Como escolher seu primeiro baralho

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Uma das maiores dúvidas de quem está começando a se interessar por oráculos de cartas, principalmente em relação ao Tarot e ao Petit Lenormand, é como escolher um primeiro baralho. Afinal, existem tantas centenas de edições, temas e tipos diferentes por aí que podemos ficar perdidos. Pensando nisto, deixarei aqui algumas informações que podem ajudar tanto os novatos como até mesmo os mais experientes com as cartas.

Primeiramente, ouça sua intuição! 

O meu primeiro contato com um oráculo foi totalmente não planejado. Eu tinha saído para comprar alguns incensos e pedras numa loja que eu gostava muito e quando eu entrei nela meus olhos bateram instantaneamente numa prateleira cheia de diversos tipos de baralhos. Aquela loja nunca vendera oráculos antes, era algo novo. E uma caixinha vermelha fisgou minha atenção. Como a prateleira era no alto e eu não conseguia ver o que estava escrito nela, pedi a ajuda de um funcionário para pegá-la. Era um pequeno Petit Lenormand. Com autorização, abri a caixinha e dei uma olhada em cada uma das cartas. Algo naqueles desenhos me fascinou, me prendeu. Com um frio de felicidade na barriga saí da loja com aquele baralho na bolsa, indo tão logo quando pude para casa estudar o livreto que veio junto com ele, e buscar mais informações sobre como aquele oráculo funcionava.

Foi uma paixão a primeira vista que me introduziu ao mundo dos oráculos pela primeira vez. Tenho esse baralho até hoje e, apesar de hoje em dia minha coleção pessoal contar com muito mais tipos e exemplares diferentes de oráculos, ele continua sendo meu queridinho. E a ligação que eu tenho com ele continua sendo única.

A escolha de um baralho sempre será muito pessoal. O que chama a atenção de uma pessoa pode ser completamente ignorado por outra. Quando você pensa em ter um oráculo, do que você gosta? Quais são os tipos que mais te atraem, que mais chamam sua atenção? Você gosta dos tradicionais ou aqueles modernos com temas criativos tem um apelo mais forte para você? Quais temas de agradam, quais tem relação com as suas crenças? Tem algum em específico que chama muito a sua atenção? Já teve algum que só de você olhar imediatamente te cativou? Aprenda a ouvir o que você sente. Afinal, será muito importante que você goste da arte do baralho, dos desenhos, de como ele funciona, dele em si para que as interpretações venham de forma fluida e natural para você. Se atente a sua preferência e sensações.

Qual seu objetivo em querer um baralho?

O que você deseja fazer com ele? É apenas um interesse de estudo pessoal ou mais para frente você gostaria de atender pessoas? Você deseja usar as cartas para exercícios de meditação e propósitos criativos? Você quer algo mais sofisticado para usar em suas práticas com magia ou algo mais simples só para alguns exercícios privados? As respostas de todas essas perguntas podem te dar indicações de quais características práticas seria melhor buscar, como o tipo de arte, qualidade, tamanho, temas e durabilidade para achar o baralho que melhor se encaixaria naquilo que você pretende fazer.

Visite lojas e sites

Se possível, procure lojas e livrarias que tenham baralhos disponíveis. Procure endereços e vá até esses lugares. Se a loja permitir que você examine e manipule alguns baralhos de amostra melhor ainda. Quando você fica cara a cara com as cartas pode notar muito mais detalhes. Pode perceber que aquele baralho de que você tanto ouvir falar não é tudo isso pra você, e pode acabar tendo uma conexão muito forte com outros tipos que você antes nem sequer conhecia, como foi o meu caso.

Mesmo que de cara você não ache o seu baralho ideal, vai poder sair do lugar com muito mais informações, e mais perto de saber o que funcionaria muito bem com você e o que não.

Para quem não tem em sua cidade nenhuma loja ou livraria com oráculos disponíveis, o site Aecletic Tarot  permite dar uma olhada em diversos baralhos existentes e até ter uma pré-visualização das cartas de cada um então visite e pesquise!

Orçamento

Sim, essa parte é importantíssima. Existem muitos oráculos em conta, e o baralho cigano em muitas edições é um deles. Mas existem outros que vão pesar bem mais no seu bolso. Principalmente se for uma edição importada. Saiba o quanto você pode gastar e compare os preços entre as lojas antes de levar qualquer oráculo para casa.

Agora, para você que tem dúvidas em específico em relação ao Tarot: 

  • Como diferenciar o que é um Tarot de outros oráculos de cartas?

É importante que você tenha de forma clara em mente que existem muitos tipos de baralhos, e o que os diferencia são os seus formatos. O Tarot, sendo apenas um dentre os vários oráculos de cartas que existem no mundo, se diferencia dos demais pela sua estrutura específica.

Para que um conjunto de cartas seja um Tarot ele deve ter 78 cartas divididas em dois grupos: 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores. Os Arcanos Menores devem conter em si quatro naipes: Paus, Copas, Espadas e Ouros. Estes naipes terão 40 cartas numeradas de 1 (o Ás) ao 10 e 16 delas serão as cartas da corte de cada naipe,  sendo Pajem (ou Princesa), Cavaleiro (ou Príncipe), Rainha e Rei.

Se um baralho não tem esta estrutura ele não é um Tarot, ele é um outro tipo de oráculo.

  • Tarot de Marselha e Tarot Rider-Waite, quais as principais diferenças? 

O Tarot de Marselha é um dos mais antigos que temos ainda sendo produzidos atualmente. É ótimo para quem gosta de cartas mais tradicionais. Os seus Arcanos Menores focam em ter apenas o símbolo de seus naipes, em diferentes quantidades e cores, ao invés de desenhos com uma perspectiva mais narrativa, e isso na maioria das vezes é o que mais o difere dos modelos modernos. Mas ainda é dele que se deriva a estrutura básica da maioria dos baralhos de Tarot que temos atualmente.

Algumas cartas do Tarot de Marselha. Fonte: Pinterest 

O Tarot de Rider-Waite, lançado em 1930 pelo ocultista Arthur Eduard Waite, junto a também ocultista e artista Pamela Colman Smith foi, depois do de Marselha, o grande marco na história do Tarot. Nele temos ilustrações nos Arcanos Menores pela primeira vez. O Louco, que era o Arcano sem número ganhou o numeral zero, o Arcano 8 “A Justiça” e o Arcano 11 ”A Força” trocaram de posição entre si e a relação entre cada lâmina com os conhecimentos da alquimia, do hermetismo e da cabala ficou mais intensificada. E a maioria dos baralhos modernos de Tarot usam largamente essas inovações de Waite.

Algumas cartas do Tarot de Rider-Waite. Fonte: Pinterest
  • Existe um Tarot mais fácil para iniciantes? 

Olha, cada tarólogo ou cartomante vai ter uma opinião diferente a respeito desse tema. Isso porque cada pessoa tem um método e uma facilidade de assimilação diferentes. Muitos colocam o Tarot Mitológico (desenvolvido pela astróloga americana Liz Greene em parceria com a taróloga Juliette Sharman-Burke e concebido pela artista plástica Tricia Newell, em 1986) como um bom ponto de partida para iniciantes num geral.

Ele de fato é um dos baralhos mais traduzidos e vendidos atualmente, misturando a simbologia do Tarot aos mitos e figuras da mitologia grega. Para alguns, entender as cartas, principalmente os Arcanos Menores, com a ajuda das histórias mitológicas fica realmente mais fácil. Mas em algumas lâminas o ter se atrelado a uma narrativa mítica pode reduzir os significados tanto do oráculo quanto da narrativa grega.

Algumas cartas do Tarot Mitológico. Fonte: Pinterest

Eu procuro sempre dizer que o melhor Tarot para o seu início é aquele que fala mais alto ao seu coração. Cuja arte e simbolismos são atraentes e fazem sentido para você. No entanto, uma boa dica é procurar por edições que venham com livros explicativos junto. Assim, você adquire junto com o baralho um material de base para o início do seu estudo.

Em resumo: 

Cada baralho vai trazer consigo sua própria energia, método, estrutura, conceitos e arte próprias. Saiba seus objetivos, e pesquise muito! Tanto para saber os melhores preços e formatos quanto para encontrar qual vai ser aquele baralho especial que vai aguçar seus sentidos e te ajudar a desenvolver sua intuição!

Atenção: A reprodução total ou parcial deste texto é proibida e protegida pela lei do direito autoral nº9610 de 19 de fevereiro de 1998. Proíbe a reprodução ou divulgação com fins comerciais ou não, em qualquer meio de comunicação, inclusive na internet, sem prévia consulta e aprovação do autor.

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Tarot e Religião

As cartas O Hierofante e o Diabo do Tarot of the Mermaids de Lo Scarabeo

Uma das muitas dúvidas com as quais eu me deparo no meio da cartomancia, e das pessoas que buscam por ela em geral, é se o Tarot necessita ou não que você tenha alguma religião ou crença específica para poder jogá-lo.

Principalmente aqui, em terras brasileiras, é muito forte a ligação das cartas no imaginário popular com a figura da vidente, com bola de cristal, dons mediúnicos, incensos e velas, que teria uma vida espiritual muito forte. Eu mesmo comecei a pesquisar e ler sobre o Tarot em meios ocultistas e meu começo com as cartas foi profundamente ligado a minha prática espiritual dentro bruxaria.

Mas é de fato uma obrigatoriedade ter um caminho espiritual, religioso, ou um pé no oculto para poder desenvolver um trabalho com as cartas? Não, não é. E digo da minha própria experiência, inclusive, que o mais sensato é não ter carga religiosa alguma permeando nossa interpretação das lâminas quando as jogamos.

As cartas O Diabo, O Papa e O Julgamento do Tarot de Rider Waite

Em sua origem, notamos claramente que o Tarot usa da iconografia e dos símbolos católicos em suas lâminas. Fruto de uma influência cultural direta da época e da região de onde ele iniciou sua jornada. Aquela era a linguagem visual e a moral dominante para a população italiana dos séculos XV e XVI. Então temos Arcanos como o Hierofante, ou o Papa. E o Julgamento, cuja imagem remete a cena do julgamento final bíblico, descrita pelo livro do Apocalipse. Além da própria carta do Diabo.

O uso do Tarot como ferramenta de divinação foi dado posteriormente, como já visto aqui no blog, começando de forma tímida e evoluindo até seus usos abertos no hermetismo e em sociedades esotéricas como a Ordem Hermética da Aurora Dourada, a Golden Dawn. De forma que hoje o Tarot já é visto como natural nos meios do esoterismo ocidental.

Grande parte das correspondências em relação ao oculto que temos no uso e nos ensinamentos dos Arcanos ainda é bastante monopolizado pelo hermetismo, aliás. E ele não pode em si ser considerado uma religião, sendo mais um conjunto de tradições e de doutrinas espirituais, tendo seu foco nos processos de um despertar místico de seus adeptos, através da Magia. Se você for se dedicar ao estudo das lâminas, invariavelmente vai ouvir bastante sobre esses temas.

De qualquer forma, não é obrigatório que você siga o hermetismo, ou qualquer outra linha espiritual, para ler cartas. Existem abordagens em que podemos lidar com as cartas apenas como linguagem iconográfica, nos ajudando em nossas jornadas de auto conhecimento interno sem nenhum toque do oculto.

As cartas A Papisa e A Temperança do Tarot de Marselha

Uma das grandes belezas das cartas é como podemos fazer do acaso uma fonte estratégica de informações. Embaralhamos as cartas coloridas e deixamos que a sorte guie nossas mãos até as lâminas certas. Vejo claramente como pode parecer pouco confiável para muitas pessoas. Mas o acaso sempre recebe pouca atenção da nossa parte, não? Apesar da nossa vida e dos acontecimentos dela estarem completamente imersos nele.

Alguns gostam de falar de sincronicidade, outros de coincidência, sorte ou azar, no fato de que cartas sorteadas na mais neutra aleatoriedade sejam capazes de montar um mapa perfeito dos nossos sentimentos, das situações onde nos encontramos na vida, do nosso passado e até do nosso futuro. Outros podem chamar de magia. Não importa qual seja sua crença ou metodologia, o Tarot funciona além e apesar dela. No acaso do embaralhar de cartas de papel muito bem ilustradas.

Alguns tarólogos e cartomantes são de fato médiuns, e fazem atendimentos brilhantes ao lado das entidades que lhes guiam nas suas práticas religiosas. Outros tem em si uma boa vidência, e usam as cartas para fazer fluir esse dom, ou como meio de acessá-lo e de aprimorá-lo. Outros o usam como uma linguagem visual, numa abordagem sem conotações espirituais. E em todos esses casos as cartas desempenham seu papel sem hesitar ou perder qualquer qualidade. As mãos que embaralham as cartas podem ser as cristãs, as umbandistas, as agnósticas ou as ocultistas que as respostas ainda virão do mesmo jeito.

O Hierofante e O Julgamento em diversos tipos de deck

Pessoas de diversas crenças podem pesquisar, ler livros e fazer cursos sobre o Tarot livremente. E, conforme essas pessoas forem estudando e praticando, a ”fluência” na linguagem das cartas vai ficando cada vez mais natural e precisa. Seriedade, dedicação e prática são mais uteis do que qualquer suposta iniciação.

As pessoas naturalmente vão pelas abordagens com as quais mais se sentem confortáveis. Eu tenho a minha, particular e pessoal. Porém, em meus atendimentos profissionais, tendo a fazer as leituras da forma mais neutra o possível em termos de religiosidade. Afinal, atendo pessoas das mais diversas crenças, culturas e idades.

O Tarot, assim como todos os outros oráculos de cartas, nunca se valeu nem nunca se valerá de crença alguma para funcionar. Ele é completo em si mesmo. Somos nós que atribuímos a ele nossas visões, credos e sistemas. Os conselhos virão através de cada lâmina, não importando o estilo do deck ou tipo de abordagem. E, se tivermos abertura, podemos dele tirar os mais diversos conselhos para as nossas jornadas pessoais.

Petit Lenormand – O baralho cigano

Algumas cartas do baralho Petit Lenormand Fonte: Google Imagens

Sendo um dos baralhos mais amados e usados na cartomancia atualmente, o Petit Lenormand (ou baralho cigano) conquistou sua fama ao longo dos anos sendo um oráculo versátil, simples e direto em sua linguagem. Estruturalmente conta com 36 cartas, com foco em situações e símbolos do cotidiano.  Suas origens levam o crédito tanto do povo cigano, de onde recebeu seu apelido popular, quanto de uma famosa cartomante francesa, de onde recebe seu nome oficial.

Segundo o que se conta, tudo começou com Marie-Anne Adelaide Lenormand. A moça, nascida na cidade de Alençon, na Normandia, em 1772, era filha de uma família de poucas posses. Porém, em 1786, ela teria deixado o colégio de freiras onde vivia na sua cidade natal para se estabelecer em Paris. E de lá mudou sua vida, passando a se apresentar como Madame Lenormand, uma poderosa e controversa cartomante.

Durante os 40 anos que ficou ativa em sua profissão, Madame Lenormand foi autora de diversos livros e textos, inclusive tendo passado algumas vezes pela cadeia pois naquela época o exercício das adivinhações, profecias e leituras oraculares ainda eram proibidas na França. Nunca ficando detida muito tempo pelos clientes poderosos que tinha. Dentre esses clientes estaria o próprio Napoleão, de quem ela teria previsto tanto a ascensão quanto a queda.

Nas suas consultas para Napoleão, ele teria achado o Tarot clássico, de 78 lâminas, pouco prático para responder questões simples com mais objetividade. Para não frustrar seu cliente mais ilustre, Madame Lenormand teria criado seu próprio baralho, com um número reduzido de cartas, e significados sem tantas voltas esotéricas.

Após sua morte, em 1843, o baralho teria se popularizado tanto que começou a ser comercializado. Por sua estrutura prática, muitos grupos ciganos o teriam adotado entre seus meios oraculares, fato que só o popularizou ainda mais. Estaria assim feito o Petit Lenormand como o conhecemos hoje.

Marie Anne Lenormand com suas cartas

Apesar da figura história de Madame Lenormand ter de fato existido, com todas suas polêmicas, hoje já existem estudos históricos que comprovam que as tentativas de associar o baralho de 36 cartas a ela, assim como alguns outros, era muito mais uma boa estratégia de marketing para alavancar as vendas do que um fato verídico.

Uma das historiadoras que pesquisou a fundo sobre o Petit Lenormand foi a americana Tali Goodwin. E, em suas pesquisas, ela comprovou uma origem muito menos mágica para o nosso baralho.

A primeira versão do Petit Lenormand foi criada na Alemanha, em 1799. E, como diversos oráculos, foi originalmente concebido como um simples jogo. O “Das Spiel der Hoffnung”, ou Jogo da Esperança, foi criado por Johann Kaspar Hechtel (1771–1799) que o concebeu como um jogo de tabuleiro com cartas. Parte de seu entretenimento era justamente fazer seus jogadores fazerem pequenas previsões. 

O Jogo da Esperança, onde o Petit Lenormand atual teve o seu começo.

As cartas do jogo só passaram a serem chamadas de Petit Lenormand numa reedição que o jogo teve após a morte de Madame Lenormand, na segunda metade do século XIX, quando muitos baralhos e jogos com temática adivinhatória foram rebatizados com seu nome para alavancar as vendas.

Um exemplar do baralho original do Jogo da Esperança pode ser encontrado até hoje no Museu Britânico, em Londres, onde Tali Goodwin o fotografou para as pesquisas de seu livro The New Lenormand. 

 

Foto do conjunto das 36 cartas do “Das Spiel der Hoffnung” – O Jogo da Esperança
Parte do acervo do Museu Britânico sobre o jogo

As cartas do Jogo da Esperança têm as figuras que conhecemos como as figuras tradicionais do Petit Lenormand, com raras diferenças. Além das figuras, cada carta apresentava dois naipes, os franceses (copas, paus, espadas e ouros) e os alemães (corações, frutos de carvalho, folhas e guizos).

Com seu relançamento como Petit Lenormand e sua popularização, foram estruturados muitos jeitos diferentes de o jogar. Mas com seus significados nunca variando muito do seu original.

E a relação dos ciganos com ele?

Não existem registros históricos que comprovem que o povo cigano foi autor de qualquer tipo de baralho porém, como um povo nômade, que absorvia a cultura e as particularidades dos locais por onde passavam, eles acabaram incorporando e divulgando a leitura de diversos tipos de oráculos, ficando com a imagem associada a eles.

Atualmente existem diversas edições do jogo, nos mais variados temas, assim como muitos sites e clubes dedicados ao estudo e a divulgação desse oráculo tão amado, assim como com o Tarot tradicional. As fotos a seguir são de edições do baralho a venda no site Sorte Lenormand e a última foto é a da edição da taróloga Sofia Rito:

 

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Foto ilustrativa do Requinte Lenormand – ilustração do site Sorte Lenormand

Uma versão do Lenormand em dados! Ilustração do site Sorte Lenormand

Edição Orixás Lenormand com Iansã representando a carta das Nuvens – ilustração do site Sorte Lenormand

Edição The New Classic Lenormand – ilustrção do site Sorte Lenormand

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Ilustração da Edição do Baralho Lenormand por Sofia Rito

O que sabemos das origens do Tarot

O que conhecemos por Tarot hoje em dia é um oráculo de cartas com uma estrutura específica. São 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores, que se subdividem em quatro Naipes com suas respectivas cartas da corte, somando no total 78 lâminas.

E o caminho que este jogo trilhou, desde os séculos XV e XVI onde temos seus primeiros registros, até os dias de hoje, foi longo.

As primeiras versões que encontramos dele até agora são oriundas do norte da Itália, como um simples jogo de cartas jogado pelos nobres. Ninguém sabe o significado certo de seu nome. Alguns lugares o apresentam como uma possível derivação da palavra árabe turuq, que significaria ”quatro caminhos”, outros lugares vão falar da etimologia francesa, tarot como uma variação do italiano tarroco, derivado de tara, que seria algo como dedução ou ação de deduzir. Já o termo Arcano pelo qual se chamam suas lâminas e divisões foi incorporada pelos ocultistas do século XIX ao incluir o oráculo em seus estudos, significando ”mistérios ou segredos a serem desvendados”.

Jogos de cartas num geral eram comuns na Europa, estimasse que teriam sido trazidos pelos persas no século XIV, com naipes muito parecidos com os italianos: Espadas, Bastões, Copas e Ouros. E, apesar das explicações mais místicas que podemos encontrar por aí, dizendo até que os Arcanos teriam se originado num Egito muito antigo pela sua classe sacerdotal, o que se tem de concreto sobre seus primeiros baralhos datam do espaço entre os anos de 1410 e 1430 em Milão ou Bolonha, onde cartas de trunfo foram adicionadas a estrutura já existente dos quatro naipes.

A estrutura italiana, chamada de carte da trionfi, ou simplesmente trionfi, tem seu primeiro registro literário nos autos da corte de Ferrara, em 1442. E as cartas mais antigas são de quinze baralhos pintados em meados do século XV para a família governante de Milão na época, os Visconti Sforza.

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Só temos documentos que mostrem o uso divinatório do Tarot depois do século XVIII, apesar de existirem evidências de que baralhos parecidos e jogos de cartas num geral eram usadas por pessoas como meio oracular desde 1540.

Como os baralhos antigos eram pintados a mão, se estima que sua produção inicial fosse pequena, se expandindo apenas depois da invenção da imprensa. Então o jogo originalmente italiano se espalhou com força pelo sul da França, pela Suíça, Bélgica, sul da Alemanha e arredores. Com a mudança da produção artesanal para uma produção em maior escala naturalmente a estrutura das cartas passou por um processo de padronização. Variações regionais ainda eram comuns, mas a estrutura que hoje conhecemos passou a tomar cada vez mais um corpo mais firme.

Até o final do século XVII o posto de principal produtor das cartas ainda era detido por Milão, até que um colapso em seu mercado colocasse o sul da França como dominante na área. Muitos exemplares desses baralhos antigos sobreviveram até os dias de hoje, e é onde temos o mais famoso, vindo da cidade de Marselha, de onde tirou seu nome: o Tarot de Marselha, que pela fama e tradição, tendo influenciado a produção de cartas até em outras regiões da Europa, continua sendo produzido até os dias de hoje.

O uso comum do Tarot continua sendo o de simples jogo de cartas, para isso sendo mais popular a estrutura de baralhos como o Tarot Nouveau, livre dos desenhos que são mais importantes apenas para os baralhos usados para fins esotéricos.

Agora, sobre seu uso no ocultismo, temos como primeiro a o difundir um ocultista francês chamado Alliette, sob o pseudônimo de “Etteilla” (seu nome ao contrário). Ele atuou como vidente e cartomante um pouco depois da Revolução Francesa. Dele vieram motivos astrológicos e egípcios nas lâminas, junto com elementos alterados do Tarot de Marselha. Um pouco depois, teremos Mademoiselle Marie-Anne Le Normand, popularizando a divinação através das cartas durante o reinado de Napoleão I (mas os jogos e baralhos que se originaram de seus métodos e fama são assunto para outro post).

Depois deles o próximo nome que surgiu foi em 1781, sendo o maçom Antoine Court de Gébelin, um clérigo e maçom suíço, a afirmar que o simbolismo presente no Tarot de Marselha representava os mistérios de Ísis e Thoth, divindades egípcias. Ele também afirmava que os ciganos teriam sido os primeiros a usar o Tarot para seu uso divinatório, sendo eles, em sua teoria, descendentes dos antigos egípcios.  Gébelin escreveu suas teorias antes que os hieróglifos egípcios começassem a finalmente ser decifrados. E, até o momento, não existe prova concreta alguma que corrobore com sua teoria. Só que nisso a identificação do Tarot como ”Livro de Thoth” já havia sido estabelecida.

O código místico por de trás de cada Arcano foi mais profundamente desenvolvido pelo ocultista Eliphas Lévi, e foi difundido em grande escala pela Ordem Hermética da Aurora Dourada. É Eliphas Lévi, não Alliette, que é lembrado como o fundador das escolas esotéricas de Tarot, relacionando as lâminas com a Astrologia, a Cabala Hermética e aos quatro elementos da Alquimia.

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Com o lançamento do Tarot de Rider-Waite em 1910, elaborado e criado por Arthur Edward Waite e Pamela Colman Smith, dois membros da Aurora Dourada, o Tarot começou a se popularizar cada vez mais na América. E desde então temos visto um número infinito de baralhos sendo criados e difundidos, com os mais variados motivos. Desde anjos, até deuses e forças da natureza. Cada um adaptado para uma diferente crença ou caminho espiritual, mas nunca perdendo a estrutura que o caracteriza, as 78 lâminas divididas entre os Arcanos Maiores e os Menores.

Bem-vindo ao Lunário

Por definição básica, lunários são calendários onde o tempo é computado pela lua e suas fases. Onde nos deparamos com outro ritmo, mais antigo e natural, de se orientar. Pelo movimento das orbes celestes.

E é por esse ritmo, mais instintivo e simples, que procurei guiar meus primeiros passos como estudante tanto do ocultismo e da bruxaria como das artes divinatórias no que hoje em dia já fazem cinco anos.

Tendo me dedicado ao ofício de taróloga pela maior parte desse tempo, venho agora abrir um pouco mais tanto do meu trabalho, como de todo o conhecimento e experiência que adquiri em minha jornada.

Afinal, tudo que precisamos aprender para fluir com os Arcanos é do nosso retorno a nós mesmos e ao ritmo e segredos da natureza que nos cerca.