar com sua própria jornada por si mesmo.

Se você gosta de cartas, assim como eu, neste post eu disponibilizei alguns pontos para te ajudar a escolher o seu primeiro baralho. E neste aqui está um pequeno exercício de conexão que você pode fazer com ele todos os dias dentro da sua rotina espiritual diária. Espero que te ajudem!

Até mais.

Volte ao Guia

Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Primeiros passos – Sobre energização e aterramento

Carta Dois de Ouros do Goetia – Tarot In Darkness – Acervo pessoal

Seguindo o cronograma dos nossos primeiros passos, agora veremos sobre energização e sobre aterramento. Se você possui o RmP como parte da sua prática diária, como vimos no último post, você já irá ter uma base de purificação e fortalecimento pessoal, treinando com ele visualização, geração e direcionamento de energia. Aqui, expandiremos um pouco a conversa. Principalmente no que se refere ao aterramento.

É importante que você tenha todos esses pontos logo no começo porque sem eles você não terá condições de avançar com sucesso em seu caminho. Ter uma base de purificação, fortalecimento e proteção energética e aterramento garantirá que você não faça nada de forma desprotegida e desbalanceada, o que evitará que você se prejudique no processo dos seus futuros rituais e trabalhos espirituais. E, como veremos, são passos simples, que focam num primeiro momento na sua concentração e na sua visualização.

Exercícios de energização focam em erguer e fortalecer sua energia pessoal. Sem eles, não desenvolvemos nossa força espiritual e também não conseguimos trazer para nossos rituais o poder necessário para que eles de fato funcionem e se manifestem como planejamos. Sem esse passo, entramos em nossos Círculos apenas para realizar performances vazias.

E, nos exercícios de aterramento, nos desfazemos do excesso de energia que manipulamos para que esse excesso não nos cause nenhum desequilíbrio a curto ou longo prazo. Você pode até mesmo pensar no campo da eletrônica. Se o seu corpo, por algum motivo, acumular uma carga de eletricidade estática um pouco maior que o habitual, assim que você encostar numa maçaneta de metal essa eletricidade será descarregada e você tomará um choque.

Da mesma forma, se você realizar qualquer ritualística em que você se carregue de muita energia espiritual sem se aterrar devidamente você poderá desencadear em si efeitos físicos e psicológicos de sobrecarga. Afinal, não “voltamos ao normal” imediatamente quando encerramos trabalhos espirituais. Assim como o ir é um processo, o voltar também o é. E se não tivermos um bom auto cuidado para nos desligarmos do que foi feito e voltarmos a nós mesmos com segurança após certos tipos de trabalho isso pode sim nos custar muito tanto para o nosso corpo como para a nossa cabeça.

Se na falta de energização podemos não produzir resultados, na falta de aterramento podemos adoecer e perder o contato devido com o mundo que nos cerca, não “desligando” devidamente do espiritual. Com isso podemos nos sentir desconectados da nossa própria vida mundana e das pessoas ao nosso redor, tendo problemas para operar em nossa vida prática. Dores de cabeça podem ser comuns, assim como falta de concentração e tonturas. Podemos ter perturbações do nosso sono, assim como oscilarmos entre um extremo cansaço ou uma agitação e um nervosismo que não passam. Instabilidades no apetite também podem ser sentidas, para mais ou para menos. Assim como quadros de ansiedade, estresse e desconexão com a realidade.

Existem muitas técnicas diferentes tanto para a energização quanto para o aterramento. E, assim que você entender como funciona o processo de cada uma delas, você poderá até mesmo criar suas próprias técnicas autorais! No começo, no entanto, faça aquelas que forem mais práticas e fizerem mais sentido dentro da sua prática pessoal. Aqui eu irei citar dois exemplos bem simples que você pode praticar, mas se sinta livre para pesquisar por outros e, com o tempo, desenvolver seus próprios métodos.

Energização

Estando de pé, feche os olhos e imagine que o ponto onde você se encontra no momento é o centro do universo ao seu redor. De um céu estrelado, acima de você, desce uma luz branca e suave sobre seu corpo, que irá o preencher e o atravessar até descer infinitamente pela escuridão abaixo de você. Ela é levemente fria, e te faz sentir em paz em harmonia. Em seguida, das profundezas abaixo, imagine subir outro feixe de luz. Desta vez, ele é vermelho. Sua sensação é mais quente do que a sensação da luz branca, te fazendo se sentir desperto, energizado e estimulado. Essa luz passará por você, te preenchendo de vida, até subir infinitamente pelo céu acima de você. Assim que você terminar o processo de visualizar e sentir ambas as luzes, abra os olhos com calma e volte ao seu ambiente. Se feito de forma correta, esse método te fará sentir revigorado e ativo após a sua execução.

Aterramento

Uma das técnicas mais famosas, simples e eficazes de aterramento usa justamente a conexão com a própria terra e com o simbolismo do enraizamento. Para a realizar, pare onde você se encontrar e, se voltando ao momento presente e as sensações físicas do seu corpo, imagine raízes saindo de seus pés e se alongando por metros abaixo de você até a terra, onde o excesso de energia será descarregado dos seus corpos físico e espiritual. Ela é melhor realizada se você a fizer descalço e com os pés na terra, para que justamente você possa a sentir abaixo de você, prestando atenção em sua textura e temperatura. Mas você também pode fazê-la em outros ambientes. Apenas não esqueça de focar no seu próprio corpo. Voltando sua atenção para o momento presente. Focando na sua respiração, nas batidas do seu coração, nas suas sensações físicas. Bem como no ambiente ao seu redor.

Após esse pequeno exercício você pode se voltar ainda mais a sua materialidade. Você pode tomar um banho, que já é por si só uma atividade muito sensorial, imaginando que a água também te limpa de qualquer excesso que ainda esteja em você. Você pode comer alguma coisa que você goste, se hidratar, andar um pouco pela terra, ter contato com a natureza como te for possível e, é claro, não se esqueça de se dar o devido descanso.

Até mais!

Volte ao Guia

Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.