Primeiros passos – Interpretando sinais

Fonte: Acervo pessoal

Quando falamos sobre espíritos, é muito comum que o primeiro foco esteja em como nós podemos entrar em contato com eles. Existe uma vasta literatura e um mar de conteúdos sobre diversas abordagens, rituais, correspondências e técnicas que podemos aplicar para entrar em contato com o plano espiritual e seus seres. Mas, na via oposta, você saberia identificar quando um ser espiritual está tentando se comunicar com você? Você sabe identificar os indicadores de que as forças que você está chamando realmente estão respondendo a você? Afinal, comunicação é uma via de mão dupla. Precisamos ser ouvidos e entendidos na mesma medida que precisamos saber ouvir e compreender.

Como estamos no Guia, o foco aqui será para a maneira como os guias e seres alinhados a Corrente do Adversário se comunicam. Em principal, os daemons. E eu gostaria de iniciar essa conversa trazendo a consciência de que nenhum de nós evoca ou invoca seres tão específicos quanto os daemons “acidentalmente” vendo filmes de terror, ouvindo certos tipos de música ou até mesmo através de pensamentos intrusivos de nossas mentes. Daemons não surgem com tanta facilidade quanto a cultura pop ou algumas figuras religiosas gostam de fazer parecer e, se um deles de fato se encontra em algum lugar, pode acreditar que é porque foi devidamente e propositalmente chamado para estar ali.

Nos casos onde, de fato, parte deles o primeiro movimento em iniciar contato com alguém é porque, de alguma forma ou por alguma circunstância muito específica, existe alguma ligação entre essa pessoa e o daemon em questão. O que sempre merece a devida atenção e investigação sobre. Como discorremos no último texto, que você pode ler aqui, sobre os motivos pelos quais tanto nós quanto figuras de Esquerda podemos estabelecer contato uns com os outros. Então, comecemos sabendo que estes contatos não acontecem nem sequer por acaso e nem sequer sem motivo algum.

Agora que estes esclarecimentos foram devidamente feitos, comecemos pelo tipo de contato mais comum: o que nós iniciamos através das estruturas ritualísticas de nossa escolha. Aqui, o interesse parte de nós. Pesquisamos, escolhemos um daemon, a abordagem que iremos usar, preparamos nossos materiais, escolhemos uma data, preparamos a nós mesmos e o local e tentamos estabelecer o contato. Quais sinais podemos ter de que o daemon realmente nos ouviu e se aproximou de nós?

Em primeiro lugar, olhemos sempre para os sinais físicos. Daemons possuem uma assinatura energética muito particular e impossível de ser ignorada tanto pela sua densidade quanto pela sua força. Como seres densos, eles facilmente podem afetar tanto os nossos corpos quanto a matéria ao nosso redor. Nisto, manifestações podem ser vistas e sentidas. Em relação aos nossos sentidos e ao nosso corpo físico podemos experienciar um peso atmosférico anormal no recinto quando um deles se faz presente. Como se a gravidade tivesse ficado cinco vezes mais forte, como se o ar tivesse se tornado rarefeito como no topo de uma montanha. Ondas de calor, ou frio, também são normais. Tanto em nossos corpos quanto no recinto em que estamos, com súbitas e inexplicáveis quedas ou subidas de temperatura. Podemos também ter os nossos sentidos mais sensibilizados, tendo arrepios em nossas espinhas e nossos pelos corporais eriçados como se estivessem sob o efeito de eletricidade estática.

No meio podemos ter viradas súbitas do clima com ventanias e tempestades. A agitação notável e sonora de animais pela vizinhança, com a presença específica de uivos, assim como o surgimento de animais ligados ao daemon. Barulhos pela casa, o escurecimento repentino do local onde estamos, o aumento anormal das chamas das velas que usamos e figuras surgindo através da fumaça dos incensos também são possíveis. Podemos sentir dores físicas específicas, em nossa fronte ou coluna, e podemos experimentar sudorese, arritmia, tonturas e enjoos. Para os praticantes que possuem algum nível de mediunidade também é possível ouvir a voz do daemon surgir no ambiente ou vê-lo através do uso de espelhos negros e similares.

Enquanto é verdade que é raro termos todos esses sintomas e sinais ao mesmo tempo desde a nossa primeira tentativa, todos eles são possíveis. É importante termos de antemão o método pelo qual nos comunicaremos com o daemon durante o ritual para estabelecermos o contato com sucesso e, na ausência de qualquer tipo de sinal, sabermos se fomos realmente ouvidos e seremos atendidos ou não.

Nos dias seguintes ao rito também é possível que o daemon entre em contato conosco através de sonhos. Assim como é comum que notemos pequenas sincronicidades agindo em relação ao que pedimos. A presença ou o aparecimento de animais ou insetos correlacionados ao daemon em questão também pode ser notada por semanas. Outro ponto comum é termos ressaltado em nós a própria energia do daemon.

Nisto, podemos notar um interesse súbito em áreas que são de domínio do daemon, seja o estudo por alguma área específica ou até mesmo por transitar em determinados locais. Se o contato foi feito com um daemon que rege assuntos relacionados a sexualidade, iremos notar um acréscimo ao nosso magnetismo, bem como um aumento da nossa libido. Se o contato foi feito com um que rege a ira e a violência é possível que nossa energia e disposição gerais melhorem bastante mas, ao mesmo tempo, podemos nos tornar mais facilmente e mais intensamente irritáveis, por exemplo. Aqui é importante prestarmos atenção aos detalhes e, claro, anotar todas as facetas das nossas experiências.

O segundo tipo de contato, raro para a população em geral mas provável para aqueles que são alinhados a Esquerda, é aquele onde temos o movimento contrário. Nele, é o daemon que busca nos alcançar através de algum meio, e não o oposto. Então, quais sinais podemos ter de que um daemon está tentando se aproximar de nós?

Aqui temos muito mais variáveis. Cada daemon possui padrões de comportamento muito próprios e a maneira como eles podem entrar em contato com alguém pode variar bastante de um para outro. Mas, invariavelmente, algumas semelhanças podem ser notadas, por estarmos falando de uma classe de seres em comum. E, para nós, o mais óbvio e facilmente identificável continua sempre sendo o peso e a densidade característica que eles carregam em si.

Mesmo se você não tiver naturalmente a capacidade de sentir energias ao seu redor, se você entrar em um cômodo onde um deles está, você sentirá uma pressão e uma força que te dirão que alguma coisa está acontecendo ali fora do comum. Sensações de peso, dores pelo corpo com foco na cabeça, ombros e coluna podem acontecer. Assim como zumbidos nos ouvidos e, novamente, enjoos e tonturas, como já relatamos aqui. São sintomas que podem acontecer pois o nosso organismo não é naturalmente preparado para lidarmos com energias do porte das deles.

O surgimento e a presença constante de certos animais e insetos seguem sendo sinais tradicionais. Como os pássaros escuros e as corujas para Stolas, os cavalos para Orobas e as moscas varejeiras para Belzebu, por exemplo. Sonhos e sincronicidades são meios usados por quase todos. Você pode, do nada, começar a ter mais sorte e magnetismo ou, na via oposta, passar por uma verdadeira onda de desventuras em série, com acidentes acionando seus alertas internos. O foco aqui é quebrar nossas rotinas e nos fazer notar que algo fora dela está tentando chamar nossa atenção. Podemos sentir impulsos básicos e instintos sendo desproporcionalmente ativados em nós, fora do que seria o nosso natural, como temos através do aumento da libido, da ira, da gula e até mesmo da indisposição proporcionados por daemons que regem essas características. Quando um daemon deseja chamar a nossa atenção ele irá. Através dos meios que ele sabe que mais se destacarão para cada um de nós.

Existem daemons mais diretos, sem rodeios, que se apresentam de cara e com todo peso de suas energias, como é comum vermos nos relatos sobre Asmodeus e Belial. Outros, principalmente aqueles que são djinns, tem por costume colocarem mais enigmas e pistas para serem desvendadas, como Paimon, por exemplo. Mas todos nos puxam de nossas vidas habituais, quebrando nossas rotinas e nos tirando daquilo ao qual estamos acostumados.

Essas quebras podem, por vezes, serem caóticas e desorientadoras. Podem vir acompanhadas de pesadelos, paralisias do sono, atividades paranormais ao seu redor. Mas, por outras vezes, podem ser instigantes. Trazendo novos interesses, realizações súbitas sobre assuntos que antes fugiam ao seu entendimento e mudanças emocionais. De qualquer forma, é no oferecer de testes e provocações que eles analisam qual é a índole tanto de quem está batendo a porta deles quanto de quem eles procuram, nos dando uma prévia das suas próprias naturezas e jeitos de agir. O esforço e a dedicação do praticante em os entender e juntar todas as peças, então, se tornando parte importante tanto do processo quanto para o entendimento das suas mensagens como um todo.

Afinal, esforço é algo que faz parte intrínseca do caminho com eles. Sem que, no entanto, nos seja oferecido algo impossível de ser lidado ou decifrado. Conscientes dos recursos que cada pessoa que os buscam tem, eles fazem com que nos esforcemos, mas nunca nos dão algo para além das nossas próprias capacidades. Alguns exigem mais do que outros, é verdade, mas as coisas sempre se adaptam a cada caso. E não, eles não irão pedir sua alma, seu primogênito e nem recursos materiais além da sua realidade. O que é exigido é comprometimento pessoal, e que isso fique bem claro.

Oráculos, como já citado, são os nossos faróis em meio ao caos. E sempre manter anotadas todas as nossas experiências nos ajuda a formar uma consciência mais detalhada e precisa sobre o que acontece ao nosso redor. Então, nunca descuide das suas anotações e tenha consigo métodos oraculares para conseguir te ajudar em sua jornada, como este aqui.

Até mais!

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Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Primeiros passos – Sobre apadrinhamentos

Fonte: Arquivo pessoal

Dando continuidade a nossa conversa sobre Guias dentro da Mão Esquerda, cujos primeiros textos você pode ler aqui e aqui, hoje abordaremos os apadrinhamentos. Tendo em vista qual é a natureza do relacionamento que existe dentro da Via Sinistrae entre nós e as figuras espirituais que fazem parte de sua Corrente, temos nos apadrinhamentos os elos mais duradouros e profundos do Caminho. E, se você transita por meios de Esquerda, muito provavelmente você já ouviu sobre o tema em alguém dizendo algo sobre daemons ocupando o posto de patronos, matronas, guias ou guardiões de certas pessoas.

O conceito, naturalmente, pode despertar muita curiosidade. Afinal, é uma união interessante de palavras. A maioria de nós cresceu com a visão cristã sobre demônios, e sobre como eles são figuras apenas negativas. Ouvir que outras crenças podem ter visões diferentes sobre seres que antes pensávamos serem apenas nocivos a vida humana, com esses espíritos até mesmo atuando como guardiões e guias de alguém, é naturalmente instigante.

Em primeiro lugar, é bom separar os termos. Afinal, existe uma diferença entre daemons e demônios cristãos. Daemon é, em si, uma palavra em latim que se origina do grego daímôn, que é de onde temos demônio. Mas, muito longe de se referir aos conceitos cristãos, daemons eram espíritos de índole neutra e flexível que poderiam estar associados a natureza ou a certas facetas do temperamento humano, fazendo a ponte e a intermediação entre nós e o espiritual. Foi apenas com os processos de dominação cristã que a Igreja pegou o termo para dar a ele conotações negativas, transformando todos os espíritos, seres e divindades de quaisquer culturas e religiões externas a si como os demônios da sua própria mitologia. Muitos dos daemons da Goetia, por exemplo, nada mais são do que versões demonizadas de entidades e divindades de culturas pagãs mais antigas.

Então quando se fala, na Mão Esquerda, sobre esses seres, existe uma preferência natural por se usar o termo daemon como uma forma de demarcar essa diferença e dizer que não trabalhamos dentro da lógica cristã que foi imputada a eles. Muitos podem ainda usar a palavra demônio mesmo, claro, mas mais por vício de linguagem e costume. Aqui, nosso raciocínio é sempre distinto do cristão.

Em segundo lugar, é bom nos orientarmos sobre o local de onde estão vindo os conceitos que discutimos. E, no caso, aqueles que mais irão falar sobre este tipo de relacionamento com os daemons são satanistas teístas e demonólatras. Não apenas num sentido de que esses espíritos os protegem, mas no sentido de um apadrinhamento espiritual mais profundo para seus desenvolvimentos na Corrente. Em seu livro The Complete Book of Demonolatry, S. Connolly nos fala um pouco mais sobre o tópico (p.19):

“Each practitioner of Demonolatry chooses what is known as a
‘counterpart’ Demon, or a Demon that defines or identifies with the
attributes of the practitioner. This becomes the individual’s matron or
patron deity (depending on gender association). All Demons become
secondary to this particular Demon. For those practitioners who border on
what might be called theistic Satanism, this Demon may or may not be
Satan. In Demonolatry, Satan is the “fifth element,” or the source of all
other energies. In other words, Satan is the Whole and every other Demon
is simply a part of the whole. Each person, animal, plant, and thing that
exists in nature is a part of the whole [the divine] as well. Because of this,
there are no Demons more “powerful” than others.”

“Cada praticante da Demonolatria escolhe o que é conhecido como sua
‘contraparte’ demoníaca, um demônio que o define ou um demônio que se identifica com os
atributos do praticante. Este demônio se torna a matrona do indivíduo, ou sua
divindade padroeira (dependendo da associação de gênero). Todos os demônios se tornam
secundários a este demônio em particular. Para aqueles praticantes que são próximos com
o que pode ser chamado de satanismo teísta, este demônio pode ou não ser
Satã. Na Demonolatria, Satã é o “quinto elemento”, ou a fonte de todas as
outras energias. Em outras palavras, Satã é o Todo e todos os outros demônios
são simplesmente uma parte deste todo. Cada pessoa, animal, planta e coisa que
existe na natureza é uma parte do todo [o divino] também. Devido a isto,
não há demônios mais “poderosos” do que outros.”

Em seu texto, S. Connolly aborda como, ao longo da trajetória espiritual dos demonólatras, o apadrinhamento entre seres humanos e daemons acontece. E estes espíritos, se colocando como padrinhos de seus escolhidos, são seus maiores guias e professores ao longo de suas jornadas. A relação se pauta em muito respeito, garantindo ao apadrinhado auto conhecimento, crescimento pessoal, proteção e força em sua jornada rumo ao desenvolvimento da sua própria natureza divina interna. Afinal, como a autora deixa claro, a demonolatria defende o auto empoderamento e a liberdade pessoal, assim como o crescimento espiritual de seus praticantes. Com cada um deles descobrindo o próprio propósito, e sua própria natureza divina dentro da Corrente do Adversário.

E como um processo, parte do desenvolvimento espiritual dentro da religião que a demonolatria é, o apadrinhamento não é algo que nasce com o praticante. É algo que é elaborado passo a passo, conforme o praticante se aprofunda em seu caminho. Existe todo um processo de pesquisa, estudo e treinamento envolvidos até que se ache o padrinho ou madrinha de alguém. O demonólatra se apresentará e trabalhará com diversos daemons até que o relacionamento com um deles se firme mais do que com os outros. E isso é algo importante de se ressaltar aqui, é um relacionamento. E, como em qualquer relacionamento, as coisas não se desenvolvem do dia para a noite mas sim com o tempo. O seu melhor amigo não virou o seu melhor amigo do nada, não foi? Vocês tiveram uma história juntos. Da mesma exata forma, se você é casado, você não se casou em cinco minutos. Você não chegou para o seu marido, ou esposa, no dia em que vocês se conheceram e já se apresentou num “oi, meu nome é fulano e eu quero casar com você”. Presume-se que primeiro vocês se conheceram, ficaram amigos, depois começaram a namorar e por aí vai.

Qualquer relacionamento entre seres humanos e figuras espirituais segue o mesmo princípio. Se você escuta falar de um daemon e se interessa por ele a primeira coisa que você fará será pesquisar sobre ele. Você estudará todas as fontes que puder achar e se preparará, através do estudo, para tentar um primeiro contato. Então, é como conhecer uma nova pessoa. Vocês podem se dar bem logo de cara, podem precisar de um tempo até se entenderem perfeitamente ou podem não se dar bem de forma alguma. É o andar da carruagem que vai dizer.

E estes relacionamentos se firmam para o desenvolvimento espiritual do praticante. Para que ele aprenda e se desenvolva através das provas, testes e do trabalho do seu próprio caminho. Tendo, ao seu lado, um guia no qual confiar. Que o equilibrará, o ajudará, o ensinará, o protegerá e também o instigará através de provações a estar sempre em movimento, sempre avançando, nunca ficando por tempo demais na zona de conforto. Afinal, como já falamos, a atuação de um Guia na Via Sinistrae se dá através da sua natureza adversarial.

Dentro da demonolatria, o processo de achar o daemon certo para esse papel pode levar anos e não é algo para ser feito levianamente, existindo um ritual apropriado de dedicação a se fazer para firmar o apadrinhamento de forma correta. Isso não impedirá que o praticante tenha outros mentores ao longo da sua jornada, mas colocará seu patrono como seu principal professor e disciplinador ao longo da vida.

Dentro do satanismo teísta, ou tradicional, se vê a mesma coisa. Já ouvi de praticantes específicos que Satã, como figura principal, que os designou seu patrono/guardião. Não mudando, nisso, todo processo de estudo, esforço e dedicação envolvidos no processo. Afinal, não é como ganhar uma vantagem mas sim como receber uma responsabilidade. Consigo mesmo, com sua própria evolução e desenvolvimento em seu caminho espiritual, e com o daemon em si.

Afinal, como continuamente ressalto, os guias espirituais que possuímos dentro da Mão Esquerda não são como os que temos na Mão Direita. Ainda mais se falamos de daemons, que não são figuras espirituais que são simples ou fáceis de se lidar. Cada daemon é um universo a ser explorado. Eles são complexos, intensos, e desafiadores. Definitivamente não são todas as pessoas que se dão bem com eles. Com suas contrariedades, com suas provocações, e com os confrontos que eles invariavelmente colocam na vida daqueles que lidam com eles. Estes seres sabem jogar como poucos sabem. São forças selvagens e indomáveis que existem muito antes da humanidade pensar em se formar. Eles são manifestações brutas de uma energia que nunca será domesticada. São faces do Adversário. Assim como devem se tornar aqueles que com eles se alinham.

Agora, respondendo duas dúvidas que eu já ouvi muito:

Eu ouvi sobre descobrir meu daemon patrono/guardião através da minha data de nascimento. Isso existe?

Dentro dos estudos da Kabbalah nos deparamos com o Shemhamphorasch, o conjunto dos 72 nomes de Deus. Tendo três letras cada, eles se formam a partir dos desdobramentos do Tetragrammaton (YHVH) em 72 partes. Estes nomes se derivam dos versículos 19, 20 e 21 do Capítulo 14 do Êxodo. E, em sua original escrita hebraica, cada um destes versículos possui 72 letras. Se originando destes nomes possuímos 72 anjos e, posteriormente, a eles foram associados cada um dos 72 daemons da Goetia como suas contrapartes. Existe sim a aplicação destes anjos, e de suas contrapartes, aos dias do ano. Assim como existe esta aplicação de regência aos signos do zodíaco, as estações do ano e por aí vai. Isso significa especificamente que o anjo ou daemon do dia do seu nascimento é o seu anjo/daemon da guarda ou um patrono seu? Não. O máximo que podemos falar aqui é que, pela afinidade energética do dia, talvez você tenha uma facilidade maior para se aproximar dessas entidades. Mas o fato de um anjo/daemon reger o dia no qual você nasceu não naturalmente os relaciona a você de nenhuma forma específica. Você pode tentar uma aproximação com eles se desejar e se tiver o estudo adequado para tal. Mas não é uma obrigação de forma alguma.

Eu ouvi que todos nós nascemos com um daemon guardião. Isso é verdade?”

Quando falamos daquilo com o qual nascemos falamos de hereditariedade e de heranças espirituais. Você sabe de onde vieram os seus antepassados? Quem eles foram, quais são seus países e culturas de origem e o que praticavam? Todos dons, habilidades, afinidades e características com as quais você nasceu vieram deles. Se você não veio de uma família que se relaciona ou se relacionava com este tipo de espíritos é muito difícil que você tenha um deles atrelado a você desde o seu nascimento. Nós só nascemos com aquilo que a nós é passado através dos nossos laços de sangue. Se você, ao longo da sua vida, se dedicar a Mão Esquerda quem sabe você não possa passar a sabedoria que você acumular ao longo dos anos aos seus filhos e netos? Você pode não ter recebido essa herança, mas nada te impede de ser o começo dela para as próximas gerações que virão.

Pense nisso e até mais!

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Primeiros passos – O Chamado dos Guias

Fonte: Acervo pessoal

No último texto do Guia, que você pode ler aqui, iniciamos o nosso diálogo sobre qual é o papel dos guias espirituais dentro da Mão Esquerda e como nos relacionamos com o divino e com forças espirituais neste caminho. Agora, tendo mais clareza sobre qual é natureza da dinâmica que aqui temos, vamos nos aprofundar um pouco mais na parte prática dela. Afinal, por quais motivos estabeleceríamos contato com as figuras da Mão Esquerda? Por qual motivo elas estabeleceriam contato conosco? Com o fator da adoração sendo totalmente excluído, o que podemos esperar delas e o que elas esperam de nós? Existe algum preço a ser pago?

Em primeiro lugar lembre-se que o caminho que trilhamos na Mão Esquerda, se não estamos em uma vertente ateísta, é um caminho profundamente espiritual. E, quando nos alinhamos a um caminho espiritual, qualquer que seja, os seres e energias deste caminho também se alinham a nós. Estando no catolicismo não seria estranho termos a presença de certos anjos e santos em nossas vidas. Ingressando para a Umbanda, igualmente, se é esperado que as entidades que fazem parte dela entrem em contato conosco. Afinal, estamos ali nos abrindo para aquele caminho e para tudo que ele contém.

E na Esquerda, como já falamos, nos alinhamos a Corrente do Adversário. Isso significa que as energias e seres para o qual nos abrimos ao contato nela são as pertencentes a sua vibração. O motivo pelo qual cada um de nós se abre a esse processo é profundamente pessoal mas é importante termos a clareza de que somos nós que nos abrimos para ele e nunca o oposto. Somos nós que saímos de onde estamos e vamos ao descampado que é a Mão Esquerda nos expormos as suas reveses e não ela que bate na nossa porta, domingo de manhã, perguntando se gostaríamos ou não de ouvir a palavra do Adversário. Afinal, essa postura é de outra vertente que nada tem em comum com o que aqui fazemos.

Aqui, entramos no caminho por vontade própria. Sabendo o que ele é. Sabendo o que ele propõe. E assumimos os nossos riscos a partir do exercício do nosso livre arbítrio. Pois existe algo dentro de nós que nos alinha a isso. Uma inquietação que nos provoca. Um desejo por algo que esteja além. Além das cercas de segurança. Além do convencional. Além daquilo que nos disseram e nos ensinaram. É de nós que parte o incomodo inicial. É do cerne dos nossos corações que partem os primeiros questionamentos. As insatisfações. Somos nós que nos opomos ao que temos em primeiro, é de dentro de nós que surge o desejo de nos separarmos daquilo que conhecemos para buscar algo diferente.

O primeiro adversário do nosso caminho somos nós mesmos, com nossas mentes questionadoras que não aceitam a primeira explicação, com nossos olhos desassossegados que reparam em mais do que deveriam, com nossas palavras revoltas e com a nossa sede insaciável por algo que ainda nem sabemos o que é. Somos nós que atravessamos longas distâncias até a Mão Esquerda, intencionalmente. Incendiando esse traço opositor dentro de nós mesmos. Desta forma, naturalmente a ela nos alinhando e nos abrindo para o contato de seres que desta forma, como nós, vibram. Afinal, energeticamente, opostos nunca se alinham. São os iguais que se agrupam. E aqueles que são como somos tem muito para ensinar sobre a nossa própria natureza.

“Isso quer dizer que eu me alinharia as figuras da Esquerda e elas se alinhariam a mim por afinidade?” Sim, precisamente. E isso não é uma exclusividade da Esquerda. Isso é algo com o qual você irá se deparar em qualquer caminho que seja. Vamos tomar o cenário pagão atual como exemplo por um momento. Dentro dele, presentemente, será muito comum acharmos pessoas que se devotam e tem a deusa Hécate como parte ativa das suas práticas. Ela, de fato, é uma deusa que dispensa palavras e introduções. E, como divindade, ela tanto representa como trás correntes e princípios específicos aos quais nós podemos estar ou não em conformidade.

Hécate representa e governa sobre espaços liminares. Ou seja, sobre tudo aquilo que está entre uma coisa e outra. Podemos nos referir a pontes, escadarias, portas e encruzilhadas quando falamos de locais físicos pois eles são exemplos daquilo que faz a ligação entre dois pontos ou lugares diferentes na matéria. Mas também podemos falar dos momentos confusos onde transicionamos de uma fase da nossa vida para outra. Podemos falar de estados de transe, alterações de consciência. De tudo que nos coloca como ponto de encontro entre planos. Ela representa nossa intuição, ela representa mudança, ela traz transformação. Por isso mesmo é comum que ela encontre pessoas quando essas estejam em momentos muito escuros de suas próprias vidas, porque ela é uma guia para aqueles que estejam entre estados e precisam fazer transições densas em segurança. Por isso ela é tão comum entre bruxas, aquelas que se colocam como encruzilhadas vivas entre mundos. E por isso ouvimos tanto que ela surge para novatos no paganismo, pois eles estão alterando suas jornadas espirituais.

Neste sentido, divindades não exatamente chamam pessoas mas sim são essas pessoas que estão, no momento, como participantes naturais dos princípios que essas divindades regem. Se você é um musicista, você está alinhado naturalmente com a força que Apolo representa. Um pescador já está em afinidade com Poseidon, sem precisar forçar nada. Um artífice, um ourives, já representa a ação de Hefesto no mundo. Desta forma, pense mais nesse alinhamento do que em ser, de alguma forma, escolhido por um princípio divino. Somos nós que nos posicionamos como integrantes do fluxo de determinadas forças por meio da forma como existimos e agimos, através das nossas aptidões e ações, revelando por elas qual energia manifestamos neste mundo.

Quem somos é o que nos traz para determinadas profissões, locais e jeitos de se viver a vida. Incluindo nisso a espiritualidade que professamos ou não. É natural que, entrando em um determinado caminho, se ele realmente ressoa conosco, entremos em contato com seres que representem e sejam coisas em comum conosco. Mesmo que não estejamos cientes disso ainda. Sendo eles, nesse caso, representantes daquilo que iremos desenvolver ou entrar em contato a respeito de nós mesmos.

Quem se alinha aos marginalizados? Quem partilha o dissabor daqueles que são colocados como vilões pelas suas famílias e sociedades apenas por serem diferentes? Por trazerem desconforto com seus questionamentos? Por não se encaixarem? Para onde vai o bode expiatório, expulso da sua comunidade como imundo, se não para os braços de Azazel, no meio do deserto? Quem recebe aquele que denuncia as estruturas abusivas e autoritárias ao redor de si, tentando democratizar um conhecimento que é tido como proibido e perigoso, se não os braços Lúcifer? Quem aceitaria sem julgamentos aquele que recebeu sobre si a projeção de todo o ódio e de todo medo das pessoas ao seu redor ao longo de toda sua vida além de Satã? O homem de preto se encontra na encruzilhada, estendendo a mão para todos aqueles que foram brutalizados por serem quem são. Pois existem caminhos para todos, não só para o que é tido como convencional.

Por isso também este caminho se coloca como um caminho de separação. Ninguém se cura e se desenvolve em meio ao que lhe rejeita. Sendo a Esquerda, em grande e vasta parte, aquela que dá espaço a esses que foram separados por não serem o que se esperava. Por não estarem dentro daquilo que é tido como desejável, como certo, como normativo. Que escapam como crianças perdidas, como frutos daquilo que é desprezado e odiado. Tendo como uma das suas funções principais restaurar o que foi arrancado de dentro destes: o senso saudável de eu. Por isso a lição não é sobre dobrar os joelhos mas sim aprender a estar de pé como aquilo que verdadeiramente se é.

Mas se coloca como de extrema importância estarmos cientes de que despertar para este caminho e para o andar com figuras opositórias, combativas e que representam o papel do antagonista não é fácil. Elas são, por natureza, desafiadoras da ordem. Representando tudo aquilo que é marginalizado e tido como tabu. E suas atuações se dão, portanto, através da destruição, do caos, das dificuldades e dos desafios. Afinal, elas personificam tudo que já foi, ao longo da história, considerado como indesejável e como adverso pela humanidade. Não só no sentido daquilo que a humanidade temeu por não poder controlar e por ser maior que si, como as forças destrutivas da natureza, mas também em tudo aquilo que ela vilanizou dentro de si mesma. Então se abrir para esse caminho é, á vista disso, se abrir ao hostil e ao que não é seguro.

“Mas então você está falando que se alinhar a Corrente do Adversário e se abrir ao contato das figuras que fazem parte dela é perigoso?” Sim. Eu estou. Mesmo para aqueles que se alinham naturalmente a ela. E isso sempre estará claro aqui. Mas não no sentido de dizer que é algo que não deve ser feito em hipótese alguma mas sim no de trazer a conscientização de que, se você o fizer, precisará ser mediante a uma grande responsabilidade pessoal. Visto que, como foi dito no texto anterior, você terá que se ser capaz de conduzir a si mesmo sozinho. Então saiba muito bem por qual motivo você gostaria de se alinhar a uma corrente energética como essa e se dispor ao contato dos seus seres e saiba que a responsabilidade é sua para o bem ou para o mal.

Pois, apesar da grande parte dos que estão nesta trilha serem os desgarrados e os selvagens, nem todos que assim o são por aqui andariam. Pois essa jornada exige níveis de transformação muito maiores do que a maioria das pessoas está disposta a sofrer, e por meios muito mais drásticos do que muitos poderiam optar. As figuras que temos na Esquerda, pela própria natureza do caminho, são figuras fortes e desafiadoras que tem sua atuação marcada pela sua postura adversarial. Elas destruirão tudo que somos, pedaço por pedaço, para que possamos nos reconstruir de volta em uma nova configuração.

Saiba disso. Realmente compreenda isso. No fundo da sua alma. Antes de querer começar qualquer processo por aqui. Pois entrar na Esquerda é se responsabilizar por si mesmo e nada do que você fará poderá ser por acidente. Conheça o seu desejo. Pois o preço não será a venda de uma hipotética alma mas sim se colocar ativamente no processo de uma forja. Onde deixamos totalmente de fora o foco em uma adoração externa para nos voltarmos a bruta transformação interna. Uma transformação por processos radicais, destrutivos e muitas vezes dolorosos. Onde o seu propósito deve ser forte o suficiente para sustentar a chama da alma através de tudo que ela passará.

Pois seus Guias irão te desmembrar. Eles irão dissolver tudo na sua vida, incluindo quem você é, para que então, apenas após isso, eles te ajudem a se solidificar novamente. Solve et Coagula. Nada unido pode ser sem que antes seja desmontado. V.I.T.R.I.O.L. Visita Interiora Terrae, Rectificando, Invenies Occultum Lapidem. É visitando o centro da Terra, o cerne de tudo que somos, vendo nossas verdadeiras fundações, retificando-nos, que encontraremos a Pedra Oculta, o nosso verdadeiro eu. Esta é a alquimia interna. O que tantos antes de nós nesta jornada chamaram de Verdadeira Obra. Mercúrio, enxofre e sal. Conheça o seu desejo.

Até mais!

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Métodos do Tarot – Descobrindo o Guia

Fonte: Arquivo pessoal

Tem um monte de coisas acontecendo ao seu redor, você sente que tem alguma figura espiritual chamando, mas não consegue descobrir quem é e do que se trata? Os dois métodos oraculares apresentados a seguir são para ajudar exatamente nesse tipo de situação. São dois jogos feitos com seis cartas cada e na mesma disposição, formando um pentagrama invertido cuja finalidade é trazer as informações que estão apenas no astral para cá, até nós, de forma que possamos decodificá-las. O primeiro tem como foco identificar o Guia ou figura espiritual em si, trazendo a tona suas características e como é sua energia em geral. O segundo foca em como essa energia nos afeta, pessoalmente. Em ambos temos as intenções e objetivos dessa figura para conosco. Então, se baseando no esquema ilustrado nas fotos a seguir, escolha um dos esquemas e os faça sem medo!

Descobrindo o Guia 1

Descobrindo o Guia 1:

  • Carta 1 – Testemunho Começando pela carta do Testemunho, na primeira posição deste jogo entramos em contato com as principais características do Guia que se apresenta. É uma presença feminina, masculina ou ambígua? Traz energias solares, noturnas ou ligadas ao submundo? É uma presença divina, infernal ou completamente outra coisa? Aqui os principais traços serão apresentados.
  • Carta 2 – Energia que transmite Aqui vemos qual é o tipo de energia que essa figura transmite. É uma energia leve ou densa? Essa energia inspira, deixando as pessoas sob sua influência mais criativas? Dá sorte, de forma que pequenas alegrias acompanhem quem a tem consigo? É uma energia fortemente sexual que aumenta a libido e o poder de atração de quem se alinha a ela ou é uma energia marcial que pode sobrecarregar quem não dê vazão a ela?
  • Carta 3 – Natureza Nesta posição vemos se estamos lidando com um trickster, de natureza astuta e mutável, ou se é uma figura mais séria, ligada as leis, por exemplo. Este Guia é uma figura extrovertida ou é mais reservado? Seria confiável ou não? Com quais elementos e temas costuma trabalhar? Ao que se alinha?
  • Carta 4 – Como se comunica Esse Guia gosta de se comunicar através de sonhos? Ele te chama a atenção através de diversas sincronicidades? Ou será que ele faz você receber do nada respostas através de outras pessoas?
  • Carta 5 – Aquilo que faz Aqui temos como é a parte prática da sua ação. Pode ser um Guia que acelera todos processos pelos quais você ainda deve passar, fazendo sua vida virar um completo caos por meses até tudo se resolver e você finalmente conseguir se catapultar pra frente. Pode ser um Guia que trabalha intensamente com o lado subjetivo e emocional daqueles que estão com ele, então esperar conteúdos relacionados surgirem para serem resolvidos é certo. Se é um trickster, espere os testes mais criativos pelos quais você já passou. Se é um Guia ligado a magia ou a necromancia, pode acreditar que ele te ensinará e beneficiará através dessas artes. Pode ser uma figura que destrói para depois reconstruir, que ensina através da luta e das dificuldades, ou uma figura mais suave que ensina através do cuidado e do carinho.
  • Carta 6 – Por qual motivo e com qual intenção Por fim, aqui entendemos por qual motivo este Guia está entrando em contato com você. E esses motivos podem ser os mais variados o possível. Da mesma forma das suas intenções. Analise essa posição com cuidado para ver se é algo interessante para você ou se é algo com o qual você seria capaz de lidar, levando em consideração tudo que você já viu sobre sua natureza e formas de atuação anteriormente.
Descobrindo o Guia 2

Descobrindo o Guia 2:

  • Carta 1 – Testemunho Aqui, assim como no primeiro jogo, começamos pela carta do Testemunho. Onde entramos em contato com as principais características do Guia que se apresenta. É uma presença feminina, masculina ou ambígua? Traz energias solares, noturnas ou ligadas ao submundo? É uma presença divina, infernal ou completamente outra coisa? Aqui os principais traços serão apresentados.
  • Carta 2 – Através de qual meio Na segunda posição temos os meios pelos quais esse Guia está entrando em contato com você. É através dos seus sonhos, da sua mediunidade? Ou será que é através de pequenas sincronicidades do seu dia a dia?
  • Carta 3 – De que forma Na terceira posição vemos de que forma ele está usando os meios que vimos na segunda carta. Se você viu que o Guia está usando seus sonhos como meio, aqui você verá como ele está se mostrando através deles. Se é através da sua mediunidade, talvez ele possa estar deixando ela mais aflorada. Se saíram as sincronicidades, aqui elas possam ser amigos seus do nada mencionando ou falando sobre esse Guia com você enquanto, ao mesmo tempo, você encontra livros ou outros materiais sobre ele e por aí vai.
  • Carta 4 – Causando o que Na quarta posição vemos o que essa aproximação tem causado. Os sonhos podem estar fazendo você ter noites de sono picadas, te deixando mais cansado. A sua mediunidade ser mais aflorada pode estar te dando zumbidos nos ouvidos aleatoriamente. Dentro das sincronicidades você pode estar tendo um influxo maior de pequenas sortes no seu dia a dia ou estar atraindo a presença de certos animais que são ligados a este Guia com mais facilidade. A proximidade com a energia dele pode estar te deixando mais sensível, pode estar aumentando a sua libido ou te sobrecarregando.
  • Carta 5 – Pra que Na quinta posição então vemos qual é a função deste contato. Este Guia está se aproximando desta forma para que você desenvolva alguma habilidade sua como, justamente, a mediunidade que ele vem mexendo? Ou é para te treinar em algum tipo de conhecimento que você precisa e que ele domina? Através desse contato você terá ajuda, bênçãos, evolução, proteção ou algum tipo de chocalhão pra te acordar pra vida? Talvez possa ser um espírito ligado a sua família, por exemplo, desejando iniciar algo com você relacionado a sua linhagem. Ou um daemon, interessado em te mostrar como trabalhar melhor com questões ligadas a sua regência através de algum acordo que você faça com ele e por aí vai. Aqui o foco é operacional.
  • Carta 6 – Com qual intenção Na sexta e última posição, por fim, desvendamos com quais intenções este Guia está propondo o que propõe. Aqui temos o sentimento que motiva sua aproximação. Este Guia pode sentir uma afeição genuína por você e, por isso, querer se colocar como um protetor. De uma forma mais fria e profissional, ele pode apenas ter percebido que você precisa de um professor em uma área que ele domina e quer oferecer ajuda. Ele pode achar que você está muito acomodado e, com alguma malícia, querer causar o caos para que você volte a se movimentar. Ao contrário, ele pode te achar muito caótico e querer oferecer ajuda para que você consiga se organizar ou, quem sabe, no exemplo do espírito ligado a sua família, ele pode estar fazendo sua proposta porque sente muito carinho por você e por aí vai também. Aqui desvendamos os motivos.

Apesar dos jogos terem sido feitos com oráculos de cartas em mente, você é livre para usar o tipo de oráculo que desejar. Desde que o conheça bem o suficiente para ir além do óbvio em cada uma das posições. Não tenha pressa para fazer a interpretação de nenhum destes jogos, ou de ambos se desejar fazer os dois. Anote tudo que sair. Faça suas pesquisas e, para tirar suas conclusões finais, não esqueça de levar sua intuição e o seu coração em conta!

Até mais!

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Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Resenha – Bruxaria Diabólica de Naamah Acharayim

Bruxaria Diabólica – Um Grimório de Feitiçaria Antinomiana de Naamah Acharayim – Fonte: Arquivo pessoal

Hoje a resenha será sobre uma das mais belas pérolas que temos no cenário da Mão Esquerda nacional, a Bruxaria Diabólica – Um Grimório de Feitiçaria Antinomiana de Naamah Acharayim. Um livro para todos aqueles que desejam se aventurar pelas veredas escuras da bruxaria como ela realmente é em sua essência: livre, selvagem e indomável.

Ficha Técnica

Autora: Naamah Acharayim

Editora: Manus Gloriae Editora

Idioma: Português

Páginas: 226

Ano: 2021

Sinopse do livro

A bruxaria em seu caráter mais visceral e transgressor, na qual o Diabo toma seu assento no centro do Sabá como o agente iniciador. A bruxaria como sendo a Arte Sem Nome, cujo ofício se manifesta na forma de feitiçaria. Adentre nos meandros mais primordiais e obscuros da feitiçaria, totalmente isento de designação moral, a bruxaria como uma árvore de muitas ramificações, cujas raízes se nutrem na escuridão inaudita. Ao longo de suas 226 páginas, são abordados temas como o uso de objetos diversos na feitiçaria, herbologia mística incluindo, além de uma introdução de caráter histórico, as artes dos venenos, iniciações, uso de sangue, necromancia, mundo onírico, a bruxaria como arte transgressora e diabólica, e muito mais! Os três últimos capítulos dão receitas prontas de feitiços, ainda que o intuito da obra seja deixar o leitor apto a caminhar com as próprias pernas, sendo assim, é um livro cujo conteúdo, lido com sabedoria e astúcia, fornecerá as bases para qualquer feitiço que se deseje realizar.

Resenha

Esse é um daqueles livros que você conhece de ouvir outras pessoas falarem sobre e, ao dar uma chance, não se arrepende. Foi o meu caso e, se você gostar do tema, será seu caso também. A escrita de Naamah nos faz sentir como se estivéssemos conversando com uma velha amiga que, página a página, nos ensina e nos guia através do caminho tortuoso da bruxaria. Inclusive, na introdução, ela já nos avisa desse viés dizendo de antemão que podemos ter uma sensação de “colcha de retalhos” ao lê-lo pelo fato do livro ser fruto do compilado de seus estudos e experiências ao longo de suas duas décadas de jornada. Entendi o motivo desta pontuação dela ao longo da obra, mas não acho que isso o desmereça de forma alguma ou o deixe tão colchinha de retalhos assim. É no sentir desse compartilhamento de anotações e vivências que sentimos proximidade com a autora e nos identificamos com ela, que não perde o caráter didático e objetivo, enquanto nos introduz num novo mundo pronto a ser explorado. A obra é muito gostosa de ler, super completa, e dá as bases ao qual se propõe.

Pontos Positivos

Eu indico esse livro de olhos fechados aos novatos e também aos mais experientes, visto que se lembrar das bases é algo essencial a todos, independente de onde estamos em nossas jornadas. Ele nos introduz tanto na parte histórica da prática quanto também ao que precisamos para dar nossas primeiros passos. Como montar um altar e um espaço ritualístico, como trabalhar com velas e diversos instrumentos assim como com óleos, tinturas, pós e ervas é ensinado tanto quanto o que precisamos para nos aventurar pelas veredas do mundo onírico e da necromancia. É um livro que possui sim algumas receitas, mas foca mais em ensinar você a construir as suas próprias, o que para mim é sempre um ponto extremamente positivo. Aqui não é sobre seguir, mas sobre construir seu próprio caminho, como deve ser.

Pontos Negativos

Vou dizer que os únicos pontos que eu posso citar de negativos ao longo da obra é ter desejado ter ainda mais dentro de alguns tópicos. Por exemplo, quando terminei o capítulo sobre feitiçaria verde e o ars veneficium fiquei com um claro gosto de querer ainda mais. Espero que a autora lance outros livros que mostrem mais do seu trabalho!

Acessibilidade: Ele está a venda tanto pela própria editora quanto pela Amazon. Para comprar diretamente com a Manus Gloriae é só entrar em contato com eles pelo ig @manusgloriaeeditora. Como se trata de uma editora nacional e independente eu reforço aqui o quanto é importante que, se tivermos a oportunidade, realmente incentivemos o excelente trabalho deles pagando justamente pela obra!

Até mais!

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Primeiros passos – Os Guias do Caminho

Fonte: Arquivo pessoal

A Mão Esquerda é um caminho de independência e de individualização por excelência, como vimos aqui. Sendo assim, qual é a relação que temos com o divino e com forças espirituais dentro dela? Para começar a refletir sobre essa questão eu iniciarei com as palavras de Michael W. Ford na sua Bíblia do Adversário, p. 71:

“Um Luciferiano é ciente de que ele ou ela está sozinho neste mundo, mas isso pode ser um pensamento reconfortante quando você considera que é você quem pode tornar a vida boa ou má dependendo do Pensamento, da Palavra e da Ação. Os Luciferianos são interna e espiritualmente solitários para que possam iluminar a sua Luz Negra e a alegria e o êxtase de criar e destruir. Fisicamente, onde devemos ser cuidadosos ao definir nossa prática, é abordá-la no começo ou na fundação. Se você pensa ou no seu subconsciente acredita que está ‘respondendo a Satã’, então há questões de abordagem fundamentais que causarão um fracasso continuo.

Poderes demoníacos são poderes daemoníacos, eles mantêm a escuridão e a luz em tudo. Não há uma força absoluta, como isso devoraria completamente a si mesmo pela extremidade de sua própria natureza. Razão, lembra? Somente um cristão se aproximaria de Satã ou de Lúcifer como se eles fossem divindades cristãs. Os Luciferianos não permitiriam isso, pois seria uma auto degradação se curvarem diante de algo a mais. Se os Luciferianos exaltam Lúcifer, Ahriman ou Lilith, isso é feito a partir de uma perspectiva de auto amor e auto deificação.”

Apesar de suas palavras virem especificamente do ponto de vista luciferiano, elas conseguem expressar algo vital dentro da jornada da Via Sinistrae: o leme do navio da sua vida está nas suas mãos. E é você que tem que conduzi-lo, por si próprio. É você que escolhe para qual direção ir, como ir, e onde você quer chegar. O plano da sua vida não pertence a nenhuma divindade a não ser a você mesmo. E, se você não está satisfeito com alguma coisa ou quer alguma mudança, é você que tem que se levantar e lutar por ela. Você tem que se responsabilizar por você mesmo. Tomar o mérito do seu sucesso em suas mãos, assim como assumir a dor das suas derrotas. Ninguém deveria, e nem vai, pegar você pela mão aqui. É você que deve aprender a como se conduzir.

Isso vale para os praticantes ateístas da Mão Esquerda tanto quanto, ou até muito mais, aos praticantes teístas dentro dela. Afinal, como uma Via possuidora de muitos braços distintos, nem todo mundo é ateísta por aqui. E esse ponto se faz notar demais justamente no caminhar de quem não o é. Pois os Guias da Mão Esquerda não conduzem os seus pupilos como os Guias da Direita o fazem, pela própria natureza distinta de ambas as Vias.

A Mão Direita tem seu foco na prática da entrega. Nela nos entregamos ao outro, a nossa comunidade, ao bem comum e ao que julgamos ser o grande princípio divino de onde todas as coisas vem. Ela nos coloca na posição do servir e, dentro dela, aprendemos a não ver só pela nossa própria perspectiva mas sempre pelo bem maior. Se levada ao extremo, sem equilíbrio, ela pode anular completamente o eu. Quando existimos apenas pelos outros, abrindo total mão de nós mesmos e nos reduzindo a um local de nenhuma importância. Nesse extremo, nos escravizamos.

A Mão Esquerda, sendo a direção oposta, tem seu foco na prática da individualização. Nos voltamos a nós mesmos, a quem realmente somos, independentemente de nossas comunidades, e ao que nos fortalece particularmente. Aqui ficamos na posição da valorização pessoal e da independência, onde aprendemos a sermos soberanos de nós mesmos. Se levado ao extremo, sem equilíbrio, ela pode nos levar ao egoísmo, onde colocamos o outro no local de nenhuma importância. Nesse extremo, nos isolamos. Assim, ambas as duas Vias devem ser trilhadas de forma ponderada, sensata e responsável. Mas serão muito diferentes em suas abordagens e caminhos. Afinal, são aprendizados distintos.

Enquanto os Guias da Via Dexterae ensinarão você a confiar, a se entregar, a olhar para além de si mesmo, os Guias da via Sinistrae irão te ensinar a discernir, a questionar, a olhar para si mesmo e a andar com as suas próprias pernas. Eles estarão no seu caminho para te ensinar a ser independente e não a depender deles. A enfrentar as coisas por si mesmo, e não a se esconder atrás do poder deles. E a caminhar por si mesmo, fazendo suas próprias escolhas, sem que eles precisem te dizer o tempo todo o que fazer e para onde ir. Eles estarão lá para te ajudar a descobrir quem você realmente é no seu âmago, para que você possa assumir isso ao mundo com confiança, tomando o seu destino nas suas próprias mãos ao invés de entregá-lo aos outros.

Por isso mesmo, eles não irão exigir de você servidão ou adoração mas sim respeito, constante estudo, aprendizado, e disposição para enfrentar e vencer desafios. Como professores severos, eles não vão fazer tudo por você mas sim te mostrar possibilidades e te testar através delas. E essa abordagem é, na maioria das vezes, naturalmente diferente daquela que aprendemos a ter com figuras divinas e espirituais em nossas vidas.

Em solo brasileiro, a maior parte de nós vem de uma criação e de uma mentalidade cristãs onde o dobrar dos nossos joelhos é a única postura correta a se ter perante aquilo que está para além de nós. Não nos é ensinado qualquer outra postura ou concepção. Então, mesmo quando saímos das igrejas e daquilo que nos foi ensinado, a falta de outros parâmetros pode fazer com que só troquemos o nome do deus cristão por outros nomes sem mudar nossa postura perante essas figuras. E é isso que aqui precisa ser o foco da mudança. Não tente caminhar pela Esquerda com os mesmos sapatos feitos para a estrada da Direita. Eles não irão ter nenhuma real serventia aqui.

A primeira mudança deve ser interna. Deve ser a compreensão clara daquilo que a Via Sinistrae realmente é e, com isso, de como ela funciona. Para que você não esteja nela como um adorador mas sim como um indivíduo independente pelo seu próprio direito e poder.

E olha, o relacionamento que temos entre nós e aqueles que nos guiam na Esquerda não é menos intenso, íntimo ou respeitoso por não ser pautado no servir e no adorar. Na verdade, sinto muito ser exatamente o oposto. Quando o que é esperado de nós é mais do que só obedecer tudo se torna muito mais complexo e muito mais profundo. A partir do momento em que nos colocamos como a principal figura ativa na criação dos nossos caminhos ao invés de apenas nos deixarmos ser conduzidos isso passa a exigir muito mais força, mais dedicação, mais estudo e mais esperteza do que jamais nos foi exigido antes. Aprender a andar com as nossas próprias pernas sempre é mais difícil do que entregar o nosso caminho para que outras forças dirijam as coisas no nosso lugar. Assim, aqueles irão nos ajudar a aprender isso não o farão nos carregando no colo, mas exigindo maturidade e responsabilidade da nossa parte.

Eu vejo muito a diferença entre a postura dos nossos guias na Via Dexterae e na Sinistrae como a diferença na abordagem que nossos pais ou cuidadores tem conosco na nossa infância e no começo da nossa vida adulta. Na Direita somos muito como crianças, confiando com toda pureza do nosso coração naqueles que cuidam de nós. Os procurando para nos proteger, nos ensinar e para prover nossas necessidades. Na Esquerda esses cuidadores já nos veem como figuras adultas, com discernimento e capacidade para começar a dar os nossos primeiros passos sozinhos.

Podemos ainda precisar de apoio e de orientação, mas não da mesma forma de como quando éramos apenas crianças e totalmente dependente deles. Já temos as nossas próprias ideias, gostos e personalidades aqui. E o suporte que precisamos, justamente por isso, não é mais o mesmo suporte de antes mas um novo, focado nas novas demandas que agora temos dando os primeiros passos da nossa vida adulta. Não é mais necessário que alguém nos ajude a comer colocando uma colherzinha na nossa boca, mas é muito útil, por exemplo, ter ajuda para declarar o imposto de renda pela primeira vez.

Claramente, essa é só uma alegoria, mas creio que passe a ideia. Na Esquerda, uma nova maturidade é desenvolvida em nós. E a relação que o espiritual terá conosco, nos vendo como figuras responsáveis, não será a mesma de quando nos colocávamos como inocentes e como submissos. Independentemente se o seu caminho te levar a figuras infernais como Lúcifer ou Lilith ou a divindades ligadas ao submundo e a magia, todas elas esperarão que você tenha responsabilidade para com elas, para consigo mesmo e para com o seu caminho. Afinal, você não é mais uma criança dependente mas sim um adulto criando o próprio caminho. Escolha muito bem as alianças que você formará ao longo da sua jornada pela Mão Esquerda, sempre tendo em vista para onde você deseja ir e quem você quer se tornar a longo prazo. Afinal, sempre nos tornamos tal qual aqueles com os quais nos aliamos.

Até mais!

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Uma estrutura básica para rituais

Fonte: Arquivo pessoal

Ricos em simbologia e diversos em seus propósitos, os rituais são parte viva e integrante da prática das mais diversas vertentes, ordens, tradições e religiões. Neste contexto, eles são cerimônias onde se atribuem significados específicos a gestos, atos, fórmulas e símbolos com a intenção de se produzir determinados efeitos e resultados, ligando o seu praticante a expressão de espiritualidade que este professa.

Como sistemas de atividades organizadas, rituais tem sempre uma estrutura certa a ser seguida. Envolvendo ritos, etiquetas, regras, normas, costumes e estilos distintos dependendo da vertente e da cultura onde eles se encontram. Aqui no Guia darei uma estrutura básica e neutra que pode ser usada por praticantes da Mão Esquerda. A veja como um esqueleto, onde você poderá a ter como base para a organização da sua prática pessoal. Vamos lá?

1 – O estabelecimento do propósito

Todo ritual tem uma função específica. Seja celebrar alguma data ou período, entrar em contato com espíritos ou mesmo atrair ou repelir certas energias ou situações da vida daquele que o pratica, a finalidade é a primeira coisa a ser estabelecida. Saiba o que você deseja fazer e o por quê.

2 – A escolha do momento adequado

Sabendo o que exatamente você deseja fazer e por quais motivos, o próximo passo é escolher o melhor momento. Escolha sempre o período do ano, a fase da lua, o dia da semana e o horário mais adequados ao que você deseja fazer. Deseja fazer um ritual para atrair mais prosperidade a sua vida? Que tal uma noite de lua crescente num horário de Júpiter? Ou em um dia de domingo, em um horário de Mercúrio? Deseja causar prejuízos e doenças na vida de alguém? Você pode tentar a noite de uma terça, numa lua minguante, em um horário de Saturno. Deseja manipular uma situação ou alguém? Tente em um dia da Lua, em um horário de Mercúrio. Quer comungar com seus ancestrais? O Dia de Finados pode ser uma excelente data. Solstícios e equinócios tem, cada um deles, suas possibilidades. Assim como momentos astrológicos específicos. Se programe com antecedência e com intencionalidade.

4 – A organização

Na data escolhida, algumas horas antes, comece a organizar o espaço onde o ritual será realizado. O limpe fisicamente, dispondo nele todos os utensílios que serão utilizados. Vai usar ervas, velas, óleos, pantáculos? Já os separe. Vai vestir alguma túnica específica? Já deixe ela pronta. Todos os materiais e instrumentos do ritual devem ser adquiridos ou feitos com antecedência, estando separados e prontos a sua disposição.

3 – A purificação

Com tudo já devidamente arranjado, faça a purificação do local e de si mesmo. Faça a defumação adequada no ambiente, tome um banho simples ou um com as ervas mais apropriadas ao seu propósito. Se for usar alguma vestimenta específica, a coloque após seu banho.

5 – O Círculo

Com tudo devidamente pronto, no horário escolhido, comece então a fazer o Círculo adequado a sua operação. Pode, inclusive, ser o Círculo básico de Mão Esquerda disponibilizado aqui no Guia.

6 – O cerne do trabalho

Aqui é onde o trabalho de fato será feito. Comungue com as forças que você escolheu. Faça a sua magia viver. Lance as suas intenções e decrete os seus desígnios.

7- A despedida e o encerramento

Ao final do trabalho, agradeça e despeça as energias e seres convidados adequadamente. Desfaça o Círculo e encerre sua ritualística.

9 – O aterramento

Um ritual performado de forma adequada ergue e manipula uma grande soma de energias. É importante que, ao final de cada um, possamos nos desconectar de forma saudável deles, voltando nossa consciência ao mundano novamente. Para isso, o aterramento é essencial. Na estrutura do Círculo básico já temos bons exemplos a serem feitos então não deixe de os fazer.

8 – A limpeza

No final de uma ritualística, além do aterramento, é importante purificar o ambiente energeticamente mais uma vez e, em seguida, organizar novamente as coisas. Guarde o que precisar ser guardado, limpe fisicamente o que precisar o ser e arrume novamente as coisas.

10 – O registro

Fez o aterramento, limpou e organizou as coisas novamente? Descanse um pouco e faça o registro do seu ritual. Escreva todos os detalhes dele, o que você sentiu e a experiência que você teve. Anote também os efeitos e resultados que você sentir ou não nos próximos dias. Isso será muito importante para que você possa, aos poucos, saber com qual tipo de operação você consegue ter mais sucesso e aquelas que não dão tão certo assim para você. Com o tempo, através da observação e dos registros dos nossos erros e acertos é que refinamos as nossas práticas.

Nestes dez passos temos uma base simples, organizada e funcional para realizarmos uma verdadeira infinidade de ritualísticas. Podemos a usar para realizar desde rituais com objetivos mais básicos até para a adaptação de cerimoniais mais complexos como os da Goetia, por exemplo.

Em seu esqueleto operatório, a Goetia também inicia com o estabelecimento do propósito. O que você deseja e por qual motivo você deseja? Tendo seu intento claro em sua mente você então consultará, entre os 72 daemons, qual seria o mais indicado ao seu objetivo. Após a escolha entra o período de pesquisa mais aprofundada sobre o daemon em questão. Onde pesquisamos sua história, de qual cultura ele se origina, quais são suas correspondências (hierarquia, elemento, metal, cor, incenso, planeta, direção e etc), o que cada uma delas significa e o que elas dizem sobre sua natureza, em quais livros e obras ele aparece, vemos relatos de outras pessoas que já lidaram com este daemon antes e todo o mais possível. Isso ajudará não só na preparação mas a termos certeza de que o daemon escolhido é, de fato, o mais adequado para o que temos em mente.

Depois desse período de pesquisa o estabelecimento do momento adequado também é importante. As fases da lua, por exemplo, são destacadas como essenciais para o sucesso de uma operação goetica. Após a escolha do dia e da hora, entramos na preparação dos materiais, que são diversos. Com todos eles feitos (preferencialmente) ou adquiridos, entramos na organização e na purificação de nossos corpos e do ambiente como preparações para o rito. Então temos o estabelecimento do Circulo e o convite ao daemon escolhido. O cerne do trabalho aqui será o próprio contato com o daemon em si. Onde ele pode aceitar, negar ou negociar com você a realização do objetivo que você tem em mente. Com isso feito, temos a despedida do espírito e o encerramento do ritual. Onde o aterramento, a limpeza e o registro da sua experiência também são essenciais.

Então estude bastante e seja sempre criativo! Até mais.

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A Corrente do Adversário

Páginas do livro A Bíblia do Adversário de Michael W. Ford com ilustração do artista Jose Gabriel Sabogal e carta Ás de Paus do Goetia – Tarot in Darkness de Fabio Listrani – Acervo Pessoal

Independentemente de onde você se alinhe dentro da Mão Esquerda uma coisa é certa: todos aqueles que trilham a Via Sinistrae a trilham pela Corrente do Adversário.

Mas o que isso significaria, exatamente?

Quando buscamos pelas definições básicas que temos em nossos dicionários vemos que adversário é aquele que é contra algo ou alguém. É a figura do antagonista. Aquele que entra em combate contra algo, que é capaz de se opor e que ocupa o posto do rival. Através das histórias e mitologias do mundo sempre encontramos pelo menos uma figura a carregar esse posto. Se marcando pela sua insatisfação e rebeldia, o adversário caracteristicamente vai contra as normas, sendo um desafiador da ordem e aquele que traz a força opositora, os desafios e as dificuldades. Sem ele, não temos movimento e nem sequer evolução pois ele está sempre no cerne do motivo pelos quais as coisas são retiradas de seus lugares, questionadas, testadas e por fim transformadas.

O adversário não precisa necessariamente ser uma figura vilanesca. Mas ele geralmente é enquadrado como por trazer incômodos a tona. É comum que ele traga e represente tabus, figuras marginalizadas, temas delicados e coisas que as pessoas tem dificuldade para lidar. A existência dele obriga as figuras ao seu redor a se mexerem e a encarem coisas que elas não gostariam, fazendo mudanças que de outra forma elas não fariam, revendo seus conceitos para que exista um crescimento para além da zona de conforto. Assim, a figura do adversário sempre é desagradável e sempre traz desconforto. Por mais que esse desconforto tenha, em si, uma função fundamental no andar das narrativas em que ele se encontra.

Como vimos dentro da própria definição do que é a Mão Esquerda, é nela que entramos em contato com essas forças de oposição. Pois é nela que saímos daquilo que é tido como seguro, socialmente estabelecido e aceitável para lidar com as nossas próprias sombras, medos, preconceitos e defeitos. Lidar com a nossa própria escuridão interior, com nossos traumas e processos de auto sabotagem nunca é fácil. Assim como não o é se abrir para questionar o mundo ao nosso redor, formulando nossa própria visão independente, mesmo que isso signifique destoar dos demais. O caminho da Esquerda sempre é o caminho da separação e do antagonismo. E isso, por definição, nunca é fácil.

Se alinhar a Corrente do Adversário é se alinhar a energia de oposição e de inconformidade do universo. E a responsabilidade que trilhar esse caminho impõe é alta. Nele, sempre temos que lidar com obstáculos, com resistências, com dificuldades. Avançar onde cada passo se dá através do questionamento e do enfrentamento é solitário e, muitas vezes, ingrato. O exercício de escolher com maturidade em quais batalhas entramos e, principalmente, em como nelas entramos é constante. Afinal, o dom do Adversário não flui através de nós para sermos rebeldes apenas pelo ato de se rebelar em si, sem nenhum propósito maior, mas sim para sermos a força que expõe o que é mentira, que denuncia a hipocrisia, que rasga o véu das ilusões e do caos e que traz evolução através da adversidade.

Colocando o dedo nas piores feridas. Denunciando as desigualdades. Se levantando para lutar contra preconceitos, para ser a voz daqueles que não podem se defender, jamais batendo naqueles que estão abaixo mas sim cuspindo diretamente na face dos que estão acima. Tendo a coragem de dizer que o rei está nu, que ele é um imbecil, assim como todo o sistema que o mantém em sua posição. Desafiando toda autoridade. Sendo a voz mais irada e agressiva da razão.

A Corrente, como um caudaloso rio, flui através de cada ato daqueles que não se conformam. Através de cada palavra proferida pelas bocas daqueles que sabem fazer as perguntas certas. Através daqueles que se recusam a dar a outra face. Através daqueles cuja simples existência já é o suficiente para provocar rebuliço.

Não existe uma única figura adversária que seja a fonte desta Corrente. Seu fluir faz parte natural da vida. Ela passa por todos nós quando precisamos sair da inércia. Ela nos faz mudar. Nos desfazendo de quem fomos previamente para nos reconstruirmos em novos seres. Sem ela, nada iria para frente. Nada se transformaria. A adversidade é a mãe de todos os processos evolutivos do nosso universo. Ela está no gosto amargo em nossas bocas, na insatisfação que nos leva a luta, nas revoluções que tudo mudaram e na fúria do coração daqueles que, como dizemos, preferem reinar no inferno do que servir no céu. Suas diversas faces podem ser encontradas em todas as culturas do mundo. Nas figuras mitológicas de oposição, no grito dos grupos marginalizados, nas lutas sociais e nos bodes expiatórios de cada grupo e de cada família.

Vemos o brilho de suas águas turbulentas no olhar raivoso daqueles que são desumanizados simplesmente por serem quem são. Ouvimos seu murmúrio nas vozes que gritam por justiça e por mudança. E olhamos através delas quando nos permitimos enxergar quais processos demonizam certas figuras enquanto outras são louvadas.

Dentro dela, como é de se supor, não entramos em contato com figuras que carregam o posto e os atributos da Corrente (como Satã, Lúcifer, Azazel, Samael, Ahriman, Az, Lilith e muitos outros) com a mesma perspectiva do senso comum e sim como símbolos codificados da Corrente. E, se somos teístas, como manifestações puras da energia do Adversário que, se estudadas e decifradas corretamente, podem trazer conhecimentos e força para além das aparências.

Em nenhuma das diversas vertentes da Mão Esquerda se acredita na cosmologia cristã como os cristãos nela acreditam. O Adversário é uma força anticósmica, acasual, que age e se manifesta como os impulsos motivadores, inspiradores, desafiadores, destruidores e criativos dentro de cada ser humano e na natureza como um todo. Ele é a pulsão da Corrente que flui através de todos nós como o instinto primal de vencer as adversidades e evoluir. E, se alinhar a ele, é sair dos limites do status quo para a subversão que o altera. Nos levando adiante. Nos fazendo crescer, amadurecer e progredir.

Até mais!

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Primeiros passos – O estado de gnose

Fonte: Arquivo pessoal

Como já falamos em nosso texto introdutório sobre gnose, quando nos referimos ao estado de gnose nos referimos a estados alterados e não-duais de consciência que visam facilitar o nosso acesso ao plano espiritual, nos predispondo a termos nossas próprias vivências e experiências espirituais. As técnicas para se alcançar esse estado são inúmeras, não tendo uma só maneira correta ou mais certa que todas as outras. Existem as inibitórias, que visam o silenciamento da mente para a obtenção de foco (como as técnicas meditativas) e as excitatórias, onde entramos em transe por estímulos elevados ao nosso físico ou a nossa mente. Nisso, vamos desde métodos que vão exigir mais do corpo e do psicológico do praticante, sendo mais arriscadas, até as mais simples, feitas visando a realidade dos iniciantes.

Aqui, colocarei as que se encaixam aos que estão começando. Dando dois exemplos simples de métodos inibitórios e dois de métodos excitatórios. Afinal, o Guia é feito para ajudar justamente quem quer dar os primeiros passos! Vamos lá?

Método 1 – Contemplando uma fonte de fogo

Este método é perfeito para os piromaníacos de plantão. Sente-se em um local seguro e em uma posição que seja confortável e natural ao seu corpo. Coloque a sua frente, em uma altura adequada, uma vela acesa em suporte estável. Ou, se preferir, coloque fogo em um pequeno caldeirão ou panela que possua a devida resistência. Então, simplesmente admire as chamas. Faça-o até sentir que entrou em um ligeiro estado de transe, perdido em sua própria admiração.

Método 2 – Usando um mantra

Escolha um mantra de sua preferência e, de forma concentrada, o repita até que suas palavras comecem a perder o sentido para você. É nesse momento que a sua mente, suavemente, entrará em transe. Se desejar, use uma japamala ou um colar de contas para te ajudar!

Método 3 – Dançando

O método da dança serve também para demais atividades físicas. Aqui a lógica é colocar o corpo em movimento, em exercício, até você não estar pensando mais. Até você estar totalmente imerso em seu próprio movimento, apenas sentindo e não mais raciocinando. O estilo de dança, o tipo de música, o tipo de exercício, aí vai de você. Podemos ir desde a dança ao redor de uma fogueira ao som de cânticos pagãos até uma roda punk no meio do show da sua banda favorita. Apenas garanta que seja algo pelo qual você possa simplesmente se deixar levar, de uma forma positiva.

Método 4 – Se masturbando

O método mais clássico da classe caoísta. Se masturbe até o ponto do gozo. Sabe aquela sensação de “barato” que você tem nos segundos após gozar? É a “janela da gnose” deste método, o ponto de transe dela. Muito usado para carregar sigilos e dentro da magia sexual como um todo.

Viu como não precisa ser excessivamente complicado? Esses são exemplos simples, mas muito eficientes. Teste com calma e experimente até encontrar o que melhor funciona com você.

Até mais!

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Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

Resenha – A Bíblia do Adversário de Michael W. Ford

A Bíblia do Adversário de Michael W. Ford – Fonte: Arquivo pessoal

A resenha de hoje será sobre um dos maiores clássicos do luciferianismo: A Bíblia do Adversário de Michael W. Ford! Trataremos aqui especificamente da Adversarial Flame, a edição comemorativa do aniversário de dez anos da obra, pois é ela que temos traduzida e disponibilizada no mercado brasileiro oficialmente pelo trabalho primoroso da Editora Via Sestra.

Ficha Técnica

Autor: Michael W. Ford. Contando também com contribuições, ao longo do livro, de Hopemarie Ford e Frater Du’al-Karnain Siyah-Chal

Editora: Originalmente publicado pela Succubus Productions Publishing e nacionalmente pela Via Sestra

Idioma: Disponível em inglês, espanhol e português

Páginas: 384

Ano: 2017

Sinopse do livro

A Bíblia do Adversário, Adversarial Flame – Edição do 10º Aniversário é tanto uma introdução filosófica quanto um grimório de auto iniciação a Magia Luciferiana. Publicado originalmente em 2007, A Bíblia do Adversário forneceu uma unificação moderna e esclarecimento do poder do Caminho da Mão Esquerda e do Luciferianismo, reconhecendo o poder iniciatico do Adversário. A presente edição de aniversário, Adversarial Flame, apresenta um grimório completamente reeditado e expandido que começa com os 11 Pontos de Poder e os fundamentos filosóficos; guiando o leitor nas profundezas da escuridão e usando Vontade, Desejo e Crença, iluminando a Chama Negra ou Luz interior. Ilustrado por J.G.A. Sabogal (da edição em espanhol), Mitchell Nolte e Kitti Solymosi, a edição Adversarial Flame continuará a ser um guia para o Espírito Luciferiano e Adversarial nos próximos anos.
Características:

  • Filosofia do Luciferianismo desde os 11 Pontos de Poder até as Leis de Belial.
  • Tipos de Magia Luciferiana, incluindo Yatuk Dinoih (Feitiçaria Ahrimaniana Persa) e Therionick (Baixa Feitiçaria), Vampirismo e Apoteose (Alta Magia).
  • Símbolos e sigilos de Lúcifer, Satanás, Lilith, Samael e Lilith explicados.
  • Técnicas de fortalecimento da Mente via Meditação, Disciplina e Foco da Vontade.
  • Cerimônias e Rituais do Luciferianismo que focam na Libertação, Iluminação e Apoteose.
  • Cerimônias e “feriados” luciferianos, incluindo trabalhos de casamento, destruição e sepultamento.
  • Sigilos, Ilustrações e representações de Divindades Luciferianas e Arimânicas, Demônios e Energias Espirituais que são conhecidas como “Máscaras Deíficas” para as quais o Adepto Negro invoca e usa para aprimorar por meio de Liberação, Iluminação e Apoteose.

Resenha

Para quem quer conhecer mais sobre o luciferianismo desenvolvido por Ford, A Bíblia do Adversário é um excelente ponto de partida. Nela temos vários pontos já expostos em Apoteose sendo discorridos através de um maior volume de páginas, além de vários novos pontos que são apresentados de forma fascinante conforme vamos nos aprofundando em seus capítulos. Como um livro que pavimentou o caminho de seu nicho para que muita coisa viesse em sua sequência, é um livro essencial na biblioteca pessoal de todo luciferiano.

Pontos Positivos

Assim como eu pontuei na resenha de Apoteose, A Bíblia do Adversário também começa focando na parte filosófica do luciferianismo, o que eu acho sempre muito positivo. Aqui, mantemos a liberdade natural que Ford sempre coloca a vista dos seus leitores no fato de que ele nos dá as chaves mas deixa em nossas mãos decidir como exatamente iremos as usar. O que sempre é a minha parte favorita, e se torna ainda mais aqui. Pois muitas linhas diferentes são apresentadas como possibilidades ao leitor e vai de cada um escolher por qual vereda irá desenvolver a própria prática luciferiana. Como um bom adepto da Mão Esquerda, Ford não pega ninguém no colo dizendo quando e como fazer o que, mas expondo o raciocínio por detrás da sua linha de trabalho de forma que você possa usar dos mesmos pontos de partida para escolher ou criar a sua própria abordagem. Eu não o teria tanto como um livro cheio de “receitas de bolo” mas sim como um livro que, se devidamente usado, nos ajuda a construir nossa própria lógica. A parte prática do livro pode sim ajudar o leitor a ter suas primeiras experiências, a sentir como é o sabor da Corrente, mas são um princípio, uma base, e não um final. Até porque muitas coisas irão precisar de aprofundamento em outras obras do autor. Acredito que a melhor forma de se aproveitar esse livro é o retomar várias vezes conforme progredimos dentro dos nossos caminhos pessoais. Leia-o pela primeira vez, absorva de seu conteúdo o máximo que puder, e vá ter o seu próprio desenvolvimento. Depois de um tempo, já com alguma bagagem, pegue-o de novo. Você verá que irão ter novas coisas ali para serem absorvidas que antes, pela falta de experiência, você não notou. Novas ideias e percepções sempre estarão disponíveis entre as suas páginas.

Pontos Negativos

Se tratando de um livro tão bom e já tão bem estabelecido dentro dos meios de Mão Esquerda, os pontos negativos que citarei aqui são mais reflexões e opiniões pessoais do que algum desmerecer da obra, ok? Dito isso, assim como pontuei na minha resenha de Apoteose, acho o estilo de escrita de Ford pouco fluido num geral. Tornando seus textos obras para você ler um pouco por dia e não muitas páginas de uma vez só. Outro ponto negativo aqui é que a evolução dos temas é truncada. Temos muito conteúdo sendo desenvolvido de forma picada em pontos distintos. O que faz a obra ensimesmar em si própria, retomando questões repetidamente em uma espiral para dentro de si mesma, ao invés de seguir uma linha de apresentação de ideias, desenvolvimento e conclusões. Não sei se foi algo proposital ou não, talvez tenha sido, talvez não. De qualquer forma, você anda em círculos dentro do livro com vários de seus temas. E muitos deles acabam não sendo de fato aprofundados por mais do que poucos parágrafos de exposição, com o leitor recebendo a indicação de outros livros do mesmo autor para ir atrás se houver o desejo de realmente se informar mais sobre. O que para muitos pode ser frustrante.

A obra de Ford é extensa e bastante completa. Se você pegar os livros que ele indica para aprofundamento as informações realmente vão estar lá, belíssimas. Mas é desnecessário colocar tantas vezes num livro o “se você quiser mais informações sobre isso tem esse meu outro livro aqui”, sabe? Uma ou outra vez isso pode ser compreendido. Mas, depois da quinta vez, fica uma má impressão. E, se tratando de um autor tão experiente e com tanto conhecimento para oferecer, fica até mesmo impróprio. Ele pode ter utilizado disso para não se repetir muito, ou para não tornar o livro um tomo imenso, mas existem jeitos melhores de se evitar isso.

Fora esses pontos, minhas outras pontuações são bastante pessoais naquilo que eu concordo ou não com o autor. Acredito que muitas das críticas que ele tece com fundo social carecem de um horizonte mais ampliado, com recortes para além de só criticar o cristianismo e a “cultura das massas”. Mas esse é um problema que eu não vejo só nele como também no meio da Mão Esquerda num geral, como já disse em minha resenha de Apoteose. Não deixa de ser um livro bom por causa disso. claro. Mas simplifica, muitas vezes, temas sociais que na verdade são muito mais complexos.

Acessibilidade: A obra foi muito popularizada aqui no Brasil em sua edição original através de pdfs piratas que você ainda pode encontrar facilmente por aí. Arrisco dizer que foram esses pdfs que trouxeram popularidade ao Ford aqui no país, junto com os pdfs igualmente ilegais da primeira edição de Goetia Luciferiana. E esses foram, durante muitos anos, as únicas obras que muita gente por aqui teve acesso em relação ao trabalho dele, pelo resto nunca ter sido traduzido nem da forma muito duvidosa e capenga que os pdfs geralmente são. De forma que eu fico realmente muito feliz de ver esse e, finalmente, outros livros dele começarem a serem publicados aqui de forma oficial! Então já sabem, para aqueles que puderem comprar o livro físico, eu super indico mesmo a compra. É claro que os pdfs ainda estão por aí aos montes. Mas é um livro ótimo para se ter mesmo. Belíssimo nas suas ilustrações, bom no conteúdo, e essencial na biblioteca particular de todo praticante da Mão Esquerda, seja por qual vertente for.

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Até mais!

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