Contido em cada um dos Quatro Elementos da natureza (Água, Terra, Fogo e Ar) existe uma energia e uma força específicas que ajudam na composição e no equilíbrio do nosso universo. Surgindo da emanação divina de cada um desses elementos, incorporando suas qualidades e cuidando de seu mantenimento, existem os Elementais. Seres que existem no plano etéreo de cada um dos elementos, cuidando tanto deles quanto da natureza em si.
De acordo com Papus, um dos mais famosos ocultistas franceses da virada do séc XX e fundador da Escola Hermética de Paris: ”O caráter essencial dos elementais é animar instantaneamente as formas de substância astral que se condensa em volta deles. Seu aspecto é variável e estranho: ora são como uma multidão de olhos fixos sobre um indivíduo; ora são pequenos pontos fixos luminosos rodeados de aura fosforescente.”
Cada um dos Elementos possui um tipo distinto de Elemental, com suas particularidades e personalidades únicas. Os Elementais da Água são as Ondinas. O nome delas é citado pela primeira vez por Paracelso, médico e alquimista renascentista suíço-alemão, na sua obra póstuma Liber de Nymphis, sylphis, gnomes et salamandris et de caeteris spiritibus, de 1658. A palavra Ondina seria uma derivação da palavra latina Unda , que significa onda. Com sua iconografia sendo muito ligada a das Ninfas gregas, elas são descritas como espíritos geralmente femininos que habitam as águas, sendo elas os mares, as nascentes, os rios, as cachoeiras ou os lagos. Dentro de sua classificação podemos encontrar quase todos os seres mitológicos ligados ao seu elemento, como as sereias e as nereidas.
Sendo muito conhecidas por sua beleza e sua habilidade com as artes (principalmente com a música), elas carregam uma personalidade naturalmente criativa e sensível. Seja em águas salgadas ou doces, quentes ou frias, rasas ou profundas, elas trabalham na manutenção do equilíbrio da Água em tudo que ele é, age e representa em nosso universo. Nelas temos todo o potencial do emocional, incluindo a sedução e a sensualidade. Em seu aspecto destruidor elas podem comandar furacões e tempestades, onde as marés e as enchentes invadem a terra, reclamando de volta o equilíbrio que foi perturbado seja por causas naturais ou por ação humana.
Espaço do meu altar pessoal reservado para o contato com as Ondinas, com água, conchas e algumas pedras ligadas ao Elemento Água
Como se conectar com as Ondinas
Como regentes das águas, podemos entrar em contato com a força incrível das Ondinas através de nossos próprios sentimentos e emoções, com destaque para todos os locais naturais do seu elemento. Estar descalço a beira do mar, de alguma cachoeira, rio ou lago, bem como entrar na água nestes locais já nos aproxima delas, afinal, é o lar delas! Estar perto da chuva, de locais úmidos, de vapores, ou mesmo na cozinha enquanto a água é manipulada também pode ajudar.
Dentro do ocultismo, e da bruxaria natural, é comum usarmos cálices, conchas e velas brancas e azuis para as representar e chamar sua presença em nossos altares e rituais. Podemos reservar um pequeno espaço para elas em nossos lares, com representações e objetos ligados a água e aos seus seres, onde podemos com delicadeza chamar sua presença e energia para mais perto de nós. Naturalmente comunicativas e receptivas aos sentimentos humanos, elas reconhecem de forma sensível nossa presença quando tomamos a iniciativa de nos aproximamos delas. Podemos pedir seu auxílio para quaisquer assuntos que tenham ligação com os seus domínios, como por exemplo para harmonizarmos nosso psicológico e emocional, nos ajudando nos problemas que temos em nossas relações e também com nós mesmos.
Donas de uma sensitividade ímpar elas também podem nos ajudar com magias ligadas a intuição, vidência, sonhos e glamour. Bem como também podem auxiliar em nossos processos de limpeza e purificação, afastando de nós aquilo que nos causa dano. Sendo pelo método que for, sempre seja delicado, honesto e sincero com elas. Donas de uma grande compaixão, podem se ressentir muito com a mentira e a desonestidade, sendo quase impossível recobrar sua confiança uma vez que foi perdida. Então seja cuidadoso naquilo que faz e prudente naquilo que pede.
Representações do elemento Água, com algumas cartas do Tarot dos Orixás de Zolrak
Regente das nossas emoções, do subconsciente, da intuição, e da própria magia a Água compõe 70% do nosso planeta e, curiosamente, está presente no nosso corpo nesta exata mesma porcentagem. Sendo um dos quatro elementos primordiais da natureza, sem ela nada se faria, sem ela não teríamos vida!
Como o princípio ”úmido” de todas as coisas, ela é um poderoso elemento condutor, fluindo, propagando, potencializando, multiplicando e espelhando. Ela é responsável por toda fertilidade e germinação da natureza. Em muitas linhas sendo considerada como a matéria primária de todo o Universo, de onde a vida teria surgido e evoluído, seu poder purificador, sua potência criativa e emotiva nos dá a capacidade de sempre estarmos em movimento, nos adaptando, criando e evoluindo. Nela temos a beleza, a arte, o amor, o sublime, assim como nossa veia empática que é capaz de nos conectar tanto com os outros em nosso meio como até mesmo com outros planos e formas de existência.
Algumas correspondências do Elemento Água:
Planeta: Lua e Netuno
Ponto Cardeal: Oeste
Polaridade: Feminina
Estação: Outono
Em nosso corpo: Rege nosso sangue, a linfa, os fluídos e os sistemas reprodutores (principalmente o útero)
Naipe do Tarot: Copas
Elementais: Ondinas
Chakra: Swadhishthana, o chakra sexual, que gerencia tudo o que circula no nosso corpo, dos líquidos até as emoções
Sentido: Paladar
Cores: Todos tons de azul, alguns tons suaves de verde, branco e prata
Signos: Câncer, Escorpião, Peixes
Botânica: Seiva, frutos e flores
Cristais: Água Marinha, Lápis-lazul, Pedra da Lua, Quartzo, Ametista, Pérola
Metal: Prata
Instrumentos: Cálices, recipientes que possam conter água, espelhos, oráculos
Seres mitológicos: Sereias, Ninfas, Tritões e alguns tipos de dragões
Na Magia
Como regente de todas as emoções, podemos facilmente as trabalhar, e harmonizar, com a Água. Também é com a ajuda dela que podemos trabalhar nossos sonhos, nossa conexão astral, nossa intuição, nossa vidência e magia pessoal. Abençoando a fertilidade, o amor, e também a prosperidade, a força das águas pode nos auxiliar a fluir e a crescer, germinar, naquilo que desejamos. Beleza, atração, magnetismo são fortes nela. Bem como, na força dos mares e chuvas, também podemos encontrar proteção e nos purificarmos daquilo que nos faz mal. Podemos tanto nos blindar contra a influência alheia quanto aprendermos a influenciar as emoções e o imaginário, o desejo, daqueles que escolhermos. Sendo um elemento múltiplo, versátil, raras coisas não podem ser trabalhadas através da sua força e energia. Ao lado dela, precisamos apenas nos abrir a nossa própria criatividade e sensibilidade.
A carta O Hierofante no Tarot de Rider Waite na figura do Papa católico
Também conhecido como O Papa, ou O Sumo Sacerdote, na carta do Hierofante temos o pontífice do Tarot: aquele que constrói a ponte entre as pessoas e o divino. Como a figura mais alta, detentora de poder e responsabilidade dentro da sua linha espiritual, ele guia o caminho do conhecimento, ditando a ortodoxia e a práxis que devem ser seguidas.
Como aquele que conhece os Mistérios, tendo passado por suas iniciações e provas, agora correspondendo diretamente ao divino, e sendo o intermediário entre ele e os homens, o Hierofante organiza, legisla e executa o poder religioso na sua sociedade e no mundo.
Seu ícone atual mais óbvio (e por isso largamente usado, como no Tarot de Rider Waite) seria o Papa, líder da Igreja Católica, que responde por toda a Igreja. É a ele a quem é confiada a responsabilidade por seus milhões de fiéis, por seus padres e bispos, por seus dogmas, que mantém sua estrutura e que viaja pelo mundo em missões religiosas e políticas em nome do seu Deus. Ele, em si, encarna sua religião com tudo aquilo que ela carrega. Tanto de bom quanto de ruim.
Em todas as religiões, tanto atuais quanto passadas, sempre existirá um Hierofante, um Sumo Sacerdote. Aquele que em si personifica a religião que representa, estabelecendo sua ordem e moral, refletindo o poder maior ao qual serve no mundo. No Tarot Mitológico, por exemplo, o Hierofante é retratado como Quíron, rei dos Centauros, grande curador, sacerdote, educador e pai espiritual da maior parte dos jovens heróis da mitologia grega.
Em todas as maneiras que temos para o retratar hoje em dia, nos mais variados estilos de baralhos, podemos notar a constância de alguns pontos:
Ele sempre será uma alta figura sacerdotal.
Carregará na maior parte das vezes uma coroa, e em muitas outras também cetros e outros signos de poder.
Sempre estará entre colunas de uma mesma cor.
Trará símbolos ligados aos mistérios da religião que representa.
Sempre será a carta de número 5.
Diferentes representações da carta O Hierofante no Tarot de Rider Waite (como o Papa católico), no Tarot Egípcio, e no Tarot Mitológico (como o rei centauro Quíron)
Como o representante natural de uma tradição, quando falamos do Hierofante não estamos falando de um arquétipo que carrega apenas a veia sacerdotal em si, como seria o caso da Sacerdotisa, mas daquele que também sustenta em si toda a herança e o legado religioso de um povo, de uma sociedade, zelando por ela e a estabelecendo e forma justa e rígida no mundo. Em sua santidade, ele pode abençoar e amaldiçoar. Seu julgamento salva e condena. E é o seu veredito e a sua palavra que decidem entre o verdadeiro e o falso. Sua responsabilidade é grande, por isso, sua sabedoria também deve ser.
Enquanto o movimento da Sacerdotisa é interno, o experienciar para educar a si mesma, no Hierofante temos o externo, aquele que passou pelo momento de vivência e catarse interna da Sacerdotisa e voltou de lá para instruir o próximo, para traduzir em forma de uma estrutura organizada e ordenada a experiência do espiritual. Não só para que os outros também possam percorrer aquele caminho, mas que possam o fazer com coerência e diretriz. Ambas as cartas nos guiam espiritualmente, e revelam seus maiores segredos apenas a aqueles que se dedicam em seus caminhos, ao Iniciado e ao Neófito. A Sacerdotisa seria apenas mais intuitiva e intimista, num nível mais pessoal, do que o ordenador e regulamentador público que é o Hierofante.
O lado negativo
Como em todas as cartas do Tarot, o Hierofante também possui seu lado sombrio. Quando se encontra negativado, ele pode nos alertar contra falsos moralismos e falsos ”iluminados”, que pregam luz mas na realidade são falsos sacerdotes. Aqui, dependendo da configuração, nos encontramos com o desligamento da verdadeira espiritualidade, indo de encontro ao desequilíbrio e as angústias espirituais. Depende de nós nos afastarmos das sombras e recuperarmos nossa conexão com a verdadeira fagulha divina que existe em cada um de nós.
No amor
Como uma carta naturalmente muito espiritualizada, as ligações românticas que temos no Hierofante não são apenas físicas, mas também sublimes. Aqui encontramos o verdadeiro amor, abnegado e entregue, que quer legitimamente o bem e a evolução do outro. O único aviso dele seria contra a tendência da carta a, como um perfil mais filosófico que prático, acabar vivendo mais seu amor no campo idealizado do que no material. Se você está em um relacionamento fixo, não deixe as coisas esfriarem por falta de atitude, converse mais, aja mais, não ame o outro apenas no seu pensamento, mas também em suas ações. Se você está solteiro é uma carta que aconselha muito a não se relacionar por se relacionar, só por não estar só. Se entregue apenas ao que for verdadeiro e real, não apenas pensando mas lutando em prol do que deseja.
Na sexualidade
Como já mencionado, o Hierofante é um perfil muito mais filosófico do que prático. Pode ser alguém que ama muito, deseja muito, mas é tímido e travado para confessar seus impulsos e demonstrar seus sentimentos. Pode também ser uma pessoa bastante tradicional em relação a própria sexualidade, se sentindo mais a vontade dentro de relações fixas ou de um casamento, por exemplo. Deve-se tomar cuidado aqui com o medo da noção do pecado, referente ao sexo, ou aos tabus religiosos ou morais que podem bloquear a livre expressão sexual deste perfil.
No trabalho
O recorrente tema da fé no Hierofante, em questões de trabalho e negócios, nos passa muito o valor da perseverança. Não é uma carta de movimento rápido, ela nos indica que as coisas acontecem no momento certo e na hora oportuna. Devemos continuar nos esforçando, dando nossa melhor, não cedendo a nenhum passo que no fundo sabemos ser inconsequência. Seu gênio conservador nos diz que o devagar e sempre é o meio pelo qual conseguiremos conquistar o que precisamos, inclusive a estabilidade e crescimento profissional e financeiro que almejamos.
Na saúde
Aqui não temos indicação de nenhum problema sério de saúde, mas as chances são grandes de termos pequenos problemas que nos incomodem bastante. Principalmente no que se refere ao que é muito conhecido como dores e doenças ”de velho”. Dores na coluna, ciático e quedas de cabelo aqui podem nos indispor. Se você tem predisposição genética a problemas na visão ou na audição, se cuide.
Na espiritualidade
Como já mencionado no lado escuro desta carta, no Hierofante urge em nós a necessidade de recuperarmos, ou nos comprometermos de forma mais séria e aprofundada, a nossa autêntica espiritualidade. Deixando de lado as falhas humanas do nosso meio, os falsos gurus, o ego e a vaidade humana, e despertarmos em nós a genuína semente divina. Seja qual for o nosso caminho, fé ou religião, no cerne dela se encontra uma verdade e uma luz muito maior, para além dos dogmas e leis humanas, e é este centro poderoso e legítimo que nos chama. Como uma carta de bases sólidas, tradicional, ela vai falar para que nos fundamentemos, estudando, nos devotando e enraizando naquilo que sabemos ser correto e justo.
Chegamos agora na energia comandante e enérgica do Imperador, aquele que é o Grande Rei, O Marido e também O Pai. Como contraparte masculina da Imperatriz, no Imperador temos o poder da autoridade política e emocional da energia masculina, nos regendo e nos conduzindo seja no papel de um esposo, no papel paterno ou como um grande líder.
A firmeza, a perseverança, o instinto protetor e mantenedor estão entre os seus atributos. O grande patriarca do Tarot, como um perfil estabilizador, orientador, e provedor, governa os seus com dedicação e zelo. Defendendo seus domínios e todos aqueles que estão sob suas asas de aço.
Nas diversas formas de o representar que possuímos hoje em dia sempre vemos a constância de alguns pontos:
Ele sempre será retratado como uma figura masculina madura, com vestes nobres.
A presença de coroas, cetros e cajados que representem seu poder como Rei são marcantes.
Sua expressão sempre será séria, determinada.
É muito comum que seja visto a presença de muita terra em seu entorno, mas não verdejante como no caso da Imperatriz, um pouco mais bruta e árida.
Na maioria das vezes ele estará em um trono, ou numa posição de destaque.
Ele sempre será a carta de número 4.
Diferentes representações da carta O Imperador no Tarot Egípcio, no Tarot de Rider Waite e no Tarot das Bruxas
No Imperador temos um pouco mais do que apenas a energia masculina por si só, a temos num papel e em um contexto específico. O Imperador não é apenas a figura do homem, ele representa um cargo, um papel na sociedade, com responsabilidades, com peso e deveres, carregando atributos e traços muito específicos. É a energia masculina refinada pela experiência, coroada pela responsabilidade para com os seus, com a autoridade de um grande comandante, exercendo seu vigor no mundo.
O Imperador ordena as coisas, ele é capaz de criar regras e leis justas e as fazer serem executadas da forma correta. Em sua disciplina tudo flui corretamente, pois ele sempre está pronto e disposto a agir, a criar estratégias, a crescer, a investir, e a defender o que possui se necessário, com toda a agressividade que for precisa. Pois em todo Rei também existe um Guerreiro, que defenderá os seus, e seu império, com punho de ferro. Ele é aquele que estabelece, e reina. Energia que vemos em todos seus detalhes, inclusive no número 4 de sua carta, o número da estabilidade, do concreto, da solidez.
Sua rigidez, e seu instinto de defesa por muitas vezes agressivo, é um dos pontos que marca a diferença entre a forma de poder exercida nele e na Imperatriz. Na Imperatriz termos sempre a presença da docilidade e, se ela precisa se defender, usará seus argumentos, sua inteligência, sua eloquência e influência. O Imperador, se necessário, geralmente é quem age onde apenas o discurso não resolve. Ele levantará a espada. Ele guerreará. Sendo aquele que carrega nosso instinto de sobrevivência a partir da luta, ele nos move a ação física, que muitas vezes decide quem vive e quem morre nos momentos críticos de risco e perigo.
O lado negativo
Como com todas as cartas do Tarot, o Imperador também possui seu lado prejudicial. Como uma figura naturalmente autoritária, quando temos sua energia em excesso, desbalanceada, podemos sair do posto daquele que é o Grande Rei para aquele que é o Ditador, em toda sua carga danosa. A intransigência do autoritarismo masculino aqui pode ser vista em sua faceta mais escura. Sendo repressor, controlador e super protetor até ser sufocante . Aqui também, dependendo da configuração, podemos ter indícios de soberba e orgulho em excesso, uma certa ”síndrome do Alfa’, que pode fazer nos sentirmos acima dos outros, achando que podemos mandar mais do que realmente podemos (ou do que sequer devemos).
No amor
Como uma figura estável, quando tiramos O Imperador na área amorosa, ele geralmente falará daqueles que dão segurança e cuidado aos seus parceiros. Marcando períodos de estabilidade e seguridade dentro de um relacionamento. Até mesmo para os solteiros, esta é aquela carta onde encontramos alguém com quem estabelecer uma relação séria e firme. Sua única advertência seria para não sermos, nem cedermos a, personalidades e perfis autoritários e coercitivos demais.
Na sexualidade
Naqueles que sexualmente surgem definidos pela carta do Imperador encontramos pulso firme, iniciativa e dominância. São perfis ágeis e experientes no que fazem, gostando de conduzir, e sendo muito persuasivos na hora de fazer valer aquilo que querem. Muito conquistadores, também podendo ter uma veia possessiva, neles teremos uma figura direta, madura, e talvez até mesmo o provedor em questões monetárias dentro de uma relação.
No trabalho
Como uma figura de autoridade e poder, O Imperador surge indicando necessidade de solidez e determinação naquilo que queremos no sentido profissional e financeiro. Aqui, se sabemos ser consistentes e eficientes, mostrando nosso talento e trabalho com firmeza, os lucros e o reconhecimento chegam. Dependendo da configuração, O Imperador também pode ser a carta significante dos nossos chefes e superiores então é bom sempre analisar o seu contexto.
Na saúde
No Imperador costumamos ter boa saúde, vitalidade e força. O que ele pode indicar de negativo geralmente são problemas de origem nervosa, psicossomáticos. Dores musculares, nos ombros, e problemas estomacais como azia, derivados de intenso estresse. Não se cobre demais, não deixe as pressões da vida te adoecerem. Você não precisa ser forte o tempo todo, capaz o tempo todo. Se permita ser um pouco mais vulnerável, se cuide mais atentamente. Sua saúde agradece.
Na espiritualidade
Quando precisamos falar das conotações e conselhos espirituais do Imperador falamos geralmente sobre responsabilidade no exercício do nosso próprio poder. O Imperador não é nenhum iniciante na vida, ele não é o perfil inocente que está iniciando uma jornada espiritual agora, com deslumbramento e sede de aprender. Ele já carrega em si as marcas da vida, tanto dos seus erros quanto dos seus acertos. As cicatrizes das suas lutas, dos perigos que já enfrentou e dos quais saiu vivo, são visíveis. Ele adquiriu poder a cada embate, ele conquistou astúcia a cada briga que topou. Quando ele age, é sabendo o que está fazendo. É conhecendo exatamente o efeito que ele causa, e as consequências que virão junto. Ele assume a responsabilidade pelos seus riscos, ele assina o que faz. E ele nos diz para fazermos o mesmo. Na sua carta temos que parar de colocar a culpabilidade daquilo que vivemos no outro. Parar de outorgar a outros o poder de decisão sobre o que cremos e fazemos. Nossa jornada deve ser de autoria nossa, e de mais ninguém. Retorne seu poder a si mesmo, mas não simplesmente para tê-lo ali, mas para exercê-lo, com sabedoria.
E você, como anda sua relação com seu próprio poder pessoal? Consegue o exercer ou precisa entrar em contato com a arquétipo do Imperador para retomar a si mesmo?
Agora chegamos até aquela que contém a energia materna por excelência. Abrangendo em si os arquétipos da Grande Mãe, bem como da Rainha e da Esposa, a Imperatriz contém em si o dinamismo da figura que, ao mesmo tempo que é geradora, é também política e sabe governar aos seus. Ela resolve todos os problemas, supera todos os obstáculos e desafios, sem nunca deixar de nutrir a si mesma e aqueles que dela verdadeiramente necessitam. Como uma mulher poderosa, dotada de autoridade e comando, regendo com benevolência todos que estão sob seu império.
Nas diversas maneiras de a representar que possuímos hoje em dia alguns simbolismos sempre se destacam:
O vermelho, o marrom, o dourado ou o amarelo tem destaque na carta como cores terrosas, que lembram tanto a fertilidade feminina como a riqueza da Terra.
Ela sempre estará como uma mulher ricamente vestida, muito feminina e portanto signos de poder.
Não é raro o foco em seu ventre, sua barriga, ou mesmo ela ser representada grávida.
Sempre a temos portando cedros e coroas.
A carta sempre terá muitos signos e símbolos ligados ao feminino.
Ela é sempre o Arcano número 3.
É comum termos a presença de muito verde, e da própria terra em si.
Diferentes representações da carta A Imperatriz no Tarot Mitológico (representada pela deusa Deméter), no Tarot de Rider Waite e no Tarot das Bruxas
Como personificação da mulher como mãe e líder, como esposa e governante, sua energia fértil concebe e rege tudo no mundo. Temos nela o centro da capacidade criativa, geradora, e mantenedora da vida da energia feminina. Assim como temos a sabedoria de como governar e sustentar tudo que existe no equilíbrio certo entre a suavidade e a rigidez. Pois para suster e educar, sejam filhos ou um povo, é necessário que saibamos ter a harmonia certa entre a severidade e a compaixão.
Como uma figura que sabe conservar e perpetuar sua própria estabilidade, seja amorosa ou financeira, A Imperatriz nos convida a também sermos os centros de criação e mantenimento da prosperidade e do crescimento em nossas vidas. Lidando com maestria e com beleza com cada área de nossas vidas. Nela temos a força, a esperança, e a nutrição que apenas o colo de uma mãe é capaz de dar. Tanto quanto também o equilíbrio, a compreensão, a inteligência afiada e o poderio de todas as grandes mulheres ao longo da história.
Em seu movimento, ela se difere da Sacerdotisa em essência, pois enquanto a Sacerdotisa se volta para si mesma, para reger seu próprio interior e para os mistérios do espírito, a Imperatriz se volta para o mundo material e para as pessoas ao seu redor. A Imperatriz é essencialmente uma mãe, e também uma esposa, se voltando ao cuidado daqueles que ama, da prosperidade de seu lar e povo, e ao trabalho necessário para que todos, inclusive ela, estejam sempre protegidos e bem mantidos.
O trabalho da Sacerdotisa se encontra muito na camada do não manifesto e do que não pode ser proferido, enquanto a Imperatriz rege o manifesto, as relações, o trabalho e a autoridade exercida no mundo material. Ambos potenciais femininos, o espiritual e o material, são essenciais para o mantenimento do Universo, bem como os potenciais espirituais e materiais do masculino.
O lado negativo
Como com todas as cartas do Tarot, A Imperatriz também possui lados negativos. Quando temos sua energia em excesso, podemos nos tornar perfeccionistas, autoritários e super protetores demais, podendo sufocar as pessoas ao nosso redor e nos tornarmos intransigentes, pois tudo tem que ser do nosso jeito e na nossa hora. Dependendo das cartas ao redor A Imperatriz também pode puxar nossa orelha para não nos tornarmos fofoqueiros, tomando cuidado com as intrigas ao nosso redor, nos voltando ao cuidado dos problemas que podem surgir com as pessoas da nossa família, ou em uma gravidez.
No amor
No campo amoroso, A Imperatriz sempre irá marcar um momento de muito afeto, sensualidade e fertilidade entre casais. Ela só nos pede sempre para tomarmos cuidado com ciúmes excessivos e o com o sentimento de posse sobre o outro, que podem prejudicar muito relacionamentos que, do contrário, floresceriam em paz. Para os solteiros ela é muito boa, só que, como uma carta que exerce muito poder, podemos sem querer intimidar as pessoas ao nosso redor, deixando uma impressão de que elas não estão no ”nosso nível”. Pegue leve!
Na sexualidade
Como a carta mais fértil do Tarot, A Imperatriz marca perfis muito ativos, e decididos, sobre a própria sexualidade. Ela é a mulher madura que já sabe muito bem aquilo que quer, e como quer, e que não pode ser enganada ou coagida, muito menos manipulada. Ela é muito sedutora, muito instigante, sabendo como dominar paixões e corações. Tem inclinações monogâmicas, sendo fiel e constante, proporcionando ao seu par uma amante calorosa e dedicada. Seu poder venusiano, fértil, é capaz de dar vida não só a novos seres, mas como também a toda sorte de experiências e fantasias.
No trabalho
Como uma grande figura política, e de negócios, A Imperatriz marca períodos de foco e crescimento profissional. Aqui o dinheiro é sim importante, como um meio através do qual garantimos a estabilidade e o conforto das nossas vidas e dos nossos lares. Procuramos o crescimento e a segurança por aquilo que eles podem proporcionar a nós e a aqueles que nos importam. E o conseguimos, na medida que sabemos usar nossa sensibilidade e sabedoria para sermos criativos e constantes em nossos esforços. Se esforce, lute, A Imperatriz garante a vitória daqueles que tem firmeza em si.
Na saúde
Aqui temos boa saúde e energia num geral. Dependendo de seus aspectos, como uma figura de comando, A Imperatriz vai te lembrar para cuidar dos seus nervos, principalmente se você se cobra demais. Não deixe as pressões e angústias da vida te sufocarem, cuide de si mesmo! Viver a base de calmantes e com dores de cabeça por estresse não é vida. A Imperatriz nutre a todos, após nutrir a si mesma. Se você não cuidar bem de si, garantir o seu bem estar primeiro, não terá cabeça para cuidar de nada mais. Então se cuide. Claramente, dependendo da configuração, ela também pode prenunciar gravidez!
Na espiritualidade
A Imperatriz sempre nos remeterá as figuras femininas mais fortes e sagradas de cada religião e povo, de Maria, Santa Mãe de Deus, até Iemanjá, Mãe dos Orixás, aqui temos a manifestação mais popular do lado feminino do divino, a da Mãe. Aquelas que geraram, que regeram, que cuidaram, que se sacrificaram e que comandaram não apenas por seus filhos mas por todos nós. Imperatrizes se tornaram líderes de suas tribos, de seus povos, comandaram exércitos, guiaram nossa fé, foram canonizadas e santificadas em cada país e cultura. Nesta carta nos lembramos e honramos o poder destas figuras. Aprendemos com elas, crescemos com elas, nos ungimos com seu poder e com sua compaixão. Despertamos em nós esta sacralidade do feminino, daquela que sustenta, por meio do qual todos viemos a este mundo e nele sempre seremos amparados.
E você, qual sua relação com este poder? Você o vive ou precisa curá-lo em si mesmo?
Após toda a ação e dinamismo do Mago, agora adentramos as águas profundas e calmas da Sacerdotisa. Representando os mistérios e a energia do feminino, aqui nos encontramos com nossa intuição, com nossa fé, e também com nossa sabedoria. Como uma figura introspectiva, ela simboliza o movimento do recolhimento, quando nos voltamos para dentro, para ouvirmos nossa voz interior, e em meditação podermos aprender os Grandes Mistérios do Universo, que jamais poderiam ser explicados pela palavra, apenas sentidos e vivenciados pelo espírito.
Das várias maneiras de a retratar que temos hoje em dia, em diversos tipos de decks, podemos destacar algumas simbologias sempre presentes como:
Ela geralmente estará entre duas colunas, uma branca e outra escura, marcando diferentes polaridades.
É comum que segure algum objeto que simbolize ou conhecimento, ou os mistérios da vida e da morte (como a deusa Perséfone, segurando o símbolo da romã)
O número de sua carta é sempre o 2
Sua figura, muitas vezes sentada num trono, sempre ostenta uma coroa
Usa roupas longas, diversas vezes também véus
Nessa lâmina é comum encontrarmos luas, serpentes, e símbolos ligados ao mistério da energia feminina como por exemplo a presença da água
Diferentes representações da carta A Sacerdotisa no Tarot Mitológico (representada pela deusa Perséfone), no Tarot de Rider Waite e no Tarot Egípcio
As romãs, tanto na mão de Perséfone no Tarot Mitológico, quanto no véu atrás da Sacerdotisa no Rider Waite e o Ankh nas mãos da Sacerdotisa do Tarot Egípcio marcam os grandes segredos das passagens iniciáticas do espírito do plano imaterial para a manifestação da vida, e de volta ao plano astral após a morte. Os livros, os papiros, marcam o conhecimento profundo de tudo que existe para além do véu. Pois na jornada insondável da vida/morte/vida encontramos o significado da essência de todas as coisas. As águas, a lua, quase sempre presentes, nos ligam aos ciclos e ao mistério da fertilidade feminina, por onde encarnamos e somos concebidos a vida. Seus pilares, um claro e um escuro, também marcam as polaridades necessárias para se sustentar os alicerces de tudo que existe. Bem como o jogo da sabedoria da morte e da sabedoria da vida, os dois lados da moeda da existência.
No número 2 da carta também vemos de novo a presença da dupla polaridade, sendo um número da união dos opostos, do companheirismo e do equilíbrio. Na coroa que a Sacerdotisa carrega vemos soberania e autoridade para reger os processos de morte e vida, para ser a guardiã dos mistérios que só ela pode carregar. Nela existe a ligação natural entre o imaterial, o sagrado, o divino, com a fertilidade que tem o poder de manifestar e dar a luz a todas as coisas. As luas, flores, serpentes e águas carregam em si o conhecimento, a fé e a magia oculta desses processos. Suas vestes e véus a indicam como uma figura sacerdotal, aquela que se coloca ao serviço daquilo que está além, do sagrado, daí seu nome! Como um oráculo, a figura que media o conhecimento imaterial divino até nós, ela se coloca ao serviço do Grande Mistério.
O lado negativo
Como toda carta do Tarot, a Sacerdotisa também tem seu lado negativo. Como uma carta introspectiva, voltada para seus próprios processos interiores, sua energia em excesso pode nos deixar tímidos demais, ou até mesmo antissociais, nos rendendo dificuldades para expressar o que queremos, sentimos e pensamos. Dependendo das cartas adjacentes ela também pode indicar passividade em excesso, bloqueios espirituais e um certo medo de refletir mais profundamente sobre suas próprias atitudes e encarar seus próprios traumas.
No amor
Aqui, dependendo das cartas que a rodearem, a Sacerdotisa pode indicar problemas internos que irão surgir e precisarão ser entendidos e resolvidos com calma e afeto. Somos convidados por ela a sabermos nos equilibrar. A conhecer melhor a nós mesmos e ao outro, sempre com paciência e suavidade, para chegar ao ponto ideal de harmonia. Como a figura absorta que ela é, aqui podemos nos deparar com dúvidas sobre o que de fato sentimos e em como expressar isso. Mantenha a calma, se interiorize e ouça sua intuição!
Na sexualidade
Muito colocada como a figura feminina perfeita dentro do idealismo e do desejo masculino, a Sacerdotisa marca um perfil feminino profundamente amoroso. Sendo sedutora, sensível e intuitiva, ela sabe conduzir emocionalmente seu parceiro para uma atmosfera de fascínio. Misteriosa e instigante, seu charme é difícil de ser negado. Não costumam deixar que sua própria sexualidade seja limitada pelas noções de pecado ou sujeira da sociedade, vivendo seus afetos de forma sincera e plena e arrebatadora.
No trabalho
Aqui nos é exigida muita calma. A Sacerdotisa nos pede sabedoria, tanto naquilo que fazemos, quanto no que falamos, e para quem falamos. Nem sempre é bom compartilhar nossos planos e ideias antes da hora. Muitas vezes, precisamos ouvir mais nossa intuição e não confiar em todo mundo. Tenha descrição, cautela e equilíbrio. Figuras femininas podem ser decisivas aqui, se procuramos alguma oportunidade. Mas de qualquer forma, saiba ser discreto, e eficiente, na execução dos seus planos e metas.
Na saúde
Como significante da energia feminina, a Sacerdotisa sempre vai nos chamar a atenção para a saúde dos órgãos femininos como seios, útero e ovários. Entram aqui problemas no ciclo hormonal que podem afetar a mulher emocional e psicologicamente, bem como cólicas e cistos. No homem vamos nos remeter muito a próstata, e tendências hormonais ou metabológicas a obesidade. Dependendo da configuração A Sacerdotisa também prenuncia fertilidade e gravidez.
Na espiritualidade
Como uma carta com uma carga psíquica muito intensa, A Sacerdotisa vai nos chamar muito ao aprofundamento dos nossos processos espirituais. E ela vai falar muito mais do que sobre estudo, ela vai falar sobre vivência. Como uma eterna estudante e aprendiz, nela temos muito incentivo ao aprendizado, aos livros, a escrita, mas o verdadeiro conhecimento que ela guarda é aquele que você nunca encontrará em livro algum, apenas na sua própria experiência. Quando falamos de espiritualidade, e de nossas vidas e práticas espirituais, existe o que conseguimos explicar aos outros, mas também o que, por mais que tentemos, nunca conseguiremos colocar em palavras. Só vivendo, passando pela experiência, compreendemos. Um grande exemplo disso são as iniciações, nas diversas religiões e vertentes ocultistas que temos hoje em dia. O neófito, aquele que é novo num determinado caminho e é candidato a iniciação dele, pode até ler como serão os passos de seu ritual de iniciação, mas a vivência do processo é sempre infinitamente maior que sua leitura. Existem coisas nestes processos que, naturalmente, a palavra não dá conta de definir e traduzir. É nesta camada que se encontra o saber da Sacerdotisa, e é aquilo que ela nos desafia a experienciar. Aquilo que a palavra não alcança.
E você? Qual foi a última vez que você se permitiu se aprofundar em si mesmo, e na vida? Ou será que você está precisando do toque intuitivo da Sacerdotisa para iniciar sua própria jornada?
Após termos o pontapé inicial das nossas jornadas na carta do Louco, o Mago é aquele que irá desbravar os novos terrenos adentrados e, com os instrumentos que tem em mãos, agir a favor daquilo que deseja manifestar no mundo. Sua energia é ativa, dinâmica, trazendo uma grande capacidade de comunicação, aprendizagem e ação. Sendo o Arcano de número 1 do Tarot, o pioneirismo e o potencial de materialização são sua marca. Ele é aquele que age, que transmuta, que exerce o próprio poder ativamente no universo. Afinal, para empreitarmos qualquer coisa em nossas vidas não basta apenas a vontade de se lançar ao novo, precisamos também colocar a mão na massa! E essa energia de atuação é a energia do Mago.
Existem muitos jeitos de o representar, nas diversas releituras e estilos que temos hoje em dia do Tarot, mas algumas simbologias permanecem sempre:
Ele sempre será a carta de número 1.
Em todas suas representações veremos que sua figura estende uma das mãos, ou um bastão, para cima, enquanto com a outra aponta para baixo.
Ele sempre tem, diante de si, uma mesa de trabalho composta por objetos que representam os quatro elementos (geralmente um cálice para o elemento Água, uma moeda ou pentagrama para representar o elemento Terra, um bastão ou vela para representar o elemento Fogo e uma adaga ritualística ou espada para representar o elemento Ar).
Ele aparece muitas vezes como uma figura sacerdotal, ou como um magista.
Diferentes representações da carta O Mago no Tarot dos Orixás (O Babalorixá), no Tarot de Rider Waite e no Tarot das Bruxas (A Bruxa)
A postura de suas mãos nos remete a Lei da Correspondência, uma das sete principais Leis Herméticas. “O que está em cima é como o que está embaixo. O que está dentro é como o que está fora.”
Aquilo que está acima, o nosso consciente e a divina força criadora ainda não manifestada, é como aquilo que está abaixo, no nosso subconsciente e na matéria já atuante no universo. E aquilo que está dentro, nossas emoções e potenciais, é como aquilo que está fora, no resultado físico daquilo que sentimos e emitimos no mundo. O que criamos ao nosso redor é sempre um reflexo do que temos dentro de nós mesmos. Só podemos trazer para fora aquilo que possuímos internamente. Só daremos vida ao que temos de dormente em nosso interior. O Mago estende sua mão acima, até o insondável, e dele puxa a fagulha divina para que ela desperte dentro dele o seu próprio poder, talentos e potenciais, para que ele possa assim os manifestar, os ancorar no plano físico, com sua mão voltada para baixo, para a terra. E assim, através daquilo que ele tem em si, ele cria, ativa e comanda seu próprio destino!
A sua frente, em sua mesa de trabalho, ele tem tudo que precisa para fazer seu trabalho. Os quatro elementos ali representados (Água, Terra, Fogo e Ar) são os quatro elementos naturais que, segundo a Alquimia, são a base de tudo que existe em nosso universo. Através da manipulação deles, por meio da sua própria inteligência e habilidade, ele tudo pode fazer. Seu potencial só pode ser limitado por ele mesmo, sendo tão vasto quanto ele mesmo consegue se tornar. Quanto mais ele trabalha em si mesmo, se aprimorando e se fortalecendo, mais ele transforma o mundo ao seu redor a sua semelhança. Tudo depende dele mesmo, e ele sabe disso, por isso seu trabalho é preciso e incansável. Ele está sempre aprendendo, se aprimorando, colocando as coisas em prática, construindo a si mesmo e a sua própria vida em conjunto.
No Mago aprendemos a sermos nossos próprios líderes, colocando nossos planos e vontades para funcionar. Aprendemos, pensamos, criamos, modificamos e executamos. Entramos em contato com aquela parte em nós mesmos que concretiza nossos planos e vontades.
O lado negativo
Como sempre no Tarot, nada tem um lado só. Como O Mago é o primeiro, o pioneiro, em excesso sua energia pode nos tornar impulsivos, egoístas e um tanto infantis em nossos quereres. Como se não tivéssemos uma boa noção da realidade. Isso pode acontecer porque nele só temos nossa própria visão e entendimento, muitas vezes ignorando o nosso arredor. O famoso só vermos com a perspectiva do nosso próprio umbigo. Dependendo das cartas ao seu redor, ele pode nos alertar também contra bloqueios de criação, falta de vontade e preguiça.
No amor
Como uma figura muito ativa, O Mago vai falar de iniciativa. De ir trás. Se você está solteiro, essa carta marca uma boa fase para sair, se divertir, cativar. Para aqueles que já estão em um relacionamento, O Mago vai falar muito para que exista diálogo. Fale o que você pensa, o que você sente, o que você quer. Não tenha medo de tomar a frente, de colocar aquilo que você deseja para acontecer! Nosso poder de conquista se eleva muito nesse Arcano, basta que saibamos agir de acordo.
Na sexualidade
Neste Arcano temos perfis muito sedutores. Cheios de vigor, pró ativos, e com uma certa malandragem na hora da conquista. Eles sabem provocar, sabem encantar, e conduzir as situações de acordo com o que desejam. Aliás, podem ter uma veia manipuladora muito forte, se movendo apenas pelos seus próprios interesses, mas sendo tão bons em suscitarem nossos desejos que encontramos dificuldades em resistir aos seus desmandos. Na veia positiva O Mago nos envolve e nos dá a possibilidade para novos mundos ao seu lado, mas ele também pode ser um grande ilusionista, então cuidado.
No trabalho
Hora de se empenhar para alcançar seus objetivos e metas! No Mago, boas oportunidades surgem para todos, tanto empregados, autônomos quanto desempregados. Não tem quem não seja beneficiado pela energia ágil desta carta. É uma boa época para parcerias, e para que você expresse aquilo que deseja. Perceba seu próprio valor, confie no seu potencial, e se direcione para o seu crescimento, pois ele só depende de você mesmo.
Na saúde
Aqui temos em geral boa saúde. O Mago pode indicar problemas nasais, como congestões, desvios de septo, rinites e sinusites. Mas temos a força necessária para lidarmos com esses problemas e nos restabelecermos. Só não podemos nos deixar, energeticamente, fragilizados.
Na espiritualidade
Como aquele que inicia sua própria jornada espiritual, canalizando através de si a fagulha divina, sem necessidade de intermediários entre si e aquela que é a Fonte de tudo que existe, no Mago vamos ter a figura de todos ocultistas e magistas. Aqui são representadas as feiticeiras e as bruxas. Todos aqueles que trabalham transformando e transmutando as energias ao seu redor, e todos aqueles que ousam dar aquele passo além para mudar o rumo do seu próprio destino. No Mago somos encorajados a estudar os grandes mistérios do universo, nos colocando como agentes ativos dentro dele. Adquirimos o saber teórico e a ele unimos a ação prática, atrevendo-nos a sermos nós mesmos o ponto de transmutação de nossas vidas. Amplie seus estudos, amplie sua prática, ouse mais, não se deixe paralisar pelo medo, vá além!
E aí? Qual foi a última vez que você se arriscou a ser mais, como o Mago? Ou será que você está precisando de um pouco mais da energia dele para se impulsionar até aquilo que você apenas deseja, mas não vem executando?
Tudo aquilo que fazemos tem um princípio, um pontapé inicial. Essa energia dos novos começos, do se aventurar, é a energia que vamos encontrar com O Louco! Em alguns baralhos mais tradicionais ele virá como a carta de número 22, a última dos Arcanos Maiores, indicando que no fim de todas nossas jornadas está o início da próxima. Mas também é muito comum que ele venha, como no Tarot de Rider Waite, como a carta de número 0, simbolizando o marco zero de tudo aquilo que existe.
Existem muitas interpretações do Louco, em diversos estilos de baralho, mas sempre veremos em sua imagética alguns pontos em comum:
Ele caminha aparentemente sem rumo, com o olhar perdido para além da linha do horizonte.
A sua frente, sem que ele pareça notar, pode existir algum obstáculo ou um precipício.
Ele geralmente vai estar carregando algo, como uma pequena trouxa.
Algo o acompanha, muitas vezes uma figura animal.
Por vezes ele carregará um bastão, ou uma flor.
Suas roupas serão o mais despojado o possível, geralmente roupas típicas de viajante.
Diferenças e semelhanças da carta do Louco no Tarot Egípcio, no Tarot de Rider Waite e no Tarot Mitológico
Em sua postura, andando a frente, olhando aquilo que parece estar além, vemos que ele está se lançando ao desconhecido. Com coragem, boa fé, e até mesmo um pouco de inocência. Seu entusiasmo o projeta a frente, apesar de todos os contratempos e perigos que podem aparecer, exemplificados nos obstáculos e precipícios a frente dele. Afinal, é necessária muita boa fé para se lançar ao desconhecido, para dar o famoso pulo da fé, onde não sabemos o que estará nos esperando a frente. E muitas vezes nossas jornadas nos surpreendem negativamente, não é? Muitas vezes levamos tombos feios. Mas O Louco não tem medo de se machucar. Ele não vê os contratempos como perdas, mas como oportunidades para aprender com suas experiências, se levantando todas as vezes mais sábio do que antes de suas quedas.
Aliás, este é o significado da pequena trouxa que ele leva consigo, suas experiências anteriores! Sua bagagem de vida! As vezes pensamos que perdemos tudo, e ter que recomeçar algo do zero parece muito cansativo. Mas sempre levamos conosco nosso aprendizado. Assim, em cada nova oportunidade podemos criar, de fato, um novo destino. Pois nossas vivências nos modificam, nunca somos os mesmos. Mesmo que tendo que começar do zero, nossos passos nunca serão como os de ontem, pois o que vivemos a cada dia naturalmente nos modifica. Para o bem ou para o mal.
Assim, O Louco também é despojado de preconceitos, pois deseja aproveitar tudo que puder, no máximo que puder, afinal, a única coisa que levamos dessa vida é o que vivenciamos, não é mesmo? No Louco temos a vontade de ver o que existe além, o ímpeto de avançar, de nos libertar. De ter de nossas vidas o máximo que pudermos nos proporcionar.
O lado negativo
Como todas cartas do Tarot, O Louco também tem seu lado não muito agradável. Isso porque em excesso, a energia do Louco pode nos tornar frívolos, irresponsáveis, e imprudentes. Nossa vontade de sair do lugar ou situação em que estamos pode ser tamanha que não analisamos risco algum, e podemos ter impulsos movidos apenas pela nossa pressa e angústia, ignorando os sentimentos daqueles que estão ao nosso redor. Você pode se desprender do que desejar e se aventurar, mas, sem ”dar uma de louco”! Pense nisso.
No amor
Podendo ter significados opostos dependendo das cartas que saírem ao seu redor, ele pode tanto marcar uma fase de diversão e descontração, ou a necessidade de se desprender de uma relação onde você se sente sufocado, partindo para novas experiências e aventuras! Para os comprometidos, é muito bom analisar se o período marcado pelo Louco traz leveza ou a necessidade de uma conversa séria. Para os solteiros, no Louco já temos toda energia vibrante para sair, conhecer novas pessoas, e aproveitar cada momento no aqui e no agora, sem colocar pressa no amanhã.
Na sexualidade
A figura do Louco geralmente vai falar de alguém inexperiente sexualmente. Ele traz o espírito jovem que procura novas sensações, e as procura com avidez. Simboliza muito o início das nossas vidas sexuais, onde tudo é uma novidade entusiasmante e, com os hormônios a flor da pele, acabamos buscando mais quantidade do que qualidade. Como um amante, os perfis que se marcam pelo Louco são muito divertidos, sem quaisquer preconceitos, se deixando levar pela vida. Muitas vezes inocentes ou ingênuos, mas sempre independentes, para eles o que importa é curtir. Muitas vezes sem pensar muito, e podendo não considerar os corações que eles podem roubar pelo caminho.
No trabalho
Sem dúvida, O Louco traz bons augúrios para aqueles que desejam se aventurar em novas empreitadas. Podendo se tratar de uma nova fase, ou posto, no lugar onde você já trabalha, ou novas oportunidades em novos lugares, com desafios e expectativas diferentes a te aguardar. Aqui, vale a pena corrermos atrás dos nossos objetivos e sonhos. Vale a pena nos expormos a um pouco de risco. No entanto, como já vimos, não seja irresponsável também. Vá, mas vá com sabedoria.
Na saúde
O Louco traz boa saúde num aspecto geral, ele só nos lembra de não sermos imprudentes com nosso próprio corpo. Respeite seus limites, se cuide com responsabilidade, para depois não ter motivos para reclamar. É uma carta que também rege nossos pés.
Na espiritualidade
No plano espiritual, o Louco expressa muito o desejo de se fazer o próprio caminho. Sem seguir nada apenas porque outros seguiram. Ou porque outras pessoas tiveram e nos relataram experiências muito marcantes. Aqui precisamos ter nossas próprias vivências, experimentar por nós mesmos as coisas. Sentir em nossas peles se as coisas fazem ou não sentido para nós, em nossas vidas. Esta carta traz fases de muito experimentalismo espiritual. Lemos sobre tudo um pouco. Visitamos muitos lugares. Entramos em contato com muitos grupos. Ouvimos o que tem a nos dizer diferentes tribos. De tudo um pouco, sem a nada nos prendermos. Até que surja aquele momento, único e indivisível, onde algo nos toca de forma verdadeiramente diferente. É aí então que damos nosso verdadeiro primeiro passo, e nossa jornada espiritual começa de verdade.
E aí, gostou? Qual foi a última vez em que você se aventurou por territórios desconhecidos, como o Louco? Será que não é hora de iniciar uma nova jornada? Até mais!
Em qualquer meio em que falemos tanto de Tarot quanto de artes divinatórias num geral é muito comum ouvirmos sobre intuição. De entrar em contato com nossa própria intuição, a ouvir, a trabalhar. Mas muitas vezes não sabemos nem o que ela seria ao certo, para que possamos a desenvolver, não é verdade?
Por definição, a intuição seria uma capacidade inerentemente humana de pressentir eventos futuros. Ou até mesmo de poder entender, identificar ou pressupor a verdade, mesmo quando ela seria difícil de discernir. É um sentimento instintivo, e também hipotético, que as vezes nos toma. Como se pudéssemos sentir antecipadamente algumas coisas. Todos nós temos intuição, algumas pessoas só lidam com ela melhor do que outras.
Independentemente dos nossos caminhos espirituais, fé e crenças, todos temos algum nível de sensibilidade as energias ao nosso redor. Ainda que seja mínimo. E, assim como um músculo, essa sensibilidade pode se fortalecer conforme a exercitamos. A intuição segue a mesma linha. Para desenvolvermos aquela intuição afiada, aquela conexão extraordinária, temos que apenas nos comprometermos com nós mesmos, com nossa jornada, dia após dia. Aprendendo a, aos poucos, nos escutarmos e nos respeitarmos melhor.
E sim, de fato, o Tarot (bem como todos tipos de oráculos) são muito bons neste nosso caminho para aprendermos a entender, lidar e fortalecer nossa sensibilidade e capacidades premonitórias. Eles podem nos ajudar a nos conectarmos com aquela parte de nós que enxerga, que sente, o que existe além.
Para facilitar esse contato, antes de irmos manusear nossos oráculos, baralhos e cartas, eu costumo indicar o uso da energia de três ervas, principalmente na forma de chás. A primeira e a principal delas é a Artemísia.
Artemísia
Conhecida por anos como uma erva ligada as bruxas, e a bruxaria num geral, a Artemísia (Artemisia vulgaris L.) era muito usada como uma erva de cura e proteção na idade média. Seu poder para nos ajudar a, em segurança, nos conectarmos com o espiritual é marcante. Ela pode nos guiar em projeções e viagens atrais, pode facilitar a vinda de sonhos premonitórios e visões e nos ajuda na compreensão daquilo que está além do material, além do racional.
O chá: Aqui devemos ter cuidado com a dosagem. Poderosa e forte do jeito que ela é, a Artemísia também pode ser intoxicante se usada em excesso. Portanto, não abuse, e não a ingira em caso de gravidez.
Uma colher de sopa para cada 200ml de água é uma boa proporção. Deixe a água ferver e, assim que ela estiver borbulhante, ponha a quantidade certa de Artemísia nela e apague o fogo, abafando sua chaleira com uma tampa por pelo menos meia hora, ou até que o líquido esteja numa temperatura aprazível para ser consumido.
Coe, segure seu copo ou sua caneca em mãos e, com suavidade, enquanto inspira o vapor do chá, diga: ”Que a força da Artemísia, protetora e professora, possa neste momento me guiar e aguçar minha intuição e dons psíquicos.” Pronto, agora é só beber. Procure não adoçar. Apesar do gosto da Artemísia ser amargo, é bom não misturar sua energia com nenhuma outra aqui. Engula tudo de uma vez só se necessário, mas beba. Espere de dez a trinta minutos para que ela esteja fazendo efeito sobre você e então pode ir trabalhar com o seu Tarot, ou oráculo.
Louro
Sim, aquele mesmo, tanto usado nas nossas cozinhas! O Louro (Laurus nobilis) é uma das ervas mais versáteis e poderosas que podemos ter em mãos. E, dentre todos seus usos, ele também pode ser usado para aumentar nossa percepção extra-sensorial, fortalecendo tanto nossa vidência quanto nossa clarividência. Sendo uma erva que concede sabedoria, induz sonhos proféticos, e também nos abençoa com purificação e proteção, é uma das principais ervas usadas por oraculistas e videntes desde a Grécia Antiga, onde seu uso era comum no famoso Oráculo de Delfos, sendo uma das ervas sagradas ao deus Apolo. Ele torna o que captamos e vemos através de nossa vidência e intuição menos nebuloso e incerto, nos ajudando a compreender melhor o que vemos.
Chá: De forma parecida com o método da Artemísia, aqui a proporção é de 3 a 4 folhas por 200ml de água. Deixe a água ferver, coloque o Louro nela, deixe ferver por uns 2 minutos antes de desligar o fogo e abafar. Não adoce. Espere de dez a trinta minutos, ou até que esteja numa temperatura boa para você. Segurando seu copo ou xícara em mãos, diga: ”Que a força e a benção do Louro possam agora brilhar em mim, me trazendo clareza, fortalecendo minha intuição e meus dons espirituais. Que eu veja, que eu sinta, que eu compreenda.” Pronto, já pode beber. Espere de dez a trinta minutos, para que os efeitos dele ajam em você, e já pode abrir seu Tarot, ou consultar seus oráculos.
Assim como com a Artemísia, é importante frisar que o chá de Louro também não é um chá muito indicado para gestantes ou lactantes. Apesar de seus efeitos medicinais anti-sépticos e digestivos, sendo uma erva muito boa contra má digestão e gases, não abuse. Em excesso o Louro pode provocar sonolência e, dependendo da dosagem, intoxicação.
Anis Estrelado
Sendo uma erva originária da China, e também do Vietnã, o Anis Estrelado (Illicium verum) tem, entre suas propriedades, a capacidade de estimular nossas capacidades mentais, nos deixando mais afiados e perceptivos. Também, por ser uma erva venusiana, desbloqueia nossas verdadeiras emoções, nos deixando mais abertos. E nos dá aquele toque de sorte oportuno, para que, sem que nem sequer notemos como, possamos ter aquelas sacadas mais que certeiras.
Chá: Aqui a proporção será de duas ou três unidades de Anis Estrelado por 200ml de água. No mesmo método do chá de Artemísia e do de Louro, deixe a água ferver, coloque os anis nela, desligue o fogo e abafe a sua chaleira por meia hora, ou até que o chá esteja numa temperatura boa para o consumo. Também não adoce. Suavemente, enquanto sente o aroma do anis estrelado, diga: ‘‘Boa sorte, bons ventos, mente afiada. Que pela energia do anis estrelado eu possa me abrir, em minha percepção mais profunda, para entender a verdade, para intuir o que está além.” Pronto, agora é só beber. Espere de dez a trinta minutos, como nos outros chás, e vá para suas práticas oraculares.
Tente não fazer este processo com o anis mais do que duas vezes por dia. Medicinalmente, o Anis Estrelado ajuda bastante com problemas no estômago, sendo indicado para o tratamento de cólicas e até mesmo para ajudar com os enjoos da gravidez, mas em excesso ele pode justamente nos expor a náuseas excessivas e desnecessárias. Como tudo na natureza, a diferença entre o remédio e o veneno está na dose. Use tudo com sabedoria.
Agora que você já sabe como fazer cada um dos chás, tente! Experimente. E, se desejar, me conte depois como foi.
Alguns dos baralhos que eu tenho em minha coleção pessoal: O Tarot dos Orixás, o Tarot Mitológico e o Petit Lenormand.
Quando adquirimos um novo Tarot, seja o comprando ou mesmo o ganhando de alguém como presente, é normal que venham algumas dúvidas em relação a como o usar. Se vamos querer o usar como um oráculo, um meio para o exercício e desenvolvimento da nossa própria intuição e vidência, é bom que, antes de começar a usá-lo, o limpemos e consagremos. Como já falei aqui, consagrar um objeto nada mais é do que dar-lhe uma função, e direcionar sua energia para melhor desempenhar seu papel. Consagrações não são obrigatórias, mas nos auxiliam muito nosso trabalho, tornando tudo mais forte e fluído. Quando falamos de oráculos, através deles movimentamos muita energia. A limpeza e a consagração aqui não só nos darão uma carga de proteção, como ativam as energias certas para o nosso manuseio. Sem uma consagração, um Tarot ou quaisquer outros tipos de oráculos de cartas, são apenas pedaços de papel muito bem decorados. Na limpeza e na consagração os transformamos nos instrumentos divinatórios que desejamos que eles sejam. Então, vamos lá?
Preparando o ambiente
Escolha um local calmo para trabalhar seu novo Tarot, onde você possa ter privacidade e não ser interrompido. Tenha em mãos um incenso de Mirra, de boa qualidade. A Mirra é conhecida, desde as culturas mais antigas, por suas propriedades tanto de purificação quanto de proteção. Nos colocando em contato com nosso próprio poder, e com o sagrado que nos guia. Com o incenso aceso, o passe cuidadosamente por todo o ambiente no qual você trabalhará. Pode ser por todo um quarto, uma sala, ou apenas sobre uma mesa. Quando terminar, desenhe um pentagrama com o incenso no ar, acima do local onde você irá purificar e consagrar seu Tarot. Visualize o pentagrama da forma mais vívida e real que conseguir, brilhando intensamente numa luz branca e pura, então diga: ”Que aqui, pela benção de todos aqueles que me guiam e me protegem, esteja estabelecido um ambiente puro, harmonioso e protegido para o meu trabalho energético. Que tudo que aqui seja feito, possa ser feito em verdade e em poder. Eu agradeço, que assim seja!” Deixe o incenso em um local seguro, queimando até o fim. Pronto, agora você tem um ambiente protegido e propício para a sua prática!
Purificando o Tarot
Primeiro método: De noite, coloque água potável em um copo, ou taça, de vidro transparente, dispondo em média três colheres de sopa de sal grosso nela. Com suavidade, passe os dedos indicador e médio da sua mão de poder (aquela com o qual você escreve) pela superfície da água, fazendo movimentos circulares. Com delicadeza, diga perto da água: ”Que os elementos aqui presentes despertem e unam suas energias purificadoras, para que do meu oráculo todas energias nocivas ou maliciosas sejam retiradas. Que na suavidade da Água e na firmeza da Terra ele seja liberto de todas as energias que o tocaram anteriormente, se renovando por completo.” Coloque então o copo ou taça numa superfície segura e deixe seu Tarot sobre ele, com a parte onde estão as figuras viradas em direção a água. Deixe ele lá até a manhã seguinte, ou por no mínimo uma hora, onde você já poderá o recolher. Segure o copo, ou taça, novamente em suas mãos e novamente, perto da água, agradeça. Pronto, pode jogar a água e o sal fora.
Segundo método: Tenha em mãos um bom incenso de Sálvia, Alecrim ou Palo Santo, que agem muito bem neste tipo de purificação. Acenda o incenso, ou o pedaço de Palo Santo, e o passe pelo seu Tarot com calma, o defumando. Você pode passar a fumaça pelo baralho inteiro ou ir passando de carta por carta. Ir de carta por carta vai demorar um pouco mais, mas se você tiver tempo, é bom. Enquanto passa as cartas pela fumaça do incenso escolhido, diga: ”Que pela força dos ventos, pela benção daqueles que me guiam e protegem, e pela minha própria vontade, neste momento este oráculo seja purificado de todas energias que anteriormente por ele passaram. Que ele possa ser limpo e renovado, residindo nele apenas o que é bom, verdadeiro e puro.” Coloque as cartas perto do incenso e as deixe lá até que ele termine. Ou, no caso do Palo Santo, que ele se apague naturalmente.
Terceiro método: Tenha consigo uma drusa de ametista ou um bastão de selenita. Ambas pedras tem energia auto limpante, e podem ser usadas para fortalecermos nossa intuição, magia e conexão espiritual. Coloque a pedra escolhida em cima do seu baralho e segure assim ela e as cartas entre suas mãos. Feche os olhos, respire fundo, procure estar relaxado e concentrado no que irá fazer. Com calma, diga: ”Que pela energia purificadora e transmutadora desta pedra, pelo poder da Terra, que este oráculo seja limpo de todas energias indevidas que anteriormente possa ter entrado em contato com ele. Que ele possa ser renovado e harmonizado. Permanecendo nele apenas o que é bom e puro. Eu agradeço, e que assim seja!” Procure visualizar uma luz, ou branco puro ou violeta, brilhando entre as suas mãos, enquanto o Tarot é purificado e equilibrado. O coloque em uma superfície segura, ainda com a pedra acima das suas cartas, e o deixe ali por pelo menos uma hora. Depois disso, estará feito. Se desejar, pode deixar essa pedra sempre perto do seu Tarot, para que ele sempre possa estar harmonizado.
O Ritual de Consagração
Descubra onde ficam os principais pontos cardeais no local onde você irá trabalhar. Na direção Sul, coloque em um suporte seguro uma vela branca, representando o elemento Fogo. Na direção Leste coloque um incenso de Sândalo (pureza e conexão com o sagrado) ou uma pena verdadeira, para representar o elemento Ar. Na direção Norte coloque alguma pedra (ametistas, cristais transparentes e selenitas são boas escolhas) ou um punhado de sal grosso num pratinho claro, para representar o elemento Terra. Na direção Oeste, coloque um copo ou taça de vidro transparente com água potável, para representar o elemento Água.
Coloque seu Tarot dentro do espaço das representações dos quatro elementos, arrumando as cartas na ordem certa, em forma de círculo. Se sente confortavelmente, respirando profundamente pelo menos três vezes, para te ajudar a se centrar melhor.
Coloque sua mão de poder (aquela com a qual você escreve) acima do copo, ou taça, de água, dizendo: ”Poderes da Água, fontes de intuição e de vidência, que neste momento este oráculo possa pela sua energia ser abençoado. Que dele flua pureza, suavidade e amor. Que nele eu possa ver a verdade que está além do véu. Desenvolvendo meus sentidos, meu poder e magia. Que assim seja, eu agradeço.” Passe a taça em movimento circular sobre as cartas, imaginando uma luz azul claro e suave brilhando por elas e as abençoando. Se desejar, pode aspergir um pouco de água sobre as cartas, mas muito cuidado para não danificá-las, dependendo do material do qual são feitas. Coloque novamente a taça em seu lugar.
Numa distância segura, agora coloque sua mão acima da chama da vela, e diga: ”Poderes do Fogo, chamas que iluminam e dão ânimo ao nosso espírito, que neste momento este oráculo tenha sua benção, para que sua iluminação seja mais forte que qualquer escuridão. E que através de seus conselhos eu aprenda a cultivar a coragem necessária para me direcionar sempre para aquilo que certo, justo necessário for. Que assim seja, eu agradeço.” Passe a vela acima das velas, também em movimento circular, agora visualizando uma intensa luz vermelha brilhar através delas. Coloque a vela de volta ao seu lugar.
Coloque agora sua mão acima do incenso, ou da pena de ave, e diga: ”Poderes do Ar, doadores de clareza, inteligência e sabedoria, possam agora abençoar este oráculo. Afiem sua linguagem, concedam esperteza a sua energia. Que tudo que ele possa transmitir seja sábio, certeiro, e transmitido para o bem. E que através dele eu possa me educar, aprendendo a ser eu mesma, mais culta e mais prudente. Que assim possa ser, eu agradeço.” Passe o incenso, ou a pena, no mesmo movimento circular acima das cartas. Visualize uma luz amarelo claro brilhando suavemente nelas. Coloque o incenso, ou pena, de volta ao seu lugar.
Por fim, coloque sua mão acima dos cristais, ou do punhado de sal grosso, dizendo: ”Poderes da Terra, que nos firmam e dão força, que agora este oráculo possa ser fortalecido pela sua energia. Que através dele eu possa ter segurança em minha jornada, prosperando e evoluindo sempre. Sabendo crescer e frutificar apenas aquilo que devido for. Que assim seja, eu agradeço.” Passe também os cristais, ou o sal grosso, no movimento circular sobre as cartas, visualizando agora um brilho verde vivo tomar conta delas. Devolva as pedras, ou o sal, ao seu devido lugar.
Agora, com ambas as mãos acima do círculo de cartas, diga: ”Pela força do meu próprio espírito, pela energia evolutiva que existe em mim, pela graça dos quatro elementos e pela benção dos meus guias e protetores, que este oráculo agora esteja consagrado. Que ele seja um objeto sagrado, meu auxiliar em minha jornada e evolução espiritual. Que benção, graça e força sempre estejam com ele, e comigo. Eu agradeço, que assim se faça!” Visualize agora uma forte luz branca brilhar através de todas as cartas. Respire profundamente, se centrando de novo. Deixe tudo no local até que a vela termine de queimar. Após isso, agradeça novamente, e guarde tudo.
Pronto, agora o seu Tarot já está devidamente limpo e consagrado. Use-o sempre com respeito e sabedoria!